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Parte II
Além do portal

As grandes tradig6es

Budismo 90
Taoismo 92

Sufismo 94.
Hinduismo 96
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Tradi...
Introdugfio

Este Iivro é dedicado aqueles que nfio
tém nenhuma experiéncia em medi-
tagao e também aos que possuem bas-
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Intrudugdo

guém sentir efeitos nocivos com a
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Como usar este

A fim de auxiliar melhor os meditado-
res a alcangar niveis profundos de con-
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Como usar este Iivro

meditar.  Depois de esco1hé—1o,  adote
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ajudaré a enquadrar a me...
O PORTAL

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Primeiros passos

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Primeiros passos

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Exercicio I

 

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De olho nas emogfies

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De olho nas emogfies

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Armadilhas da meditagiio

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Carninho sem fim

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Armadilhas da meditagfio

Para acabar com os mal—estares

Exercicio 5

 

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Entradas

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Entradas

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Entradas

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O ambiente

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Entradas

Tempo e duragdo

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Tampa 4: Juragfio

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Tempo e duragao

Para ter nogéo do tempo

 

Exercicio 7

 

Durante a meditagao,  costuma—se perder a nogao do tempo.  To...
Rituais e objetos

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estimular um estado mental especifi-
co,  como,  por exemplo,  admi...
Entradas

 

Se vocé nao pertencer a nenhuma
dessas tradigoes,  o ritual pode estar
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Rifuais e objetos

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Entradas

Roupas e sfmbolos

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Ruupus 0 xfmbolos

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Entradas

Posturas

A capacidade de meditar em diferentes
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Posturas

Para aprender a sentar

Exercicio 8

 

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O que é essencial

Agora que sua ornada meditati-
va esta em curso.  convém lem-
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O que é essencial

Concentragdo e respiragéio

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O que é essencial

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Corno concentrar

Luna mente

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Como concentrar uma mente instdvel

Para eliminar as distragoes

Excrcicio 9

 

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Prana, 

chi

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ocidental.  a respiragéo csté associada
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O que é essencial

disuirbios fisicos ou mentais causados
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Prana,  chi e energia vital

da ou lenta;  se é ruidosa ou silencio—
sa.  A respiragéo revela muita coisa a
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Aprenda a meditar -  david fontana
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Aprenda a meditar - david fontana

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Livro pequeno e muito útil para nos iniciar a meditação sem firulas aonde aborda diversos tipos para que encontremos a que seja mais interessante. Podendo inclusive a mescla de duas ou mais estilos fazendo o seu proprio.

Publicado en: Estilo de vida
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Aprenda a meditar - david fontana

