fndice
9 "jVine a sabotear tu raciocinio!"
Violencia y resignificaciones de la justicia
en el Brasil
115 Un espacio public...
"iVine a sabotear tu raciocinio!"1
Violencia y resignificaciones
de la justicia en el Brasil*
El incremento de la violenci...
10 I T E R E S A C A L D E I R A
prendentes. En el Brasil, la democratizaci6n se
desarroll6 como resultado del ingenioso c...
11 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!"
tambien estan asociados con practicas sociales
bastante contr...
12 I T ERE S A C A L D E I R A
crimen organizado. En todos los casas, las refe­
rencias a los derechos y Ia justicia estan...
13 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!"
poraneo. Ademas, sugiere que el principal
desafio para la exp...
14 I T E R E S A C A L D E I R A
libremente, los medias de comunicaci6n no son
censurados, y ya no hay presos politicos. S...
15 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!"
igual que en otros lugares del Brasil, las regio­
nes metropo...
16 I T E R E S A C A L D E I R A
organizaci6n politica constituia el unico camino
para forzar a las autoridades de la ciud...
17 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
militar. Su influencia fue especialmente impor­
tante duran...
18 I T E R E S A C A L D E I R A
cion. Una de las fuentes mas significativas de
este proceso de innovacion es Ia participa...
19 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I NIO ! "
las generaciones presentes y futuras" (art. 2,
par. 1). Adema...
20 I T E R E S A C A L D E I R A
DEMOCRACIA VIOLENTA
Y PERVERSION DE DERECHOS
La criminalidad violenta se ha incrementado
...
21 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!"
poblaci6n tanto bacia la polida como bacia
el sistema judicia...
22 I T E R E S A C A L D E I R A
des y mientras el gobernador del estado estaba
intentando reformar las fuerzas policiales...
23 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!"
justicia es parcial e ineficiente, algo garantizado
solo a un...
24 I T E R E S A C A L D E I R A
nos de una asociaci6n exclusiva con los presos y
criminales, y ligarlos a los derechos de...
25 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!"
especialmente complicados. En el Brasil, los
limites para la ...
26 I T E R E S A C A L D E I R A
nociones, se notan sus peculiaridades. He aqui
una cita de la web:
La Constitucion de 198...
27 I " i V I N E A S A BO T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
Constitucion de 1988, los ciudadanos son clien­
tes, y la se...
28 I T E R E S A C A L D E I R A
nueva filosofia gerencial. En 1999, las dos fuerzas
policiales causaron 664 muertes (la m...
29 I " i VI N E A S A B O T E A R T U R A CIO C I N I O! "
violencia de la Policia Militar de Sao Paulo
puede, perversamen...
30 I T E R E S A C A L D EI R A
linchemos. Ellos [la polida] deberian tener el
derecho, ellos tienen el deber, porque no­
...
31 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!"
tambien crueles. Los medicos forenses mas
experimentados, pol...
32 I T E R E S A C A L D E I R A
Casa de Custodia de Taubate, tiene como
temas absolutos la "Libertad, la Justicia
y la Pa...
33 I " i VI N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
Otro ejemplo de la misma inclinacion proviene
de una carta q...
34 I T E R E S A C A L D E I R A
e incluso los abogados son blanco de la hipo­
cresia y del abuso, y no pueden hacer nada,...
35 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
modo que el comercio debe mantener las
puertas cerradas has...
36 I T E R E S A C A L D E I R A
En la decada de 1980, la campafia contra los
derechos humanos fue articulada por los auto...
37 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
riamos preocuparnos par elias? [ . . . ] Esos
vagabundos no...
38 I T E R E S A C A L D E I R A
m6viles y Ia posibilidad de comunicarse libre­
mente con sus organizaciones.
Desde el pun...
39 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
periferia. Es importante, entonces, agregar
alguna informac...
40 I T E R E S A C A L D E I R A
(asfalto, alcantarillado, servicios sanitarios,
electricidad, etc.) y en terminos de indi...
41 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! "
detalle, es importante mencionar los mas im­
portantes porqu...
42 I T E R E S A C A L D E I R A
ciudad se incremento del 4,4o/o en 1980 al 9,2o/o
en 1991 y aln,2o/o en el 2ooo.21
Desde ...
43 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
la comunicacion (desde telefonos moviles
y ordenadores hast...
44 I T E R E S A C A L D E I R A
continuo escribiendo "periferias". Los procesos
que transformaron la region metropolitana...
45 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! "
tas del grafiti, son probablemente s6lo una
minoria de los r...
46 I T E R E S A C A L D E I R A
construyeron soiiando en convertirse en propie­
tarios y ciudadanos modernos. Aunque much...
47 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! "
del consumo llegaba con el desempleo; el mayor
acceso a los ...
48 I T E R E S A C A L D E I R A
carcelaria, las estaciones de radio clandestinas
(denominadas radios comunitarias) y, en ...
49 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
Aunque tienen varias diferencias internas, com­
parten algu...
50 I T E R E S A C A L D E I R A
que los hombres, mas integradas en el mercado
}aboral y sustancialmente menos involucrada...
51 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! "
simbolos y metaforas de Ia cultura de estos mo­
vimientos. L...
52 I TERES A C A L DEI R A
La elaboradon de un lugar y la referenda cons­
tante a los espados locales de donde provienen
l...
53 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
periferia. Muchas veces, los Racionais Me's
contrastan Ia v...
54 I T E R E S A C A l D E I R A
negra de la periferia. Pero es exactamente este
raro derecho el que mantiene el proyecto ...
55 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
be familias yendo al parque, playboys desperdi­
ciando agua...
56 I T E R E S A C A L D E I R A
en las pautas de segregacion urbana han llevado
a los pobres y a los ricos a estar espaci...
57 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
man favelas.34 En la periferia, a veces un nifio
encuentra ...
58 I T E R E S A C A L D E I R A
residentes como u n espacio de esperanza y
oportunidad en el que, a pesar de la pobreza
a...
59 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
alcoholismo, venganza, treta, pilleria,
madre angustiada, h...
60 I T E R E S A C A L D E I R A
Tarde, pero hoy puedo comprender
que ser malandra es en verdad vivir.
Agradezco a Dios y ...
61 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
muy buena para mi".40 Esta nocion de lealtad
hacia lo que e...
62 I T E R E S A C A L D E I R A
cementerio. "Aqui quien habla es un so­
breviviente mas". Como sobrevivientes, se
convier...
63 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! "
Cada lugar, una ley, yo lo se.
En el extremo sur de la Zona ...
64 I T E R E S A C A L D E I R A
vida y muerte. "Descanse o seu gatilho, entre no
trem da malandragem, meu rap e o trilho!...
6S I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! "
un partido de futbol por television. El describe
sus sentimi...
66 I T E R E S A C A L D E I R A
jEl que entra solo tiene pasaje de ida!
Dime. Dime: tde que sirve?
[ . . .
]
La frontera ...
67 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
ciclo de violencia, en vez de detenerlo. Cuando
el monopoli...
68 I T E R E S A C A l D E I R A
masacre de 1992 en la cual la policia mat6 a 111
prisioneros. El rap se llama "Di<irio de...
69 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A CI O C I N I O ! "
ellos son los Racionales, lno es asi? Pero ellos
solos no ti...
70 I T E R E S A C A L D E I R A
bierta, y en el interior, la fotografia del grupo
sosteniendo una Biblia. Ambas cubiertas...
71 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
[Mi intenci6n es mala, jVacia el lugar!
Estoy encima, tengo...
72 I T E R E S A C A L D E I R A
jNunca te di ni mierda!
jFumas lo que venga, taponas tu nariz!
jBebes todo lo que ves!
jH...
73 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! "
El tipo huele mal, ite darla miedo!
Muy loco, quien sabe de ...
74 I T E R E S A C A L D E I R A
jEsta jodido!
No tuve padre, no soy heredero.
Si yo fuera ese tipo que se humilla en el s...
75 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
guinho!" (un negro "tipo N' en un negrito
cualquiera): cons...
76 I T E R E S A C A L D E I R A
la garantia de un proyecto democratico que
ignora la tarea de proteger los cuerpos de los...
77 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!"
en Iugar de preto, el termino mas comun en
otros raps.
jTU. n...
78 I T E R E S A C A L D EIR A
por haber jugado en el equipo contrario.
[ . . .
]
Me gusta Nelson Mandela, admiro a Spike
...
79 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!"
ni siquiera demuestras inten!s en liberarte.
Esa es la cuesti...
80 I T E R E S A C A L D E I R A
respeto en los raps son sus madres, quienes
sufren, Horan por ellos, los crian solas y le...
81 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C  O C  N  0 !"
Lucha por un lugar en el sol.
jFama y dinero con rey de futbol!...
82 I T E R E S A C A L D E I R A
mujeres raperas en el Brasil y solo una, que yo
conozca, con un co de amplia circulacion:...
83 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
en los que aprenden habilidades informaticas,
por ejemplo),...
84 I T E R E S A C A L D E I R A
dia ("Nada como un dia despues de otro dia",
2002), tiene varias discusiones sobre traici...
85 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
jeras incorporadas al portugues.58 La cubierta
muestra un c...
86 I T E R E S A C A L D E I R A
tipo de vida que ellos llevan, los Racionais Me's
reafirman su ambiguo posicionamiento en...
87 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
algo inevitable. "La cuesti6n es que la abundan­
cia hace m...
88 I T E R E S A C A l D E I R A
limites de una comunidad que se mantiene
unida sobre la base de las "actitudes" y que no
...
89 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! "
constante presencia del acoso policial y los ami­
gos asesi...
90 I T E R E S A C A L D E I R A
dad racial han perdido su poder de convicci6n,
la seguridad ontol6gica capaz de responder...
Caldeira, Teresa - Espacio, segregación y arte urbano en el brasil
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Caldeira, Teresa - Espacio, segregación y arte urbano en el brasil

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Libro de Teresa Caldeira que habla del arte urbano en Brasil.

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Caldeira, Teresa - Espacio, segregación y arte urbano en el brasil

  1. 1. fndice 9 "jVine a sabotear tu raciocinio!" Violencia y resignificaciones de la justicia en el Brasil 115 Un espacio publico cuestionado. Muros, grafiti y pichafoes en Sao Paulo
  2. 2. "iVine a sabotear tu raciocinio!"1 Violencia y resignificaciones de la justicia en el Brasil* El incremento de la violencia urbana es uno de los problemas mas inextricables del Brasil contemporaneo y uno de los desafios mas signi­ ficativos para la efectiva democratizaci6n de la sociedad brasilefia. En las ultimas dos decadas, tanto la violencia urbana como la democracia se arraigaron en el Brasil en un contexto en el que la neoliberalizaci6n tambien fue transformando las instituciones del Estado y modificando la vida econ6mica y social.2 En lugar de desalen­ tarse mutuamente, la violencia y la democracia se expandieron de modos interconectados, parad6jicos y en ocasiones simplemente sor- * El presente texto es Ia version completa del estudio del que parte Ia conferencia "Democracia y muros: Nuevas articulaciones del espacio publico", presentada en el Centro de Cultura Contemponinea de Barcelona (cccs) el 25 de julio de 2003 dentro del ciclo "Ciudades (in)visibles".
