O papel das redes sociais como ferramenta de mobilização política da sociedade: uma análise da “Primavera Árabe”
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Esse artigo foi um esboço para minha dissertação de mestrado. A dissertação completa, com toda a pesquisa e os resultados sobre esse tema pode ser acessado aqui: ...

Esse artigo foi um esboço para minha dissertação de mestrado. A dissertação completa, com toda a pesquisa e os resultados sobre esse tema pode ser acessado aqui: http://pt.slideshare.net/gustavoclopes/as-redes-sociais-e-os-novos-fluxos-de-agendamento-uma-anlise-da-cobertuda-da-al-jazeera-na-primavera-rabe

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  • @TaciadeMourais se precisar de mais informações: jornal.gustavo@gmail.com
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  • @TaciadeMourais Oi, Tácia - Seria no SBPJor de 2011, no Rio de Janeiro. Mas não cheguei a apresentá-lo. Publiquei somente aqui e usei como base para meu projeto de mestrado na UnB. Abraços
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  • Oi Gustavo.
    Utilizei um trecho desse seu trabalho em minha monografia e estou precisando saber onde ele foi apresentado, em que ano, qual cidade e mês.
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    O papel das redes sociais como ferramenta de mobilização política da sociedade: uma análise da “Primavera Árabe” O papel das redes sociais como ferramenta de mobilização política da sociedade: uma análise da “Primavera Árabe” Document Transcript

    • O papel das redes sociais como ferramenta de mobilização política da sociedade: uma análise da “Primavera Árabe” Gustavo Chaves Lopes1RESUMO: Este artigo tem como objetivo discutir o papel das redes sociais namobilização de grupos da sociedade civil. Os protestos em países árabes, que ficaramconhecidos como Primavera Árabe, utilizaram um modelo de organização queconseguiu furar o bloqueia da mídia oficial e têm inspirado manifestações em váriaspartes do mundo, sobretudo na Europa. Assim, pretendemos refletir sobre essemodelo e o espaço de atuação da imprensa tradicional diante desse novo fazerjornalístico.PALAVRAS-CHAVE: Redes sociais, jornalismo cidadão, ciberativistas, mobilização socialRESUMEN: Este artículo tiene como objetivo discutir el papel de las redes sociales en lamovilización de grupos de la sociedad civil. Las protestas en los países árabes, que seconoció como la primavera árabe, utilizando un modelo de organización que lograronromper los bloques y los medios de comunicación oficiales han inspirado a lasmanifestaciones en varias partes del mundo, especialmente en Europa. Por lo tanto,tenemos la intención de reflexionar sobre este modelo y el espacio de actuación de laprensa tradicional ante este nuevo periodismo.PALABRAS CLAVE: Las redes sociales, periodismo ciudadano, ciberactivistas, lamovilización social1 Gustavo Chaves Lopes é jornalista e aluno especial da disciplina de Jornalismo Digital na PósGraduação da Faculdade de Comunicação da UnB
    • Introdução A crença de que tudo o que fosse publicado na internet poderia ser visto pelomundo inteiro sustentou, por muito tempo, a hipótese de que a democratização dacomunicação iria se consolidar, que todo indivíduo teria a possibilidade de ser ouvido.Embora essa crença tivesse, na realidade, muitas condicionantes, o surgimento daWeb 2.0 contribuiu para a democracia através do uso da Internet, potencializando essacapacidade. A criação de blogs, sites de compartilhamento e, sobretudo, das redes sociaiscriou um novo cenário, ampliando não apenas o acesso à informação, mas tambémpossibilitando a produção de conteúdo (informativo ou não) pelos usuários,multiplicando exponencialmente as opções de fontes. Mas as redes sociais criaram novas possibilidades. Para além das simplesconexões sociais, elas têm se mostrado poderosas ferramentas de organização políticada sociedade. O caso da Primavera Árabe, ainda que não seja o primeiro (vide RevoluçãoVerde, no Irã) é, sem dúvida o mais emblemático. A partir de um modelo demobilização (que veremos adiante) que se manifestou na Tunísia e foi replicado emquase todo o mundo árabe, a população daqueles países saiu em massa às ruasexigindo mudanças estruturais na política, na sociedade, e na economia. Ditadurasruíram ou estão por ruir. Todo o status quo da região está se transformando. Algo que seria impensável pouco tempo atrás (uma oposição organizada) surgiuespontaneamente através das redes sociais. Sem uma posição política ou ideológicadefinida, os ciberguerreiros, como ficaram conhecidos os manifestantes, conseguiramcatalisar o sentimento latente de insatisfação da sociedade depois de um caso isolado2foi o estopim para o levante. Em pouco tempo, o que parecia mais uma manifestaçãose transformou em uma onda de protestos na região, com resultados ainda nãodefinidos.2 Bouazizi, um vendedor ambulante de 26 anos, protestava por ter seu carrinho de frutas confiscado aose negar a pagar propina a autoridades locais. Depois de reclamar em diversos órgãos, Bouazizi recebeuum tapa na cara de uma funcionária pública. O jovem não agüentou a humilhação e ateou fogo aopróprio corpo em frente à repartição onde sofrera a ofensa. Foi o início da Primavera Árabe.
