Homenagem a Saramago
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Like this? Share it with your network

Share

Homenagem a Saramago

el

  • 2,170 reproducciones

 

Estadísticas

reproducciones

reproducciones totales
2,170
reproducciones en SlideShare
2,004
reproducciones incrustadas
166

Actions

Me gusta
0
Descargas
15
Comentarios
1

6 insertados 166

http://cnodaespombal.blogspot.com 103
http://cnodaespombal.blogspot.pt 48
http://edite65blogspotcom.blogspot.pt 7
http://edite65blogspotcom.blogspot.com 6
http://www.cnodaespombal.blogspot.com 1
http://edite65blogspotcom.blogspot.com.br 1

Accesibilidad

Detalles de carga

Uploaded via as Microsoft PowerPoint

Derechos de uso

© Todos los derechos reservados

Report content

Marcada como inapropiada Marcar como inapropiada
Marcar como inapropiada

Seleccione la razón para marcar esta presentación como inapropiada.

Cancelar
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    ¿Está seguro?
    Tu mensaje aparecerá aquí
    Processing...
Publicar comentario
Edite su comentario

Homenagem a Saramago Presentation Transcript

  • 1. “ Escrever é traduzir. Mesmo quando estivermos a utilizar a nossa própria língua. Transportamos o que vemos e o que sentimos para um código convencional de signos, a escrita...”
  • 2. “ ...e deixamos às circunstâncias e aos acasos da comunicação a responsabilidade de fazer chegar à inteligência do leitor, não tanto a integridade da experiência que nos propusemos transmitir,...”
  • 3. “ ...mas uma sombra, ao menos, do que no fundo do nosso espírito sabemos bem ser intraduzível, por exemplo...”
  • 4. “ ...a emoção pura de um encontro, o deslumbramento de uma descoberta, esse instante fugaz de silêncio anterior à palavra que vai ficar na memória como o rasto de um sonho que o tempo não apagará por completo.” José Saramago
  • 5. “ Muito universo, muito espaço sideral, mas o mundo é mesmo uma aldeia.” José Saramago
  • 6. Estamos numa aldeia chamada Azinhaga, no Alentejo português, a região sul do país onde se produzem azeitonas, cortiça e trigo.
  • 7. E nesta pequena aldeia, modestas plantações e criação de porcos é o que há para ser feito.
  • 8. Jerónimo e Josefa estão particularmente felizes hoje, 16 de novembro de 1922, pois é o dia que viu nascer o seu mais novo neto, a quem o destino conferiu o nome de José Saramago.
  • 9. Livros e letras não fazem parte da rotina deste casal de camponeses, bem como de tantos outros vizinhos. As poucas palavras faladas lhes servem aos propósitos, e o seu mundo é o quintal que em breves minutos percorremos.
  • 10. Na primavera de 1924, os pais de Saramago, Maria da Piedade e José de Sousa, abandonam o seio do campo e se mudam para Lisboa, onde ele conseguiu um novo trabalho como policial do trânsito.
  • 11. Em Lisboa, Maria da Piedade passa a cuidar dos afazeres domésticos, e se dedica aos filhos, Francisco, de quatro anos, e José Saramago, que conta com dois anos de idade.
  • 12. No mês de dezembro do mesmo ano em que se mudam para Lisboa, o filho mais velho do casal, Francisco, com apenas quatro anos de idade, morre de broncopneumonia.
  • 13. Uma dor que Maria da Piedade carregará pelo restante dos seus dias.
  • 14. Saramago passa a frequentar a escola primária na capital, e já é fluente na leitura, aos oito anos.
  • 15. Sua mãe o envia nas férias para Azinhaga, para o contato com o campo e com os avós maternos.
  • 16. E nas temporadas que passa na aldeia dos avós, o pequeno José sente-se feliz como um pássaro livre.
  • 17. O contato com a Natureza – a inocência, cheia de beleza e serenidade, das coisas puras.
  • 18. Os peixes que, nadando velozes, mantêm-se, por vezes, imóveis contra a força da corrente...
  • 19. Anos mais tarde, recordará Saramago algumas lembranças do avô Jerónimo:...
  • 20. “ Recordo daquelas noites mornas de Verão, quando dormíamos debaixo da figueira grande, ouço-o falar da vida que teve, das histórias e lendas da sua infância distante.”
  • 21. “ Adormecíamos tarde, bem enrolados nas mantas por causa do fresco da madrugada...”
  • 22. As lembranças da pequena aldeia e o tempo passado na companhia dos avós – as grandes referências morais e sentimentais na sua vida – acompanharão o pequeno José pelos anos e décadas vindouros.