  3. 3. 10 I T E R E S A C A L D E I R A prendentes. En el Brasil, la democratizaci6n se desarroll6 como resultado del ingenioso com­ promiso de los ciudadanos, en especial a traves de los movimientos sociales en las periferias urbanas. Despues de veinte afios de regimen democratico, los procedimientos y los imagina­ rios de la democracia estan muy arraigados entre los brasilefios, aunque esta democracia sea disyuntiva. El incremento de la violencia urbana es uno de los procesos que desafia mas directamente a la democratizaci6n y al tiempo que deteriora las condiciones de vida en las ciudades.3 En los ultimos veinte afios, los mas diversos grupos sociales en el Brasil -desde politicos basta presos, desde miembros de movimientos sociales basta polidas, desde ricos basta pobres, desde blancos basta negros- se han familiariza­ do con el lenguaje y los procedimientos de la democracia. Han aprendido a hacer uso de las nociones de derechos, justicia y ciudadania para presentar sus demandas, lo que indica basta que punto la democracia se ha vuelto politicamente hegem6nica. Sin embargo, a pesar de su legitimaci6n, los significados aso­ ciados a nociones tales como derechos y justicia han permanecido inestables y discutibles, y
  4. 4. 11 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!" tambien estan asociados con practicas sociales bastante contradictorias. En este ensayo analizo tres modos en los cuales las nociones de derechos y justicia han sido articuladas en el Brasil democratico. El primer ejemplo muestra como los movimientos sociales urbanos utilizaron nociones de dere­ chos para exigir que los residentes pobres de las periferias urbanas fueran reconocidos como ciudadanos y para reclamar al Estado que trans­ formara las politicas urbanas y mejorara los lugares donde viven. Los movimientos para la reforma urbana indican uno de los modos en los cuales la democratizacion se ha arraigado en la sociedad brasilefia y como la experiencia politica de los movimientos de base en la admi­ nistracion local, la inventiva legal y la moviliza­ cion popular ha construido su espacio en la ley federal. El segundo ejemplo se refiere directa­ mente a la cuestion de la violencia y el delito. Es en relacion con este universo que se producen algunas de las mas perversas articulaciones de las nociones de derechos y justicia. Los casos que analizo incluyen la campafia para impugnar la legitimidad de las demandas por los derechos humanos, las expresiones de apoyo a la violencia policial, y algunas demandas de los grupos del
  5. 5. 12 I T ERE S A C A L D E I R A crimen organizado. En todos los casas, las refe­ rencias a los derechos y Ia justicia estan asocia­ das a intentos por socavar las practicas y las instituciones democraticas. El tercer ejemplo tambien se refiere a Ia cuesti6n de Ia violencia. Analiza los moviinientos hip-hop y sus intentos para controlar Ia proliferaci6n de violencia y muerte entre los residentes j6venes de las perife­ rias pobres. Estos j6venes utilizan Ia musica, el baile y el grafiti para articular lo que ellos lla­ man "actitud", un nuevo c6digo de conducta que podria permitir a los hombres j6venes pobres, especialmente negros, sobrevivir en media de Ia violencia generalizada. Para los grupos hip-hop, las instituciones democraticas son ineficaces, injustas y sospechosas. Por lo tanto, sus debates acerca de Ia justicia estan enmarcados por una perspectiva moral y, en ocasiones, religiosa. Para los tres analisis, los datos provienen en su mayor parte de Ia ciudad de Sao Paulo, donde he estado hacienda trabajo de campo desde fines de Ia decada de 1970. La yuxtaposici6n en este ensayo de estas perspectivas diferentes sabre cuestiones de derechos, justicia y ciudadania revela Ia incertidumbre y el debate que existe en relaci6n con estas nociones en el Brasil contem-
  6. 6. 13 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!" poraneo. Ademas, sugiere que el principal desafio para la expansion de la democracia y el control de la violencia es la creaci6n de espacios publicos donde las cuestiones de desigualdad y racismo puedan tratarse sin cinismo y negaci6n, y simultaneamente la creaci6n de instituciones capaces de dar sentido a las nociones de justicia y de protecci6n de las vidas y los cuerpos de los subalternos.4 DERECHOS SOBRE LA CIUDAD No hay duda de que el Brasil se ha democratiza­ do en las dos ultimas decadas. Tampoco hay duda de que la democratizaci6n ni siquiera haya tocado ciertos aspectos de la sociedad brasilefia. Tal como James Holston y yo hemos argumen­ tado en otras ocasiones, ha sido un proceso irregular en el cual la democratizaci6n del siste­ ma politico resulta su aspecto mas exitoso, y la falta de justicia y la violaci6n de los derechos civiles muestra aquellos en los que ha fracasado.5 En las dos ultimas decadas las elec­ ciones han sido libres y limpias, los partidos politicos y las asociaciones civiles se organizan
  7. 7. 14 I T E R E S A C A L D E I R A libremente, los medias de comunicaci6n no son censurados, y ya no hay presos politicos. Sin embargo, las instituciones del arden -Ia policia y el sistema judicial- han sido sistematicamente incapaces de garantizar Ia seguridad publica, la justicia y el respeto por los derechos civiles, incluso en los niveles minimos. Los espacios urbanos de las regiones metropolitanas brasile­ fias, en especial sus periferias pobres, constitu­ yen la dimension de Ia sociedad brasilefia en la cual podemos observar tanto un compromiso ingenioso con Ia democratizaci6n, como algu­ nos de sus aspectos mas dramaticos.6 En Sao Paulo, asi como en otros lugares del Brasil, los trabajadores pobres se han estableci­ do en casas construidas por ellos mismos en zonas perifericas. En las afueras de Ia ciudad, compraron lotes de tierra a bajo precio a estafa­ dores, o bien lotes con algun tipo de irregulari­ dad a promotoras inmobiliarias que no cumplian con las regulaciones urbanas en relaci6n con Ia infraestructura y el registro de tierras. En Sao Paulo, asi como en otros lugares en el Brasil, los trabajadores siempre han enten­ dido que Ia ilegalidad es Ia condici6n bajo Ia cual ellos pueden convertirse en propietarios y habitar Ia ciudad moderna. Y en Sao Paulo, al
  8. 8. 15 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!" igual que en otros lugares del Brasil, las regio­ nes metropolitanas se caracterizan por la dico­ tomia entre la "ciudad legal" (por ejemplo el centro habitado por las clases altas), y las peri­ ferias ilegales. En calles sin pavimento ni in­ fraestructura, los trabajadores construyen sus propias casas sin financiaci6n, en un lento proceso de transformaci6n a largo plazo cono­ cido como autoconstrucci6n. Es tambien un proceso que simboliza perfectamente el progre­ so, el crecimiento y la movilidad social: paso a paso, dia tras dia, la casa mejora y la gente se siente segura de que el sacrificio y el trabajo duro recompensan. Asi, durante el ultimo medio siglo, y sobre todo durante los afios de intensa urbanizaci6n desde 1950 basta 1980, los trabajadores en Sao Paulo se trasladaron al "campo" para construir sus viviendas y en este proceso fueron los urbanistas de la periferia de la ciudad. Desde mediados de 1970, numerosos movi­ mientos sociales aparecieron en las periferias urbanas pobres de las regiones metropolitanas brasilefias, frecuentemente con la ayuda de la Iglesia cat6lica. Los participantes de los movi­ mientos, mujeres en su mayoria, eran nuevos propietarios que se dieron cuenta de que la
  9. 9. 16 I T E R E S A C A L D E I R A organizaci6n politica constituia el unico camino para forzar a las autoridades de la ciudad a extender la infraestructura urbana y los servi­ cios basta sus vecindarios. Descubrieron que el hecho de que fueran contribuyentes legitimaria su "derecho a tener derechos" y sus "derechos a la ciudad': esto es, derechos al orden legal y a la urbanizaci6n (infraestructura, agua corriente, alcantarillado, electricidad, telefonia, etc.) dis­ ponibles en el centro. Con los movimientos sociales, los derechos sobrepasaron la esfera laboral en la cual siempre habian sido legitima­ dos y cumplidos de forma regulada. En la raiz de sus movilizaciones politicas estaban las con­ diciones ilegales o irregulares de sus propieda­ des y la situaci6n de precariedad de barrios vecinos a los cuales las autoridades publicas no habian dotado de ningun tipo de servicios e infraestructura, alegando precisamente su con­ dici6n irregular. Asi, la inspiraci6n central para estos movimientos fue una experiencia urbana y colectiva de marginaci6n y abandono, a pesar de los esfuerzos individuales de integraci6n a traves del trabajo y el consumo. Los movimientos sociales urbanos fueron los actores centrales en el proceso politico que culmin6 con el derrocamiento de la dictadura
  10. 10. 17 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " militar. Su influencia fue especialmente impor­ tante durante la Asamblea Constituyente que extendi6 las nociones de derechos y ciudada­ nia. La Constituci6n de 1988 instituye una larga lista de derechos como consecuencia de la aprobaci6n de una serie de enmiendas popula­ res que los movimientos urbanos y los grupos minoritarios organizados presentaron despues de una movilizaci6n politica sin precedentes. Los derechos se extienden desde los derechos reproductivos y la prestaci6n por baja paternal, hasta el derecho a la usucapi6n urbana/ Las nuevas concepciones se expresaron tambien en nuevas pnicticas. Los brasilefios aprendieron a invocar sus derechos, tanto haciendo colas en los bancos y las agencias de servicios publicos, como en los tribunales, donde demandaban sus derechos a la propiedad urbana, y en los servicios sobre los cuales afirmaban su derecho al consumo. Las labores de la Asamblea Constituyente y de las numerosas asambleas estatales y munici­ pales que le siguieron marcan un momento importante en la formaci6n de una nueva concepcion de ciudadania basada en la cons­ trucci6n popular de la ley y el ejercicio de nuevos tipos de derechos a traves de la legisla-
  11. 11. 18 I T E R E S A C A L D E I R A cion. Una de las fuentes mas significativas de este proceso de innovacion es Ia participacion popular en Ia reforma urbana y Ia administra­ cion municipal. En muchas de las metropolis brasilefias, grupos asociados al Movimiento Nacional de Lucha por Ia Reforma Urbana han tenido exito en desarrollar esta concepcion de ciudadania urbana dentro de codigos munici­ pales y planes urbanisticos innovadores.8 Una de las leyes mas importantes es el celebre Estatuto de Ia Ciudad, una ley federal de 2001 que instituye un nuevo modelo para Ia legisla­ cion urbana.9 Incorporando el lenguaje y los conceptos desarrollados por los movimientos sociales urbanos y diversas administraciones locales desde 1970, el Estatuto de la Ciudad establece que Ia ciudad y Ia propiedad urbana deben cumplir una "funcion social". Esto en­ cuadra las directivas de Ia politica urbana desde el punto de vista de los pobres, crea mecanismos para revisar patrones de irregula­ ridad y desigualdad y exige a Ia politica urbana "garantizar el derecho a ciudades soste­ nibles, entendido como el derecho a Ia tierra urbana, Ia vivienda, el saneamiento ambiental, Ia infraestructura urbana, el transporte y los servicios publicos, el trabajo y el ocio para
  12. 12. 19 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I NIO ! " las generaciones presentes y futuras" (art. 2, par. 1). Ademas, exige que las politicas urbanas locales se conciban e implementen con partici­ paci6n popular. Asi, toma en consideraci6n la activa colaboraci6n y participaci6n de organizaciones privadas y los intereses de la sociedad civil. Sin lugar a dudas, el Estatuto de la Ciudad es el resultado de los movimien­ tos de ciudadania insurgente de las decadas anteriores.10 El Estatuto de la Ciudad y las pnicticas que lo han inspirado son indicadores importantes de uno de los modos en los que la democrati­ zaci6n y las nociones de derechos y ciudadania se han arraigado en la sociedad brasilefia. Ciertamente, podrian afiadirse otros ejemplos, sin embargo, hay un aspecto crucial de la vida brasilefia en el cual las transformaciones no se arraigaron o bien tuvieron poco efecto. Tal como James Holston y yo hemos argumentado en otra ocasi6n,11 se trata del universo de la ley civil, la justicia y los derechos individuates. Es en la esfera de la violencia, el crimen, la justicia y los derechos civiles donde el proceso de democratizaci6n queda atascado y de donde emergen algunas de las mas perversas articula­ ciones de las nociones de derechos y justicia.