    • O uso massivo das redes sociais, notadamente Twitter e Facebook, foifundamental para arregimentar adeptos para a revolta popular. Elas não apenasorganizavam as manifestações, como informavam a população sobre osdesdobramentos da revolta. Mais do que isso, tornaram-se fonte para a mídia domundo inteiro, que não tinha acesso ao que estava acontecendo. Em tempo real, textos, fotos e vídeos eram postados nos servidores do Twitter,Facebook e Youtube, possibilitando ao mundo ter acesso aos acontecimentos econhecer a real dimensão das manifestações. As redes sociais assumiram assim o papelde garantidores da liberdade de expressão, liberdade de informação e, até mesmo, daliberdade de imprensa. Assim, o presente trabalho pretende abordar este modelo de mobilizaçãosocial, seus usos e reflexos na mídia, refletir sobre o papel do jornalismo (e dojornalista) diante dessa inovação e sua importância como meio de comunicação. Não temos a pretensão de esgotar o tema, apenas discutir sua relevância econseqüências para o fazer jornalístico. Além disso, faremos uma breve revisão sobretemas como redes sociais, jornalismo cidadão e mobilização social na internet. Apresentaremos o modelo de mobilização e alguns casos em que ele foiaplicado, com informações que ajudem a entender esse fenômeno.Redes Sociais As redes sociais sempre existiram na história da humanidade, já que o homemé um ser gregário que estabeleceu, ao longo do tempo, inúmeras formas de interaçãoe relacionamento social. No entanto, as redes sociais a que nos referimos, as relaçõessociais mediadas por computadores, estabeleceram uma nova (ou várias) forma sepensar as interações pessoais. Hoje, uma parcela considerável da interação entre as pessoas se dá através deuma alguma plataforma tecnológica. E-mails, mensageiros, sms, redes sociais, etc.: ohomem moderno já não consegue ficar “offline”. Manuel Castells, teórico que analisouprofundamente essas transformações, cunhou o termo que talvez seja o maisapropriado para a nossa contemporaneidade: sociedade em rede.
    • Sem nos estender muito sobre esse ou outros conceitos, podemos dizer que ainterface homem-máquina transmutou de tal forma as relações humanas a ponto dehaver uma transcrição de nossas interações presenciais para o mundo virtual. Castellschamou esse fenômeno de virtualização do real (Castells, 1999, p. 414). As tecnologias da web 2.0 (o conceito de web 2.0 vê a internet comoplataforma, na qual a interação é maior, o conteúdo é compartilhado e a produção,colaborativa) ampliaram as possibilidades de interação na medida em que nospermitem visualizar as conexões existentes para além dos nossos relacionamentospresenciais, o que muitas vezes torna nossa “vida virtual” muito mais ampla ediversificada. Redes sociais tornaram-se a nova mídia, em cima da qual informação circula, é filtrada e repassada; conectada à conversação, onde é debatida, discutida e, assim, gera a possibilidade de novas formas de organização social baseadas em interesses das coletividades. (Recuero, 2011, pg. 15) Muitos autores trabalham com a ideia de “mídias sociais”, porém, trata-se deconceito3 mais amplo e complexo, mas que não é nossa intenção abordar aqui. Aseguir veremos exemplos dessas novas formas de interação que interessamdiretamente a esse estudo.Facebook O Facebook é o site de relacionamento mais popular do mundo hoje. Segundoo site socialbakers.com, especializado em estatísticas de redes sociais, o Facebooktinha, em junho de 2011, perto de 750 milhões de usuários ativos. Estima-se quechegue ao número de um bilhão de contas em 2012. Criado em 2004, por Mark Zuckerberg e outros estudantes da Universidade deHarvard, EUA, o site é utilizado para interação social, hospedagem de fotos e vídeos,troca de mensagens, além de disponibilizar uma série de aplicativos para seususuários.3 Para uma pesquisa mais aprofundada sugerimos o livro Para entender as mídias sociais, organizado porAna Brambilla, que pode ser baixado gratuitamente na Internet.