  1. 1. » -u _Al. a,rte da t_ranqI'. 'Ii| idade, da lautocbnsciéncia e da percepgéo . DAVID FONTANA‘ '7
  2. 2. Aprenda a Meditaré um guia ilustrado prético e acessivel. Mostra como a meditagao estimula o profundo relaxamento mental e fisico, melhora a criatividade, harmoniza corpo e mente e alivia o estresse e a ansiedade. Repleto de exercicios e visualizagfies, o Iivro ensina o leitor a atingir 0 equilibrio interno independentemente de seu estado de espirito ou de suas necessidades. Baseando—se em duas décadas e meia de experiéncia, o mestre inglés em meditagao David Fontana conduz o leitor pelo caminho da autodescoberta e, em filtima anélise, do auto-enriquecimento. Explica como meditar com a disposigao de animo correta, no contexto apropriado e com as expectativas certas. Faz observagoes detalhadas sobre as grandes tradigoes meditativas, do zen-budismo ao taoismo. e as aphca num programa eclético e muito prético para alcangar a paz interior. A meditagéo forma uma base sélida para uma vida mars rica e plena de realizagées. Ao conduzir vocé com clareza e cuidado do estégio bésico ao mais avangado. Aprenda a Meditar se transformaré numa companhia constante em sua jornada.
  3. 3. 47"‘ 1- <37 . r O I ; «W 6./ <2 Q ~f*, - l , Q_ _. ~~, '. f‘ «r 1- 5» ‘Vi: ' ' l l / I 1 ‘ iii‘ l I ‘ -t—h‘* -fish ‘Kb’ "4:/ sly . -a— 1 . a.__‘ - '). / ''. ./I. ) . s'. l- ‘<9 "~: /ii» L l ‘. .x A arte da tranqiiilidade, da autoconsciéncia e da percepgfio DAVID FONTANA PUBLIFOLHA
  4. 4. Copyright © 1993 Duncan Baird Publishers Ltd. Copyright do tcxto © 1998 David Fontana Copyright do projcto grafico @ 1998 Duncan Baird Publishers Ltd. © 2003 Publifolha — Diviszio dc Publicagoes da Empresa Folha da Manhé S/ A Todos os dircitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode set reproduzida. arquivada. ou transmitida de nenhuma forma ou por nenhum mcio. sem a permisséo expressa e por escrito cla Publifolha — Divisiio de Publicagbes da Empresa Folha da Manhi S/ A. COORDENACAO no PROJFTO PUHl. l}~'()Lll. v A. SSlS'I'F'N(: lA HJITORI. -I_: Marcelo Fcrlin Assami PRODUQ-KO CR. -U-‘ICA: Soraia Pauli Scarpa AssIsT1‘1NCm DE PRODUCAO GP. -‘mm: Guilherme Macabelli EDICAO: Editora Pagina Viva TR. ADU(L7O: Anna Quirino RI-‘. VIS.5l0: Mércio Cuirnaraes dc Aralijo e Olacilio Nunes DUNCAN BAnm PIIBLISIIERS Eon ORA—C! IEFE: Judy B-arrau EDITORA: Molly Pex-ham. com Rebecca Miles DIRECAO DF. ARTE: Gabriella Le Grazia DESIGNER: Sonya Merali. com Dawn Davies-Cook cjen Harte ILUSTRACOES: Claire Bushe. Rosamund Fowler PESQUISA ICONOGILAHC. -x: Fiona Hill Dado: internacionais dc Catalogagio na Publicagio (CIP) (cfimara Brasilcira do Livro, SP. Brasil) Fontana. David. 1946- Aprenda a medilar : .1 arte da tranqiiilidadc. da auloconsciéncia e da pcrccpg-Eu / David Fontana : ltraduqfio Anna Quirinol. — S30 Paulo -. Publifolha, 2003. Titulo original: Learn to meditate. Bibliografia. ISBN 85-74.02-540-2 I. Autoconsciéncia 2. Autopc-rcepgio 3. . '(edita(:5o 4.. Pa: dc espirilo 5. Tranqiiilidade I. Titulo. ll. lituloz Aarte da u-anquilidade. da autoconsciéncia e da pcrcepgjno. o3 6074, CDD—158.128 lndiccs para catzilogo sistemziticoz I. Medjtagfio : Auto-anélisc : Pxicologia aplicada 158.128 PUBLIFOLHA Al. Barao de Limcira. 4m. 6.° andar 01202-001, S50 Paulo. SP Tcl. : (u) 3224.-2:96!-z2o2«-'22o5 Site: www. puhlifoll1a. com. br Estc lxvro {oi innpu-. ssu em nnvembro dc 2003 pcla Graifica l'iumle-inmlc-s sobre pap: -l u| Tsel gogJ'm'.
  5. 5. I '1rl-l'| ” “ _II I I um: “uh V‘ llllf I Ill an ‘H’! | n '1 nu min H n um p _' Him} 1:1 . . ‘P’ . .:H"'. .. " — In-1-L“ mun -I1-mill L l| I - l_y1u+. - H—. _-~ rHr, j. E _H-3|f. .u, ; . n!‘| j‘l44_—:31"‘, ... _. u.1_l'. '.a '—"'| n'll"llI'l'; I"l'. '-_I lF= - WI ii‘ ; L.. ._. .l
  6. 6. Sumdrio Introdugio 8 Como usar este livro 1o Parte I O portal Caminho sem fim O que é meditagio? 16 O l1a'bito de mcditar I9 Primeiros passes 21 Excrcicio 1: Para aquietar 0 corpo 23 Beneficios fisicos 24 Exercfcio 2: Para preparar o torpo 25 Beneficios mentais 27 Exercfcia 3: Para observer as pensamentos 29 Exercfcia 4.: Quem sou eu? 31 Atengio 32 De olho nas emogoes 34 Armadilhas da meditagéo 37 Exercfcio 5: Para acabar com os mal-estares 39 Entradas O ambient: 4.2 Exercicio 6: Medifagfio improvisada 4.5 Tempo e duragio 4.6 Excrcfcio 7: Para ter nogfio do tempo 4.8 Rituais e objetos 49 Roupas e simbolos 52 Posturas 54. Exercicio 8: Para aprender a senior 55 O que é csscncial Conccntragéo e respiragfio 58 Como concentrar uma meme instzivel 61 Exercicio 9: Para eliminar as distragzies 62 Prana. chi e energia vital 63 Visio sem distorgoes 65 Exertfcio 10: O quzfazer com as ilusoes 68 Para acabar com dores e sofrimentos 69 Exercztio 11: Em harmonic com 0 cu 71 lmobilidade e siléncio 72 Exercfcio 12: Em busca do eu 74 Como criar emogées positivas 75 Para trabalhar com os outros 78 Consciéncia espiritual 80 Exercicio 13: Aflrmaiivas positivas 82 Mestres e rctiros 83 Exercicio 14,: Para criar um retiro pessoal 85
  7. 7. Parte II Além do portal As grandes tradig6es Budismo 90 Taoismo 92 Sufismo 94. Hinduismo 96 Meditagbes hindus 98 Tradigées ocidentais Ioo Visio e son: 0 poder da imaginagfio I04. Visualizagéo 106 O palécio dos deuses I08 Exercfcia I5: Como usar um_yam’ra 110 Artes marciais III Exercfcio 16: Kinhin 113 A Cabala 114. Exercfcio 17: A Aruore da Vida 116 As cinco iogas U7 Exerc1'cio18: Odesapego 119 Os quatro elementos I20 Exercfcio I9: Para enconlrar os elementos I22 Mantras I23 Exercicio 20: Porn usar um mantra I25 Criatividade e resolugéo de problemas 126 A via do paradoxo O zen e as koans I30 Exercfcio 21: Para trabaihar com um koan 132 O zen na arte de tudo I33 0 zen e o significado do eu I35 Os Iimites externos Curas 14.0 Estados aherados 14.2 Exarcfcio 22: Para 0 equilfbria do eu 14.4. Meditagfio e sonho 14.5 Exercicia 23: A beira do sono 14.7 Dentro e fora do corpo 14.8 Conclusio I50 Bibliografia I52 I-ndice remissivo 153 Créditos das ilustragées I59
  8. 8. Introdugfio Este Iivro é dedicado aqueles que nfio tém nenhuma experiéncia em medi- tagao e também aos que possuem bas- tanle praitica e decidiram ampliar seus conhecimentos no assunto. Seus obje- tivos consistem em discutir a teoria e a prética da meditagao, explicar os bcncficios potenciais e oferecer ajuda aos leitores para que realizem pro- gressos satisfatérios em relagao ao caminho para a iluminagio. Se vocé esté iniciando, é muito im- portante ler toda a Parte I ("O por- tal”) antes de comegar a meditar — essa segéo lhc ofcrecera as informagées essenciais necesszirias para que vocé abra sua novajornada. Com 0 passar do tempo, diversas técnicas de meditagio foram se desen- volvendo em diferentes culturas pelo mundo afora. Ncstc Iivro, procur-a- mos explicar a maioria delas, a fim de lhe oferecer uma boa nogao do todas as tradigoes mais importames. Mas néio estamos sugerindo que vocé expe- rirnente todas elas. Cada pessoa se sente atraida por uma determinada técnica e se adapta a ela, c vocé é quc vai decidir qual a que melhor se ajusta a seujeito — escolha aquela com a qual Se sinta mais a vontade. menos auto- consciente c mais confiante. Deter- minada prética nao é necessariamente melhor do que as outras. Em esséncia, os fundamentos por trzis de todas as préticas mais importantes silo os mes- mos. diferindo apenas nos detalhes e no sistema de crengas nos quais se baseiam. E atengéoz este Iivro nio propugna a meditagéo como um tratamento para qualquer problema psicolégico ou fisico. Se vocé estivcr buscando maneiras pelas quais a meditagio possa servir de auxilio nesses casos, procure um profissional devidamente habililado, que lhe indicarzi os me- lhOl"CS I‘CCUI'SOS. Basicamente, El medi- tagao é uma experiéncia muito pcs soal, ‘a qual cada um reage de_ maneira diferente. Se vocé imagina que seu estado de sailde ou psicologico pode piorar com a mcditagfio. convém procurar se aconselhar com um born profissional antes de comegar. E muito raro al-
  9. 9. Intrudugdo guém sentir efeitos nocivos com a meditagao, mas isso pode acontecer. E se vocé ficar ansioso antes do come- gar on logo apés o inicio, sera melhor esperar ou interromper a prética da a impressao de estar trancada. Em- bora pensemos que a meme nos per- tence, ela parece ter uma vontade prépria obstinada. No entanto, com a ajuda de técnicas que vamos para procurar a ajuda de um especialista. A decisao de meditar I150 Cleve SCI‘ tomacla 56111 reflexao, pois se trata de uma prética séria que. para alcangar os melho- res resultados, exige empenho. determinagao e paciéncia. Entao, por que meditar? Até os motivos mais corriquciros. tais como acalmar a mente, conseguir cla- reza em nossa vida do dia-a—dia, ficar mais atento em relagao aos outros, constituem "jeitos de ser" que todos nés aspiramos a conseguir. E Se vocé tiver a impressfio de que é tudo muito dificil, lembre—se de que pode conse- guir esse e outros beneficios, pelo menos um pouco, pelo simples ato dc aquietar a mente. A prosa mental se tornou um habito téo arr-aigado para nos, que inter-rompé—Ia. mesmo que por pouco tempo. fica dificil. por isso que os mestres do zen se referem a essa prosa como "entrada". A0 nos iniciarmos na mcditagéo. a entrada explorar juntos — e uma certa dose de paciéncia —, a entrada serzi progres- sivamcnlc vista como uma barreira irreal que existe de fato e, mila- grosamente. nos Vere- mos ultrapassando—a e entrando em nossa jorna- da rneditativa. Quando vocé acabar de ler este Iivro, nao o coloque de lado como se néo tivesse outro uso para ele. Deixe- o a mac, de modo que possa consul- té-lo dc vez em quando, a fim de refrescar sua memoria quanto as téc- nicas alternativas e para se inspirar em suas imagens e idéias. A meditagao é uma curva continua clc aprcnclizado. N50 precisamos ir muito longe para nos bcneficiarmos da experiéncia meditativa, mas temos de nos empenhar, se quisermos atin- gir niveis avangados cle forga mental. Contudo. para muitos de nos. 0 sim- ples ato de esvaziar a rnente se traduz numa I‘Cn0V3§§O mental C fisica.
  10. 10. Como usar este A fim de auxiliar melhor os meditado- res a alcangar niveis profundos de con- templagéo, e por meio de métodos adequados, ensinamentos das grandes tradigoes c sugestées sobre como en- contrar os mestres de meditagio cer- tos, Aprenda a Meditar divide—se em duas partes importantes. A primeira desti- na—se principalmente as " pessoas novatas na medita- géo; a segunda é para as que estfio mais avangadas. Parte I: O portal Pelo portal da "entrada sem porta" che- ga-se £1 meditagio. O termo "entrada sem porta" é um mumonkan japonés — uma expressio zen que 3:1 primeira vista parece sem sentido, mas que possui significado profundo: a entrada é, ao mesmo tempo. uma "coisa" (pela qual se passa) e uma "nio-coisa" (distragoes que impedem a consciéncia mental ele- vada). Se a meditagfio se encontra além da entrada sem porta, devemos chegar ao outro lado antes que possamos atin— gir determinados niveis de contempla- gio e percepgio. Nada se interpoe en- IO Iivro tre nos e a capacidade de meditar, a néo ser os atos de pensar, planejar e lembrar, que a maioria das pessoas per- mite que dominem sua Vida mental. O primeiro capitulo do Iivro ("Ca- minho sem fim") consiste numa intro- dugfio detalhada aos métodos de medi- tagio, para que servem e de onde vém. Se vocé c’ iniciante, reserve algum tempo para refle- ‘ tir sobre essas informa- goes fundamentais: se elas ficarem bem memorizadas e compreendidas irio aju- dai-lo a perceber por que deveré. per- sistir se em alg-um momento seu pro- gresso parecer lento ou dificil. N50 tenha medo de voltar a essas péginas introdutérias, seja qual for o seu de- senvolvimento. No segundo capitulo ("Entradas"), examinamos o lado praitico de apren— der a meditar. Onde devemos nos sen- tar‘? Quanto tempo devemos meditar‘? O que devemos vestir‘? Use esse capitu- 10 come um guia: assim que vocé ad- quirir confianea, experimente criar seu préprio ambiente perfeito para
  11. 11. Como usar este Iivro meditar. Depois de esco1hé—1o, adote sempre o mesmo ambiente, pois ele o ajudaré a enquadrar a mente de forma correta no inicio de cada sessao de meditagio. i O terceiro capitulo discute em de- talhe "O que é essencial" para a medi- tagao, por exemplo, como concentrar a mente para controlar Pensanlentos e emogées instaiveis. Procure ser paciente consigo mesmo durante toda essa segio (para muita gente, aprender a meditar é reformular habitos de uma vida in- » teira). Faga tudo devagar e aos poucos. Parte II: Além do portal A meditagio assumiu diversas formas pelo mundo. Com uma breve observa- gao de cada uma das grandes tradigées, teremos percepeoes valiosas sobre como atingir a meditagao avangada. Use essa segio como guia para desco— brir qua] dos métodos tradicionais é o mais adequado a vocé — ou que ele- mentos de cada um vocé gostaria de inserir em seus exercicios. Em "Viséo e som", conhecemos alguns dos métodos das divcrsas tradi- goes. De novo. é importante persistir mesmo quando vocé achar as coisas dificeis e, se for precise, volte as téc- nicas mais bzisicas da Parte I para res- II tabelecer sua autoconfianga. Se consi- derar que determinada tradigéo néo funciona com vocé. passe para a se- guinte ou experimente usar elementos de uma e outras. Quando encontrar um método especifico, atenha-se a ele. Ha uma segéo so para o zen. Essa forma de meditagéo japonesa é uma das mais dificeis dc dominar, mas pode ser extremamente gratificante. Estude esse método com atengao, mas néo se force a nada. Se ele lhe agrada, talvez seja melhor encontrar um professor zen, que lhe oferecerzi instrugées e orientagées detalhadas. Nas etapas mais avangadas da medi- tagéo. podem ocorrer experiéncias es- pirituais elevadas. O filtimo capitulo do Iivro explica alguns desses ferroma- nos e orientarzi vocé para a melhor ma- I'1CiT3. de preparar O COTPO C a mente para receber esse nivel dc espirituali— clacle. Acontecimentos como experién- cias extracorporais e alucinagoes sio raros e, na maioria das vezes, ocorrem apenas com meditadores que dedica- ram boa parte da vida 5. busca da ilu— minaeéo. importante compreender a natureza desses estados, a fim de nos tornarmos mais receptivos. Mas tenha paciéncia, pois essa espiritualidade exi- ge anos de prética (talvez a vida toda).