  13. 13. 20 I T E R E S A C A L D E I R A DEMOCRACIA VIOLENTA Y PERVERSION DE DERECHOS La criminalidad violenta se ha incrementado continuamente en el Brasil desde principios de los afios ochenta, hasta el punto de que a finales de 1990 las tasas de homicidios de algunas de las regiones metropolitanas del pais se ubicaron entre las mas altas del mundo (alrededor de 65 por 1oo.ooo habitantes en Sao Paulo, o mas de 6.soo homicidios por afio).12 En Sao Paulo, a pesar de que a comienzos del 2000 estas tasas han disminuido, el homicidio se ha convertido en la causa principal de muerte de los j6venes (la tercera para el total de la poblaci6n) y ha hecho que la esperanza de vida de los hombres dismi­ nuyera cuatro afios en la ultima decada.13 De manera mas alarmante, la polida ha sido res­ ponsable delw% de los homicidios en la region metropolitana de Sao Paulo en los ultimos veinte afios. Por consiguiente, la polida es parte del problema de la violencia y corresponsable de su gravedad.14 Finalmente, la mayoria de los casos de asesinato permanecen sin ser investigados y, por lo tanto, sin castigo, y se han documentado diversos tipos de prejuicios raciales y de genero en juicios criminales.15 Asi, la desconfi.anza de la
  14. 14. 21 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!" poblaci6n tanto bacia la polida como bacia el sistema judicial esta justificada. Este aumento de la violencia y la desconfianza bacia la polida no ba impedido la consolidaci6n democratica o la legitimaci6n del imaginario de la ciudadania y los derecbos inberentes a ella, pero ciertamen­ te, las ba marcado de forma decisiva. La cuesti6n de los derecbos bumanos es emblematica por las numerosas paradojas gene­ radas por la interrelaci6n de delito y derecbos, violencia y democracia. En el contexto de la transici6n democratica a mediados de la decada de 1980, el movimiento de derecbos bumanos que se babia originado en la demanda de amnis­ tia para todos los presos politicos, expres6 por primera vez la defensa de los derecbos bumanos de los presos comunes y exbibi6 publicamente las condiciones degradantes de los prisioneros brasilefios. La reacci6n en contra de esta defensa fue fuerte e inmediata y probablemente marca la primera y mas perversa resignificaci6n de los derecbos, llevada a cabo con el objetivo de socavar esos mismos derecbos y a sus defenso­ res. He aqui la cita de un manifiesto de la Asociaci6n de Jefes de Polida del Estado de Sao Paulo dirigido a la poblaci6n el 4 de octubre de 1985, en el contexto de las elecciones para alcal-
  15. 15. 22 I T E R E S A C A L D E I R A des y mientras el gobernador del estado estaba intentando reformar las fuerzas policiales para restringir el uso de la fuerza letal: La situaci6n actual es de intranquilidad para usted y de total garantia para los que matan, roban, violan. Destrozan su familia y sustraen impunemente su patrimonio -obtenido con mucho sacrificio-. lY por que ocurre eso? Usted sabe la respuesta. Creyendo en prome­ sas, elegimos el gobernador equivocado, el partido equivocado, el PMDB [Partido del Movimiento Democnitico Brasilefio] . lCuantos crimenes ocurrieron en su barrio y cuantos criminales fueron responsabilizados por ellos? Usted tambien sabe esta respuesta. Ellos, los delincuentes, estan protegidos por los llamados "derechos humanos", algo que el gobierno cree que usted, un ciudadano ho­ nesto y trabajador, no merece. Los derechos humanos fueron resignificados como "privilegios para delincuentes".'6 Esta fue una habil articulaci6n basada en la noci6n popular de que en el Brasil ia justicia y los dere­ chos son impuestos como privilegios. La mayo­ ria de la poblaci6n considera que el sistema de
  16. 16. 23 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!" justicia es parcial e ineficiente, algo garantizado solo a unos pocos -los que tienen acceso a su intrincado mecanismo, que pueden pagar bue­ nos abogados y que tienen suficiente poder para manipular el sistema-. Si Ia justicia es un privi­ legio y si los derechos de Ia mayoria de los ciu­ dadanos no se respetan sistematicamente, tPOr que asegurar los derechos (privilegios) a los delincuentes?, preguntaron quienes hicieron campafia en contra del concepto de derechos humanos. De este modo, una marca de inequi­ dad y desigualdad social se articulo para deses­ tabilizar Ia expansion de Ia democracia y socavar un intento por expandir el respeto por los dere­ chos de los ciudadanos. El poder de esta articulacion de derechos y privilegios fue tal que a los movimientos defen­ sores de los derechos humanos les llevo mas de una decada comenzar a deshacer algunas de las imagenes consolidadas en el ataque a los "privi­ legios para delincuentes". La nueva articulacion se hizo evidente en el Plan Nacional por los Derechos Humanos, aprobado por el gobierno federal en 1996 y adoptado luego por varios estados. Este plan define los derechos humanos como "derechos de todos los ciudadanos". De este modo, intenta extraer los derechos huma-
  17. 17. 24 I T E R E S A C A L D E I R A nos de una asociaci6n exclusiva con los presos y criminales, y ligarlos a los derechos de todos los grupos marginados. Esta rearticulaci6n fue posible porque una serie de violaciones flagran­ tes de los derechos humanos (por ejemplo en Eldorado dos Carajas, Favela Naval, y Cidade de Deus), expuestas intensamente por los medios de comunicaci6n, provoc6 un cambio en Ia opinion publica. Entre estos episodios hubo algunas huelgas de agentes armados de las dis­ tintas fuerzas de seguridad policiales que se enfrentaron en las calles y amenazaron directa­ mente a Ia poblaci6n. La seguridad publica y las fuerzas policiales constituyen, por cierto, uno de los campos mas importantes en los cuales Ia intersecci6n de Ia criminalidad y Ia democracia continua siendo fertil para Ia producci6n de paradojas y distor­ siones. Encuadrar las practicas de las fuerzas policiales segun los parametros del estado de derecho es uno de los mayores desafios de cualquier transici6n democratica. En las nuevas democracias con una larga historia de autorita­ rismo y en las que Ia policia esta acostumbrada a actuar fuera de los limites de Ia legalidad, los problemas para controlar Ia violencia policial y exigir responsabilidades a Ia policia pueden ser
  18. 18. 25 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!" especialmente complicados. En el Brasil, los limites para la reforma de la polida y de las carceles han sido especialmente obvios, como indican las constantes acusaciones de corrup­ ci6n policial y los datos sobre abuso por parte de los agentes en la utilizaci6n letal de sus armas y la falta de respeto por los derechos de los sospechosos y los presos. Las fuerzas poli­ ciales han resistido fuertemente las reformas, como lo indican sus numerosas huelgas. No obstante, tampoco han permanecido inmunes al proceso de democratizaci6n. La Polida Militar del Estado de Sao Paulo, por ejemplo, se vio obligada a cambiar su imagen publica. Adopt6 algunas iniciativas nuevas, como la vigilancia comunitaria, e intent6 mejorar su imagen como una instituci6n que abusaba de sus armas y no respetaba en su accionar diario ni los derechos ni las vidas de los ciudadanos. En su nueva pagina web presentaba a la ciuda­ dania y la opinion de los ciudadanos como parametros para las acciones de los miembros de la instituci6n. Esta es una indicaci6n de la legitimidad que las nociones de ciudadania y derechos han adquirido en el Brasil contempo­ raneo. Sin embargo, cuando se presta atenci6n a los modos en los cuales se articulan esas
  19. 19. 26 I T E R E S A C A L D E I R A nociones, se notan sus peculiaridades. He aqui una cita de la web: La Constitucion de 1988 trajo un nuevo con­ cepto que se hizo fuerte en nuestra sociedad: la ciudadania. La gente se torno mas conscien­ te acerca de sus derechos, mas demandante respecto de las instituciones, y esto fue una invitacion para quienes estuvieran dispuestos a servir bien para revisar su postura. La cuestion fue no solo expandir los servi­ cios sino tambien cambiar la actitud. [ . . . ] Con el nuevo arden establecido, fue necesario algo mas que solo ubicarse en la posicion de los clientes e imaginar nuevas productos. Fue necesario escucharlos. [ . . . ] Fue una invita­ cion a un cambia cultural. [ . . . ] Hubo que cambiar de un modelo burocratico [ . . . ] a un nuevo modelo, el modelo gerencial, que el Programa de Mejora de Calidad introdujo en la Policia Militar del Estado de Sao Paulo. Su objetivo es estar mas cerca de la poblacion mediante la mejora de los servicios prestados a la poblacion.17 En la pagina web de la Policia Militar, la ciuda­ dania se convierte en una invencion de la
  20. 20. 27 I " i V I N E A S A BO T E A R T U R A C I O C I N I O ! " Constitucion de 1988, los ciudadanos son clien­ tes, y la seguridad publica es un producto ofre­ cido por la Polida Militar para clientes exigentes. La referencia no es el estado de dere­ cho sino el mercado. Esto sugiere que la Polida Militar esta, de hecho, en sintonia con los reque­ rimientos de la era neoliberal mas que con la interpretacion liberal de la ciudadania y los derechos. Aunque ha habido un cambio en el discurso e incluso en la organizacion de la Polida Militar, no puede decirse lo mismo sobre su practica. A pesar de la determinacion de los gobernadores Mario Covas y Geraldo Alckmin de controlar la violencia policial en Sao Paulo, de reformar las fuerzas policiales y unificar algunas de sus ope­ raciones, de crear la vigilancia comunitaria, de instituir un Defensor de la Polida (Ouvidoria da Polkia) y del entrenamiento en materia de dere­ chos humanos, la Polida Militar de Sao Paulo ha continuado matando civiles. El numero de muertes civiles causadas por polidas fue de mas de 1.000 por aiio en 1991 y 1992, cuando ocurrio la famosa masacre de 111 prisioneros en la Casa de Deten�ao. Disminuyeron en 1996-1997, pero volvieron a aumentar despues de 1997, exacta­ mente en el momento en que se implemento la
  21. 21. 28 I T E R E S A C A L D E I R A nueva filosofia gerencial. En 1999, las dos fuerzas policiales causaron 664 muertes (la mayoria en manos de la Policia Militar); en 2000, 807, y en 2001, 703. Estas cifras representan aproximada­ mente elw% del numero total de homicidios en la region metropolitana. Entre 1990 y 2001 hubo al menos 11.700 muertes civiles confirmadas por parte de policias. La mayoria de las victimas no tenian antecedentes penales, tal como lo indica­ ron las investigaciones realizadas por el Defensor de la Policia en 1999 y2000. El hecho de que estas violaciones continuen ocurriendo a pesar de las buenas intenciones y la voluntad politica de controlarlas, indica algunos de los limites del proceso de democra­ tizaci6n. En el contexto de la naturalizaci6n de la violencia policial, mucha gente entiende que la policia tiene derecho a usar sus armas para matar. Ademas, las dificultades para con­ trolar los abusos policiales indican una de las ironias mas perversas de este mundo: el hecho de que la policia que mata puede, de hecho, estar actuando segun las expectativas de ciuda­ danos que estan frustrados por la ineficacia del sistema judicial y que no pueden creer en la posibilidad de seguridad en un sistema con una desigualdad social inmensa. De este modo, la
  22. 22. 29 I " i VI N E A S A B O T E A R T U R A CIO C I N I O! " violencia de la Policia Militar de Sao Paulo puede, perversamente, terminar satisfaciendo a sus "clientes", los ciudadanos que han aprendi­ do a interpretar esa violencia como eficiencia. Esto ocurre aunque la mayorfa de los que de­ fienden el accionar de las "policias bravas" provienen del mismo grupo social que las vktimas de la policia: los residentes pobres de los vecindarios en las periferias. En una com­ pleta inversion de sentido, se considera que Ia policia que mata cumple con sus deberes y hace respetar los "derechos" de justicia y seguridad de los ciudadanos pobres. Esta es la perspectiva articulada por un residente de las periferias de Sao Paulo de 18 afios: Me gustaria que el Escuadr6n de la Muerte todavia existiera. El Escuadr6n de la Muerte es la policia que s6lo mata; el Escuadr6n de Ia Muerte es la justicia par mana propia. Creo que esto todavia deberia existir. Es necesario hacer justicia par mana propia, pero la gente que deberfa hacerlo debe ser la policia, las mismas autoridades, no nosotros. tPor que vamos nosotros a atrapar al tipo y matarlo? tPara que pagamos impuestos? Para esto, para estar protegidos. [ . . . ] No sirve que nosotros
  23. 23. 30 I T E R E S A C A L D EI R A linchemos. Ellos [la polida] deberian tener el derecho, ellos tienen el deber, porque no­ sotros pagamos impuestos para esto. [ . . . ] La ley debe ser esta: si tu matas, tu mueres. Pero probablemente una de las rearticulaciones mas sorprendentes del lenguaje de los derechos y la justicia proviene de grupos del crimen organizado. Las carceles brasilefias siempre han sido espacios donde la violaci6n de los derechos es brutal y generalizada, una situaci6n que los defensores de los derechos humanos fueron los primeros en exponer. En los ultimos afios las carceles se han convertido en dominios de una serie de grupos organizados que se Haman a si mismos "comandos" o "partidos". Estos coman­ dos imponen un orden violento dentro de las carceles al mismo tiempo que controlan el crimen afuera, con la proverbial ayuda de telefo­ nos m6viles, que en grandes cantidades entran de contrabando en las carceles. Con el uso de m6viles, que la polida no logra controlar y confiscar, los comandantes de estos grupos organizan revueltas en las carceles, secuestros, asaltos y la exterminaci6n de gente que ellos consideran peligrosa o simplemente desleal. Sus acciones no solo son criminales y violentas sino
  24. 24. 31 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!" tambien crueles. Los medicos forenses mas experimentados, policias y activistas de dere­ chos humanos, han declarado estar impactados por el ingenio monstruoso de las violaciones. Evocan la noci6n de crueldad para expresar el frecuente espectaculo no s6lo de muertos, sino tambien de cadaveres exageradamente mutila­ dos, violados y exhibidos. Pese a ello, ni siquiera estos comandos dejan de recurrir al lenguaje de los derechos y la justi­ cia, de modo que sus declaraciones representan la forma mas perversa de cruce del lenguaje de la democracia y de la practica de la violencia de los reclusos. Hablan acerca de la justicia y los dere­ chos y describen los abusos a los cuales han sido sometidos en terminos similares a los usados en los informes de derechos humanos, pero todo ello para justificar su propia violencia y abusos, sus crimenes y su crueldad. El Estatuto del Primer Comando de la Capital, un comando organizado en las carceles de Sao Paulo, ejempli­ fica esta tendencia: u. El Primer Comando de la Capital (PCC) fundado en 1993, en una lucha descomunal e incansable contra la opresi6n y las injusticias en el campo de concentraci6n "anexo" a la
  25. 25. 32 I T E R E S A C A L D E I R A Casa de Custodia de Taubate, tiene como temas absolutos la "Libertad, la Justicia y la Paz". 13. Tenemos que permanecer unidos y organi­ zados para evitar que ocurra nuevamente una masacre similar o peor a la ocurrida en la Casa de Detenci6n el 2 de octubre de 1992, cuando 111 presos fueron cobardemente asesinados, masacre esta que nunca sera olvidada en la conciencia de la sociedad brasilefia. Porque nosotros, desde el Comando, vamos a cambiar la practica carce­ laria, inhumana, llena de injusticia, opresi6n, tortura y matanzas. 7· Aquellos que esten en libertad y bien esta­ blecidos pero se olviden de colaborar con los hermanos que estan en prisi6n, seran conde­ nados a muerte sin perd6n. 16. [ . . . ] En coalici6n con el Comando Vermelho [Comando Rojo] (cv), revolucio­ naremos el pais dentro de las prisiones y nuestro brazo armado sera el terror "de los poderosos" opresores y tiranos que usan el anexo de Taubate y de Bangu I de Rio de Janeiro como instrumento de venganza de la sociedad en la fabricaci6n de monstruos.18
  26. 26. 33 I " i VI N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " Otro ejemplo de la misma inclinacion proviene de una carta que se atribuye al Comando Ve�melho y que fue distribuida a la poblacion de Rio de Janeiro el 24 de febrero de 2003. Ese dia, propietarios de negocios en barrios del centro de Rio mantuvieron cerradas las puertas de sus establecimientos alegando que seguian las ordenes y amenazas del Comando Vermelho. La carta confirma que quienes desobedecieran la orden serian "castigados radicalmente". La razon para el cierre fue protestar contra las acciones de la policia y las decisiones del siste­ ma de justicia. Ahora es el momento de reaccionar firme­ mente y con determinacion, y de mostrar a estas politicas repulsivas y opresivas que merecemos ser tratados con respeto, dignidad e igualdad, porque si esto no cambia, no dejaremos de causar el caos en esta ciudad, porque es absurdo que todo esto siga ocu­ rriendo y siempre permanezca impune. [ . . . ] Tambien el sistema judicial continua ha­ ciendo lo que quiere con su poder, especial­ mente la division de las ejecuciones penales, porque con un total abuso de poder esta violando todas las leyes establecidas y legales
  27. 27. 34 I T E R E S A C A L D E I R A e incluso los abogados son blanco de la hipo­ cresia y del abuso, y no pueden hacer nada, entonces si alguien tiene que poner un freno a esta violencia, ese alguien seremos nosotros, porque el pueblo no tiene los medios para pelear por sus derechos, pero sabe claramente quien le esta robando y masacrando y esto es lo importante, porque ya pas6 el tiempo en que los delincuentes eran de las favelas y estaban detras de las rejas de la prisi6n; pues hoy en dia los que se encuentran viviendo en una favela o detras de las rejas de una prisi6n son nada mas y nada menos que personas humildes y pobres; y nuestro presidente Luiz Inacio Lula da Silva y el pais s6lo cuentan con usted para sacarnos de este lodo, porque tsera que existe una violencia mayor que robar los tesoros publicos y matar a la gente con una dieta pobre, sin un salario minimo decente, sin hospitales, sin trabajo y sin comida? tSeni que esta violencia lograni terminar con la violencia? Pues la violencia genera violencia. tExistira entre los presos de este pais alguien que haya cometido delito mas atroz que matar a una naci6n de hambre y miseria? Entonces, BASTA. S6lo queremos nuestros derechos y no vamos a renunciar a ellos, de
  28. 28. 35 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " modo que el comercio debe mantener las puertas cerradas hasta la medianoche del martes (25 de febrero de 2003), y el que ose abrir las puertas sera castigado de una forma u otra. No estamos bromeando, quienes estan bromeando son aquellos politicos, con este total abuso de poder y con este robo generali­ zado. Que el poder judicial comience a eva­ cuar las prisiones y actuar dentro de la ley antes de que sea demasiado tarde. Si las leyes fueron hechas para ser cumplidas, lpor que este abuso? Aunque esta carta supuestamente esta defen­ diendo los derechos de los presos y de la gente pobre abusada par las fuerzas policiales, la l6gica de sus argumentos es bastante similar a la utilizada para atacar la defensa de los derechos humanos de los presos desde mediados de la decada de 1980. En ambos casas el ataque se construye en el contraste entre delito, abuso policial y carencias del sistema judicial, par un lado, y pobreza, ausencia de servicios publicos y malas condiciones de vida en la mayoria de la poblaci6n, par el otro. Sin embargo, en los veinte afios que separaron una articulaci6n de la otra, tuvo lugar un desplazamiento significativo.