    • Twitter O Twitter difere bastante dos outros sites de relacionamentos, tendo maissemelhanças com um blog (é considerado um microblog). O usuário pode postar textosde até 140 caracteres (os tweets), que são visualizados pelos seus seguidores (pessoasque estão conectadas a ele). O número limitado de caracteres disponíveis, na verdade, faz referência aantigas ferramentas de comunicação instantânea. O telex (uma espécie de máquina deescrever que enviava e recebia mensagens) trabalhava com o limite de 160 caracterespor mensagem. Quando os celulares passaram a enviar mensagens de texto (SMS), asoperadoras também trabalharam com essa medida de referência (mesmo que se possaenviar um torpedo com milhares de caracteres, cada 160 toques são consideradoscomo uma mensagem pelas operadoras para fins de cobrança). Surgido em 2003, a ideia era que o Twitter fosse utilizado principalmenteatravés do celular. Assim, os criadores do microblog disponibilizaram os mesmos 160caracteres: 140 para a mensagem e até 20 para o nome do usuário. O mote inicial do twitter é responder a pergunta: what’s happening? (o queestá acontecendo). A partir daí, uma infinidade de possibilidades de uso foramincorporadas à ferramenta.Jornalismo cidadão Também chamado de jornalismo colaborativo, jornalismo participativo,wikijornalismo, jornalismo open-source, entre outros termos mais ou menos criativos,o jornalismo cidadão (que usaremos por entendê-lo mais apropriado) é,resumidamente, o jornalismo praticado por qualquer pessoa. Ou seja, parte da ideiade que não é preciso ter a formação acadêmica do jornalismo para produzir conteúdoinformativo. E a Internet, claro, foi a grande potencializadora desse processo. Sobretudo apartir do advento do conceito 2.0. Mais do que dar ao cidadão a possibilidade deproduzir notícias, quebra o paradigma da passividade no processo de comunicação,eliminando a velha fórmula comunicacional:
    • “A principal característica dessa lógica de produção é a superação do modelo transmissionista emissor-meio-mensagem-receptor, uma vez que este último torna-se agente produtor neste processo. A idéia de participação é, justamente, descentralizar a emissão, oportunizando que mais vozes tenham vez no espaço público. Valoriza-se desta forma, uma característica da rede, que é a possibilidade de uma interatividade efetiva”. (LINDEMAN, 2006. p.154). Um dos pioneiros nessa forma de produção de notícias foi o site Slashdot(www.slashdot.org), criado em 1997 pelo programador americano Rob Malda. O site,especializado em temas de informática e tecnologia, era alimentado com matériasenviadas pelos internautas, na sua maioria, informatas ou estudantes de informática.Há um sistema de moderação, no qual são escolhidas cerca de 20 matérias, entre ascentenas enviadas diariamente pelos usuários. No entanto, um dos primeiros sites de jornalismo cidadão voltado para aprodução de notícias foi o sul-coreano OhmyNews (ohmynews.com). Fundado no ano2000 pelo jornalista Oh Yen Ho, o site foi uma forma de oferecer uma alternativa aomonopólio de comunicação estabelecido no país, formado por três grandes jornais. Baseado na ideia de que cada cidadão é um repórter, o site passou a receberconteúdo de todo o país e, em pouco tempo, o OhmyNews já tinha uma grandeaudiência na Coréia do Sul e foi aberto a outros países. Inicialmente editado apenas em hangul, o alfabeto coreano, o site passou a ser editado também em inglês, a partir de agosto de 2004, sob a denominação de Ohmy News International (www.english.ohmynews.com). A partir de então, usuários de qualquer país têm a oportunidade de colaborar, de forma que a cobertura passou a se dar em âmbito mundial. (LINDEMAN, 2006, p. 157). Enquanto os exemplos citados, e outros tantos surgidos depois, eram umaalternativa para as mídias estabelecidas, o que fizeram os meios de comunicação demassa diante desse novo cenário? Quase todos os portais de notícias, inclusive noBrasil, criaram canais do tipo “você leitor”: vc repórter (Terra), FotoRepórter (Estadão),Eu Repórter (O Globo), são apenas alguns casos em que o jornalista é apenas umacessório no processo de produção de notícias. No primeiro semestre de 2011, o canalde televisão DFTV, afiliado à Rede Globo, lançou o concurso “Parceiros do DF”, paraselecionar candidatos a repórter, que receberiam um mês de treinamento eproduziriam matérias sobre suas cidades. Não era necessário a formação emjornalismo.