  12. 12. O PORTAL Um antigo texto zen—budista diz que, se quisermos aprender a meditar, precisamos primeiro atravessar "a entrada sem porta”. Como a maioria dos ditados paradoxais associados ao zen, esse aparente enigma transmite uma verdade profunda, inelutével. Embora a entrada seja bem real, é ao mesmo tempo iluséria, nao passando de uma prosa mental interior, que nos afasta dos niveis mais profundos de nossa mente.
  13. 13. Cdaminho sem fim Quando comegamos a meditar, um erro muito comum é ter em mente uma meta definitiva e persegui-la tenazmente. Pode- mos decidir meditar para com- bater o estresse. experi- mentar estados de bem- aventuranga, ou até para nos tornarmos ilumina— dos. mas esses objetivos so ser- vem para estabelecer "entradas sem porta" que impedem 0 pro- gresso. Ao sugerir que sabemos aonde a meditagfio nos levara, criamos conceitos fisicos sobre ela, que obscurecem a experien- cia real. A melhor coisa a fazer é assumirmos o "nao-conheci- 9) mento de modo tranqiiilo, com a mente totalmente aberta. Assim, podemos acreditar nos I5 beneficios da meditagao, mas evitamos as idéias fixas sobre co- mo eles surgem e com que se parecem. Nesse sentido, a me- ditagao é um caminho sem fim. Temos expectativas que nos atraern para a meditagao, mas assim que a prética se - inicia elas tém de ser co- locadas de lado e a meditagao deve ser assumida como expe- riéncia completa em si mesma. Os analistas as vezes se refe- rem a meditagao como umajoi-— nada rumo a vastidao ou, na descrigfio do mestre zen Dogen, como "ficar apenas sentado". Isso significa ficar totalmente absorto nessa pratica, sem inten- goes ou expectativas e sem impa- ciéncia ou desapontamento.
  14. 14. I 8 O que Simplificando, a meclitagio é a expe- riéncia da natureza ilimitada da mente, quando ela cessa de * ser dominada pela prosa men- tal costumeira. Pense por um momento no céu. Se 0 céu estivesse continuamente coberto de nuvens, nunca conseg-uiriamos ver sua verda— deira natureza. Mas se as nuvens V5.0 embora, vemos, como que por ma- gica, a vastidao azul do céu em toda a sua beleza. Se a mente estiver continuamente nublada pelos pen- samentos, nunca conseguiremos ex— perimenta—1a em si mesma. Tudo que experimentaremos seré a parte nubla— da de seu contexido. Por que quereriarnos experimentar a meme em si mesma‘? A resposta é que ela representa nossa ver- dadeira natureza, uma natureza que é calma e serena, sem as nuvens cle ansiedades e desejos, esperangas e medos que normal- . ~. Experimentar a mente dessa mente ocupam nossa atengio. ‘. maneira, sem nuvens, é vi- ; ’V venciar a sensagao de estar : I6 Caminho sem fim meditagfio? totalmente vivo, apesar dc cstax-mos. ao mesmo tempo, profunda- mente em paz com nos mesmos. A meditagao traz consigo diversos beneficios para o corpo e a mente, mas tudo isso depende da capacidade de vivenciar esse estado em que se estai em alerta, embora em paz. Um jeito cle "K compreender isso é imaginar a v mente como um reservatério de agua que, durante anos, trans- formamos em lama com nossa pro- sa mental. Assim que paramos de re- mexer, a lama se assenta no fundo e o reservatério fica com a agua clara. Nao apenas vcmos a égua clara e limpida, como também aproveitamos outros prazeres. como matar a sede e tomar um banho. Sua transparéncia e lim- peza nos permitem ver 0 fundo do reservatério e descobrir, ali, um ‘-J‘ IIOVO mundo que I105 interessa C maravilha. Quando a mente se acalma e se aquieta na meditagao. atingimos um nivel mais profundo de nos mes- mos e de nossa verdadeira natureza. Quando aquietamos e acalmamos os
  15. 15. O que 2' mediiagfio? pensamentos, a meditagéio também aquieta e acalma as emogoes. Pensa- mentos e emogoes estéo profunda- mente ligados em nossa vida diaria. A mente busca lembrangas dolorosas. preocupagoes atuais e quanto ao futu- ro, e no fazer isso dispara emoeoes, tais como arrependimento, raiva e medo. Quando a mente entra em meditagao, as emogoes experimentam uma nova sensagao de paz. Mesmo que surjam pensamentos perturbadores, a maior parte de sua forga estaré dissol— vida. A pessoa que medita é capaz de observa—los objetivamente, sem se perder neles e se identificar com eles. Como resultado, diminui sua capaci- n : clacle de despertar emogoes desagrada- veis. No cerne de tudo permanece a tranqiiilidade da mente e dos senti- mentos. Os pensamentos potcncial- mente perturbadores passam pela mente como nuvens na frente do sol e sfio substituidos por uma serenidade que so é possivel quando uma pessoa esté em paz consigo mesma. A medita- gio nunca deve ser pensada como uma técnica exterior que impomos a nos mesmos. a exemplo dc aprender uma lingua estrangeira ou dominar 0 com- putador. Em sua esséncia, é a redes- coberta de algo que sempre tivemos dentro de nos, a abertura *‘ de péginas quase familiares de 17 -1 . .. "~'«"‘-. ‘._ /
  16. 16. Caminho sem fim um Iivro do qua] _j; i gostamos muito, mas que pusemos de lado. Isso néo sig- nifica que a meditagéo nos leva de Volta 5 mente dc uma crianga. A meditagéo nfio nos pede para ignorar nossa expe- riéncia nem para desconfiar do poder do pensamento. Também nfio nos pe- de para nos modificarmos ou nos lor- narmos pessoas menos interessantes do que somos agora. Assim que termi- na a sessio de mcditagéo. a mente volta aos planos e as preocupagoes de que se ocupa normalmente. S6 que agora ela tem uma clareza e um poder adicionais e mais capacidade para enfrentar desafios e frustragoes. com os quais a vida sempre nos confronta. A meditagfio nio nos afasta do mundo. mas nos ajuda a ter uma viséo mais clara e eficiente dele. Ela tam- bém permite que nos tornemos mais sensiveis e que tenhamos mais com- paixfio CH1 relagio HOS Outros C C111 relagéo ao mundo natural, porque desenvolve em nos a nogio de unida- de e interdependéncia de todas as coisas e a consciéncia do que significa ser. .. humano. Com a sensibilidade e a consciéncia aumcntadas surge um sentimento maior de autoconsciéncia e de auto—aceitag£1o. E, pela primeira vez, nos sentimos realmenle 0 pro- fundo mistério da vida e a sua nature- za preciosa. N1'z: eis de pensumento Uma das primeiras rnetas da meditagzio é aquietar e acalmar pensamentos aleatérios. Para consegui—lo, é interessante identificar quatro niveis diferentes de pensamento. O primeira e mais baixo é o peruamento negative, que inclui sentimentos de raiva. '| "I"| €dO. ITISKCZZI, arrependlmento 6 mquxetagao, C 1105 IOTTLEI egmstas C pregulgosos. O Segundo nivcl L‘ o pensamcnto imilil. quando gastamos nosso tempo nos prcocupando com coisas que podem nem acontecer ou que estejam fora de nosso controle. O terceiro é o pensamento necessdrio, tal como "néo posso esquecer de pagar a coma de luz". O nivel mais alto é o pensamenfo positivo. que estirnula a paz. a harmonia. a criatividade. o amor e a felicidade. Na meditagéo. podemos Iiberar nossa mente dos pensamcntos ncgativos e infiteis c cIcvé— la ao nivcl mais alto.
  17. 17. O hdbito de 0 cristianismo, 0 budismo, o hinduis— mo. 0 islamismo. ojudaismo. o taois— mo. 0 xintoismo. ojainismo e as tradi- goes xamanislicas e pagas ensinaram a seus membros como voltar a mente para dentro, a fim de avaliar seus miste- rios e desenvolver um relacionamento com a {once da qual nossos pensamentos surgem. A pratica da meditagao — e da contemplagao C da oraeao esté no A alma que madita sabre e se satisfa; dentro do eu; nfio ha’ meditar las. Assim. a importéncia da meditagao foi virtualmente ignorada. o que exigiu que nos voltéssemos para o Oriente, a fim de redescobrir essas técnicas que ja tinham sido comuns ; no Ocidente. assim 1 Como scmpre 0 F0- ram no Oriente. Nessa necessidade de nos voltarmos para o mundo oriental acabamos nos pren- dendo mais as pran- cas mcditativas hindu o euficu conlcntr: dc serzrir 0 cu e budista (veja pdgs. 90-9). Mas isso nao mais nada para ser realizudo. amago das grandes tradigoes espirituais. Embora se possa referir a essas tradi- goes como cspiri— '* tuais, elas também sao psicologias pra- ticas para explorar e treinar a mente, e em muitos casos sac também sistemas de filosofia e de cultura fisica. Foi so na historia recente do mundo ocidental que essas diversas categorias SC separa- ram, em detrimento de cada uma de- Bhagavad Gita (c. 200 a. C.) I9 implica uma abor- dagem doutrinéria, pois a meditagao e’ para pessoas de todas as tradigoes — ou pa- T3 3.5 PCSSOHS que I150 seguem nenlluma tradigao (néo é preciso obedccer a no nhuma fé ou crenga especifica). Na realidade, quanto mais nos aprofundamos no estudo das grandes tradigoes. mais acabamos reconhecen— d0 que EX]-. St€I'!1 II1uit2lS semelhangas P01‘
  18. 18. Caminho sem firn trés delas. A natureza humana tem a estranha peculiaridade dc procurar diferengas e divisoes entre as coisas (O que redunda em conflitos), em vez de procurar semelhangas e acordos (que levam ao equilibrio e a harmonia). Em nenhum lu ar isso flea mais evidente 3 do que no campo das idéias e crengas e das praticas psicologicas e espirituais. Em meditagfio, todas as grandes tradi- gocs cnsinam os mesmos passos funda- mentais. Os detalhes podem variar, mas os fundarnentos sic exatamente os mesmos. A ro ria anti "idade e durabilida- P P E“ de das andes Lradi ocs oferece teste- 87 munho dc sua eficacia ao ajudar as pessoas a ter éxito na vida. Os funda- dores de duas dessas tradigoes, Cristo c Buda, viveram respectivamente be’. 2.000 e 2.500 anos. Os rishies hindus, responsaveis pelos Vedas (alguns dos livros mais antigos do mundo), Vive- ram na lnclia por Volta de 4.. OOO anos atras. Nessa mesma época, os antigos egipcios pintavam pessoas sentadas no que parecia ser uma pose medita- tiva. O primeiro livro da Biblia hebraica foi escrito provavelmente no século 5° a. C., mas remonta a uma tradigao oral muito mais antiga. O Alcorao foi escrito no século 7“ d. C., e 0 Tao Te Ching provavelmente data do século 4.“ a. C. A tradfgfio meditative ocidental No mundo ocidental, a tradigao meditativa era bastante forte nas lgrejas Ortodoxas russa e grega. Por cxemplo, no século 4.” S50 Basilio escreveu: "Quando a mente esta quicta c nao dispersa pelo mundo por coisas exteriores. ela se volta para si mesma, e, por seu proprio meio. sobc ao pensamento de Deus". A técnica mais freqiientemcntc usada pelas lgrejas Ortodoxas consistia na repetigao da oragio dejesus ("Senl1or]esus Cristo, filho de Deus, tenha piedade de xnim, um pecador"). Essa era uma forma de mantra (veja Mantras, pdgs. 123 -5) e seu efeito transformador é muito bem relatado em dois textos clzissicos: O Caminho do Peregrino (1942) e O Peregrine Continua Seu Caminho (194.3). 20
  19. 19. Primeiros passos As pessoas comegam a meditar por diversas razées e muitas vezes compar- tilham da mesma concepgéo errénea. ou seja, que a meditagio pode ser encontre, mas a instrugio deles n50 substitui o que se aprende no ato pes- soal da meditagio. Nesse caso, qual é o primeira dominada simples- rnente com a lcitura e a memorizagéo de vérias técnicas, qua- se do mesmo modo como dominavam tCI'l13.5 na escola. Mas isso néio passa dc Vocé iluséo. pode até se tornar o maior especialista mundial na histéria e na natureza das técnicas de medi- tagio jai desenvolvi- das, mas continuar sendo um novato na ' ' utilizagfio das técnicas propriamente ditas. Isso ocorre porque aprender a meditar depende, em primeiro lugar e acima dc tudo. da experiéncia direta. Os mestres e os livros podem colocar vocé no caminho correto e ajudé—lo a veneer algumas armadilhas que talvez Meditando na Iuz e no esplendor, o conhecimento do | . espfriro pode ser afcanpado. I assim como a pat. Patanjali (c. 300 a. C.) 21 passo‘? Quando um aluno fez essa per- gunta a um mestre zen, ele pegou um bastio e escreveu no pé do chio um sim- bolo que significa atengio. E o aluno insistiu: dfivida "Mas sem deve haver mais do quc1'sto! ”. 0 de mestre pegou novo o bastfio e escreveu "Ateng5.o", I it mals uma vez. E o r 9!‘ 0 I v (1U, C Tnals. , Inqulrlu o aluno. Pela terceira vez 0 mestre pegou 0 bastfio e escreveu mais uma vez no chio: "Atem;5o”. Atengéo - atengio — atengio. Concentragfio relaxada e focalizada em detcrminado estimulo. :1 atengéio é o segredo para qualquer meditagfio, nio importa a técnica especifica que