  29. 29. 36 I T E R E S A C A L D E I R A En la decada de 1980, la campafia contra los derechos humanos fue articulada por los auto­ proclamados "buenos ciudadanos" (incluso miembros de las fuerzas policiales y del sistema judicial) indignados por el hecho de que "crimi­ nales" pudieran ser objeto de derechos. Para oponerse a esta idea, argumentaron que el go­ bierno no deberia extender los "privilegios a los delincuentes" y gastar en su cuidado los escasos recursos tan necesarios para proveer servicios tales como hospitales y escuelas y mejores con­ diciones de vida para la mayoria de la pobla­ ci6n. Tengase en cuenta, por ejemplo, la siguiente cita del programa de radio del diputa­ do estatal, Afanasio Jazadji, una de las celebrida­ des mas populares de la radio en Sao Paulo en la decada de 1980 y uno de los principales articula­ dores de la campafia en contra de la defensa de los derechos humanos: Habria que agarrar a esos presos irrecupera­ bles, colocarlos a todos en un pared6n y quemarlos con un lanzallamas. 0 tirar una bomba en medio de ellos, jpum! Fin del problema. Ellos no tienen familia, no tienen nada, no tienen de que preocuparse, ellos s6lo piensan en hacer el mal; tPOr que debe-
  30. 30. 37 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " riamos preocuparnos par elias? [ . . . ] Esos vagabundos nos consumen todo, millones y millones par mes. Transformemos ese dine­ ro en hospitales, guarderias, orfanatos, asilos y en dar una condici6n digna a quienes realmente merecen tener esa dignidad. Ahara, para ese tipo de gente. . . tGente? jTratarlos como gente! jEstamos ofendiendo al genera humano! (Radio Capital, 25 de abril de 1984).'9 Aunque esta opinion sigue siendo popular, veinte afios mas tarde coexiste con otra. El discurso mas nuevo esta expresado par los presos y sus organizaciones, gente que no tenia voz en el debate anterior. Ahara amenazan a la poblaci6n, hablan en nombre de los pobres -como hacen los llamados justicieros o las patrullas ciudadanas-, acusan a los politicos de corrupci6n y de negar al pueblo los hospitales, salarios y la comida que necesita, y exigen ser tratados con "respeto, dignidad e igualdad" y que sus derechos sean respetados. Supuestamente, sus derechos en este caso son ser liberados de las carceles o tal vez tener acceso a algunos de los "privilegios" que perdieron en los ultimos meses, tales como el usa de telefonos
  31. 31. 38 I T E R E S A C A L D E I R A m6viles y Ia posibilidad de comunicarse libre­ mente con sus organizaciones. Desde el punto de vista de Ia ley y de los principios que supuestamente fundan una democracia liberal, ambas articulaciones son perversas. Pero afirmar eso tampoco es sufi­ ciente ya sea para dilucidar las complejas rela­ ciones entre pobreza, violencia, delito, falta de respeto por los derechos e injusticia que sostie­ nen estas articulaciones, o para clarificar el desplazamiento entre elias. La asociaci6n de estos mismos elementos se encontrani una vez mas en las nuevas formas de movimientos artisticos que proliferaron en las periferias de Sao Paulo en los ultimos afios. AI examinar algunos de estos movimientos, espero contri­ buir a aclarar las parad6jicas articulaciones entre Ia pobreza, el imaginario de los derechos, y Ia violencia en el Brasil. LA PERIFERIA Uno de los simbolos mas importantes que elaboraron el hip-hop y otros movimientos artisticos recientes de Sao Paulo es el de Ia
  32. 32. 39 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " periferia. Es importante, entonces, agregar alguna informacion sobre ella, considerando especialmente que la periferia imaginada en los raps y en los textos de la asi Hamada literatura marginal en Sao Paulo es bastante diferente de la periferia que popularizaron los movimien­ tos sociales. En los ultimos quince afios, las periferias de Sao Paulo han atravesado procesos contradicto­ rios de mejora y deterioro. Los movimientos sociales, ademas de su papel crucial en el proce­ so de democratizacion y en la constitucion de una nueva concepcion de ciudadania, provoca­ ron una significativa transformacion en el am­ biente urbano de las periferias. Los administradores estatales de Sao Paulo que recibieron las demandas de los movimientos sociales les respondieron inmediatamente. La ciudad de Sao Paulo (y muchas otras en el Brasil) se endeudo mucho para invertir en infraestructura urbana, especialmente en servi­ cios sanitarios, hasta el punto de que el Brasil se convirtio en el mayor prestatario del Banco Mundial en el area de desarrollo urbano. Como resultado, las periferias de Sao Paulo (y de otras regiones metropolitanas) mejoraron sustancial­ mente en terminos de infraestructura urbana
  33. 33. 40 I T E R E S A C A L D E I R A (asfalto, alcantarillado, servicios sanitarios, electricidad, etc.) y en terminos de indicadores tales como Ia mortalidad infantil. Los gobiernos de Ia ciudad tambien respondieron a las deman­ das por Ia legalizaci6n de Ia tierra urbana y ofrecieron diversas amnistias a los desarrollos ilegales, ampliando considerablemente Ia canti­ dad de propiedades legales en las periferias. Esta combinaci6n de legalizaci6n y mejoras en in­ fraestructuras cambi6 en forma radical el esta­ tus de la periferia en el paisaje urbano, una transformaci6n analoga a Ia del estatus politico de sus residentes obtenido a traves de los movi­ mientos sociales. Sin embargo, mientras que las periferias mejoraron y la democratizaci6n se arraig6 en el Brasil, las condiciones que sostenian Ia indus­ trializaci6n, el desarrollismo y Ia movilidad social se desgastaron. Comenzaron a colapsar en 1980, con Ia llamada "decada perdida': la profun­ da recesi6n econ6mica asociada con cambios que transformaron de forma significativa a Ia sociedad brasilefia, y a muchas otras en America Latina y en todo el mundo, las cuales siguieron cambiando como resultado de Ia adopci6n de politicas de "ajuste estructural". Aunque este no es el lugar para analizar estos cambios con
  34. 34. 41 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! " detalle, es importante mencionar los mas im­ portantes porque afectaron a la region metropo­ litana de Sao Paulo entre 1980 y 1990. Estos cambios incluyen una brusca disminucion del crecimiento poblacional; descenso pronunciado de la inmigracion e incremento de la emigra­ cion, sabre todo de residentes de las clases alta y media; fuerte caida del producto nacional bruto y las tasas de crecimiento economico; disminu­ cion de los ingresos per capita; reorganizacion profunda de la produccion industrial asociada a un amplio desempleo e inestabilidad !aboral; redefinicion del papel del gobierno en la pro­ duccion y administracion del espacio urbana, y significativo aumento del crimen violento asociado, en parte, a la reestructuracion de la segregacion urbana.2° Como resultado de la crisis economica y los cambios relacionados, la distribucion de la riqueza -ya mala- empeoro, y las perspectivas de movilidad social se redujeron considerablemente. En las periferias, se deterio­ raron importantes aspectos de inclusion urbana que habian logrado los movimientos sociales. Mucha gente no pudo mantener su propia casa y sus escasas esperanzas de mejora parecieron excluir incluso el suefio de autoconstruirla. El mimero de personas que vivia en favelas en la
  35. 35. 42 I T E R E S A C A L D E I R A ciudad se incremento del 4,4o/o en 1980 al 9,2o/o en 1991 y aln,2o/o en el 2ooo.21 Desde luego, un factor que contribuye signifi­ cativamente al deterioro de la vida cotidiana en las periferias es el pronunciado aumento del numero de crimenes violentos. Tal como men­ cione con anterioridad, la tasa anual de homici­ dios de 65 por 1oo.ooo habitantes a fines de la decada de 1990 convirtio a Sao Paulo en una de las ciudades mas violentas del mundo. Incluso con la disminucion de la tasa a comienzos del 2000, muchos de los barrios de la periferia todavia tienen una tasa de homicidios de mas de 6o por 10o.ooo habitantes, comparada con menos de 5 en los distritos centrales de la ciu­ dad.22 Asimismo, la mayoria de los casos de abuso policial y muerte por parte de la polida se registran en las periferias. En suma, aunque el espacio urbana de las periferias ha mejorado y la ciudadania politica se ha extendido a sus residentes, sus derechos civiles se han reducido y sus vidas cotidianas se han deteriorado en ciertos aspectos. Los barrios perifericos estan mas legalizados, cuentan con una infraestructura relativamente mejor, y sus residentes, a pesar de su empobrecimiento, tienen un acceso al consumo, la informacion y
  36. 36. 43 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " la comunicacion (desde telefonos moviles y ordenadores hasta radios y tecnologia electro­ nica de sonido) mucho mayor que el que sus mayores hubiesen soiiado tener algun dia. Sin embargo, la vida cotidiana en estas zonas es mas dura e incierta que antes debido a la expansion de la criminalidad violenta, los abusos policia­ les, el desempleo, el aumento de la precarizacion laboral y el desmantelamiento parcial de un ya precario estado de bienestar. Es esta periferia, donde las marcas de la desigualdad social son evidentes y las condiciones de la vida cotidiana especialmente penosas, la que se convierte en el espacio para la organizacion de una serie de movimientos culturales y formas artisticas que proliferaron con la democratizacion y la amplia­ cion del acceso a fuentes de informacion y comunicacion. Se pueden decir muchas cosas sobre la crista­ lizacion de la periferia como simbolo de preca­ riedad, deterioro, violencia y desigualdad, y algunas se discutiran mas adelante. Sin embar­ go, es importante introducirlas con dos observa­ ciones. Primero, aunque el simbolo de la periferia tiende a homogeneizar, las condiciones de vida en las zonas perifericas de la ciudad estan lejos de lo homogeneo. Por esta razon
  37. 37. 44 I T E R E S A C A L D E I R A continuo escribiendo "periferias". Los procesos que transformaron la region metropolitana de Sao Paulo en los ultimos afios afectaron a estas zonas de manera diferente. Las zonas que mejo­ raron mas se convirtieron en barrios de clase media; en algunas que continuan siendo pobres es posible encontrar enclaves de clase alta; las favelas estan en todos lados; y muchas casas autoconstruidas mejoraron tanto que algunos barrios perdieron la apariencia precaria que solian tener. Incluso la violencia y el crimen no estan distribuidos igualmente y algunas regiones son mucho mas violentas que otras. Pero, mien­ tras las periferias se diversificaron tanto en terminos urbanos como sociales, fueron homo­ geneizadas simbolicamente por movimientos tales como el hip-hop para expresar los peores tipos de desigualdad y violencia. Segundo, no todos los residentes de las perife­ rias, y ni siquiera la mayoria de ellos, comparten la interpretacion de la periferia articulada en este simbolo reciente. Para la mayor parte de ellos, la vida en las periferias todavia se interpre­ ta en terminos positivos, a pesar de los retroce­ sos obvios de los ultimos afios y del aumento de la violencia. La gente que comparte la opinion de los raperos, los poetas marginales y los artis-
  38. 38. 45 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! " tas del grafiti, son probablemente s6lo una minoria de los residentes de las periferias. No obstante, el resto de la poblaci6n no puede ignorar la opinion que los representa tan pode­ rosamente y que situa sus areas una vez mas en el centro del debate politico. La diversidad de opiniones sobre la periferia tambien expresa, a mi entender, un cambio generacional en el grupo que elabora la mirada dominante desde las afueras de la ciudad. La imagen previa de la periferia trabajadora y em­ prendedora fue desarrollada por la generaci6n de migrantes que se establecieron alli primero y luego organizaron los movimientos sociales para reclamar sus "derechos a la ciudad': Los miem­ bros de estos movimientos, aunque j6venes, en su mayoria eran propietarios y padres. Una proporci6n significativa eran mujeres. Llegaron a Sao Paulo para trabajar y creian firmemente en las posibilidades de la movilidad social y la incorporaci6n a la sociedad moderna que ofredan el trabajo duro y la educaci6n en la ciudad. Los miembros de los movimientos artis­ ticos contemporaneos pueden describirse como sus hijos. Son en su mayoria j6venes, la primera generaci6n de hijos de migrantes nacidos en los vecindarios pobres de la ciudad que sus padres