    • Diante dessas mudanças estruturais dos processos de comunicação, onde todose qualquer um podem ser jornalistas, é de se perguntar que papel restará ao jornalistaprofissional. Forçoso admitir que o jornalista (e o jornalismo) perdeu o monopólio davoz. Não é a intenção do presente trabalho responder a essa indagação, emborareconheçamos sua grande importância. Pretendemos nos debruçar sobre o tema emum futuro mestrado, onde pesquisaremos o assunto com mais profundidade. No entanto, é necessário observar que, embora as fontes tenham semultiplicado, democratizando o acesso e a produção de notícias, nem tudo o que se lêmerece credibilidade. Se essa afirmação já é verdadeira no mundo offline do impresso,é ainda mais em um universo onde todos produzem informação, com seus interesses,opiniões e visões de mundo. Se a objetividade já era uma quimera no jornalismotradicional, no jornalismo cidadão ele é uma utopia. Longe, porém, de deixar de reconhecer a importância dessa revolução, que têmoportunizado momentos emblemáticos de nossa história contemporânea, comoveremos a seguir.Mobilização social Não há novidade alguma no fato de um grupo de pessoas se reunir parareivindicar algo, lutar por uma causa, defender uma bandeira. Os descontentes com oestablishment - fosse ele qual fosse - sempre existiram e sempre souberam da lógicado “unidos somos mais forte”. Então, o que há de novo nas mobilizações atuais? A novidade está na forma como isso vem acontecendo. Se antes a praça, oespaço público, era o palco de onde surgiam os grandes clamores sociais, hoje bastaum computador para que se inicie uma revolução. Ou uma wikirrevolução, como disseManuel Castells em artigo4 recente. A Internet mudou completamente a maneira como a sociedade se organiza - eas redes sociais potencializaram ao extremo as possibilidades de mobilização social. Oconceito de interatividade ficou esvaziado diante da “horizontalização do processo deconstituição da mídia que, ao contrário da chamada mídia de massa, distribuiu o poder4 La wikirrevolución del jazmín – jornal La Vanguardia, Espanha (29/01/2011)
    • de distribuição da mensagem.” (Recuero, 2011, p. ). Hoje, mais do que participação,mais do que interatividade, o que se observa é envolvimento. A própria construção da cidadania, hoje, se dá sob (e sobre) alguma plataformatecnológica. São os ciberativistas (ou webcitizens, ou netzens, ou outro termosemelhante) que estabelecem novas fronteiras da participação política. Através de umcomputador conectado à rede rapidamente agregam adeptos à causa que defendem: Essas mídias são grandes facilitadoras uma vez que sincronizam diferentes grupos espalhados num mesmo país ou no mundo, facilitam a coordenação das ações e ajudam a documentar o que está acontecendo. (Barreto, 2011, p. 163) Um exemplo dessa forma de mobilização é a comunidade Avaaz (avaaz.org).Fundado em 2007, o grupo é formado por ativistas que coordenam ações demobilização global em temas como direitos humanos, corrupção, meio ambiente,geopolítica, entre outros. O Avaaz envia milhões de e-mails solicitando que as pessoas assinem petiçõesem prol das demandas que a organização defende, como forma de pressionar asautoridades competentes para agirem em favor das causas defendidas. Os exemplos são vários e vão desde grandes temas de interesse coletivo (naAlemanha, a sociedade se organizou através das redes sociais para pressionar ogoverno a abandonar o programa nuclear do país), passando por pequenas causaspessoais (como o homem que perdeu seu gato no aeroporto de Brasília e conseguiudestaque para seu drama na mídia depois de fazer “barulho” nas redes sociais). Há casos de solidariedade global, como aconteceu no caso das enchentes noRio de Janeiro ou do terremoto no Japão, quando milhões de pessoas se mobilizaramatravés das redes sociais para arrecadar donativos, mantimentos e todo o tipo deajuda para os necessitados. Na política, a campanha Fora Arruda ganhou força no Twitter com a hashtag5#foraarruda, que mobilizou milhares de estudantes em Brasília, pressionando pela5 Hashtags são as palavras-chave dos tweets, funcionando também como links para outrostweets com o mesmo tema.