  20. 20. Caminho sem fim possarnos escolher. Sem essa concentragio nio ha medita- gio. Sempre que nossa mente fica totalmente atenta, desse modo. a alg-um estimulo particular, sem nenhum pensamento aleatério para nos distrair, entramos em medi- tagio. lsso significa, de fato, que a meditag-.50 pode ser feita em qualquer tempo e em qualquer lugar, e néo sim- plesmente quando estamos sentados em um colchonete especial, cm um ambiente calmo e cheio dc paz. Podemos meditar no metro, andando dc énibus, caminhando no meio da multidao ou participando de pratica— mente qualquer atividade, quando for seguro voltar a mente para dentro. Po- demos até meditar ao nos concentrar— mos completamente na prépria ativ1'- dade que exercemos. em vez de permitir que a mente divague, como em geral ocorre. Assim, nio importa quao mundana seja a tarefa. se ficarmos totalmente absorvi- dos nela. com a concentragio que uma criancinha p6e em seu brinquedo. podemos dizer que estamos meditando. Contudo é extremamente dificil criar uma concentragao desse tipo sem sessoes regulates em um ambientc quieto. pacifico. so 22 com a prética constante que a mente comega a aprender a se concentrar. Afinal, passamos a maior parte da vida treinando 3. mente para f3.ZCI' I'n.3l.3ba' rismos com os pensamentos. pensando em diversas coisas ao mesmo tempo — trabalho, casa, familia e amigos. E ine- vitével que leve certo tempo e dedicagéo para que consigamos consertar isso. Algumas pessoas temem que, se de- senvolverem essa capaciclade de focali- zar e acalmar a mente, isso possa acabar reduzindo seu poder de pensar. Mas nao precisam ter medo, porque ocorre exatamente o contrério. Quando a mente Volta a pensar apo's uma sessio de meditagao, é com clareza maior e com energia mental renovada. De fato. a meditagao pode ser usada para avaliar o pensamento. como faz um observa- dor avangado. e para rcconhecer os truques que a meme destreinada costuma fazer para nos distrair daquilo que estamos fazendo, ao impor pensamentos irrelevantes, suscitar lembrangas e emogées. ou nos dist: -air com fantasias e devaneios. Um dos primeiros passos na diregao cla focalizagéo da atcngao é simplesmente sentar calmamente e aquietar o corpo, percebenclo CSSCS pensamentos que distraem.
  21. 21. Primeiros passos Para aquietar O COI‘PO Exercicio I , , Este exercicio destina-se a ensinar vocé a se sentar calmamente, de modo que possa concentrar sua atengao. Quando observamos nossos pensamentos e aprendemos a identificar as distragoes. iniciamos 0 caminho da meditagio. 1'. Vista roupasfolgadas e canforta‘veis de modo que possa se movimentar sem restrigées. Escolha um lugar tranqfiilo, onde nae seja perturbado —- talvez seu quarto ou um canto calmo no jardim. 2. Sente-se confortavelmente no chfio, com as pernas estfcadas. Feche os olhos e concentre-se em relaxar cacla parte da perna, comegando nos quadris e terminando nos dedos dos pés. Se voce‘ se sentir confortdvel assim, traga as pernaspara o corpo, sentando —se de pernas cruzadas. 3. Volte sua atengfio para dentro e fique atento aos pensamentos e as emogfies que surgem. Vocé se sente d vontade ou estcf um pouco acanhado ? Percebe qualquer emogfio ou mudanga no seu a‘m'mo ? Sente-se entusiasmado ou esta’ chateado ? Sua mente este’ cheia de pensamentos que o distraem ? Nenhuma dessas reagfies of term ou errada. Por enquanto, apenas tome canhecimenio delas. 23
  22. 22. Caminho sem fim Beneffcios ffsicos Diversos beneficios fisicos podem ad- vir da pratica regular da meditagao. in- cluindo o alivio da insonia, a redueao cla pressao sangiiinea, melhoramento da postura, aumento de ener- gia, melhor administragao . _ da dor e estimulo da libido (e maior controle dela). Nenhum desses beneficios pode ser garantido, mas, em muitos casos, pelo fato de relaxar c acalmar profunclamente o sistema nervoso, a meditargao permite que o corpo funcione com mais efi— ciéncia, melhore sua capacidade de Curar 3 Si Inesnlo C Se VOl. tC para UH} estado mais saudavel e natural. Muitos exercicios de ioga (fundamentados, entre outras, nas tradigoes hindu e taoista) melhoram ainda mais esses beneficios. mas a meditagtéo por si so Lambém pode ser muito eficaz. Para experimentar os beneficios fisicos da meditagao, vocé deve usar 0 estado meditative para ajudar a au- mentar El atengfio para COITI Sell COTPO, como é descrito no Exercicio 2. Para Desde a mais tenra inféncia, a maioria de nos adquiriu péssimos hébitos na maneira cle usar o préprio corpo. Entre esses habitos estao uma dicta de ma qualidade, excesso de bebida, uso de cigarro e falta de exer- cicio, além da maneira como nos posi- cionamos, como nos movimentamos e como rcspiramos. Com 0 passar dos anos. as tensoes se avolumam no corpo sem que percebamos: a respiraeao se torna irregular e curta, os ombros caem, nos sentamos dc maneira erra- da, caminhamos de maneira errada e ficamos em pé cle maneira errada, e até usamos mal a nossa voz. Além de permitir a observaeao do que ocorre em nossa mente, a medita- g-so também faz com que observernos o corpo. Ela nos dzi espago para que nos avaliemos. para repensarmos qual é a sensaeao de viver dentro desse corpo. para termos consciéncia da maneira COHIO respiramos 5 para perceberrnos dores e sofrimentos menores aos quais nos sujeitamos por causa de nos- preparar o corpo (pdg. 26) e no Exercicio sojeito de viver, dc modo que ‘ _, '‘ ’'‘_’ "--~, *- . x II. Em harmonic mm 0 cu 71). possamos <: ontra—atac2i—los. 24-
  23. 23. Beneffciosffsicos _ . _/8, V? ’-Svg‘ - . . r_ I. /_ ' »jIfi’ / V: ,4» . .2 L / _ § K or »« _'§ / _:~ . _ -"‘ . ‘V, “ A f’ . . primeiro de forma consciente e depois, com a pratica, inconscientemente. Esse melhoramento da ateneao com o corpo nao deve se limitar as sessoes de meditaeao sentada. A partir do mo- mento em que vocé comeear a meditar, crie o habito de levantar sem pressa do colchonete ou da cadeira quando ter- minar a sesséo. Procure caminhar do mesmo modo relaxado e sem pressa, com a permanente consciéncia do corpo e de como ele se sente. No ini- cio, essa consciéncia aumentada talvez dure apenas alguns minutos, mas, com a przitica. ela iré fluir durante as horas 25 de vigilia, 1150 de maneira inoportuna, mas como um pano de fundo para tudo aquilo que vocé esta fazendo. Para ajudar no processo. procure voltar a consciéncia total do corpo tan- tas vezes quantas for possivel durante 0 dia, especialmente quando estiver nu- ma situagio estressante. Observe como o corpo se contrai imperceptivelmen— te, tensionando desnecessariamente os mfisculos, articulagoes e Iigamentos. Depois note como o corpo agradece quando vocé relaxa e desfaz essa ten- séo, focalizando e relaxando cada parte do corpo. veja exercicio no prdxima pdgina
  24. 24. Beneffcios ffsicos Para preparar o corpo Exercicio 2 V '_ / . _, . fr ‘ .1 1 , . ‘__ K‘_. ‘ -. ‘%a_ M, ” , _A _! _ . E . ”" ' / ‘ ’ " ’ _. , ‘N. T Com este exercicio vocé vai aprender a relaxar cada parte do corpo, preparando-se para a meditaeao. 1. Sente -se confortavelmenie e concentre-se no pé direito. Para se concentrar nessa drea. mexa os dedos do pe’ (comece pelo lado esquerdo, se vocé for canhoto). 2. Relaxe o pé e desloque sua atengiio para a barriga da perna direita. Ela estd tensa? Se estiver, Iivre -se disso retesando os mzlsculos e depois soltando-os. 3. Agora preste atengtio na com direita. depois na ruidega e em seguida no abdome, suba para o peito e desga pelo brago direito até a moo e volte ao ombro. Depois va' até as mxisculos da face e, finalmente. ate‘ a coroa da cabepa. Pelo caminho, preste atengdo em cada ponto de tensdo e solte-o. Como esta’ scntindo cada parte do corpo ? Fique atento tanto para a sensagfio na pele como para sensagoes internas. nos mfisculos e nos prdprios Iigamentos. 4. Continue 0 processo, Ievando sua atengoo para baixo, passando pelo pescogo, pelo lado esquerdo, pelo ombro esquerdo, pelo brago, pela: costas, até chegar no perna e no pe’. 26
  25. 25. Beneffcios mentais O termo "mente" abrange trés niveis muitas vezes estao latentes em cada um de nossa vida mental: o nivel conscien— de nos. te (formado por pensamentos, senti— A meditaeao pode ser uma das mentos, emoeoes, de que estamos maneiras mais eficazes dc melhorar conscientes normalmente); o pré- essa comunicagao. Quando o nivel consciente (tudo que pode— consciente da mente se mos trazer para a conscién— aquieta. cresce a conscien- cia graeas a nossa vontade); cia do nivel mais profundo e o inconsciente (o vasto e inconsciente. E o in- reservatorio de 1embran- consciente é parte essen- gas, desejos e medos nio cial de nos mesmos: ele admitidos que estao por determina muitas de nossas baixo da consciéncia normal, esperangas, ansicdades, pre- mas que podem exercer uma influén— feréncias e aversoes, e outras caracte- cia importante no que pensamos e no risticas importantes de cada um de modo como nos comportamos). nos. e talvez contenha os segreclos do Muitas das grandes tradigoes, junta— nosso proprio ser (vqja Exercicio 4, Quem mente com alguns movimentos mais sou eu? , pdg. 31). Se nio conseguimos recentes da psicoterapia ocidental. acessar o inconsciente, permanecemos afirmam que o desenvolvimento espi- como estranhos em relagio a uma ritual e psicologico depende em parte parte essencial de nossa propria natu- do melhoramento nas comunicagoes reza. O mistico russo George Gurdjieff entre os niveis consciente e incons- comparava a mente a uma casa, e suge- ciente da mente. Essa comunicagao 1 ria que nossa incapacidade de explorar nao apenas rnelhora nosso autoconhe- seus niveis mais profundos era como cimento e nossa autocompreensao, viver em apenas um Linico comodo, em como tarnbém oferece acesso a capaci— vez de aproveitar os ambientes espa<; o— dades criativas e transformativas, que ‘ sos dessa casa. '27
  26. 26. Caminho sem fim Para a mente, os principais benefi— a dor; significa cios da meditagéio sao melhora da tran- apenas que ela deixa qiiilidade, paciéncia, concentragio e de ser controlada pelo prazer e pela dor. memoria, e aurnento da compreensao A paciéncia vem como conseqiiéncia e simpatia pelos outros. do ato nio apressado de se sentar em Atranqiiilidade surge naturalmente do paz e pelo contraste que isso oferece alerta estado de paz que estai no amago 3 em relaeao ao ritmo frenético de nos- da meditagzao. Nesse estado, a pessoa sas vidas. A pessoa que medita se torna que medita esta no papel de observa— consciente do "imediatismo” essencial dor, consciente de tudo que surge na da vida. Tudo que temos é o instante mente, mas afastado dela, em vez de de cada mornento atual. A preocupa- ficar identificado com ela. Os pensa— 5:50 com 0 future e a inquietacao com mentos, as emoeoes. os sentirnentos 0 passado sio vistas como distracoes e as lembrangas sao vistos sem julga— ' artificiais da experiéncia direta de mento e recebem permissao viver. Uma parte dessa abordagem sem para entrar e sair do pressa permanece mesmo quando nao nivel consciente, co- estamos meditando, de modo que a mo imagens numa tela. Em vida comeea a ser experimentada em esséncia, quando mcditamos, toma- ritmo mais ameno. e as irritagoes mos consciéncia de que, embora menores sao encaradas com serenidade tenhamos esses pensamentos e senti— cada vez maior. O resultado é nao so a mentos, eles nao sao nos mesmos. reducao do estresse para nos mesmos, Existem acontecimentos sem perma- e muitas vezes para os outros, mas uma néncia, transitorios, em nossa vida visao mais clara e um julgamento mais mental, cujo poder sobre nos 6 direta- objetivo. A pressa é vista como contra- mente proportional a Forca de nosso producente e, com paciéncia, aumen- apego ou aversao em relacao a eles. A tamos a capacidade de perceber o que é vcrdadeira identidade esté além dessas ou nao importante. experiéncias passadas. Isso nio quer A concentragdo permite que o medita- dizer que a pessoa que dor pratique a atengao. Os elemen- medita fica insen- tos normalmente dispersos sivel ao prazer e ’{ da atengao sao colocados 9 > 28
  27. 27. Beneffcios mentais Para observar os pensamentos Exercicio 3 Um dos primeiros exercicios de meditagao é dar uma olhada objetiva na mente, para ver o que ocorre ncla e perceber as pegas que ela pode pregar. 1. Sente—se e relaxe. Feche as olhos e volte sua atengfio para dentro. Com 0 mdximo de objetividade, observe os pensamentos que passam pelo m'veI consciente. N50 osjulgue nem tente transjbnnd-los em alga mais agraddvel, e também nfio afaste os pensamentos desagraddveis. Apenas observe. 2. Perceba a natureza e o contezido dos pensamentos — como um pensamento lava ao outro, e a rapidez com que se estabelece uma cadeia de associagfies. Veja como essas associaffies, (15 vezes, seguem um dnico tema, ou saem pela tangente, rumando para um conjunto dzferente de consideragfies. Note como a mente parece decidida a distrair sua atengfio e observe as estratégias que ela usa parafazer isso. 3. Perceba com quefacilidade seu objetivo consciente desaparece, e vocéfica "perdido” em seus pensamentos. Coda vez que isso acontecer, restabelegra, suavemente. a consciéncia. 4.. Continue 0 exercicio, desde que vocé‘ se sinta E1 vontade- Depois registre o que descobrir sobre sua mente em um dI'a'n'o. 29