  39. 39. 46 I T E R E S A C A L D E I R A construyeron soiiando en convertirse en propie­ tarios y ciudadanos modernos. Aunque muchos de ellos tienen hijos, por lo general no tienen hogares independientes y casi nunca son propie­ tarios. Las condiciones que encuentran en las periferias son bastante diferentes de las de sus padres. Ellos forman parte de la primera genera­ cion que llego a la mayorfa de edad bajo un sistema politico democratico y tambien bajo los efectos de las politicas neoliberales, tales como un elevado desempleo, menos trabajos formales y una nueva cultura de trabajo "flexible". Desde muchas perspectivas, sus padres tuvieron exito en sus sueiios de movilidad social y su propia insercion en la ciudad, y su moderno mercado de consumo y su esfera publica de debates politi­ cos y comunicacion son signos de este exito. Sin embargo, mientras sus padres creian en el pro­ greso, ellos sienten que tienen pocas o ninguna oportunidad de movilidad social. Piensan en ellos mismos como marginales y excluidos, no como ciudadanos, a pesar de que diariamente ejercen sus derechos ciudadanos de integrar un debate publico y crear su propia representacion publica. Crecieron en momentos en que las posibilidades de incorporacion se correspondian con su deterioro inminente: cuando la expansion
  40. 40. 47 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! " del consumo llegaba con el desempleo; el mayor acceso a los medias, con la percepci6n de la distancia que los separa de los mundos que estos representan; la educaci6n formal, con su descali­ ficaci6n en el mercado !aboral; mejores condi­ ciones urbanas, con crimen mas violento. Desde este lugar, crean una de las criticas mas podero­ sas a la desigualdad social, la injusticia, el racis­ mo y la falta de respeto por los derechos humanos jamas articuladas en el Brasil. HIP-HOP: HABLANDO DESDE LA PERIFERIA NEOLIBERAL Tengo una vieja Biblia, una pistola automatica y un sentimiento de rebeldia. Estoy tratando de sobrevivir en el infierno.23 Mana Brown, Racionais Me's, "Genesis" Los movimientos artisticos y culturales que aparecieron en las periferias de Sao Paulo en la ultima decada son bastante diversos. El mas visible de ellos es el hip-hop (que incluye rap, breakdance y grafiti), pero tambien comprende las asi llamadas literatura marginal y literatura
  41. 41. 48 I T E R E S A C A L D E I R A carcelaria, las estaciones de radio clandestinas (denominadas radios comunitarias) y, en oca­ siones, otros medios, como los videoclips. Muchas de estas formas, especialmente el hip­ hop, son expresiones globalizadas de la cultura de la juventud, con numerosas encarnaciones alrededor del mundo.24 Estas representan len­ guajes y estilos apropiados por grupos que sufren discriminaci6n y prejuicios en todo el mundo para reelaborar sus identidades y expo­ ner las injusticias a las que estan sometidos. Cada una de estas apropiaciones establece si­ multaneamente un dialogo con gente en situa­ ciones similares en todos lados y crea una particular interpretacion local del estilo. A continuaci6n, me centrare mayormente en la circulaci6n local de algunas de estas formas en Sao Paulo, y aunque no profundizare en el analisis detallado de sus relaciones con otros movimientos globales -sobre todo el hip-hop norteamericano-, sera evidente que el rap de Sao Paulo replica varios de los temas y estilos del rap norteamericano. Ademas, centrare el analisis en una de las formas: la musica rap.25 Los movimientos culturales de Sao Paulo que proliferaron en las periferias en los ultimos afios son movimientos de protesta y confrontaci6n.
  42. 42. 49 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " Aunque tienen varias diferencias internas, com­ parten algunas referencias comunes. Al retratar las condiciones de vida de los pobres en las periferias e incorporar criticamente los prejui­ cios, por lo general expresados contra ellos, los miembros de estos movimientos articulan una poderosa critica social. Ellos se ubican en la periferia, se identifican como pobres y negros, expresan un explicito antagonismo racial y de clase, y crean un estilo de confrontaci6n que deja muy poco espacio para la tolerancia y la negociaci6n. Sus raps y su literatura establecen una distancia insalvable e innegociable entre ricos y pobres, blancos y negros, centro y perife­ ria. El racismo es una de sus denuncias mas importantes, y en este sentido estos movimien­ tos representan una ruptura significativa de los modos en los cuales los problemas raciales han sido tratados en el Brasil. Los miembros de estos movimientos no s6lo son en su mayoria negros sino que tambien asumen publicamente y de manera polemica su identidad racial en una sociedad que ha preferido eludir la identifica­ ci6n racial negra en nombre de una ilusoria "democracia racial".26 Tambien son en su mayo­ ria hombres, en una sociedad en la cual las mujeres de su generaci6n estan mas educadas
  43. 43. 50 I T E R E S A C A L D E I R A que los hombres, mas integradas en el mercado }aboral y sustancialmente menos involucradas con el crimen violento y menos victimizadas por Ia violencia policial (las mujeres representan solo alrededor del iYo de las victimas de homici­ dio en Sao Paulo). A pesar de su pobreza y exclusion, los miembros de estos movimientos estan conectados por circuitos globalizados de cultura juvenil, cuyos estilos reinterpretan y adoptan, y dentro de un mercado de consumo igualmente globalizado, que incluye no solo ropa y automoviles sino tambien buscaperso­ nas, telefonos moviles, ordenadores y el equipa­ miento necesario para producir y reproducir su musica y su literatura. Uno de los grupos mas famosos del movi­ miento hip-hop de Sao Paulo es Racionais Me's (Racionales Me's), integrado por Mano Brown, Ice Blue, Edy Rock y KL Jay. Sus ultimos dos CD vendieron mas de 500.000 copias, sobre todo en el mercado alternativo, y son fuertes referentes no solo para los jovenes que viven en Ia periferia sino tambien para los de clase media. Centrare mi analisis en sus raps no solo porque ellos son muy conocidos y una constante referencia en las conversaciones de Ia gente, sino tambien porque han proporcionado algunos de los principales
  44. 44. 51 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! " simbolos y metaforas de Ia cultura de estos mo­ vimientos. La gente conoce de memoria algunas de sus larguisimas letras de rap, las canta en fiestas y en espectaculos y las cita constantemen­ te. Los Racionais Me's dan a Ia juventud pobre de las periferias una interpretacion y un len­ guaje para hablar de experiencias que han esta­ do silenciadas antes, o al menos que no han tenido esta clase de interpretacion tan poderosa y polemica. Los Racionais Me's hablan desde Ia periferia sobre Ia periferia. Tambien hablan a sus residen­ tes, especialmente a los hombres jovenes, a quienes quieren advertir acerca de los aprietos de Ia periferia y de quienes esperan que adopten su particular mirada sobre Ia periferia. Usan muchos terminos para referirse a estos hombres jovenes, a quienes consideran amigos, gente que comparte experiencias de vida similares. Uno de los terminos mas comunes es sangue born, "bue­ na sangre". Despierta sangue born, Este es Capao Redondo, hombre, No Pokemon. Zona Sur es al reves, es estres concentrado, Un corazon herido por metro cuadrado.27
  45. 45. 52 I TERES A C A L DEI R A La elaboradon de un lugar y la referenda cons­ tante a los espados locales de donde provienen los raperos es uno de los rasgos distintivos del hip-hop. En Sao Paulo, asi como en Los Angeles o Nueva York, el rap es una interpretacion de las condiciones de vida en los espacios deterio­ rados de las ciudades postindustriales, ofrecida por sus jovenes residentes, que constantemente mencionan estos espacios.28 La periferia es el espado referendal de los Racionais Me's. Y "periferia es periferia (en cualquier parte)", proclaman, expandiendo la dimension de su hermandad.29 Rap tras rap, los Radonais Me's describen la pobreza y la precariedad de la periferia donde viven y por donde drculan, su violenda cotidiana y su falta de alternativas. Frecuentemente nombran a los diversos ba­ rrios, como Capao Redondo, uno de los mas famosos de la periferia sur de Sao Paulo, con una de las tasas mas altas de homicidios de la ciudad y donde viven dos de los miembros de los Radonais Me's. Con un profundo conoci­ miento de la geografia local, evocan pueblo tras pueblo de su area, sacandolos del usual anoni­ mato experimentado por los espacios de los pobres. Pero todos estos espacios individualiza­ dos comparten las mismas condiciones: son la
  46. 46. 53 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " periferia. Muchas veces, los Racionais Me's contrastan Ia vida en las periferias con Ia de los barrios ricos. "Fim de semana no parque" (Fin de semana en el parque, por Mana Brown, 1993), uno de sus raps tempranos mas famoso, es un ejemplo. Siguiendo un patron comun, comienza con una dedicatoria recitada en Iugar de cantada: 1993, jodidamente volviendo, jRacionais! Usando y abusando de nuestra libertad de expresion, uno de los pocos derechos que el joven negro todavia tiene en este pais. Estas entrando en el mundo de Ia informacion, el autoconocimiento, Ia denuncia y Ia diversion. Este es el rayo x del Brasil. jSea bienvenido! jA toda comunidad pobre de Ia Zona Sur! La referenda al derecho a Ia libre expresion que inicia este rap es una de las escasisimas menciones a algun tipo de derecho por parte de los Racionais Me's. Se presenta con uno de sus raros usos de Ia palabra "negro", el termino politizado para Ia gente negra. Los derechos que se pueden ejercer no son parte de lo que ellos describen como el universo de Ia gente
  47. 47. 54 I T E R E S A C A l D E I R A negra de la periferia. Pero es exactamente este raro derecho el que mantiene el proyecto de los Racionais Me's y, de hecho, de una conside­ rable parte del movimiento hip-hop que se conoce como "radical" o "consciente" en el contexto de Sao Paulo.30 Su proyecto es utilizar las palabras como armas, hacer pensar a la gente, ser racional, hacer circular la informa­ cion, denunciar, construir una radiografia del Brasil. Su misi6n es llevar a la molecada (que se refiere al grupo de moleques, "muchachos", generalmente j6venes y pobres que pasan el tiempo en las calles) fuera de la senda de las drogas, el alcohol y el crimen organizado. Para ellos, esta es la unica alternativa en un univer­ so basicamente sin alternativas, la unica opor­ tunidad en la vida.JI A continuaci6n, en "Fim de semana no par­ que", los Racionais Me's contrastan el estilo de vida de la playboyzada en un barrio rico cerca del suyo, con el de la molecada de su area en una tarde soleada de domingo. El termino "playboy': usado siempre en ingles, se refiere a los hombres blancos de las clases media y alta, e invariablemente tiene connotaciones muy negativas. Se opone a sangue born y a mano (hermano). "Fim de semana no parque" descri-
  48. 48. 55 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " be familias yendo al parque, playboys desperdi­ ciando agua para lavar sus autos, padres co­ rriendo, motocicletas, bicicletas, prostitutas, clubes exclusivos: jMira ese club, que bueno! jMira esa cancha, mira ese campo, mira! jMira cuanta gente! Hay heladeria, cine, piscina caliente. Mira cuantos chicos, cuantas chicas. Ahoga a esa zorra dentro de la piscina. Hay carrera de kart, mira eso. Es igualita a la que ayer vi en la tele. jMira ese club, que bueno! Mira a ese negrito mirando todo del lado de fuera. Ni se acuerda del dinero que tiene que llevar a su padre loqueando gritando dentro del bar. Ni se acuerda de ayer, de donde, del futuro. El solo suefia a traves del muro. . Y El lujoso mundo de las clases altas se vuelve especialmente visible para los residentes de las periferias. Por un lado, la television es casi universal en los barrios pobres, y el estilo de vida de la clase alta es "igualita a la que ayer vi en la tele': Por otro lado, los cambios recientes
  49. 49. 56 I T E R E S A C A L D E I R A en las pautas de segregacion urbana han llevado a los pobres y a los ricos a estar espacialmente mas cerca y hacer que las zonas ricas sean bas­ tante visibles para los residentes de las perife­ rias. Este es, en especial, el caso de los barrios en la Zona Sur donde viven los Racionais Me's. Un viaje a esta zona significa cruzar los barrios mas ricos de la ciudad. Aunque las residencias de la clase media y alta, complejos de oficinas y centros comerciales, estan todos fortificados, los jovenes pobres miran a traves de los muros en su camino a casa y simplemente observan las diferencias. Estas escenas hacen que ellos "imaginen automaticamente" a la molecada de sus barrios, corriendo y jugando a la pelota descalzos en calles sin pavimento, gritando malas palabras, sin videojuegos o incluso television, contando solo con la proteccion de san Cosme y san Damian.33 En su vida cotidiana no hay mucho con que jugar: todo esta del otro lado, ese lado obsceno descrito con odio y desden y que se revela en "pretinho vendo tudo do !ado defora" (el negrito mirando todo del lado de afuera). La Zona Sur, "la numero uno en baja renta en la ciudad", es un area densa de casas construidas muy juntas que los Racionais Me's a veces lla-