  • 23. O tempo passa e transforma crianças em jovens adultos.
  • 24. Por falta de recursos, Saramago não chega a concluir o secundário, trocando os estudos acadêmicos pelo curso de serralharia mecânica numa escola técnica de Lisboa.
  • 25. Aos dezenove anos passa a trabalhar num hospital, fazendo a manutenção do maquinário. Com o trabalho a consumir as horas do dia, cultiva a rotina de dedicar a noite à leitura.
  • 26. Todas as noites, depois de jantar, vai a pé, apesar da longa distância, até a biblioteca pública de Lisboa, onde permanece até a hora de fechar, lendo tudo o que pode. São estas leituras as suas aulas, o seu professor, o seu mestre...
  • 27. “ Como gostava de, um dia, começar a escrever, afinal, ser um escritor! E ser escritor era para o jovem José uma reflexão sobre a vida e os seus absurdos...” Sobre esta fase, recordará anos mais tarde:...
  • 28. “ Guiado talvez pela beleza da persistência, ainda que trêmula, de uma daquelas estrelas que vira no céu na casa do avô Jerónimo e da avó Josefa, decidiu ser todo uma só vontade, todo um atrevimento e lançou-se no voo alto de escrever...”
  • 29. Em 1944, aos 22 anos de idade, casa-se com a pintora Ilda Reis, sendo que três anos mais tarde, em 1947, nasce a filha, que recebe o nome Violante. Neste ano também publica o seu primeiro livro, ‘Terra do Pecado’.
  • 30. José Saramago, Ilda Reis e a filha Violante, 1951
  • 31. Pais e filhos – a convivência gera laços; no entanto, o amor, a admiração e o carinho necessitam ser construídos.
  • 32. Leva tempo, atenção e cuidado arar a terra que fecunda afeição e ternura, respeito e carinho.
  • 33. Leva tempo, atenção e cuidado arar a terra que fecunda afeição e ternura, respeito e carinho. José Saramago e Violante às margens do rio Almonda Azinhaga, 1951
  • 34. “ A expressão vocabular humana não sabe ainda e provavelmente não o saberá nunca, conhecer, reconhecer e comunicar tudo quanto é humanamente experimentável e sensível.” José Saramago
  • 35. “ A expressão vocabular humana não sabe ainda e provavelmente não o saberá nunca, conhecer, reconhecer e comunicar José Saramago e Violante Azinhaga, 1953 tudo quanto é humanamente experimentável e sensível.” José Saramago
  • 36. Embora tenha seu primeiro livro, ‘ Terra do Pecado’, ignorado pela crítica, Saramago continua a escrever, tendo diversos contos e crônicas publicados em jornais e revistas.
  • 37. A sua paixão pela literatura leva-o a conseguir posições de certo destaque no meio editorial, atuando como colunista, revisor, tradutor e crítico literário.
  • 38. Com aproximadamente quarenta anos de idade, seu nome começa a ser conhecido no campo da literatura e cultura em Portugal.
  • 39. Saramago passa a ocupar diversas funções, como coordenador do suplemento de cultura do jornal ‘Diário de Lisboa’, e diretor-adjunto do ‘ Diário de Notícias’.
  • 40. Em 1970, Saramago e Ilda Reis se divorciam. E em 1975, ao deixar a função de editorialista do jornal onde trabalha, resolve dedicar-se exclusivamente à literatura.
  • 41. Em 1980, aos 58 anos de idade, Saramago publica o seu segundo romance, chamado “ Levantado do Chão”.
  • 42. Desta vez, a acolhida é bem diferente; a obra é recebida com êxito, tanto pela crítica, quanto pelo público, em Portugal.
  • 43. Aos sessenta e poucos anos de idade Saramago dá início a uma tardia e improvável carreira literária. Os livros que se seguem nos anos seguintes são igualmente aclamados pelo país afora.
  • 44. Separado, com a filha já adulta. Realizou o sonho de escrever e ser lido. Com um sucesso considerável em Portugal , parece um homem satisfeito com a vida que lhe fora destinada. Estamos em 1986, Saramago encontra-se com 63 anos de idade.
  • 45. “ Aos 63 anos de idade, o que um homem pode ainda esperar da vida?...” afirmaria numa entrevista, “ Não muito...”.
  • 46. Mas o futuro ainda lhe reserva algumas surpresas... ( fim da primeira parte desta apresentação )
  • 47. Uma jornalista espanhola, nos seus trinta e poucos anos, passeia por uma livraria à procura de títulos interessantes. 1986 - Sevilha, Espanha.
  • 48. Ao passar por uma estante que contém alguns livros separados para serem devolvidos à editora, se depara com um título que chama sua atenção.