    • cassação do então governado do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Depois desemanas de passeatas, investigações e muito jogo político, Arruda acabou preso eperdeu o mandato. Além dos usos mais institucionais, como em campanhas eleitorais: a campanhado presidente Barack Obama, o uso do Twitter e do Facebook foi maciço, a ponto dealguns analistas creditarem às redes sociais o diferencial do candidato democrata. Aquino Brasil, nas últimas eleições majoritárias, as redes sociais também foram usadasfortemente, criando uma espécie de disputa virtual entre os candidatos. Mas é nas questões que dizem respeito à cidadania que as redes sociais têmagido mais intensamente, onde campanhas organizadas na rede acabamrepresentadas no “mundo real”. Mais uma vez os exemplos são diversos e não é, nomomento, nossa intenção, nos aprofundarmos nessa temática. Porém, de todos os infindáveis exemplos que podemos mencionar, nenhumteve a capacidade de mobilização e a força transformadora das mobilizações nospaíses árabes, onde a população saiu às ruas exigindo mudanças radicais na sociedade,como veremos a seguir.Primavera Árabe – Flores para todos Os países árabes costumam ser vistos pelo Ocidente como um corpo único, quecompartilha uma mesma história comum, dotado de tradições conservadoras (ouultrapassadas), de uma cultura machista e de um fundamentalismo religioso. Porém,essa é uma visão equivocada sob todos os aspectos e o próprio termo “mundo árabe”carece de sentido etimológico. Sem querer entrar em conceituações geopolíticas, que fogem ao interesseimediato desse trabalho, basta dizer que os países árabes têm histórias distintas,tradições diversas e culturas diferentes. Talvez o que eles compartilhem sejam apenasalgumas singularidades culturais, o idioma árabe e a religião islâmica. Ainda que nemtodo país islâmico tenha o árabe como língua oficial (como o Irã, para ficar no exemplomais óbvio) e ainda que mesmo o Islã (como todas as religiões monoteístas) tenha suasdiversas ramificações. Dito isto, vamos passar às transformações que alguns países
    • árabes têm experimentado, nos atendo ao papel que as redes sociais têmdesempenhado nesse processo. No dia 17 de dezembro de 2010, quando o tunisiano Mohamed Bouazizi seautoimolou em protesto contra a corrupção de agentes do governo, sabia que virariaum mártir, mas é provável que não imaginasse que seu sacrifício daria início às maisimportantes revoltas de países árabes na história contemporânea. Indignados com o evento, milhares de jovens tunisianos saíram às ruas exigindoa prisão dos agentes corruptos. Mas havia mais do que sentimento de justiça. Havia achama de uma revolução que transformaria a sociedade árabe como eles a conheciam. Os protestos cresceram. A repressão aumentava na mesma medida. Enquantoa mídia oficial dava a sua versão dos fatos, minimizando as manifestações e atribuindo-as a poucos “subversivos”, as redes sociais fervilhavam. As ruas ficavam cada vez maistomadas por manifestantes e era impossível ignorá-las. Em poucos dias o presidenteZine El Abidine Ben Ali, no poder há mais de 23 anos, teve que renunciar, devido aoforte clamor popular. Foi a senha para que a população de países da região se sublevassem. Com asmesmas ferramentas, os egípcios derrubaram Hosni Mubarak, 30 anos no poder,considerado um dos regimes mais sólidos da região. Logo Síria, Líbia, Iêmen, entreoutros, seguiam a onda de manifestações, embora nestes países a situação aindaesteja indefinida.Driblando a censura – um modelo de sucesso Todos os países árabes citados vivem sob variados níveis de censura etotalitarismo. Ainda que haja um maior ou menor grau de garantias individuais, emnenhum deles se permite a plena liberdade de imprensa ou de expressão. Assim, parapoder se organizar politicamente e coordenar as manifestações, os jovens lançarammão das redes sociais como ferramentas de mobilização. Inicialmente, essas ferramentas tiveram a função de “despertar a consciência”da juventude árabe e de convocar os descontentes para sair às ruas e participar dasmanifestações. Num segundo momento, quando as mídias locais “ignoravam” osprotestos e os jornalistas estrangeiros eram expulsos ou impossibilitados de realizar
    • seu trabalho, as redes sociais assumiram definitivamente o papel de fontes deinformação e notícia, abastecidas pelos próprios cidadãos, furando o bloqueio impostopelos canais tradicionais de comunicação. Embora se refira a outro acontecimento (o 11 de setembro) a descrição deGilmor (2004), para essa nova lógica de produção de notícias se encaixa com perfeiçãonesse caso: [...] desta vez, estava a acontecer mais qualquer coisa, algo de profundo: as notícias estavam a ser produzidas por pessoas comuns, que tinham pormenores a relatar e imagens para mostrar, e não apenas pelas agências de notícias “oficiosas” que, tradicionalmente, costumavam produzir a primeira versão da história. Desta vez, o primeiro esboço estava a ser escrito, em parte, por aqueles a quem as notícias se destinavam. Uma situação tornada possível – era inevitável – pelas novas ferramentas de comunicação disponíveis na Internet. (GILMOR, 2004, p. 12). E a fórmula para o sucesso das manifestações era simples: pelo Twitter, osciberativistas marcavam os locais de encontro e disseminavam informações sobre oevento. Em pontos estratégicos, alguns participantes faziam o papel de “olheiros” eavisavam sobre os locais onde poderiam enfrentar repressão. Conforme amanifestação ia acontecendo (geralmente passeatas ou aglomerações em praçaspúblicas), era feita atualização em tempo real. O Facebook era utilizado como plataforma de debates, antes e depois dasmanifestações. Também como suporte para fotos e vídeos. O Youtube tambémentrava em cena para armazenar os vídeos. Foi dali que saíram (e continuam saindo)muitas das imagens marcantes e flagrantes de repressão divulgadas na mídiatradicional. Não tardou para que os regimes percebessem que era inútil prender algunsmanifestantes ou expulsar jornalistas estrangeiros de seus países. Era preciso lutarcom as mesmas armas. As primeiras medidas foram no sentido de tentar inviabilizar oacesso à Internet. Não durou muito. Depois, passaram a perseguir os ciberativistasatravés das hashtags. Foi aí que entrou outro passo na estratégia dos manifestantes:conforme as autoridades conseguiam mapear e bloquear as hashtags, outras eramcriadas e seguiam funcionando no mesmo ritmo.