  50. 50. 57 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " man favelas.34 En la periferia, a veces un nifio encuentra un "juguete plateado en medio de un arbusto" y puede decidir usar sus balas para que la Navidad sea mejor. Alli se pueden encontrar muertos en la calle, no hay inversion publica, no hay espacios para que los nifios se entretengan. Sin embargo, en la periferia tambien se encuen­ tra dignidad, calidez humana, felicidad general y lealtad. Los Racionais Me's pertenecen a la peri­ feria. Alli estan sus hermanos, alli estan sus amigos, y la mayor parte de la gente luce como ellos: son negros. Mientras que los Racionais Me's describen los universos opuestos de pobres y ricos, ellos repiten la dicotomia que tradicionalmente ha estructurado la vision del mundo de las clases trabajadoras de Sao Paulo: los ricos tienen bienes materiales pero carecen de cualidades morales (especialmente las mujeres, reiterada­ mente llamadas putas).35 Las cualidades mora­ les son caracteristicas de la gente pobre (calidez humana, dignidad y lealtad).36 Sin embargo, en los ultimos afios esta oposicion tradicional se volvio mas complicada. La peri­ feria de finales del decenio de 1970 y comien­ zos de los afios ochenta, la periferia de los movimientos sociales, fue descrita por sus
  51. 51. 58 I T E R E S A C A L D E I R A residentes como u n espacio de esperanza y oportunidad en el que, a pesar de la pobreza abrumadora, abundaban las cualidades mora­ les. Sin embargo, en la descripcion de los Racionais Me's, aunque la periferia todavia significa "dignidad", es tambien un espacio de desesperacion: Creeme, por el orden, la numero, numero uno en baja renta en la ciudad, Comunidad de Zona Sur es dignidad. Hay un cuerpo en el escalon, la mujer baja el morro; jPolicia! jLa muerte, policia! jSocorro! Aqui no veo ningun club polideportivo para que frecuente la molecada. Ningun in­ centivo. La inversion en tiempo libre es muy escasa. El centro comunitario es un fracaso. Pero ahi, si te quieres destruir, estas en el lugar correcto. Hay bebida y cocaina siempre cerca, en cada esquina, a 100, 200 metros. [ . . . ] Estoy cansado de esta mierda, de toda esta tonteria:
  52. 52. 59 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " alcoholismo, venganza, treta, pilleria, madre angustiada, hijo problematico. Familias destruidas, fines de semana tragicos. El sistema quiere eso, la molecada tiene que aprender. Fin de semana en el Parque Ipe. [. ..] Creeme, Racionais Me's y Negritud Junior juntos vamos a invertir en nosotros mismos, manteniendo distancia de las drogas y del alcoholY Rap tras rap, los Racionais Me's reiteran los elementos de este espacio de desesperacion: la constante violencia, la naturalidad y proximidad de la muerte, las drogas, el alcohol, el crimen organizado y las disputas entre hermanos. Estas son las cosas a las que hay que resistir para poder sobrevivir. La pobreza es algo que la gente puede manejar. El truco esta en evitar estas cosas que llevan a la muerte. "Malandragem de verdade e viver" (Ser malandra es en verdad vivir). Este es su argumento en otro famoso rap, "Formula magica da paz" (Formula magica de la paz, por Mano Brown), de 1997:
  53. 53. 60 I T E R E S A C A L D E I R A Tarde, pero hoy puedo comprender que ser malandra es en verdad vivir. Agradezco a Dios y a los orixas, Me pare en medio del camino y mire hacia atras. Mis otros manos, todos fueron demasiado lejos: Cementerio San Luis "aqui yace".38 Formula magica da paz es una de sus muchas descripciones conmovedoras de Ia presencia de Ia muerte y sus intentos por encontrar Ia "for­ mula magica de Ia paz" que pudiera permitirles sobrevivir. Su primer verso es: "Esta mierda es un campo minado".39 Entre las casas que lo hacen tan peligroso estan Ia falta de dinero y de oportunidades, Ia falta de trabajo, los deseos de consumo, "el diablo en tu cabeza todo el dia", mujeres ("tu sabes muy bien lo que ella quiere [ . . . ] encuentra una con caracter, si puedes"), los parientes en prision y sobre todo "un man­ ton de funerales". "Morir es un factor" [Morrer e urn fator] . Pero aunque Ia periferia sea un campo minado, no pueden o no quieren esca­ par: "No voy a traicionar a quien fui, a quien soy", continuan, "Me gusta donde estoy y de donde vine. [ . . . ] Ia ensefianza de Ia favela fue
  54. 54. 61 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " muy buena para mi".40 Esta nocion de lealtad hacia lo que ellos son es crucial, y, como vere­ mos, se relaciona tambien con su negritud. Los miembros de los Racionais Me's recalcan esto especialmente, rechazando entrar en la logica de la fama y la movilidad social a las que su exito como artistas podria darles acceso. Continuan viviendo en sus periferias, donde forman sus grupos (como Negritud Junior) para tratar de sobrellevar la situacion de los jovenes hermanos. Rehusan aparecer en los medias de difusion. Arraigados en la periferia, sienten que tienen un derecho legitimo de apelar a los hombres jovenes a su alrededor y a requerirles su atencion. Esta apelacion es cuidadosa: "como iba diciendo, buena sangre, esto no es un sermon. Escuchen, tengo el don. Yo se como es". Su llamamiento no puede sonar como una formu­ la conocida de moralidad usada en relacion con los pobres y los jovenes. Es un llamamien­ to entre iguales: "nadie es mas que nadie, jab­ solutamente!" Esta es la razon por la cual se tratan entre si de manos, "hermanos". Lo que los califica como oradores, sin embargo, es el hecho de que ellos, hasta ahara, han escapado del destino comun de muchos de sus amigos: el
  55. 55. 62 I T E R E S A C A L D E I R A cementerio. "Aqui quien habla es un so­ breviviente mas". Como sobrevivientes, se convierten en raperos para alistar a otros en sus fechorias (malandragem) y su tipo de guerra.4' El CD de 1997, Sobrevivendo no inferno, que incluye "Formula magica da paz': cristalizo las nociones de la periferia como infierno y la de sobreviviente. Los raperos son sobrevivientes porque escaparon de la falta de alternativas de la periferia, o mejor, escaparon de su destino, de la principal alternativa que este presenta a los hombres jovenes: el fratricidio. Siempre esta la violencia de la polida, pero la causa principal de muerte es que los hermanos pobres se matan entre si. Esta descripcion de un proceso de violencia redproca extendida nos recuerda lo que Rene Girard llama crisis sacrificial, una crisis de distinciones en la cual los hombres son nivelados por la violencia y en la que mantener la diferencia entre el bien y el mal resulta impo­ sibleY En "Formula magica da paz': cuando el sobreviviente deja el hospital donde otro her­ mano va a morir, esta confundido. No sabe que esta bien, quien es el mayor hijo de puta: "lblan­ co, negro, polida, ladron o yo?" Todo lo que sabe es que:
  56. 56. 63 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! " Cada lugar, una ley, yo lo se. En el extremo sur de la Zona Sur esta todo mal. Aqui vale muy poco su vida, Nuestra ley falla, es violenta y suicida. [ . . . ] Bien, lo que da miedo es cuando uno se da cuenta que todo se volvi6 nada, y que s6lo muere el pobre. Vivimos matandonos, hermano, tPOr que? No me mires asi, yo soy igual a ti. Descansa tu gatillo, descansa tu gatillo, Entra en la onda malandra, Mi rap es el camino.43 Todo lo que el ve es a los hermanos yendo al cementerio. Su madre podria ser una de esas que Horan y dejan flores en las lapidas: "morir es un factor". En la indeterminaci6n del universo de violencia y muerte, ellos intentan trazar una linea. Descubren que el verdadero malandraje es vivir. Y quieren, tal vez romanticamente, usar el rap para mostrar a los otros hombres j6venes (si, s6lo hombres, ya que ellos no hablan a las mujeres, no las ven como iguales y de hecho s6lo las desprecian) que ellos pueden separar
  57. 57. 64 I T E R E S A C A L D E I R A vida y muerte. "Descanse o seu gatilho, entre no trem da malandragem, meu rap e o trilho!" ("Descansa tu gatillo, entra en Ia onda malan­ dra, mi rap es el camino"). La presencia de Ia muerte y las esperanzas ofrecidas por el rap son temas centrales en el hip-hop de Sao Paulo. De hecho, su principal evento, el festival de hip-hop de un mes de duraci6n, Agosto Negro, en 2003, tuvo como eslogan Ia frase "El hip-hop salva".44 Los Racionais Me's elaboran el contrapunto entre vida y muerte, las esperanzas involucradas en sus raps y el "factor muerte" de Ia periferia, de muchos modos. Es doloroso escuchar algunos de sus raps por Ia manera poderosa en que describen Ia proximidad de Ia muerte, se refie­ ren a varios amigos muertos y expresan Ia vulnerabilidad de Ia vida en Ia periferia. El tema de Ia naturalidad de Ia violencia mimeti­ ca o redproca se describe a veces en terminos que parecen provenir directamente del analisis de Girard, si no fuera por algunas distorsiones agregadas por el contexto. Otro ejemplo es el perturbador rap "Rapaz Comum" (Muchacho comun, de Edy Rock, 1997). El narrador es un muchacho normal que esta muriendo. Fue herido de muerte mientras miraba en su casa
  58. 58. 6S I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! " un partido de futbol por television. El describe sus sentimientos y pensamientos mientras lo trasladan de urgencia al hospital para morir, y luego continua describiendo su propio funeral. Se pregunta acerca de la banalidad de la muerte y la dificultad de permanecer con vida en terminos que son recurrentes en otros raps: Para sobrevivir aqui hay que ser mago. [ . . . ] La muerte aqui es natural, es comun de ver. jCarajo! jNo quiero tener que encontrar como normal ver a un mano mio cubierto de diarios! jEsta mal! jCotidiano suicida!45 Describiendose a si mismo como otro mucha­ cho comun cuya vida fue desperdiciada, el narrador se pregunta sabre el valor de la vida, reflexiona sabre toda la gente que ha vista morir a temprana edad, siente las lagrimas de su ma­ dre rezando a su lado y sosteniendo su mana mientras el muere, siente miedo y promete revancha a su asesino: el sera un encosto en la vida de su asesino, lo que significa, un espiritu que estara pegado a el, agobiandolo:
  59. 59. 66 I T E R E S A C A L D E I R A jEl que entra solo tiene pasaje de ida! Dime. Dime: tde que sirve? [ . . . ] La frontera entre el cielo y el infierno esta en tu mana. Nueve milimetros de hierro. jCobarde! jOtario! tOue mierda eres? Mira el espejo e intenta entender. El arma es un cebo para pescar. jTu no eres policia para matar! Es como una bola de nieve. Muere uno, dos, tres, cuatro. Muere uno mas en breve. Lo siento en Ia piel, me veo entrando en escena. Recibiendo tiros igual que en pelicula de cine. "jClip, clap, bum!" Muchacho comun.46 Si Ia policia tuviera el monopolio del usa de Ia fuerza y Ia utilizara de acuerdo con los parame­ tros de Ia ley y los derechos humanos, tal vez seria menos extrafio recordarle a alguien que el no es Ia policia y no deberia matar. Pero "Zona Sur es al reves"; alli Ia policia basicamente mata y el monopolio de Ia fuerza esta representado de esta manera pervertida que solo aumenta un
  60. 60. 67 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " ciclo de violencia, en vez de detenerlo. Cuando el monopolio de la policia en el uso de la fuerza es una mascarada, cuando no hay autoridad para detener las disputas y proteger la vida, y cuando la muerte es natural y esta muy presen­ te, una lleva a la siguiente y ocurre exactamente como en las peliculas. En este universo de vio­ lencia mimetica generalizada uno tiene que ser un mago para sobrevivir. Ademas, la linea que separa la vida de la muerte, lo correcto de lo incorrecto, el cielo del infierno, la violencia de la paz, es verdadera­ mente delgada. Las distinciones son inestables y, por lo tanto, siempre hay ambigiiedad. Los Racionais Me's viven codo con codo con herma­ nos (todavia hermanos) que han hecho otras elecciones, que no han tenido la fuerza para resistirse a las drogas, el dinero, la atracci6n del consumo o el delito. Y ellos entienden que es lo que los hace hacer esas elecciones. Los miem­ bros del movimiento hip-hop llevan armas, como lo hacen muchos manos en la periferia, y las ensefian en las cubiertas, interiores y fundas de sus CD. Simpatizan con los que estan en la carcel. En Sobrevivendo no inferno hay un rap que escribi6 Jocenir, un prisionero en la Casa de Deten(j:aO, carcel tristemente celebre por la