  • 49. Mesmo sem ter ouvido falar do autor, ela resolve comprar o livro, sem poder imaginar as consequências que tal decisão, aparentemente trivial, poderá ter.
  • 50. Coincidências da vida, dirão alguns, enquanto outros atribuirão o ocorrido ao destino, ao acaso, ao inevitável...
  • 51. O livro se chama ‘Memorial do Convento’. E a jovem jornalista que o acaba de adquirir, Pilar del Río.
  • 52. Blimunda, a protagonista de ‘Memorial do Convento’, ocupa um lugar especial dentre todos os personagens femininos criados por Saramago.
  • 53. Pilar gosta tanto do livro que compra vários exemplares para presentear às melhores amigas, comentando sua grande vontade de conhecer esse homem capaz de tocar tanto a alma feminina através de Blimunda.
  • 54. Ela procura outros livros de Saramago, e diante da revelação e fascinação sentida após cada leitura, resolve entrar em contato com o autor.
  • 55. E eu queria dizer-lhe: completou-se o ciclo, li-o e entendi.” Pilar recordará mais tarde: “ Senti que tinha a obrigação moral de dizer a José Saramago o que tinha experimentado. Um autor só acaba a sua obra quando o livro é lido e entendido.
  • 56. Uma bela tarde, toca o telefone na casa de Saramago. Pilar se identifica, dizendo ser uma leitora e admiradora. Conversam sobre os livros de Saramago, sobre a literatura, sobre a vida...
  • 57. E ao fim da conversa, combinam de se encontrar numa cafeteria em Lisboa, para uma entrevista que Pilar propõe realizar para o jornal em que trabalha.
  • 58. Por ocasião do encontro, aproveitam para passear pela cidade de Lisboa, e falam de quase tudo. Depois, ela retorna para Sevilha. “ Com uma estranha paz.”
  • 59. No dia seguinte, Saramago retribui a visita de Pilar a Lisboa, enviando-lhe uma carta, acompanhada de rosas.
  • 60. Caminhos que se entrecruzam, vidas prestes a se mudar para sempre...
  • 61. Coincidências da vida, dirão alguns. O destino, o acaso, o inevitável, afirmarão outros...
  • 62. Há quem afirme que as histórias de amor, todas elas, desde o início dos tempos, se parecem, se repetem.
  • 63. O que muda são os nomes, os detalhes, os corações...
  • 64. As idas e vindas entre Sevilha e Lisboa, onde Pilar e Saramago residem, respectivamente, passam a se tornar cada vez mais frequentes.
  • 65. Os 28 anos de vida que separam Pilar, com 34 anos, e Saramago, 63, se tornam um mero detalhe diante do amor que sentem.
  • 66. Em outubro de 1988 celebram o casamento.
  • 67. Ao lado de Pilar, Saramago inicia o que chama de sua ‘segunda vida’.
  • 68. Saramago observa que aos 63 anos, “quando já não se espera nada”, encontrou “o que faltava para passar a ter tudo” – Pilar.
  • 69. Ela, espanhola: sonhadora, lutadora, vive a batalha de mudar o mundo; Ele, português: melancólico, sereno...
  • 70. Uma combinação perfeita.
  • 71. Os livros que Saramago passa a escrever desde então são todos dedicados a ela.
  • 72. “ A Pilar, os dias todos” “ A Pilar, até ao último instante...” “ A Pilar, minha casa”
  • 73. Com a mudança para Lisboa, Pilar abandona a carreira jornalística que exercia na televisão espanhola.
  • 74. É a primeira leitora dos textos de Saramago, e a tradutora das obras do marido para o espanhol.
  • 75. Em 1991, Saramago publica o livro “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, onde conta a história de Jesus de forma moderna, sob um olhar narrativo que humaniza Cristo.
  • 76. Em 1992, a Secretaria de Cultura de Portugal veta a inscrição do livro na disputa do Prêmio Literário Europeu, por considerá-lo “ofensivo para o catolicismo do povo português.”
  • 77. Em reação a tal veto, que considera censório, Saramago se muda de Portugal, passando a fixar residência na ilha de Lanzarote, Ilhas Canárias.
  • 78. E é em seu escritório em Lanzarote que Saramago escreve um de seus romances mais conhecidos – “Ensaio sobre a Cegueira”.
  • 79. Escrito em 1995, próximo à virada do milênio, o romance aborda uma epidemia de cegueira repentina que acomete a inteira população de uma cidade.
  • 80. A cegueira como uma alegoria para o estado de crise por que passa a atual sociedade, onde, frequentemente, os limites entre civilização e barbárie são rompidos. 