  28. 28. caminho sem fim I’ juntos e focalizados com clareza c calma, em um dnico estimulo, que, de inicio, e’ a nossa respiragao. Sempre que a mente divaga, é trazida de volta a esse ponto focal. Aos poucos. a medi- da que a mente se concentra. ela se acalma e se torna mais tranqfiila. A memdria é o quarto beneficio men- tal importante. Boa parte de nossa in- capacidade de lembrar coisas vem do fato de 1150 prcstarmos a devida aten- gao nelas. Muitas vezes, nossas memes cstao ocupadas pensando em algo bem difcrcnte — e agimos praticamente co- mo autématos. Pior ainda: freqiiente— mente fazemos diversas coisas ao mes- mo tempo. sem nos concentrarmos em nenhuma delas. A rneditagao treina a mente para estar no momento presen- te, focalizada no que estiver no centro das atengtoes. Em conseqfiéncia, uma parte 1TlaiO1" que eX'PCI'in"| Cnta‘ mos sera registrada e transferida para nossos estoques de meméria. junta- mente com a preitica da atengio (veja pdgs. 32-3), a meditagao nos ajuda a usar a mente dc modo mais eficiente. O aumenta da compreenséo e da simpafia em relagfio aos outro: esté baseado. em parte, no crescimento da compreensfio e sim-- patia em relagio :1 nos mesmos. Com a 30 meditagfio surge uma percepgao c uma compreensao de si mais amplas, e tam- bém o correspondente aumento dessa percepgao em relagéo aos outros. Per- cebemos que aquilo que vemos dentro de nos estai igualmente presente nelcs. Os outros tém as mesmas cmogoes e sentimentos que nos. Cornetem os mes- mos erros. buscam as mesmas metas e podem mostrar a mcsma compaixao e generosidade. Mesmo se acharmos que nio ha necessidade de as pessoas terem raiva ou medo. podcmos avaliar como eles causam sofrimento a elas. Para quem esta mais adiantado na meditagéo, surge a Consciéncia de que ha unidade c interdependéncia entre todas as coisas. Isso leva ao rcconheci— mento de que, se ferirmos cs outros, estarernos ferindo a nos mesmos. e de que. se formos gentis com os outros. estaremos sendo gentis conosco. Desse modo, os pontos fracos e vulneraiveis das outras pessoas passam a ser vistos como imagens de nossos pontos fracos e vulneraveis. Cresce a nogao de hu- manidade compartilhada, e natural- mente se desenvolve aquilo que, no Oriente. é chamado ahimsa, uma énfase na nao—vio1éncia, na prcocupagao e no respeito pela vida em geral.
  29. 29. Beneffcios menlais Quem sou eu? Exercicio 4 A pergunta "Quem sou eu? " sera repetida durante todo o Iivro. Por enquanto, o que mais nos interessa é o espirito investigative. e nio as respostas. Nos topamos com uma charada que nos intriga e nos absorve, mas que ainda nao conseguimos resolver. Neste momenta. nos contentamos em observar, perguntar e esperar. 1. Sente-se canfortavelmente e relaxe as miisculos, retesando—o5 e relarando-as. Inspire profimdamente e expire devagar, imaginando que qualquer tensa‘o que tenha permanecido sem’ liberada com a respiragao. Feche as 011105 e wife a sua atengfio para dentro. 2. Observe os pensamentos que passam pelo nfvel consciente, mas mio osjulgue. Procure nfio se render aos ensamentos addveis nem or or as desa addveis a ir embora. A enas observe, ‘'3'’ § 3. Agora avance um passo perguntondo a 51' mesmo: "Quem a‘ que este’ obseruando ? ". 4. Repita a pergunla mentalmente de tempos em tempos durante a meditagfio, mas sempre de uma maneira Ieve, quase divertida, sem exigir uma resposta. ‘3I
  30. 30. Caminho sem fim Atengdo Atengao significa voltar a mente, de maneira 4.5. total, para o agora, de modo que sempre estejamos empenha- dos naquilo que estamos fazenclo. Bu- da falava dos quatro fundamentos da atengfioz atengio para com o corpo (consciéncia dos movimentos corpo- rais); atengao para com os sentimentos (consciéncia das sensagoes corporais); atengao para com os estados mentais (consciéncia dos énimos, emogoes. atitudes e disposigoes mentais); e aten— gao para com os objctos mcntais (cons»— ciéncia daquilo que estamos pensando e observando). Portanto, a atengao pode ser vista como um processo de automonitoramento. em que nos preo- cupamos com o que foi dito em Pri- meiros passos (pdgs. 21-2). Ela deve fluir continuamente por toda a nossa vida ativa, de modo que a meditagao niio se limite a sessoes, mas se torne um modo de ser. Na prética, isso é muito dificil, a mic ser para os meditadores mais adiantados, porém sessoes curtas desse Despertar. ’ O mistico russo George Gurdjieff costumava dizer que boa parte da miséria humana é provocada pelo fato de que vivemos mecanicamente, sem nunca prcstar atengao ao que significa estar vivo. Charles Tart. psicologo americano contemporaneo. diz que vivemos numa espécie de "transe de consenso". Esses mestres e todas as grandes tradigées se referem constantemente E1 necessidade do clespertar. Essa intensa nogao cle estar bem desperto, na verdade, é outra palavra para "atenez': o". Tart sugere que o conceito de atengao deve ser motivado pela afirma 50: "En uero saber o ue realmente acomccc. nao im ortando como en 9 ‘1 prefira que as coisas sejam". Nessa falta clc atcngao nos afasta da experiéncia Clireta daquilo que realmente é essa coisa misteriosa. lntrigante e maluca chamada vida. 32
  31. 31. Atengéo trabalho intensivo ajudam os iniciam- tes. Elas podem ocorrer a qualquer momenta, mas é melhor programé—las para horérios cm que haja manor pro- babilidade de distragio. Durante tais sessées. faga a si mes- rno quatro perguntas: "O que estou fazendo ago: -a? "; "Quais sic minhas sensag-6es fisicas agora? "; "Qual é o meu estado mental agora? "; "O que estou pensando, ou vendo, ou escu- tando agora? ". Outra saida é manter uma obscrvagiio constantc cle cada um dc seus movimentos e estados mcntais. Por cxcmplo: "Agora estou andando até a janela — agora estou olhando para o jardirn e vendo as flores na brisa — 33 estou me sentindo feliz — agora estou me afastando da janela e me dirig-indo para a mesa — agora sinto uma leve dor no joelho esquerdo — agora estou me lcmbranclo do passeio na calgada, quando cstava dc férias no Iiltimo vcrio". Urn dos beneficios imediatos dessa prética é que a meméria melhora. Quando nos concentramos naquilo que estamos fazendo, no momento em que estamos fazendo, acabamos eliminando experiéncias desa- gradévcis como nio conseguir Iembrar onde colocamos alguma coisa alguns mi- nutos atrés.
  32. 32. Caminho sem fim De olho nas emogfies A0 explicarmos o que é meditagéo. dissemos que os pensamentos e as cmogées sempre estéo muito interli- gados, e que a meditagio pode nos ajudar com ambos. Gastamos muito tempo combatendo nossas emogées. na tentativa de suprimi—las ou de evi- tar que elas se tornem aparentes. e elas influenciam nossa cficiéncia co- mo agentcs que atuam sobre nossas préprias vidas e sobre o mundo em geral. As ernogées vém e V50. assim como os pensamentos. mas néo somos nossas emov; .6es, assim co- mo néo somos nossos pensamcntos. Quando olhamos atentamente para o que acontece em nossa vida interior. observamos que quando Iembramos on prevemos uma expcriéncia desa- gradével nos sentimos ansiosos: quan- do lembramos ou prevernos uma ex— periéncia agradével. nos sentimos felizes e entusiasmados. De maneira semelhante, quando pensamos em um colega ou conhccido dificil. podemos sentir raiva. hostilidade ou ressenti- mento: quando pensamos em um par ceiro ou em nossos filhos, sentimos 34 amor: quando pensamos naquelcs que cstéo sofrendo. sentimos simpatia e compaixfio. Por causa dessa conexiio, a przitica de nos distanciarmos dc nossos pensarnentos durante a meditagzéo sig- nifica que também somos capazes dc nos distanciar dc nossas emogées. Naturalmente, néo ha necessidade de nos distanciarmos de emogées positi- vas. como amor. felicidade e compai— xfio. e e. 'ist. em meditagées que nos ajudam a desenvolver tais sentimentos agradéveis. Mas a meditagéo nos deixa mcnos 3 mercé de nossas emogées e menos propensos a sermos perturba- dos por aquelas que nos incomodam ou nos distracm da tranquilidade concentrada do préprio processo meditative. No entanto. pensamentos indesc- jéveis surgem inevitavelmente. de vez em quando. junto com as cmogtées que os acompanham, cm especial nos primeiros mornentos da przitica da meditagfio. Ou o processo pode apa~ recer im-ertido: as emogées surgem sem aviso e dcpois disparam os pensa- mentos a elas associados. Quando essas
  33. 33. De olho nas emogfies emogées negativas aparecem, elas de- vem ser tratadas do mesmo modo que os pensamentos intrusos — isto é, tém de ser observadas como acontecimen— tos transitérios com os quais 1150 de- vemos nos identificar. No caso de emogées obstinadas, que, apesar dc nossas tcntativas. sc rc- cusam a desaparecer, a rneditagio pode ser usada para avaliar a natureza delas. Talvez a emogio seja, por exem- plo, medo — nesse case, 0 meditador pergunta: O que é exatamente essa coisa chamada medo que estou sentin- do? E uma sensagio fisica? Se for, que tipo de sensagio é e onde se localiza‘? 35 Eu 21 reconhego como desagradzivel e, nesse caso, o. que a torna desagrada‘I— vel‘? Trata-se da prépria sensagio fisi— ca, on é a minha reagio ‘a sensagfio fisica? Se é a minha reagfio, qual é a natureza dessa reagio? Apesar de mim mesmo, estou secretamentc inclinado a pcrsistir ncsse medo? Nesse caso, qual é o motivo para tal persisténcia? Enxergo a emogfio como parte da mi- nha identidade‘? Reconhego a mim mesmo na emogéo? Receio que, se me libertar da emoefio. sentirei que estou menos vivo‘? Essa prética dc ob- servar a verdadeira natureza das
  34. 34. ck Caminho sem fim emogées parece muito mais dificil do que realmente é. Requer apenas que vocé observe o que ha’: ali, sem se cul- par por ser como vocé é e sem lutar contra a cmogio. Quanto mais calma for sua atitude en1 relagio a uma emo- gio obstinada, mais répido ela irai pas- sar c vocé voltaré a relaxar. As emogbes agradévcis séo bem diferentes das desagradéveis, e mesmo elas conseguem exercer bastante con- trole sobre nos. provocando desapon- tamento quando nfio S50 satisfeitas cla maneira como esperévarnos. Como 550 agradéveis, essas emogoes podem se tornar compulsivas, por isso deve- mos encaré-las com modcragéo, man- tcndo-as sob observagio, para avaljar o quanto elas podem ser superficiais e transitérias. A tendéncia que elas tém de ir e vir ilustra como é importante que nos tentemos nio nos definir por meio delas, assim como néo devemos nos identificar com emogées e pensa- mentos negatives. Paradoxalmente, a busca dc emo- gbes agradziveis as transforma em algo dificil de encontrar, e é justamente por isso que nio devemos colocé-las como uma meta na meditagéo. As emogbes agradaiveis estéo a1’ para serem saboreadas. mas certamente nio cons- tituem a finalidade de nossa jornada meditativa. Fazer amizade com as emogées negativas Em geral. as cmogées escapam muito mais ao controle do que os pensamemos. Podemos saber quc nao temos motives para nos sentir deprimidos, ou que uma reagéo de raiva é cxatarnenle o que nosso antagonista deseja provocar em nés. c ainda assim mio conseguimos comer a emogéo. Podemos até saber que ninguém consegue nosfager sentir algo contra nossa vontade. Afinal, somos responséveis por nossos scntimentos indesejados. Mas ainda néo conseguimos nos livrar delas. Se Iutarmos contra as emogbes negativas. elas so fortalcccm. Os budistas dizem que devemos "fazer amizade" com nossas emogées negativas, isto é. devemos parar de temé-las. Assim, podemos observei-las com calma. vcndo cm nos mesmos o que é irritado. por exemplo, pela incficiéncia de alguém ou pela critica dos outros.
  35. 35. Armadilhas da meditagiio Jé ressaltamos que a meditagéo nzio prejudica nosso poder de pensar. Pelo contrério, a clareza e o desenvolvimento da concentragfio que ela produz ajudam 21 mente a trabalhar com muito mais eficiéncia em Lodos os niveis. Confirmamos que a medita- gio nio precisa levar vocé a um estado de "bem—aventuran§a" ou afastzi-Io do mundo real e tornzi—lo indiferente as preocupacgées do dia—a—dia. Certa- mente. ela confere uma nova dimen- site de consciéncia 21 nossa maneira de nos vermos e vermos o mundo, ‘s. mas so vai nos distrair da vida normal se meditar-mos apenas para sentir Lranqiiilidade. Embora a tranqiiilidade seja importante na meditagfio, ela consiste. essencialmente, num ponto de partida para a percepgfio, por meio da qual a meme nfio apenas aproveita a clareza que a meditagfio proporcio- na, como também utiliza essa clareza para observar os niveis mais profun- dos do ser. No entanto, de tempos em tempos, podem surgir durante a mcditagéo 37 experiéncias que o deixariam preocu- pado. Efeitos colaterais tempo- rérios ou sensagées de desconforto nio sio resul- tados incomuns na rneditagio. Vocé pode sentir, por exemplo, um peso incrivel, como se estivesse afun- dando no chfio; ou sentir o oposto — que estai quase sem peso, como sc esti- vesse flutuando. Pode néo sentir as pernas ou outras partes do corpo; ou talvez sinta uma sensagio de formiga- mento ou pulsagées percorrendo o corpo, até chegar ao topo da cabega. Alguns meditadores transpiram muito, sentem calafrios ou percebcm que estéo tre- ~ mendo. Seu coragfio bate forte ou eles respiram rapidamente. Em contrapartida, a respiragio pode se tornar tfio suave que parece ter pa- rado. vezes surgem visées ou aluci— nagéesz elas costumam ser agradziveis, mas podem também parecer ameaga- doras. Experiéncias desse tipo costur mam ocorrer apenas para os pratic-an- mas também tes mais adiantados , podem ocorrer com os iniciantes.
  36. 36. Carninho sem fim A maneira mais aconse— lhzivel dc lidar com esses problemas fisicos menores é observar os fenomenos com o mesmo distancia- mento com que vocé observa seus pensamentos e emogzées. Eles nio pas- sam de criagoes da mente e, desdc que o meditador permanega calmo e rela- xado, irao se dissolver no mesmo espago que as outras criagées mentais. Algumas experiéncias —— em particular bclas visées ou formas abstratas c cores — site de fato um sinal bem- vindo de progresso, que indica contato com niveis mais fundos e criativos da consciéncia. Contudo. como na experiéncia da tranqfiilidade, é importante nio nos ligarmos a essas visées (ueja Exercfcio 5, Para acabar com os mal- estares, na prcixima pdgina). O apego causa dois problernasz o mcditador pode fazcr um esfox-go consciente para voltar a experimemar as visoes e se frustrar, quando nao consegue; ou, se as visées continuam a aparecer, ele se distrai com sua beleza, em vez de se aprofunclar na prética da meditagao. A maioria das grandes tradigbes de meditagfio ensina que os meditadores, as vezes. percebem que ganham pode— res de percepgéo extra—sensorial em determinada etapa de sua pratica. N50 se deve permitir que isso se transfor- mc cm um fim em si. Outra armadilha potencial é que a meditagao talvez afete as relagées sociais — quando, por exemplo, um dos parceiros se torna um praticante sério enquanto o outro nao mostra nenhum interesse. A meditagéo nos torna mais preocupados com as qucs toes fundamentais da vida, e a familia e os amigos podem achar isso perturbador. Mas questées como essa estio presentes em todo trabalho de crescimento pcs- soal — até mesmo no processo natural de mudanga e desenvo1vimen~ to que ocorre a medida que cresce- mos. Aconselha-se que os meditado- res compreendam e sejam simpziticos em relagao as preocupagoes das pes- soas que lhes sic préximas. O aumen- to de sensibilidade que acompanha o processo de meditagio ajuda nesse aspecto, pois permite que sejamos tolerantes e compreensi— vos em relagao as es- perangas e aos medos dos outros.