  61. 61. 68 I T E R E S A C A l D E I R A masacre de 1992 en la cual la policia mat6 a 111 prisioneros. El rap se llama "Di<irio de urn de­ tento" [Diario de un detenido] y describe los sentimientos de un prisionero el dia de la masa­ cre. La cultura carcelaria se elabora a partir del lenguaje del hip-hop. El rap es un genero im­ portante entre los presos y casi todas las paredes de la Casa de Detenc;:ao fueron cubiertas por grafitis. Estos presos estan siempre presentes en los raps, y son una referenda central en la vida cotidiana en las periferias. Ademas, la literatura carcelaria y la literatura de las ciencias sociales sobre las carceles se han vuelto referencias im­ portantes en las periferias e incluso mas alla. Editoriales consolidadas han publicado relatos escritos por presos, y la prensa los ha reseiiado positivamenteY En numeros recientes de revis­ tas literarias se ha publicado y analizado esta nueva "literatura marginal", y en las pocas bi­ bliotecas que existen en las periferias el libro mas solicitado es Estariio Carandiru de Drauzio Varella, un informe sobre la vida cotidiana en la Casa de Detenc;:ao escrita por un medico que trabaj6 alli. lQue es lo que les permite trazar este estrecho sendero que separa la vida de la muerte? Primero de todo, esta la raz6n. Ellos piensan:
  62. 62. 69 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A CI O C I N I O ! " ellos son los Racionales, lno es asi? Pero ellos solos no tienen demasiado poder. Entonces, evocan a Dios y a los orixas (los dioses y diosas de religiones afrobrasilefias) para que los ayu­ den a "detenerse en media del camino". Los dioses y la vieja Biblia terminan siendo los unicos garantes de las distinciones entre el bien y el mal, lo correcto y lo incorrecto, la vida y la muerte. Aunque ellos se identifiquen con la justicia, esta se concibe en terminos morales mas que legales e institucionales. Lealtad, prin­ cipios morales y vigilancia mutua son nociones mas cercanas a su realidad que el estado de derecho. Ademas, par lo general la justicia, la ciudadania y los derechos son valores identifica­ dos con "el otro lado", el lado del blanco y de las clases altas, y par ella tratados con desconfianza y desden. Ante la ausencia de un sistema de justicia eficaz y dada la imposibilidad de confiar en las autoridades, sabre todo en la polida, que s6lo mata, hay Dios. El co Sobrevivendo no inferno tiene un tema muy breve, "Genesis", ya citado como epigrafe para esta secci6n: "Tengo una vieja Biblia, una pistola automatica y un sentimiento de rebeldia. Estoy tratando de sobrevivir en el infierno".48 Tambien tiene una cruz en la cubierta, una pistola en la contracu-
  63. 63. 70 I T E R E S A C A L D E I R A bierta, y en el interior, la fotografia del grupo sosteniendo una Biblia. Ambas cubiertas inclu­ yen tambien extractos del Salmo 23, "El buen pastor". Sus versos 3 y 4 son la referencia para el titulo de uno de sus raps mas famosos: [ . . . ] y conforta mi alma, me guia por senderos de justicia, en gracia de su nombre. Aunque pase por un valle tenebroso, ningun mal temere, porque tu vas conmigo; tu vara y tu cayado, ellos me sosiegan.49 Las siguientes son selecciones del rap "Capitulo 4, versiculo 3': de Mano Brown: 6oo/o de los j6venes de la periferia sin antece­ dentes criminates ya sufrieron violencia policial; de cada cuatro personas muertas por la poli­ cia, tres son negras; en las universidades brasile:iias, s6lo dos por ciento de los alumnos son negros; cada cuatro horas un joven negro muere violentamente en Sao Paulo; quien habla aqui es Primo Negro, un sobrevi­ viente mas.so
  64. 64. 71 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " [Mi intenci6n es mala, jVacia el lugar! Estoy encima, tengo ganas, juno dos para tirar! Soy mucho peor de lo que estas viendo. El negro aqui no tiene piedad, jes cien por cien veneno! La primera hace "jbum!': la segunda hace "jfa!" jYo tengo una misi6n y no voy a parar! jMi estilo es pesado y hace temblar el piso! jMi palabra vale un tiro, tengo mucha muni­ ci6n! jEn la caida o en la ascension, mi actitud va mas alla! jY tiene disposici6n para el bien y para el mal! [ . . . ] jVine a sabotear tu raciocinio! jVine a agitar tu sistema nervioso y sangui­ neo! [ . . . ] Mira bien, nadie es mas que nadie, mira bien, mira bien, ellos son nuestros hermanos tam­ bien. Pero de cocaina y crack, whisky y cofiac, los manos mueren rapidito sin que se note. Pero quien soy yo para hablar de quien aspira o quien fuma ni se puede. . .
  65. 65. 72 I T E R E S A C A L D E I R A jNunca te di ni mierda! jFumas lo que venga, taponas tu nariz! jBebes todo lo que ves! jHaz al diablo feliz! Vas a terminar tipo el otro mana alia, que era negro tipo A. Nadie se metia con el, gran estilo de pantal6n "Calvin Klein': zapatillas "Puma". Si. . . el modo de ser humilde, en el trabajo y afuera. Le gustaba el funk, jugaba a Ia pelota, buscaba a su negra en el port6n de Ia escuela. jEjemplo para nosotros, Ia mayor moral, mayor IBOPE!51 Pero se empez6 a pegar a los blanquitos en el shopping, "Ahi ya fue". . . jlh! mana, otra vida, otro pique! iY s6lo mina de elite, fiesta y varios drinks! jPuta de boutique, toda esa mierda! jSexo sin limite, Sodoma y Gomorra! Ah. . . hace unos nueve afi.os. . . Quince dias atnis vi al mana. . . Tendrias que verlo, pidiendo cigarrillos en Ia parada. Los dientes agujereados, bolsillo sin una moneda.
  66. 66. 73 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O! " El tipo huele mal, ite darla miedo! Muy loco, quien sabe de que, iloco ya tem­ prano! Ahora no ofrece mas peligro: viciado, enfermo y jodido, iinofensivo! [ . . . ] iHermano, el demonio jode todo a su alrededor! En la radio, diario, revista y outdoor, te ofrece dinero, conversa con calma. Contamina tu caracter, roba tu alma. iDespues te tira a la mierda solito! iSi. . . transforma un "negro tipo !' en un "negrito"! Mi palabra alivia su dolor, ilumina mi alma. iLoado sea mi Seiior! Que no deje al mana aqui descarriarse. iAh, ni "poner un declo" sobre ningun granuja! Pero que ningun hijo de puta ignore mi ley: iRacionais, Capitulo 4 Versiculo 3! iAleluya! iAleluya! iRacionais! [ . . . ] Para los manos desde la Baixada Fluminense hasta Ceilandia: Ya se: ilas calles no son como Disneylandia! De Guaianases al extremo sur de Santo Amaro, iser un "negro tipo !' cuesta carol
  67. 67. 74 I T E R E S A C A L D E I R A jEsta jodido! No tuve padre, no soy heredero. Si yo fuera ese tipo que se humilla en el sema­ foro por menos de un real, mi chance seria poca. Pero si yo fuera ese tipo de capucha, que gatilla y mete el cafio dentro de tu boca, por nada, sin ropa, tu y tu chica, jUno, dos! jNi me viste! jYa desapared en la neblina! Pero no. . . jPermanezco vivo, sigo la mistica, 27 afios contrariando la estadistica! Tu comercial de TV no me engafia, iJa! No necesito de estatus ni fama. Tu auto y tu plata ya no me seducen. jY ni tu puta de ojos azules! Soy s6lo un muchacho latinoamericano, japoyado por mas de 50 mil manos! jEfecto colateral que produjo tu sistema. Racionais, capitulo 4 versiculo 3!52 Ser un negro "tipo N' que desafia las estadisti­ cas y permanecer vivo es dificil. Debe escapar a la violencia, siempre, pero tambien resistir muchas otras seducciones y tentaciones que transforman a "urn preto tipo A num ne-
  68. 68. 75 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " guinho!" (un negro "tipo N' en un negrito cualquiera): consumo, mujeres, la cultura blanca, los ricos, lo que se dice en la television, todo el universo capitalista del mal. El no debe humillarse realizando trabajos que pagan menos de un dolar. No debe convertirse en ladron y asesino. Ademas, nadie es mejor que nadie; los drogadictos y criminales son todavia hermanos. lQuienes son los Racionais Me's para decir algo sobre ellos? La unica fuente de proteccion es Dios, "que nao deixa o mano aqui desandar" (que no deja al mano aqui desca­ rriarse). Pero en este contexto, si un joven negro sobrevive, es un subversivo. El sabotea tu (nuestro) raciocinio.53 Y el sabotaje parece ser multiple. Sabotea el sistema, las estadisti­ cas, el raciocinio de las elites, el status quo racista que lo destina a la muerte en la perife­ ria. Sabotea el patron de violencia reciproca e indiferencia que hace que los hermanos se maten unos a otros. Pero el puede tambien sabotear los modos corrientes de concebir la democracia y la esfera publica democratica marcando una posicion de exclusion no nego­ ciable, dibujando limites rigidos para la her­ mandad, y poniendo a prueba los valores de tolerancia y respeto por la diferencia. Sabotea
  69. 69. 76 I T E R E S A C A L D E I R A la garantia de un proyecto democratico que ignora la tarea de proteger los cuerpos de los subalternos. Para los Racionais Me's, lo que hace a un negro "tipo N' es la actitud. Esta expresi6n, "actitud", que tambien esta presente en el lexico del hip-hop norteamericano, adquiere un papel mas prominente y central en el hip-hop de Sao Paulo. Ter atitude, o "tener actitud", significa comportarse de modo apro­ piado, lo que supuestamente ayudara a mante­ ner a uno en el lado de la vida. Significa evitar las drogas, el alcohol y el delito; ser leal a los manos; estar orgulloso de la raza negra; ser viril; evitar el consumo ostentoso y los valores de las clases media y alta; evitar los medios masivos; ser leal al universo de la periferia; ser humilde; evitar las mujeres. En otras palabras, la hermandad se mantiene unida por este estricto c6digo de conducta que los que se consideran sus portavoces no dudan en hacer­ lo cumplir en terminos bastante autoritarios. Un ejemplo es el rap "Juri racional" (de Mano Brown, 1993) en el cual condenan en los termi­ nos mas duros a un hombre negro a quien consideran un traidor a la raza. En este rap usan generalmente el termino politizado negro
  70. 70. 77 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!" en Iugar de preto, el termino mas comun en otros raps. jTU. no tienes amor propio, fulano! Nos avergiienzas, piensas que eres el mejor. No pasas de ser un sinvergiienza, si osas, osa solo definir tu personalidad. Pero es inferioridad lo que tu sientes en el fondo. Das a los racistas inmundos bastantes razones para seguir jodiendonos como antes. Oveja blanca de Ia raza, jtraidor! iVender el alma al enemigo, renegaste de tu color! Pero nuestro jurado es racional, jno falla! tPor que? jNo somas fans de canallas! [ . . . ] jMe causa rabia e indignaci6n tu indiferencia en cuanto a nuestra destruc­ ci6n! [ . . . ] Aqui esta Mano Brown, descendiente negro actual, tu estas en el jurado racional y seras juzgado, jOtario!
  71. 71. 78 I T E R E S A C A L D EIR A por haber jugado en el equipo contrario. [ . . . ] Me gusta Nelson Mandela, admiro a Spike Lee. Zumbi, un gran heroe, el mas grande de aqui. Son importantes para mi, pero tu te ries y das la espalda. Entonces creo que se que mierda te gusta: Vestirte como playboy, frecuentar clubes bailables, agradar a las putas, ver novelas todo el dia, jque mierda! Si ese es tu ideal, jeS lamentable! Es muy probable que te jodas mucho, te autodestruyes y tambien quieres incluirnos. Pero no quiero, no voy, soy negro, no puedo, jnO lo voy admitir! tDe que valen ropas caras si no tienes actitud? tY de que vale la negritud, si no para ponerla en practica? jLa principal tactica, herencia de nuestra madre Africa! jLa unica cosa que no pudieron robar! [ . . . ] Y si habian avisado a tu mente muchos de nuestra gente, pero tu, infelizmente,
  72. 72. 79 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O!" ni siquiera demuestras inten!s en liberarte. Esa es la cuestion: autovalorizacion. Ese es el titulo de nuestra revolucion. Capitulo 1: El verdadero negro tiene que ser capaz de remar contra la corriente, contra cualquier sacrificio. Pero contigo es dificil: solo piensas en tu beneficio. [ . . . ] "Por unanimidad, el jurado de este tribunal declara la accion procedente. Y considera al reo, culpable. Por ignorar la lucha de los antepasados ne­ gros. Por menospreciar la cultura negra milenaria. Por humillar y ridiculizar a los demas herma­ nos. Siendo instrumento voluntario del enemigo racista. Caso cerrado".s4 Desde la hermandad son excluidos no solo los sospechosos habituales (ricos, blancos, polidas, politicos) y aquellos con una actitud equivoca­ da; tambien son excluidas sus hermanas, todas las mujeres. Las unicas mujeres tratadas con
  73. 73. 80 I T E R E S A C A L D E I R A respeto en los raps son sus madres, quienes sufren, Horan por ellos, los crian solas y les dan su canicter. Abundan los versos que desprecian a las mujeres. La expresi6n mas concentrada de sus prejuicios es el rap "Mulheres vulgares" ("Mujeres Vulgares", por Edy Rock y KL Jay) del CD Holocausto urbano, de 1990: Derivada de una sociedad feminista, que considera y dice que somos todos ma­ chistas, no quiere ser considerada como simbolo sexual, lucha para llegar al poder, probar su moral en una relaci6n en la cual no admite ser subyugada, pero anda para atras. Exige derechos iguales. lY como es el otro lado de la moneda? jCreeme! Para ella, el dinero es lo mas importante. Sujeto vulgar, sus ideas son repugnantes. Es una cretina que se muestra desnuda como objeto, es una inutil que gana dinero haciendo sexo. En el cuarto, motel o pantalla de cine. Ella es una figura viva mas, obscena.