  • 81. A cegueira como uma alegoria para o estado de crise por que passa a atual sociedade, ... A cegueira descrita no livro é uma “cegueira branca”, pastosa, como se alguém tivesse mergulhado de olhos abertos num “mar de leite”.
  • 82. “ Trevas brancas” a anuviar o olhar daqueles que, tendo olhos, não conseguem (ou se recusam a) enxergar.
  • 83. Uma cegueira por vezes associada ao avanço irrefreado do consumismo e do materialismo, que faz com que os homens percam a consciência de si, se deformem, se massifiquem e se barbarizem.
  • 84. Uma cegueira que promove a ruptura com a nossa própria essência – a compaixão, o cuidado, a solidariedade...
  • 85. “ Penso que estamos cegos, José Saramago Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.”
  • 86. “ Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. (epígrafe do livro “Ensaio sobre a Cegueira”)
  • 87. “ Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir.” José Saramago
  • 88. 1995 – Saramago recebe o Prêmio Camões, o mais importante da literatura da língua portuguesa.
  • 89. 1998 – Recebe o Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro autor da língua portuguesa a receber a homenagem.
  • 90. 1998 – Recebe o Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro autor da língua portuguesa a receber a homenagem.
  • 91. Saramago, aos 76 anos de idade, recebe o Prêmio Nobel das mãos do rei da Suécia. Estocolmo, 1998
  • 92. Ao receber o prêmio, Saramago inicia seu discurso com uma homenagem ao avô, o camponês Jerónimo Melrinho, o que também pode ser visto como uma crítica à pompa das instituições literárias:...
  • 93. “ O homem mais sábio que conheci em toda minha vida não sabia ler nem escrever...”
  • 94. E passa a discorrer sobre memórias de sua infância, suas fontes de inspiração e formação, e sobre alguns de seus principais livros e personagens.
  • 95. Com a conquista do prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar.
  • 96. Com a conquista do prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar. O público leitor de Saramago multiplica-se. Os livros são traduzidos em 42 línguas, publicados em 53 países, e vendem milhões de exemplares mundo afora.
  • 97. Com a conquista do prêmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar. O público leitor de Saramago multiplica-se. Os livros são traduzidos em 42 línguas, publicados em 53 países, e vendem milhões de exemplares mundo afora.
  • 98. Plateias numerosas, por vezes superiores a mil pessoas, ouvem avidamente suas palavras.
  • 99. “ Acho que na sociedade actual nos falta filosofia...”
  • 100. “ Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem idéias, não vamos a parte nenhuma.”
  • 101. “ Falamos muito ao longo destes últimos anos dos direitos humanos; simplesmente deixamos de falar de uma coisa muito simples,...”
  • 102. “ ...que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro,...”
  • 103. “ ...que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional.”
  • 104. “ ...que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional.” “ O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental...”
  • 105. “ ...que consiste em estar no mundo e não ver o mundo o u só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses.”
  • 106. “ Temos que acreditar nalguma coisa e, sobretudo, temos de ter um sentimento de responsabilidade colectiva, segundo o qual cada um de nós será responsável por todos os outros.”
  • 107. “ A prioridade absoluta tem de ser o ser humano. Acima dessa não reconheço nenhuma outra prioridade.” José Saramago
  • 108. E fazendo uso do espaço, da atenção e notoriedade conferidos pelo prêmio Nobel, Saramago denuncia as injustiças sociais, e defende com coração e alma as causas que abraça:...
  • 109. Os cuidados com a infância; A educação de qualidade; Os direitos dos povos nativos da América Latina; O combate à violência doméstica; A luta pelo fim dos maus-tratos contra animais; A questão dos refugiados; O sofrimento do povo palestino; dentre tantas outras.
  • 110. Aos oitenta anos de idade, guarda o vigor juvenil de se revoltar contra toda injustiça, e não permite que se morra nele o desejo de mudar o mundo. O engajamento sempre em prol do humanismo.