    • A principal etiqueta da revolução tunisiana começou como #sidibouzid (umareferência à Bouazizi) e foi mudando ao longo dos eventos, para evitar a censura. Emjunho de 2011, #SBZ_news era a sexta versão que os ativistas colocavam no ar. Outras#hashtags que fizeram (e fazem) a cobertura em tempo real, não apenas na Tunísia,mas nos outros países foram: #tahir, #arabsprings, #arabrevolution, #yemen, #syria,#bahrein, #lybia. Interessante destacar que apenas uma pequena parte dos manifestantes, emqualquer dos países citados, tinha contas no Twitter. Embora contassem com milharesde seguidores, as principais hashtags não abarcavam a totalidade da população. O sucesso das mobilizações se deu então, também por conta da forte tradiçãode oralidade da cultura árabe (esse sim um traço comum no “mundo árabe”). Porrazões históricas, o hábito de contar histórias sempre acompanhou esses povos. Erauma forma de manter uma memória coletiva e passá-la às gerações seguintes. Vem daí uma brincadeira muito comum também no mundo ocidental: otelefone árabe. Embora tenha diferentes nomes, dependendo da região, é provávelque todo mundo já tenha brincado ou ouvido falar do jogo. Consiste em passar umamensagem, da boca ao ouvido de outra pessoa e assim sucessivamente. Fica fácilentender como nesses casos as chamadas nas redes sociais virtuais encontravam forteeco nas redes sociais reais. Castells (1999) fala da virtualização do real nas sociedades em rede. Mas, nessecaso, não estaríamos vivendo uma realização do virtual? Esse paradoxal caminhoinverso sugerem que as relações de interesse, os debates, as organizações, começamno universo digital, mas se concretizam no universo real. Assim, Twitter, Facebook e Youtube se converteram “telefones árabes”turbinandos. Com sua capacidade de disseminação, em pouco tempo milhares departicipantes eram arregimentados e tomavam as ruas em protesto contras os regimesopressores, lutando por democracia, reivindicando melhores condições de vida,liberdade e oportunidades de emprego (segundo pesquisas recentes da OIT 60% dosjovens árabes estão desempregados, o que explicaria também a grande adesão àsmanifestações).