  37. 37. Armadilhas da meditagfio Para acabar com os mal—estares Exercicio 5 Este exercicio iré ajuda-lo a eliminar desconfortos fisicos e experiéncias que distraem vocé durante a meditagao. Tais desconfortos devem ser observados com distanciamento, como quando vocé observa seus pensamentos. 1. Feche as olhos e sente-se. Fique o mais imdvel que puder. 2. Depois de algum tempo, vocé talvezperceba sensagfies de desconforto e sinta uma necessidade urgente de mudar de posigfio. Permita—se movimentar e sente -se de novo, imcivel. 3. Quando sentir o préximo dcsconforto. controle 0 impulse de se mexer. Observe que épossfvel resistir a essas distragées. Perceba a inquietude de sua mente, e a modo como essa inquietude se reflete no movimento fisico. 4. Como continua sentada. vocé pode vivenciar visées que o distraiam ou alucinagfies. A semelhangra dos de$confortosfi'sicos, ndo se prenda a essas experiéncias — permita que elas atravessem sua mente e desaparegam. Q/ uando elas se recusarem a desaparecer, observe-as com a mesma olgjetividade com que observaria outro pensamento. Pergunte a 5:’ mesmo: "Quem e‘ que este’ tendo essas experie‘ncias? ”. 39
  38. 38. I.
  39. 39. Entradas Agora vocé esta pronto para atravessar a entrada sem porta da meditagao e comegar a sua pratica a sério. Vocé sabe o que é meditagao. conhece alguns de seus beneficios e as possi— veis armadilhas, sabe das técnicas para observar ‘:4? pensamentos e emogoes, esté consciente da importancia da atengao e ja conhece a ques- tao implicita na meditagao: "Quem sou eu‘? ”. Passar pela entrada sem porta exige certa dose de autodisci- plina e empenho. Vocé pode se sentir tentaclo a desistir diante do fracasso inicial em aquietar a prosa mental, embora seja precisamente por isso que pre- cisamos meditar. Pode ser que, depois do sucesso inicial, sua mente queira voltar a seus anti- gos habitos de devaneio. Esse tipo de regressao deve ser enca- rado com paciéncia, pois ocor- re a todos nos. Mesmo 5: que seus resultados ini- ciais paregam excelentes, talvez vocé se sinta tenta- do a interromper a pratica porque ela ja teria completado seu trabalho. Mas meclitagao é um modo de vida — um cami- nho sem fim. Controle a tentagéo de desis- tir cedo demais. Proponha—se praticar todos os dias durante, t pelo menos, um més e com- p prometa-se a lidar com a prati- ca meditativa com respeito e 1 paciéncia. 4-I
  40. 40. Entradas O ambiente Destacamos, anteriormente, 21 im- porténcia de vocé ser capaz de medi- tar em qualquer lugar e em qualqucr posigao fisica. Mas essa capacidade nao deve ser vista como uma alterna- tiva para sessoes regulates de medita- gao que se faz sentado, pois sac exa- tamente essas sessoes que fort-alecem a pratica, a ponto de vocé conseguir voltar para o estado meditativo sem- pre que desejar. Prestc atengao ao ambiente de suas sessoes regulares. Um comodo reser- vado exclusivamente para a meditagio seria o ideal, mas poucas pessoas tem esse privilégio. Talvez nem seja possi— vel meditar sempre no mesmo como- do, mas se for, escolha um local que facilite as boas associacoes, como o seu quarto ou talvez um jardim—de—inver- no ou terraco sem barulho. Esse am- biente precisa ser sossegado, e. nele. vocé deve se sentir a vontade para até prolongar o tempo da sessao. Evite cémodos dcsarrumados e cheios de coisas. A cor do seu ambiente de meditagao é importante 4.2 — em termos ideais, o comodo deve- ria combinar com o estado de espiri- to do meditador. Muitas pessoas acham que cores repousantcs. como azul e verde, ajudam a criar uma es- trutura mental de paz —- tradicional- mente, por exemplo, a "sala verde" é onde os atores entram para acalmar e concentrar seus pensamentos antes dc uma apresentagao. No budismo tibe— tano. porém, o salio de meditacao é quase sempre vermelho. Considerado uma cor excitante, o vermelho ajuda o rneditador a permanecer alerta e observador. No Ocidente, purpura e rosa-claro séo vistos como cores espirituais, enquanto laranja e aga- frao sao preferidos no Oriente. Muitos meditadores escolhem o bran- co porque é frio, puro e 1150 provoca distragoes. Seja qual for sua preferéncia, pro- cure nao ficar em um cémodo que tenha papel de parade muito espalha— fatoso ou coisas penduradas para dis- trair sua atencao. Se nao conseguir. uma cortina ou um pano drapeado sobre a parede na sua frente pode ser
  41. 41. 0 ambienie , ,._. ... a solueio - algumas pessoas gostam de embelezar o ambiente com objetos naturais como folhas ou flores. Tente criar 51 sua volta um mini- ambiente que possa, se necessario, ser transportado para outro lugar. Isso pode consistir apenas em seu colchonete on em sua alrnofada para meditaeao, e em roupas e adornos que vocé mantém so para meditar (veja pdgs. 52-3). Mas talvez vocé quei- ra acrescentar incenso e incensério, flores da estaeiio. velas flutuantes em uma vasilha cheia d’agua ou uma mesinha dobrével, para colocar ima- gens, livros ou objetos rituais. Ou- tros itens seriam um gravador ou CD-player, ja que a musica pode ser 4-3 muito fitil para acalmar a mente. No entanto. vocé deve dispensar a musi- ca :21 medida que a pratica da medita- gao se aprofunde, pois a propria beleza dela pode distrai—lo de sua auto—exploragao — e ela até pode embalar vocé e coloca-lo em um estado semelhante ao transe. que é agradévcl, mas nfio tem nada a ver com o estado da meditaeao. E im- portante que vocé nao dependa de- mais desse tipo de ajuda, ou acharai a meditaeao dificil sem eles. Na reali- dade, tudo de que vocé precisa para meditar é sua propria ‘mente. Na medida do possivel. evite inter- rupgoes durante a sesséo: isso é bem dificil se crianeas pequenas estiverem
  42. 42. Entradas _ ’/ ‘I. por perto. E, para nao _3“ '3. que o som se filtre por sua magoa-las, e melhor espe— ~'“" mente. rar que elas estejam na cama. Evite ficar com raiva Se estiver sozinho. desligue o telefo- l ou ressentimento em relacao as pes- ne; se houver outra pessoa na casa, soas que causam a perturbaeao. Sen- geral. os sons da rua e da vizinhanea uma interferéncia na sua meditacao peca para nao ser perturbado. Em timentos fortes como esses provocam séo inevitéveis, c e’ um erro tentar l ainda maior do que a dos proprios ignora-los ou afast: i—los de sua men- ruidos. Também néo deixe que os te. Eles fazem parte da experiéncia barulhos cricm uma série de distra- daquele momento. e devem ser ob- goes para o pensamento. como por servados e dispensados. como tudo example a tentativa de identificé-los mais que apareea ao seu nivel cons— ou perceber o seu local de origern. ciente. Imagine que cada som que o ‘ Antes que vocé os perceba com clare- perturba é um passaro que vocé segu- za, é provavel que se perca nessa série ra na mac — deixe—o ir. e enquanto 0 de pensamentos. prejudicando seu visualiza voando pelo céu, permita poder de concentragao. Apoio e compreensfio dos oufros Outras pessoas de sua casa podem perturba-lo ou provocar dificuldades enquanto vocé esta meditando. Isso costuma ocorrer porque as pessoas temem que a meditacao modifique vocé de uma maneira indesejada ou se ressentem dos momentos de quietude que vocé reservou para si mesmo. Se isso acontecer, incentive-as a meditar com vocé. ‘ meditaeao conjunta. com a motivagao e a paciéncia compartilhadas, tem tudo para ser muito benéfica. Mas. se as pessoas 1150 se enlusiasmarem. nao as pressione. Quando virem os beneficios em vocé. é provavcl que mudem de idéia. Seja qual For a situaeio. ressalte que a meclitaeao ajuda a aproximar as pessoas cm vez de afasta-las. e que ela costuma melhorar 0 espirito e a saude do meditador, o que é uma vantagem para todo mundo. 4-4»
  43. 43. O ambiente Meditagéo improvisada Excrcicio 6 Mesmo no inicio. convém praticar a meditagéo em horérios diferentes de suas sessées diérias. Escolha momentos que sejam seguros c convenientes. Fixe-se em algum ponto e mantenha sua consciéncia focalizada nele. 1. Sente -se confortavelmente e relaxe. 2. Selecione um som (como 0 de um pdssaro) e concentre sua atengdo nele. Sempre que perceber que sua atengfio esta‘ comegando a divagar, traga-a de vofta para aquefe som. 3. Coda vez que sua mente tentar dar um rétulo para o som, ou usa‘-lo para criar uma série dc associagfies, traga-a de volta para a contemplagfio direta do préprio som. Concentre a sua atengfio em escula’-Io. 4.. Repita o exercfcio, desta vez com a visualizagfio de um olgjeto (quanta mais familiar meihor. animado ou inanimado). Concentre sua atengfio e pisque apenas quando necesscir-io. Perceba o oly'eto ocupando o espago, sem name 2 sem nenhuma outrafimgfio que n50 seja ser ele mesmo. N50 pense em termos :19 car, de beleza (oufidta dela) ou de contexto. Concentre sua atengfio apenas no ato de ver. 4-5
  44. 44. Entradas Tempo e duragdo Muitas pessoas acham que os tr-és mo- mentos mais adequados para a medi— tagao diéria sic o horairio mais cedo da manhzi, o meio—dia ou 0 final da tarde. As pesquisas mostram que apro- ximadamente 70% dos meditadores prefer-cm a manha, 25°/ o gostam mais da tarde e poucas pessoas escolhem o meio—dia. Sua escolha talvez dependa nfio apenas da conveniéncia, mas tam- bém de seu préprio bio: -ritmo dc 24 horas (um ciclo repetitive de proces- sos biolégicos que afetam as atividades emocionais, intelectuais e fisicas) e do padrfio normal dc seu dia. Além disso. algumas pessoas consideram que a mente sc aquieta com mais facilidade em determinadas horas do dia do que em outras. Se possivel, é recomendado medi- tar tanto de manha quanto 5 tarde, mas com a vida agitada isso costuma ser impraticével. A vantagem da meditaqao pela manhfi é que sua mente esté mais calma depois da noite de sono, en- quanto a vantagem da medi- tagio 51 tarde é que ela oferece 2‘: sua mente a oportunidade perfeita para se acalmar e reequilibrar depois das atividades do dia. Meditar no meio do dia ofiarece um curto periodo de recuperagio e repouso entre as duas metades do dia de trabalho. E bom experimentar, nfio apenas para verifi- car que memento se adapta melhor a vocé, como também para observar se existe alguma diferenga no tipo de experiéncia meditativa que pode ocor- rer em diversos momentos do dia. O beneficio da meditagio sempre na mesma hora é que ela se torna uma caracteristica'marcante da vida diziria, como ingerir uma refeigfio. Em pouco tempo. vocé vai perceber que. quando se aproximar o momento de meditar, sua mente jé irzi se preparar para a pra- tica. To entanto, tome cuidado para que a meditagfio nio se tornc uma rotina — um hébito que é téo ruim quanto nao meditar. Quzmto mais prolongada for a duraqfio de sua sessfio dc meditaqio, melhores serio seus progresses. Mas é um erro ser ambicioso demais.
  45. 45. Tampa 4: Juragfio Cinco ou dez minutos bastam no comego. Depois vocé pode ampliar o tempo naturalmente ou decidir que iré aumentar a duragéo, estabelecendo um mimero dc minutos para cada semana (mesmo que seja urn aumento de um ou dois minutes). Por fim, estabelega um minimo de meia hora para cada dia (em dois periodos de quinze minutos. se preferir). Os meditadores em estégios mais adiantados costumam se sentar por. pelo menos. uma hora por dia e, as vezes. dedicam um dia por més a oito ou mais sessoes de meia hora. interca- ladas por periodos de siléncio. Ou podem freqfientar periodicamente um retiro para uma prética mais intensiva (veja 33"! -). Nas férias ou com hospedes, é pos- sivel que vocé interrompa seus hora- rios, e uma vcz interrompido esse ritmo, é bem dificil restabelecé—lo. Nessas circunstancias, procure pelo menos meditar por alguns minutes a cada dia. Vocé pode fazer uma breve sessio na praia on no jardim. e isso vai ajudar a manter a pratica. Em muitas dessas ocasioes, poucos minutos de contemplagio direta (veja Exercicio 6, Meditagao improvisada, pdg. 4.5) sao bastame benéficos. veja exercfcio na préxima pdgina
  46. 46. Tempo e duragao Para ter nogéo do tempo Exercicio 7 Durante a meditagao, costuma—se perder a nogao do tempo. Todas as tradigoes descrevem homens e mulheres santos sentados em meditagao. as vezes durante varios dias. Nesses cases, 0 metabolismo do corpo parece diminuir, como se 0 meditador entrasse em um estado de animagao suspensa. Para explorar o fenomeno do significado do tempo, introduza em sua prética, bem no inicio, algumas sessoes de meditagao sem rnarcagio de tempo, mas tome cuidado para nfio transforma-las em teste de resisténcia. 1. Registre o hordrio em que vocé‘ se senta confortavelmente e relaxe. 2. Feche os olhos e volta sua atengdo para dentro. Esvazie a mente dos pensamentos que atrapalham. 3. Fique sentado enquanto se sentir confortdvel. No final, imagine o tempo gusto na meditapfio. 4.. Quando olhar o reldgio, talvez se surpreenda pelofato de ter se passado muito mais tempo do que imaginava. Mas, se seu cdlculo estava correto, mio se desaponte ou se alegre com isso. Coda pessoa reage dc maneira diferente (‘I meditagfio, especialmente no comego.