  • 111. “ Estou convencido de que é preciso continuar a dizer não, mesmo que se trate de uma voz pregando no deserto.” José Saramago
  • 112. Em 2007, aos 85 anos, Saramago é agraciado com o prêmio “Amigo das Crianças”, concedido pela fundação ‘Save the Children ’. “ Estou convencido de que é preciso continuar a dizer não, mesmo que se trate de uma voz pregando no deserto.” José Saramago
  • 113. Segundo a fundação, o prêmio é um reconhecimento ao grande empenho na procura de “um mundo melhor em que todas as crianças tenham esperança e oportunidades”,...
  • 114. ...salientando, ainda, o “compromisso ativo pela paz” e o “apoio continuado às campanhas e projectos relacionados com a infância e com os mais desfavorecidos”.
  • 115. Dentre os livros de Saramago encontra-se um dedicado ao público infantil – “ A Maior Flor do Mundo”.
  • 116. Foto tirada em novembro de 2005.
  • 117. Pilar é uma companhia constante nos intermináveis compromissos e viagens.
  • 118. Igualmente defensora de inúmeras causas humanitárias, atua como confidente, conselheira, tradutora e é quem organiza a agenda do marido.
  • 119. Estão sempre juntos – em Lisboa e Lanzarote ou pelo mundo – e de mãos dadas.
  • 120. Estão sempre juntos – em Lisboa e Lanzarote ou pelo mundo – e de mãos dadas. Um amor e uma admiração singulares – a aura envolvente que raros casais emitem...
  • 121. “ Pilar, se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora.” José Saramago
  • 122. “ Pilar, se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora.” José Saramago Em meio às constantes viagens, é na residência em Lanzarote, com vista para o mar, que Saramago recompõe as energias e se restabelece.
  • 123. E mesmo com a agenda corrida, ele reserva tempo para escrever ao menos duas páginas diárias – que totalizará um livro ao fim de um ano, conforme observa.
  • 124. Por diversas vezes, Saramago e Pilar visitam o Brasil, onde cultivam muitas amizades.
  • 125. Jorge Amado, Chico Buarque, Leonardo Boff, Sebastião Salgado, Lygia Fagundes Telles Paulo Freire, Betinho, Frei Betto, entre tantos outros.
  • 126. A calorosa acolhida dos intelectuais brasileiros também se reflete na relação de Saramago com o seu público leitor no país.
  • 127. Certa vez, diante da cativa platéia e da efusão de beijos e abraços que se seguiram, exclama:...
  • 128. Certa vez, diante da cativa platéia e da efusão de beijos e abraços que se seguiram, exclama:... “ Esta gente quer me matar de amor!”
  • 129. Saramago também manifesta um carinho especial pelos jovens e adolescentes.
  • 130. Frequentemente aceita convites para visitar escolas, proferir palestras e participar de debates.
  • 131. “ Nem a juventude sabe o que pode, nem a velhice pode o que sabe.” José Saramago
  • 132. Saramago, rodeado pela família – foto tirada em 1993, na varanda da casa de Lanzarote.
  • 133. A filha, Violante, e o genro, Danilo; os netos, Ana e Tiago. Pilar e Juan Jose – filho do primeiro casamento, (que segura o cãozinho Camões).
  • 134. Ao mesmo tempo em que cultiva a conhecida seriedade, Saramago também nutre uma notória leveza e um bom-humor constante.
  • 135. Certa vez, declara gostar da seção de quadrinhos dos jornais. “ Confesso que gosto muito do Calvin e do Hobbes, do Snoopy, do Garfield,...”
  • 136. “ ...daquela Mafalda sábia e subversiva, de quem continuo a ser discípulo fiel.”
  • 137.  
  • 138. José Saramago mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver.” “ A vida é breve,
  • 139. José Saramago “ Fugir da morte pode tornar-se num modo de fugir da vida.”
  • 140. “ O homem é o único animal capaz de chorar. É diante do mar que o riso e a lágrima assumem uma importância absoluta.” E de sorrir.
  • 141. “ Dir-se-á que mais profundamente a assumiriam diante do universo, mas esse, digo eu, está demasiado longe, fora do alcance duma compreensão comum.”
  • 142. “ O mar é o universo perto de nós.” José Saramago
  • 143. Em 2007, Saramago é hospitalizado durante longos meses, devido a uma grave doença respiratória.
  • 144. Tão logo se recupera, conclui o livro “ A Viagem do Elefante”,...
  • 145. ...e faz questão de viajar para o Brasil, aos 85 anos de idade, para o lançamento mundial da obra.