    • Nem tudo são flores Nem sempre esse modelo é eficaz, como aconteceu nas manifestaçõesocorridas no Irã, em protesto contra a reeleição do presidente MahmoudAhmadinejad, considerada por observadores externos como fraudulenta. A chamadaRevolução Verde aconteceu em 2009, portanto antes mesmo da Primavera Árabe, e foiuma das primeiras experiências da utilização das redes sociais como ferramentas deativismo político a furar a censura oficial. Outro caso em que a aplicação desse modelonão teve o mesmo sucesso foi na Líbia. Nesses países, a repressão dos governos foimuito mais dura e eficiente:Os recentes levantes no mundo árabe foram marcados por mobilizações que, no mínimo,foram facilitadas e antecipadas pelo uso das mídias sociais. Se num primeiro olhar se vê osucesso do uso da Internet nas revoltas do Egito e da Tunísia, por outros, sabe-se também quea onda verde que invadiu o Twitter e o Facebook durante a luta do povo iraniano contra ogoverno autoritário se virou contra eles, a partir do momento em que a revolta falhou e estasmesmas mídias servem hoje como banco de dados para a busca e apreensão de pessoas poresse regime. Mais recentemente, o governo da Líbia, assim que percebeu a mobilização online,bloqueou a Internet no país. (BARRETO, 2011, p.164-165). As redes sociais continuam a trabalhar pela Primavera Árabe. Os manifestantescontinuam contando e mostrando ao mundo sua luta por democracia, em toda a suagrandeza, mas também nos detalhes, nas pequenas alegrias e tragédias particulares. Omodelo de mobilização iniciado nos países árabes se espalha pelo mundo, comespecial destaque para ações na Espanha e Grécia. O mundo sabe antes dosacontecimentos nesses lugares através das redes sociais e não na mídia tradicional.Será esse um novo modelo de produção de notícias, que prescinde do jornalista e éfeito de fonte para fonte? Tentaremos responder a essa e outras indagações a seguir.E o jornalista? Visões fatalistas do jornalismo são comuns hoje em dia. Em nome dodeterminismo tecnológico, muitos acreditam que o papel do jornalista será cada vezsecundário no processo de produção de notícias. Não há dúvidas que as novastecnologias vieram para ficar e mais – a atualização tecnológica é contínua. Cabe,portanto, ao jornalista acompanhar esse processo. Salaverría (2009) fala de uma nova relação com o público, de um novo perfil dojornalista nesse processo de convergência midiática. O profissional do jornalismo deve
    • abandonar a visão unidirecional do processo de comunicação e olhá-lo e praticá-lo deforma multidirecional. Como vimos anteriormente, o público já está inserido nasredações. O público está produzindo por si mesmo as notícias. Cabe ao jornalista estaratento ao que esse público quer falar e ouvir. Além disso, as redes sociais, se bem utilizadas, são aliadas e não ameaças. Teracesso ao enorme conteúdo de informações geradas, da possibilidade de contatodireto e instantâneo com as fontes, que estão onde o repórter não pode estar, podemauxiliar e muito o jornalista a desenvolver seu trabalho. Sem esquecer uma das regrasbásicas da profissão: checar a informação. A lição da Al Jazeera Não é de agora que e a rede de televisão Al Jazeera, do Catar, se tornoureferência para o mundo em assuntos relacionados ao Oriente Médio. Moderna edinâmica, a rede soube se adequar como poucos à nova lógica de produção de notíciasatravés das redes sociais. Em entrevista ao blog Periodismo con Futuro, do jornalespanhol El País, (blogs.elpais.com/periodismo-con-futuro), o coordenador de mídiassociais da Al Jazeera, Riyaad Minty, deu pistas importantes de como o jornalismotradicional deve se portar diante desse novo cenário. A primeira delas, o jornalista deve estar em contato com o público e respeitá-lo. Só assim se estabelece uma relação de confiança. Assim se atinge credibilidade elogo o próprio público vai estar te passando informações relevantes. Além disso, a verificação continua tão ou mais importante agora. O volume deinformações a que se tem acesso é infinitamente maior. Assim, o jornalista deve tentarcontato com que está tuitando, postando vídeos, divulgando fotos e checar asinformações, o que está longe de ser uma tarefa fácil:“Lo mejor es conseguir un contacto personal, llegar a esa persona por correo electrónico ypedirle su teléfono. Cuando ya tienes el número con su código de área, sabes en qué zonaestá. Luego hay que comparar su versión con otras, incluidas la de los corresponsales en lazona. También les pedimos que se fotografíen con el periódico del día y así sabemos que estánen el sitio en el que dicen que están. Es un gran desafío, pero si sigues estos pasos, puedesestar seguro que tienes un 70% o un 80% de posibilidades de éxito en la verificación". (MINTY,2011) Minty conclui dizendo que os jornalistas não podem ignorar o fato que a formade produzir e consumir informações mudou completamente. Se não enxergar as redes