  47. 47. Rituais e objetos O principal propésito de um ritual é estimular um estado mental especifi- co, como, por exemplo, admiragio, reveréncia, respeito, devogao ou com- paixao. Durante a sessao de meclitagéo. os rituais podem ajudar vocé a prepa- rar a mente e a aumentar a motivagao para a pratica. Nas grancles tradigoes, os rituais podem ser usados na busca cla ajucla de forgas externas, como Bu- das ou bodhisattvas. santos padroeiros ou divindades adequadas — caso em que podem tomar a forma de uma oragao, uma evocaqao ou um mantra. No minimo, os rituais criam habi- tos que ajudam a sustentar a regulari- dade de sua pratica. Assim que o ri- tual tem inicio, sua mente se volta automaticamente para 0 estado medi- tativo. Se 0 ritual advém cle crengas espirituais, vocé vai sentir que a pra- tica é um ato de devogiio que se soma as outras forgas. Diversos objetos costumam ser usa- dos durante os rituais. Vocé pode tocar um sino. uma vasilha sonora ou um tin-sha (pequenos cimbalos tibetanos), no inicio ou no final da sessao; pode 4-9 acender um bastao de incenso ou aquecer um pouco de éleo essencial para que ele libere seu aroma; pode acender apenas uma vela ou diversas velinhas flutuantes em uma vasilha; pode usar uma fita de mfisica (que ter- mine antes dc vocé comegar a medita- gio); pode ler um texto apropriado, como uma passagem da Biblia, do Al- corao, dos Sutras budistas ou um texto hindu, como o Bhagavad Gita; pode ves- tir roupas adequadas para a ocasiao; pode olhar atentamente um quadro ou uma mandala (oejapag. 108) cu um sim- bolo sagrado, como a cruz, o crescentc ou o circulo. O ritual, em si, pode ser algum que jé exista em sua prépria tradigiio, ou um ritual que lhe foi fornecido por seu mestre de meditagéo, ou um que vocé mesmo criou. A regra bzisica é a sim- pliciclacle — rituais elaborados sio clifi— ceis cle lembrar e consomem tempo. Faga com que cada parte do ritual este- ja carregada dc algum tipo de signifi- cado. Isso pode estar associado a um dos grandes mestres que pertencem :31 sua tradigao espiritual.
  48. 48. Entradas Se vocé nao pertencer a nenhuma dessas tradigoes, o ritual pode estar associado it natureza on a atributos, como o amor universal, a harmonia on a paz. Por exemplo: vocé pode que- rer expressar sua gratidéo pela dadiva da vida e, depois, inclinar-sc para cada uma das quatro diregoes do mundo e desejar paz e amor para to- dos os outros seres. Seja qual for o ritual, faga algumas sessoes para adquirir experiéncia até acertar e fique com a seqiiéncia que melhor agradar, executando-a de modo sincero e consciente. A mudanqa constante no ritual. assim como a mudanga constan- te na pratica meditativa, evitara 50 que sua mente se acostume £1 rotina que é tao importante na pratica da meditagao. As vezes, faz-se a seguinte pergun- ta: realmente existem as forgas exter- nas para as quais os membros das di- versas tradigoes dirigem seus rituais? Os cleuses gregos. os deuses hindus, 0 Buda e as boclhisattvas, Crista 1: 0s santos — eles cstao ali no sentido ver- dadeiro e devem ser contatados por meio do ritual (e com a prépria medi- tagio), e podemos lhes pcdir ajuda? As pessoas que tém fé logo responde- rao que certamente podem, mas os de menos fé néo terao tanta certeza. Existem seres espirituais‘? E, se existi- rem. eles estao interessados nas ques-
  49. 49. Rifuais e objetos toes humanas? Essas perguntas sio profundas demais para serem respon- didas aqui, e cada um deve chegar as suas proprias conclusoes. Um modo de encarar a questao é imaginar a energia divina como um reservatério de potencial infinito, como uma consciéncia primal da qual tudo surge (tal visio nao é incompativel com as teorias recentes da fisica moderna). Essa energia divina pode, entao. ser personalizada por sistemas de crengas e pela mente criativa do individuo. Segundo essa visao. Cristo. Buda. Krishna, Shiva e outros grandes seres espirituais devem ser pensados como existentes 1150 81361135 6111 SL135 formas Rodas de oragcio No budismo tibclano, clai~sc prcfcréncia as rodas de oragfio como objetos rituais. Essex cilindros ocos 5'30 ieitos de madeira. osso ou metal. e contém mantras ou textos sagrados adequados. Algumas rodas dc oragao sao bem pequenas. sendo montadas em um cabo, e giram por meio de rnovimentos circulares do pulso. Outras sao macigas e montadas em fileiras. do lado dc fora mantras (veja paigs. 123--5) as fieiras de_ contas para meditagio (roszirios ou malas) sfio muito usadas, com a repetigao do mantra em cada cont-a. 51 fisicas, em algum céu clistante, mas também nos aspectos de sua energia divina. e podem manifestar-se em forma material. de acordo com a maneira pela qual o individuo foi ensinado a conceitua~los. Assim, existe uma nogfio real de que podemos alcangza-los por inter- méclio de rituais e oragoes. Na expe- riéncia mistica, a mente enxerga além cla forma manifesta e vive na bem- aventuranga da propria energia divina. E todas as tradigoes ensi- nam que esse estado também pode ser alcangado nos niveis mais elevados do processo de meditagéo . dos templos. onde os fiéis as giram quando vao passando. Usada no inicia da meditagao. a roda dc oragao serve para lembrar vocé da necessidade constante de atengao e pode se tornar parte do seu ritual. As bandeirolas cle oragio, que llutuam ao sabor do vento. cumprem uma fungio semelhante. Na meditaqéo com
  50. 50. €: w:®”‘ Entradas Roupas e sfmbolos Na escolha de roupas e adornos para a sesséo de mcditagio, a principal preocupagao deve ser 0 conforto. A roupa deve ser bem folgada, para nfio desviar sua atengéio, e qucntc (ou frcsca) o suficiente para manté-lo a uma temperatura agradével. Alguns meditadores, seja por conforto ou para imitar os ascetas hindus, preferem ficar nus. Os que seguem os rituais pagaos também adotam essa przitica, 0 privacidade ao ar Iivre, Q, assim. expe- principalmente se pu- dercm Se sentar com rimentar o que consideram uma rela- géo intima com o mundo natural. Talvez vocé ache que o uso de rou- pas de determinada cor o ajuda a se colocar na disposigio de animo corre- ta para a meditagio. As cores que vocé usa sac, cm boa parte, uma questfio de escolha pessoal, embora o branco ha muito seja considerado 0 simbolo da pureza; o azul, da serenidade; o Verde. da natureza; e os tons de rosa e p1‘1rpu— ra_. da espiritualidade. Alguns mcditaa dores preferem 05 tons de amarelo usados pelos monges theravadin, 0 cas- I 52 tanho dos monges tibetanos, ou o marrom, o preto ou o cinza de. ou- tras ordens monasticas. Convém que vocé separc uma pega de vestué— rio — uma capa, um xale de oragio ou uma mama — exclusivamente para as sessées de meditagfio. Cada vez que colocar essa pega nos oznbros. isso 0 ajudaré a concentrar a meme na medi- tagao. E, por certo, e’ melhor niio usar as roupas que vocé usa normalmente. Os adornos também sao uma ques- tfio de preferéncia pessoal. A prética tibetana de pendurar no pescogo uma caixa dc oragio (uma espécie de cofri— nho que contérn o mantra, um texto sagrado ou um simbolo) é um bom exemplo. Alguns meditadores se enfei— tam com contas ou com pedras precio~ sas penduradas no pescogo, como la- pis—1az11li (simbolo da vida cterna) ou émbar. O5 CI'iSt5OS preferern IIIIIH. Cruz no peito. enquanto outros costumam usar a ankh egipcia ou 0 escaravelho (arnbos também simbolos da vida eter- na). N50 hesite em conferir significa- do simbélico a esses adornos cm a outros. Tal significado pode ser bem
  51. 51. Ruupus 0 xfmbolos subjetivo ou carregar uma importancia mais geral, mas o que interessa é que nao ha ddvida que ele aj uda sua mente 3. SC afastar das preocupagées da Vida diéria. para se concentrar na medita- gtfio de maneira consciente. Também serve de simbolo do comprornisso com a sua crenga. O fato de eles terem sido consagrados pelo uso por parte de homens e mulheres santos, através dos séculos. pode ser mais um incentivo a pratica. Aposigao das mios é muito simbé— lica em todas as tradigoes orientais. Essas posigoes, ou mudras, podem ser simples ou complicadas. Nas préticas 53 hindu e ioga. as mics se apéiarn nos joelhos com as palmas viradas para cima. formando-se um circulo com o polegar e o indicador, para simbolizar a eternidade, o absoluto, o reino sem forma. No anjali mudra, as mics ficam postas como na oragéo Crista, num gesto dc reveréncia e respeito. As mfios colocadas no colo, 2: direita sobre a esquerda e os polegares se tocando para formar um circulo (dlgyana mudra) compéem o simbolo da rueditagio e da iluminagio, representando a natureza mais elevada que triunfa sobre a menos elevada e aspira a subir em diregzéo ao infinite, simbolizado pelo circulo. . -.
  52. 52. Entradas Posturas A capacidade de meditar em diferentes posigoes :3 um aspecto importante em qualqucr sessao meditativa. Nao des- carte a idéia de meditar deitado. Isso é titil durante algum momento cle do. en— ga e também indica bom controle mental, pois fica muito faicil adornme- ccr nossa posigao. Osjainistas (veja pajg. 93) costumam meditar em pé, com as pernas ligeira- mente afastadas e os bragos caidos na lateral junto ao corpo — uma postura dificil. que requer grande empenho. Algumas tradigoes meditam em movi- mento — os sufis executam uma danga em espiral muito graciosa (vejapdg. 98), e os 7.en~budistas praticarn uma forma de meditaeao com uma caminhada vagarosa. O tai chi e alguns tipos de artes marciais também combinam a meditagao com movimentos. Os adep- tos da hatha ioga meditam em diferen— tes posigtécs, inclusive de cabega para baixo, acreditando reverter o fluxo do tempo de tal modo que se rejuvenesce. A postura de meditagzéo mais co- nhecida é a de lotus, na qual vocé se scnta com as pernas cruzadas, com os 54 pés sobre as coxas. E facil para quem pratica desde a infancia, mas dificil para a maioria das pessoasjzi na idade adulta. Ha variagbes mais simples, como o meio—1étus. na qual apenas o pé da perna que fica por cima é colo- cado sobre a coxa, e a postura perfeita (vcja Exercfcio 8, Para aprender a sentar, napr6ximapa'gina), na qual o pé é coloca- do sobre a barriga da perna oposta. Quem nao consegue sc scntar com as pernas cruzadas deve ficar numa cadeira reta, colocando os pés bem apoiados no chao. Em todos esses ca- sos, a coluna vertebral deve ser manti- da crcta. Afirma—se que isso ajuda a energia a subir pelo corpo, da base da coluna ii coroa da cabega, onde se rea- liza a iluminagzao. e. além disso. ajuda o meditador a permanecer alerta. E importante verificar a postura durante a meditagao, corrigindo a ten- déncia de arquear as costas. A cabega dcve ser mantida ereta, com o queixo projetado para a frente. Os olhos po- dem ficar abertos ou fechados. Mas, para os iniciantes. os olhos fechados ajudam a diminuir as distragoes.
  53. 53. Posturas Para aprender a sentar Exercicio 8 A postura sentada é fundamental para a meditagao porque permite que o corpo se sinta equilibrado e permanega em relativo conforto por longos perfodos. Na meditacio sentada, deve haver um minimo de movimentos (a imobilidade fisica ajuda a mente a se aquietar). Em termos gerais, procure sentar sem sentir dores e sofrimentos, movimentando-se apenas quando for absolutamente necessario. 1. Sente-se com as pernas cruzadas em um colchonete que deire seu corpo a pelo menos 10 centimetres do cheio. 2. 1ncline—se um pouco para afi-ente, trazendo o calcanhar esquerdo para bem perto do corpo. 3. Levante o pe’ direito e coloque-o sobre a barriga da perna esquerda, no posigrfio pezfeita. (Ou, se for confortdvel, coloque o pe‘ direito sobre a com esquerda, na posigfio de meio-Iétus. ) 4. Relaxe as pen-nas o mdximo possivel. Nessa posigfio, osjoelhos devemficar perto do chéo, mas min 05 force para baixo. A cada dia, suas pernas se tomarfia mais maledveis. 55
  54. 54. O que é essencial Agora que sua ornada meditati- va esta em curso. convém lem- brar os pontos essenciais para uma meditagéio bem— * ‘T’ sucedida, para sedi- menté—los, exp1oré— _ los melhor e aprofundar—se nos recessos de sua mente. A base de toda a meditagao é a capacidade de focalizar a mente em um estimulo especifico, sem ser distraido por pensamentos, sentimentos ou desconfortos fi- sicos sem importancia. Por meio da pratica meditativa regular. a mente se acalma e clareia, e a percepgfio aumenta. O meditador tem de ser pa- ciente 6 se empenhar. Muitos iniciantes dizem que sao inca- pazes de controlar a mente e pensam que a meditagao nio serve para eles. Mas justamente porque a mente deva- neia é que precisamos »—--—“ meditar. 57 Para comegar, comprometa— se a meditar alguns minutos por dia durante um més. medida que progride, vocé pode au- mentar o tempo aos poucos, até que jé esteja meditando meia hora por dia, talvez em duas ses— sées de quinze minutos. No ini- cio talvez precise olhar o relégio para saber quando parar. Mas, assim que se acostumar 21 prati- ca, Vera que termina a meditagéo de olhar 0 sem necessidade relégio .