  74. 74. 81 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C O C N 0 !" Lucha por un lugar en el sol. jFama y dinero con rey de futbol! (jah, ah!) Ella quiere estar junto a un magnate que maneje sus pasos de traje y corbata. (Otario. . . ) Quiere ser la pieza central en cualquier lugar. [ . . . ] Quiere ser titular de diario. Somos Racionais, diferentes, si no iguales. jMujeres vulgares, una noche y nada mas! Es bonita, deliciosa y sensual. Su lapiz labial y el maquillaje la vuelven banal. [...) Ser la mala, fatal, buena, ruin. . . jA ella no le importa! Solo quiere dinero, en fin. Envuelve a cualquiera con su aire de ingenuidad. En verdad, por detras rige la mas pura medio­ cridad. Te domina con su modo promiscuo de ser, como se cambia de ropa, te cambia por otro. Muchos la quieren para siempre pero yo la quiero solo por una noche, tme entiendes?55 El hip-hop de Sao Paulo es casi exclusivamente un universo masculino. Solo hay unas pocas
  75. 75. 82 I T E R E S A C A L D E I R A mujeres raperas en el Brasil y solo una, que yo conozca, con un co de amplia circulacion: Nega Gizza (de Rio de Janeiro). A pesar de que algunas mujeres en Ia periferia se identifican con el hip-hop, al que consideran el unico movimiento que expresa adecuadamente sus problemas raciales, hay siempre algun tipo de incomodidad con su presencia. Las razones son obvias. Los manos -al menos tal como lo ex­ presa el verso del rap- no confian en elias y no las respetan. Y obviamente a nadie le gusta ser tratado en los terminos descritos en el rap precedente o estar bajo constante sospecha de deslealtad y traicion.56 Las faltas atribuidas a las mujeres son mas detaliadas que las que se atribuyen a los blancos ricos, y a veces las palabras utilizadas para referirse a elias son mas ofensivas (como lo son las usadas para referirse al negro "traidor"). Hay algunas con­ jeturas posibles respecto de tal preocupacion en relacion con las mujeres, un rasgo que tam­ bien distingue al hip-hop norteamericanoY Podria recordarse que las mujeres en la perife­ ria parecen tener otra relacion con la posicion de marginalidad y exclusion, ya que elias conti­ nuan siendo educadas (tanto en el sistema escolar como en una serie de cursos informales
  76. 76. 83 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " en los que aprenden habilidades informaticas, por ejemplo), entrando en el mercado laboral y encontrando trabajos, sosteniendo y encabe­ zando hogares, y criando niiios solas. Tambien han estado utilizando un lenguaje sobre dere­ chos, y Ia referenda critica bacia este uso es una de las pocas maneras en las cuales los "derechos" figuran en los raps de los Racionais Me's (otro es el derecho a Ia libre expresi6n). Diria que esta denigraci6n de las mujeres (in­ cluso negras) y Ia dura sentencia al negro "trai­ dor" son parte de Ia misma tendencia. Esta es Ia necesidad de vigilar los limites de una comuni­ dad que se mantiene unida sobre Ia base de "actitudes" y que tiene poca tolerancia por Ia diferencia. Esta tarea de patrullaje es facil en relaci6n con los obvios "otros", pero se convier­ te en un hecho engorroso cuando tiene que separar a los que son "iguales pero no tanto". El miedo constante a Ia traici6n y Ia vigilancia del comportamiento estan omnipresentes en un universo que se mantiene unido sobre Ia base de invocaciones morales y en el que Ia vida cotidia­ na es altamente impredecible, dadas tanto las incertidumbres econ6micas como Ia fragilidad de Ia vida. El ultimo CD de los Racionais MC's, el album doble Nada como urn dia depois do outro
  77. 77. 84 I T E R E S A C A L D E I R A dia ("Nada como un dia despues de otro dia", 2002), tiene varias discusiones sobre traicion y envidia. Los raps reproducen presuntas acusa­ ciones de gente que duda de que los miembros del grupo permanezcan leales a los manos ahora que son famosos. Tambien esta Ia repeticion de la nocion de que es muy dificil confiar en Ia gente, porque siempre hay gente mala en todas partes. Se necesita mucha confianza para mante­ ner a la hermandad viva, pero lcomo confiar en la gente si basta Cristo, "que murio por millo­ nes': fue traicionado por uno de los doce que camino con el, y termino llorando? En el rap Jesus chorou ("Jesus lloro': 2002) ellos expresan sus dudas, sus miedos y su vulnerabilidad mien­ tras piden ayuda y evocan "un monton de gente en la que confio, me gusta y admiro, que lu­ chando por la injusticia y Ia paz fueron asesina­ dos: Malcom X, Gandhi, Lennon, Marvin Gaye, Che Guevara, Tupac, Bob Marley y el evangelico Martin Luther King." En este album, los Racionais Me's elaboran el concepto de vida loka (vida loca), pero Ia pala­ bra louca esta deliberadamente mal escrita como loka. Las letras c y k tienen el mismo sonido en portugues, pero Ia k esta en desuso y normalmente aparece solo en palabras extran-
  78. 78. 85 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " jeras incorporadas al portugues.58 La cubierta muestra un coche brillante, grande, de estilo antiguo, un Cadillac de los afios sesenta, un hombre elegantemente vestido que se muestra solo cintura hacia abajo, y una botella y una copa de champagne. jQue cambio de las cu­ biertas previas, que mostraban armas, barrotes de prisi6n, drogas y cruces! Ciertamente, Vida loka no es una noci6n claramente establecida. Yo la leo como la afirmaci6n de su posiciona­ miento en ese ambiguo espacio de la periferia en el cual es dificil separar lo bueno de lo malo, la violencia de la no violencia, el consumo del crimen. La primera persona en vivir una vida loka en la historia, argumentan ellos, fue Dimas, el "buen ladr6n", que fue crucificado al lado de Jesus. Al contrario del otro ladr6n, Dimas creia en Cristo y fue perdonado por el. Tal vez al elegir a Dimas para simbolizar la vida loka, los Racionais Me's fueron conscientes del hecho de que los dos ladrones que fueron crucificados junto a Cristo pertenecian a una categoria especial: eran delincuentes sociales que robaban a los ricos para darselo a los po­ bres. Los ladrones comunes no eran crucifica­ dos.59 Asi, al evocar a Dimas, el buen ladr6n, el delincuente social, para comenzar el linaje del
  79. 79. 86 I T E R E S A C A L D E I R A tipo de vida que ellos llevan, los Racionais Me's reafirman su ambiguo posicionamiento en el universo de la periferia y de la violencia, y vuelven a enfatizar su confianza en la "vieja Biblia" para darle sentido a su aprieto. Comienzan el rap "Vida loka, Parte 2" con el sonido de un brindis con champan por un nuevo afio y continuan describiendo sus joyas y ropas. Los signos del consumo son agregados uno tras otro, a medida que introducen la cues­ ti6n de la mirada envidiosa sobre ellos: Saca tus ojos. Saca tus ojos de mi, olvidate de mi. Yo duermo listo para la guerra. Y yo no era asi, yo tengo odio. Y se que es malo para mi. Que puedo hacer si es asi. Vida loka, tramposa. El olor es de p6lvora. Y yo prefiero rosas.60 Vida loka parece representar otro tipo de inmer­ si6n en la esfera de la ambigtiedad que caracte­ riza el universo de los Racionais Me's. El consumo no es descartado totalmente pero es aceptado como una posibilidad o tal vez como
  80. 80. 87 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " algo inevitable. "La cuesti6n es que la abundan­ cia hace mas feliz al que sufre': afirman, agre­ gando algunos versos despues: "El dinero es una puta y abre las puertas de los castillos de arena que tu quieres". Pareciera que ellos tienen ganas de revisar algunos de sus rigidos principios. Aunque las referencias religiosas siguen siendo fuertes, Judas, el traidor, y Dimas, el ladr6n, van a la vanguardia y el Dios que garantiza la vida es representado como Jesus, quien ha sido traicio­ nado y llor6. Mientras se desarrolla el rap "Vida loka': ellos van y vienen entre preferencias y realidad. Parecen estar siempre diciendo: "No me gusta ser asi, pero, tque puedo hacer?" "Prefiero rosas, pero el olor es de p6lvora". "Un hombre negro preferiria una vida simple, pero en Sao Paulo Dios es dinero", y asi en adelante. En vez de luchar por mantener las distinciones fijas, ellos parecen haber elegido, al menos temporalmente, sumergirse en el espacio de la ambigtiedad que es constitutiva de la periferia y de sus vidas, un espacio de ambigtiedad que es constitutivo de la violencia. He interpretado las preocupaciones expresa­ das por los raperos en relaci6n con las mujeres, con otros hombres negros y la mirada envidio­ sa, en terminos de la necesidad de vigilar los
  81. 81. 88 I T E R E S A C A l D E I R A limites de una comunidad que se mantiene unida sobre la base de las "actitudes" y que no tiene tolerancia por la diferencia. Tambien he argumentado que esta tarea de vigilancia es especialmente complicada en relaci6n con los que son "iguales pero no tanto". Me parece, sin embargo, que esta interpretacion no es aun suficiente y que deberia traer a consideraci6n otros elementos que determinan la vida cotidia­ na en la periferia. Los raperos caracterizan la periferia como un espacio de desesperaci6n. Es un espacio de fla­ grante desigualdad social y falta de oportunida­ des. Es un espacio en el que la presencia de la muerte es sobrecogedora. En todos los sentidos, es un espacio de enormes incertidumbres. La joven generaci6n a la que pertenecen los raperos creci6 en un escenario completamente diferente al de sus padres. La fuerte creencia en el progreso y la movilidad social que estructur6 las vidas y acciones de la generaci6n previa de residentes de la periferia ha desaparecido. Ademas, la cultura del trabajo que afianz6 a la clase trabajadora y su sentido de dignidad, especialmente para los hombres, se ha desvanecido en el contexto de desempleo y relaciones de trabajo flexibles. Cuando estas incertidumbres se combinan con la
  82. 82. 89 I " i V I N E A S A B O T E A R T U R A C I O C I N I O ! " constante presencia del acoso policial y los ami­ gos asesinados, "la vida cotidiana se convierte en un perpetuo ensayo general para la muerte. Lo que se esta ensayando [ . . . ] es lo efimero y eva­ nescente de las cosas que los humanos pueden adquirir y los lazos que los humanos pueden tejer".61 No es de extrafiar entonces que haya tantas preocupaciones sobre la traici6n, la lealtad, la apariencia y la envidia, y que la confianza se convierta en algo que debe ser cuidadosamente construido y dificil de obtener. Al analizar preocupaciones similares en los gangsta rap norteamericanos, Paul Gilroy expli­ ca que estos sefialan una transformaci6n en la esfera publica negra en la cual los "viejos patro­ nes" son reemplazados por una nueva "biopoli­ tica" en la que "la persona es identificada solo en terminos de su cuerpo".62 En la periferia de Sao Paulo, como en los barrios deteriorados de las ciudades norteamericanas, el cuerpo masculino negro esta en el centro de la lucha por la vida y la muerte, el poder y la impotencia. En este contexto, es posible entender por que el sexo esta al frente de la politica y por que la misogi­ nia y la preocupaci6n por los limites de la vida y la muerte impregnan al rap. "A medida que las viejas certezas sobre los limites fijos de la identi-
  83. 83. 90 I T E R E S A C A L D E I R A dad racial han perdido su poder de convicci6n, la seguridad ontol6gica capaz de responder a un sentido del valor de la vida reducido radical­ mente tiene que buscarse en el poder naturaliza­ do de la diferencia de genero y sexo asi como en la habilidad para engafiar a la muerte y matar."63 DEMOCRACIA Y ESPACIOS CERRADOS En afios recientes, numerosos movimientos en el Brasil han expuesto las desigualdades e injus­ ticias que condicionan las vidas y los espacios de los trabajadores pobres. Los movimientos sociales de las decadas de 1970 y 1980 son los mas conocidos. Pero su perspectiva tuvo dos diferencias esenciales en relaci6n con la del hip­ hop. Primero, los movimientos sociales se opusieron a las imagenes negativas de la perife­ ria presentando una imagen positiva de una comunidad unificada, "solidaria': de familias trabajadoras y propietarias. En otras palabras, estos movimientos cuestionaron las imagenes que la elite tenia de la periferia y sus residentes, pero no los valores de propiedad y progreso de la elite. Aprendieron la noci6n de comunidad

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