    • sociais como parte de seu trabalho corre o risco de tornar-se irrelevante. No entanto, é provável que haja a necessidade de estar atento também ao queWolton chama de “tirania do acontecimento”. Ou seja, a comunicação é baseada nainstantaneidade absoluta, quando um volume incessante de informações é oferecidoao público, que não consegue digeri-las. Mas a noção de “tempo real”, com a qual ainstantaneidade trabalha é diferente do tempo histórico, da sociedade. Mesmo que se fique acordado 24 horas por dia não se dá conta de consumirtoda a massa de informações despejadas continuamente. Ao jornalista,individualmente, cabe tirar do caos a notícia, do turbilhão de informações achar a queseja relevante para o público. Diante do que foi visto até aqui, parece que o jornalista está agora em umanova fase de sua profissão: por um lado precisa adaptar-se, adequar-se a um novocenário, onde os atores se multiplicaram ao infinito e as possibilidades deinterpretação do “real” são muitas. Por outro, tem que manter certas liturgias daprofissão, como checagem, apuração e um certo filtro.Considerações Finais São muitas as conclusões que podem ser extraídas dessa nova realidade que seapresenta ao fazer comunicativo. Não temos pretensão, como já dissemos, de esgotá-las aqui, mas apresentaremos as que nos parecem mais interessantes a este estudo. Um dos primeiros entendimentos que se apresentam diante do exposto dizrespeito às novas relações que se estabeleceram no processo de produção de notíciascom o advento das redes sociais. Definitivamente, o público está em outro patamar nesse processo. Não há maiscomo ver no leitor (entendido aqui como um consumidor multimídia de notícias) umsujeito passivo. Ele entrou de vez na lógica de construção do produto informativo etem cada vez mais espaço e voz. O jornalismo perdeu o monopólio da fala, de formairreversível. O público se tornou um colaborador imprescindível. Não nos formatos do tipo“você repórter”, que também têm seu valor mas, sobretudo, como interlocutor dos
    • eventos, estando presente e vivenciando os acontecimentos onde e quando elesocorrem. Também constatamos que o jornalista se mantém relevante na medida em queconfere credibilidade à informação oriunda das redes sociais, apurando sua veracidadeatravés da checagem das fontes, da investigação dos fatos. Assim, o jornalista continuaimprescindível como um mediador da construção social da realidade, que passa, cadavez mais, pelas redes sociais. O jornalismo cidadão pode contribuir, assim, para a democratização dacomunicação. Não apenas pela possibilidade de acesso ou produção de notícias, mascomo um aliado na interpretação que mais se aproxime da realidade dos fatos.Dinamizando um modo engessado e, muitas vezes, preguiçoso de recortar (e recontar)os acontecimentos. A mídia tradicional terá (se ainda não o fez) que se abrir a essa nova realidade.As empresas de comunicação terão de ver em seu público mais do que clientes, masparceiros na construção do seu produto. O diálogo é cada vez mais necessário, e astrocas é que estabelecerão as relações de credibilidade e confiança, imprescindíveisnesse negócio. Desde uma perspectiva cidadã, a utilização das redes sociais como ferramentasde mobilização política quebram um paradigma para a atual geração: havia a crença deque as chamadas gerações X e Y, crescidas ou nascidas em um universo altamentedigital e virtualizado, seriam alienadas e desinteressadas de questões coletivas. O que se vê, no entanto, é uma participação cada vez mais ativa, com diversosgrupos interagindo, discutindo e, mais importante, agindo e provocandotransformações reais na sociedade. Mediadas pelas redes sociais, a organização da sociedade avançou para umnível inédito de mobilização. As possibilidades de participação sugerem mais do queinteração, permitem (e até exigem) o envolvimento do público. As redes sociais se impõem como uma ferramenta indispensável no processode comunicação, seja ele jornalístico, político, social ou cultural. Elas agregam, pelaprimeira vez, a multiplicidade de discursos, visões e interpretações da realidade.
    • Como plataforma comunicacional alternativa à mídia oficial ou aos grandesmeios, as redes sociais demonstraram sua eficiência. Não é possível controlá-las, nemvencê-las. É preciso juntar-se a elas.Bibliografia consultadaBARRETO, Fernando: Mobilização Social. In: Para entender as mídias sociais. Org.BRAMBILLA, Ana. E-book, 2011.CASTELLS, Manuel: A era da informação: Economia, sociedade e cultura – Volume 1:Sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.GILMOR, Dan: Nós, os média – Lisboa: Presença, 2005LINDEMAN, Christiane: Jornalismo participativo na internet: novo suporto, novaspráticas, novos conceitos. In: Animus – Revista interamericana de comunicaçãomidiática. Santa Maria/RS, vol. V, n. 2. p. 149-168, 2006.MINTY, Riyaad - Al Yazira: o cómo el ciudadano fue esencial para contar la revolución,entrevista de Ana Alfageme - http://blogs.elpais.com/periodismo-con-futuro/:acessado em 17/06/2011NEGREDO, Samuel; SALAVERRÍA, Ramón: Periodismo integrado: convergencia demedios y reorganización de redacciones - Barcelona: Sol90Media, 2008RECUERO, Raquel: A nova revolução – as redes são as mensagens. In: Para entender asmídias sociais. Org. BRAMBILLA, Ana. E-book, 2011.WOLTON, Domenique: Pensar a comunicação: Brasília: UnB, 2004.