  55. 55. O que é essencial Concentragdo e respiragéio Em razéio de sua importéncia funda- mental para a mcditagao, agora preci- samos nos aprofundar naquilo que se chama concentragfio e ver como al- cang, a—1a. E essa concentrar, -Eio nao é aquele intenso esforgo mental que faziamos para compreender as ligées da escola. Em me- ditagao, a concentragio é muito mais sutil. A mente repousa num ponto focal de maneira leve, mas agradével e clara. Quando ela ten- ta escapar, é trazida dc volta ao ponto focal sem irritagao ou frustragio. As reagées negativas, como irritagéio e frustragio, apenas desestimulam a mente a nos lembrar que é preciso concentrar—se de novo, quando nossa atengéo divagar no futuro. Afinal, por que a meme nos lembraria dc algo, se nossa reagfio é apenas de raiva? Mas devemos sentir gratidao pelo fato de a mente nos ajudar. Os iniciantes cos- tumam dizer que a mente fica ente- diada quando pcrmanccc concentrada em apenas uma coisa. Mas é exata— mente por isso que ela divaga — como uma crianga cuja atengzfio é diminula, o que a faz buscar constantemente algo novo. Mas. a medida que a concentragfio se desenvolve, esse tédio se dissipa c é substituido pela compreen- sao daquilo que pode ser descrito como experiéncia qualitativa da prépria vida. Embora experimen- temos o que é estar vivo cm cada momento desperto, desde o dia em que nascemos, com que freqiiéncia fazemos uma pausa para contemplar o que significa realmente essa maravi— lhosa experiéncia de viver‘? Com que freqiiéncia evitamos nos distrair pela prosa mental e pelo mundo que estzi do lado de fora dc nossa cabega, e persistimos na pura experiéncia de apenas ser‘? As vezes chamada de "consciéncia sem contefido" ou "subs— téncia". essa experiéncia de ser genui- na é uma degustagao do estado mental do qual surgem todos os nossos outros estados mentais — um rapido vislum—
  56. 56. Conccnlragao c rm-[n‘ra; '<io brc da verdadeira base de nossa pro- pria natureza. Para :1 pratica regular cla medita- gfio, 3 respiragfio Costume! 551' usada como ponto em que permanecernos focalizados. enquanto nossas mentes proseadoras tentam nos distrair. Mesmo quando se usam diversas ou- tras técnicas mencionadas neste livro, costuma-se gastar os primeiros minu- tos de cada sessao observando a respi- ragao e deixando que a mente fique serena e calma. O uso cla respiragao para esse proposito possui muitas vantagens. Por exemplo: 2: respiragéo sempre nos acompanlla, POT : l.SSO podemos nos referir a ela nao apenas durante a meditagfm, mas sempre que desejarmos nos acalmar durante 0 dia. Além disso. a respiragao segue um ritmo suave de inspiragio e expi- ragao que. em si, ajuda a chegar a um estado de consciéncia serena — e se perccbermos que a respiragao csta curta ou desnecessariamente rapida, o proprio ato de aprofundzi—la ou de torna-la menos rapida ajuda no rela- xamento c na concentragao. Acima cle tudo, concentrar-se na rcspiragao permite que se entre cm contato direto com um processo gra- dual do qual depende nossa prépria vida. Nas grandes tradigées, a respira- gao sempre esteve ligada ao espirito — Rcspiragzio norte—sul A respiragiao profunda produz safide e vitalidacle, e é uma excelente técnica para reduzir o estresse. Também é um pré-requisito para o rclaxamento e a meditagzio. No inicio da sessao de meditagtfio. tente esta técnica da ioga para equilibrar e harmonizar a mente e o corpo. Na meditagfio norte—sul, bloqueie a narina direita com o polegar e inspire profunda c lentarnente pela narina esqucrda. Depois solte a narina direita e bloqueie a esquerda antes de soltar 0 ar. Ao fazer isso. visualize 0 ar passando pelas narinas como uma luz que. purifica. Repita o processo. mas, desta vez, respirando pela narina direita e soltando pela esquerda. Doze séries completas cle respiragio nortc~sul irao agugzar a consciéncia da respiragao. 59
  57. 57. O que é essencial a esséncia invisivel que simboliza a natureza n5o—material dc nosso ver- dadeiro eu. A respiraeio pode ser observada nas narinas ou na subida e descida do abdorne, mas a primeira oferece a vantagem de ser uma sensagao parti- cularmente sutil, exiginclo uma cons- ciéncia mais sensivel. que por isso ajuda a desenvolver a concentragao do mcditador. Se achar dificil chegar a concentra- cao, lembre-se de que todos os medi- tadores enfrentaram e superaram as mesmas dificuldades. Vocé consegue ajudar a si mesmo contando cada res- piraeao: inicialmente, pode contar tame a inspiragao como a expiraefio: depois, a medida que a concentragao melhora, conte apenas as expiragées. Comece em I e va até I0, depois volte ao 1 — contando de tras para diante. se quiser. Se perder a conta, volte ao inicio e comece tudo de novo. A me i dida que sua concentragao vai se de- senvolvendo, amplie a contagem ate‘ chegar a 30. Se ficar monétono, conte apenas uma expiragzao sim e outra nao. Nio é preciso fazer a con- tagem durante toda a sessao. Quando a mente estiver bem calma. vocé pode parar de contar e so voltar quando a 60 mente divagar. Quando conseguir concentrar a atengéo sem contar, po- de parar, mas 1150 se esqueea desse método eficiente para os dias em que sua mente entrar em devaneios. Quando a atengao na respiragao ficar bem cstabelecida, vocé vai notar alguns beneficios adicionais — tera mais consciéncia e estarzi mais sinto— nizado com sua respiracao. e Vera que a respiragzao correta se tornou uma segunda natureza. A respiragtao corre- ta movimenta mais o diafragma do que a parte de cima do peito. A con- tragao do diafragma requer um gasto minimo de energia e melhora a venti- lagao na parte inferior dos pulmoes. Vocé também pode descobrir uma afeigio crescente por sua respiragao e pelo ar que flui por seus pulmécs. Surge uma sensagio de harmonia com o mundo exterior, como se vocé esti- vesse se fundindo com ele a cada ins- piragio e expiracao. Alguns medita- dores descrevem uma sensacao de "serem respirados" em vez de respi- rar. Outros falam de uma sensacao de serem uma continuidade do ambien te, sem as limitagées da superficie da pele. Isso beira as experiéncias misti- cas e da a vida uma nova e harmonio- sa dimensao.
  58. 58. Corno concentrar Luna mente O objetivo cla meditagio é nos ajudar a por ordem na confusio da mente, e nao nos impedir cle pensar. Quase todo mundo descobre muito cedo que a meme parece sempre escapar ao con- trole. Nunca foi treinada para saber o que se espera dela: nossa eclucagi-io esté voltada mais para nos ensinar fatos que nao tém nada a ver com a mente pro- priarnente dita e com o potencial que esta no seu image. 0 treinamento gra- dual da meditagio regular permite que 3 PC8503 se mantenha concentrada em 1' "A I. .. ri‘lHIll. .'- oath. 61 instdvel pensamcntos construtivos, eliminando as distragées e incentivando o presse- guirnento de sua jornada meditativa. A mente possui diversas maneiras de distrair nossa concentragao. Pode comegar com trivialiclades. mas quan- do nos recusamos a deixa—la entrar em devaneio ela prossegue com questées mais preocupantes. Trara ‘a tona lem- brangas felizes ou desagradéveis, ou nos lembrara‘ de coisas urgcntes que temos dc fazer. Seja qual for a distra- céio, deixe-a dissipar-se. ver exercfcio na préxima pdgina
  59. 59. Como concentrar uma mente instdvel Para eliminar as distragoes Excrcicio 9 Este exercicio consiste em uma maneira ja experimentada e testada de lidar com as distraeées, classificando—as assim que aparecem e, depois, dcixando—as dissipar-se lentamente. 1. Feche as olhos e imagine que sua mente é o tronco dc uma drvore e que todos os pensamenios 550 11:05. Os alhos mais sauddveis, com olhas verdes, re resentam um estado mental saudcfvel e ocaclo, 5 enquanto as secos e quase mortos 5&0 pensamentos, sentimentos e emogées que surgem para no: disirair. 2. Agvora visualize vocé mesmo podando cla tirvore os galhos do distragdo — dessafiorma, cada distragdo ira' embora, liberando sua mente para prosseguir najomada meditativa‘ 3. sempre bom classificar cada distragfio assim que vocé a aorta e Iibera. Assim vocé podem’ notar "lembrangas alegres. -. esperangas. .. ansiedade. .. lembrangas tristes. .. novas idéias. .. tarefas pendentes. .. arrependimentos. .. fantasias. .. ”. Assim que as distragiiesforem classzficadas dessa maneira, e’ como que se elaspercebessem que seus truquesforam descoberios e desaparecem de cena. 4. Faga o si mesmo a promessa de que, de agora em diante, sempre que uma distragfio penetrar em sua mente vocé ira' identified-la e podar esse galho seco de sua drvore mental. 62
  60. 60. Prana, chi e energia vital Tanto na tradigéo oriental quanto na ocidental. a respiragéo csté associada nfio apenas 21 prépria vida. mas tamv bém ao mundo espiritual 6 a0 cspiri— to que reside no homem. A palavra "inspirar" é um born exemplo disso: significa tanto a respiragio que entra como também "o influxo da influen- cia divina ou espiritual". (As palavras "suspirar". "respirar" (2 "cxpirar" tém a mesma origcm c significam entre- gar-se 3 respiragfao ou ao espirito. ) No Oriente. a respiragio esté ligada ao prana, que, em sénscrito, quer dizer forca vital n50-material ou energia que é atraida pela respiragfio. Na Chi- na, é conhecida como chi ou qi; no ja- pic é ki. Considera—se que o chi passa por doze canais principais ou meridianos do corpo. Cada canal csté ligado 21 um érgéo diferente. 6 ac Iongo deles hé pontos que podem ser acessados ou estimulados, quando se deseja tratar Umu sessdo dc medifagéo Cada sessfic) de meditagio tem trés etapas: preparagéo, przitica e conclusfio. A consciéncia da respiragéo e da encrgia que gera vida é uma parte integramc de cada etapa. Napreparagcm, costuma-Se fazer uma concentragiio, com a mudanga de roupa adequada. a cxccugéo de algum ritual introdutério répido c 0 ato de sentar—se confortavclmcnte no colchonete. Para centrali-zar 0 corpo e aumentar a consciéncia corporal, oscile de um lado para o outro duas on trés vezes e, em scguida, faga respiragées lentas e profundas. Na prdiiccz, hzi um aprofundamenlo da ctoncentragéo. £1 medida que a Inuntc se volta para dentro. Deixe que sua consciéncia se fixe nas narinas. onde pode sentir o movimento de ar entrando e saindo. Na mnrlusfio. vocé agradece ao corpo (2 Es mente. 21 respiragio c 21 prépria vida. e depois mantém a luz da cox1cez1trug. &o enquanto se lcvama do colchonete.
  61. 61. O que é essencial disuirbios fisicos ou mentais causados pelo bloqueio do chi. Quando o chi flui com facilidade pelo corpo. nos nos sentimos relaxados. Mas quando ele é bloqueado por pensamentos negatives seu fluxo é obstruido, o que pode causar estresse e prejudicar a safide. Pesquisas atuais sobre a eficécia médica da acupuntura, que se utiliza desses canais, tendem a apoiar essa idéia. Também se considera que, por intermédio do poder mental e da consciéncia da respiragio desenvolvi— da com a prética da meditagfio, essa encrg-ia vital pode ser colocada sob comrole conscicnte, a fim dc benefi- ciar tanto o clesenvolvimento cspiri— tual quanto a safide fisica (veja pdgs. 140-1). Um prixneiro passo importante no caminho da meditagio é empregar a consciéncia da respiragéo de modo a perceber a qualidadc da propria res- piragio. Buda foi muito cspecifico quanta a isso. Em Anapani-sati Sutra (Atengio para com a respiragio), ele ensina que: "Quando [o meditador] respira fundo, ele sabe que respira fundo; quando a respiragio esté curta ele sabe que a respiragio esté curta". Assim, o meditador sabe se a respira- gfio é longa ou curta; se vem do alto do peito on do diafragma; se flui cal- mamente ou é entrecortada; se é rapi-
  62. 62. Prana, chi e energia vital da ou lenta; se é ruidosa ou silencio— sa. A respiragéo revela muita coisa a respcito do estado mental do medita- dor e de seu relaxamento fisico. Um amigo ensinameplo da ioga _diz ‘ 1 ‘ V ' Q ' I . que cada pessoastemlui'1f*pei-‘iodo= dé 2 . -. . _~~§. ‘V. ’-‘Cu. vzsp r vidIa‘. 'represen§a_, do pelo“n“1‘; m_1ero; '—‘de‘ ' resp§r§_§.6es= determinado para ela an- tes do nascimcnto. A respiratgéo curta e répida gasta essa cota mais depressa que a profunda e lenta. encurtando, portanto, a vida. Como em muitos deSSeS eIlSiIlaII1€IltOS, existe uma ver- dade por trais deste. no sentido de que a respiragao profunda e lenta esta as- sociada ao relaxamento do corpo e da mente, o que obviaxnente beneficia tanto a meditagzéo como a safide. E importante lembrar que a respi- ragéo profunda refere—se niio apenas 51 extensio da respira<; z‘1o, mas ao fato de que essa respiragio ocorre a partir do diafragma, da maneira mais lenta possivel, em vez de surgir da area que se restringc 5 parte superior do peito. A respiragao com a parte de cima do peito é indicada para depois de exer- cicios, quando o corpo tem necessi- dade urgente de oxigénio; mas, em periodos sedentérios, ela exige esfor- gos desnccessarios. A respiragcio complete. que alguns tex- tos aconselham vocé a empregar duas ou trés vezes no inicio da meditagéo como auxilio para relaxar c concen- trai-—se, refere-sc a respiragio lenta que comega no diafragma e, depois. atixigelo meio do peito, para terminar , . nagparte superior, até que a area do pulméo fique totalmente expandida. Mas tome cuidado para nio hipervcn- tilar (puxar 0 ar clepressa, muitas vezes seguidas), pois isso pode provocar tontura e até desmaio. A respiracao também pode ser usada em conjunto com o poder dc visualizagio (vcja pdgs. 106-7). Uma prética simples c‘ imaginar que a res- piragéo Hui pelo corpo na forma de uma luz branca e que sai dele na forma de uma fumaga cinza ou preta, que contém as suas tensoes c o seu cansago. Para isso. permita que sua consciéncia se desloque de seu ponto costumeiro, na base das narinas, e passe :1 penetrar pelo nariz até atingir 0 abdome. A0 inspirar, veja a luz branca inundando toda essa érea, ab- sorvendo impurezas; depois a fumaga é levada para fora, deixando 0 corpo purificado. Essa prética pode ser com- binada com a respiragio norte-sul (Pig. 59) e empregada no inicio de cada medilagio.

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