  • 146. ...e faz questão de viajar para o Brasil, aos 85 anos de idade, para o lançamento mundial da obra. A escolha do Brasil para o lançamento mundial é um presente ao carinho e amizade dos brasileiros.
  • 147. 16 de novembro, 2008, aniversário de 86 anos.
  • 148. A notória lucidez e a acuidade da sua reflexão filosófica permanecem inabaláveis, contrastando cada dia mais com a saúde física debilitada.
  • 149. “ A vida é como uma vela que vai ardendo, quando chega ao fim lança uma chama mais forte antes de se extinguir.”
  • 150. “ Creio que estou no período da última chama...”, afirma Saramago diante das crescentes limitações impostas pela saúde frágil .
  • 151. Janeiro de 2010 – Haiti é sacudido por um forte tremor, que deixa milhares de mortos, feridos e desabrigados.
  • 152. Saramago, aos 87 anos de idade, já não tem a força nem a saúde para empreender viagem, de modo a levar a sua solidariedade àqueles que sofrem.
  • 153. Apesar da distância, desde a ilha de Lanzarote, encontra um meio de contribuir, e de lançar o seu incansável apelo para a humanidade.
  • 154. Ele convence sua editora a publicar uma edição especial do livro “Jangada de Pedra”, que terá a renda revertida integralmente em prol do povo haitiano.
  • 155. Mais que um gesto de ajuda, um sopro de alento, nestes dias de fria indiferença, nestes tempos tão desprovidos de compaixão social e caridade.
  • 156. – Uma ‘Jangada de Pedra’ a caminho do Haiti – “ Porque todos temos uma obrigação.” José Saramago
  • 157. Abril de 2010, a saúde física de Saramago a tal ponto está debilitada que o seu médico lhe impõe repouso absoluto.
  • 158. O repouso absoluto, observa o médico, abrange também a escrita, ou seja, Saramago deverá parar de escrever.
  • 159. Diante da renúncia derradeira à escrita que acaba de ser imposta ao esposo, Pilar sente que a recuperação será um milagre.
  • 160. “ ...enganadora é sim a luz do dia, faz da vida uma sobra apenas recortada, só a noite é lúcida, porém o sono a vence,...”
  • 161. “ ...talvez para nosso sossego e descanso, paz à alma dos vivos.” (em ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’) José Saramago
  • 162. Mês de maio, 2010
  • 163. Durante as últimas semanas, Saramago quase não fala, mas ri, e segue rindo.
  • 164. Embora participe dos jantares e cafés da manhã que Pilar carinhosamente lhe prepara,...
  • 165. ...parece nutrir outras fomes e outras necessidades, anseios que a este mundo já não mais pertencem.
  • 166. Ele está aqui e não está, mas sorri.
  • 167. Ele está aqui e não está, mas sorri. “ ...o espírito não vai a lado nenhum sem as pernas do corpo, José Saramago (em ‘Todos os Nomes’) e o corpo não seria capaz de mover-se se lhe faltassem as asas do espírito.”
  • 168. No dia 18 de junho, depois de uma noite serena e tranquila, Saramago falece na sua residência em Lanzarote, acompanhado de Pilar e de sua família, “ despedindo-se de forma serena e plácida.”
  • 169. Em se havendo outros mundos, e havendo lá também oprimidos e necessitados, estes ganharam uma voz a defendê-los e quem se importe com eles...
  • 170. estes ganharam uma voz a defendê-los e quem se importe com eles... E em se havendo outros mundos ainda, talvez lá tenham se reencontrado o pequeno José e os avós tão amados, Josefa e Jerónimo.
  • 171. “ Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.” José Saramago
  • 172. Segundo o amigo e teólogo Leonardo Boff, Saramago cultivava “ a espiritualidade como sentimento do mistério do mundo, , da profundidade humana e do amor aos oprimidos.”
  • 173. Leonardo Boff descreve a tarde que ele e a esposa, Márcia, passaram na companhia de Saramago e Pilar como “um festim de espiritualidade”.
  • 174. “ Ganhamos um amigo e a fé me diz que ele agora mergulhou naquele Mistério de amor que sempre buscou.” Leonardo Boff
  • 175.  
  • 176.  
  • 177. “ Quando me for deste mundo, partirão duas pessoas. José Saramago Sairei, de mão dada, com essa criança que fui”.
  • 178.  
  • 179. Formatação: um_peregrino@hotmail.com Tema musical: Primeira Parte: ‘Illumination’, White Stones Segunda Parte: ‘Moment musical n.3’, Schubert
  • 180. Obrigado, Saramago.
  • 181.  
  • 182.