Se ha denunciado esta presentación.
Utilizamos tu perfil de LinkedIn y tus datos de actividad para personalizar los anuncios y mostrarte publicidad más relevante. Puedes cambiar tus preferencias de publicidad en cualquier momento.

Workshop: Divórcio e Conflito Interparental

Formação sobre "Divórcio e Conflito Interparental" - Tribexpert

  • Inicia sesión para ver los comentarios

Workshop: Divórcio e Conflito Interparental

  1. 1. DIVÓRCIO E CONFLITO INTERPARENTAL Judite Peixoto // Psicóloga e Perita Forense TRIBEXPERT // 02.05.15 1 MóduloII
  2. 2. OBJETIVOS 2  Compreender o processo de separação/divórcio;  Promover conhecimentos sobre as implicações familiares e individuais (nas crianças e nos pais) da separação/divórcio;  Identificar os principais fatores de risco e fatores protetores associados à adaptação pós-divórcio nos pais e nas crianças;  Aprofundar conhecimentos sobre o divórcio legal: as modalidades de divórcio e de exercício das responsabilidades parentais;  Reconhecer a importância dos meios extrajudiciais de resolução de conflitos;  Conhecer o processo de avaliação e as modalidades de intervenção com os pais e filhos que passam pela experiência da separação/divórcio ou pelo conflito interparental;  Análise, discussão e treino de casos práticos.
  3. 3. SISTEMA FAMILIAR  A família é um sistema dinâmico interdependente que está sujeito a mudanças ou transições, mais ou menos acentuadas, e geradoras de stress.  Qualquer mudança na estrutura familiar, em alguns dos seus membros ou dentro de um dos seus subsistemas repercutir-se-á em todo o sistema. (Cantón, Cortés, & Justicia, 2007b) SISTEMA FAMILIAR SUBSISTEMA CONJUGAL SUBSISTEMA PARENTAL SUBSISTEMA FILIAL SUBSISTEMA FRATERNAL
  4. 4. SISTEMA FAMILIAR CRISES FAMILIARES OPORTUNIDADE Evolução e Aprendizagem RISCO Patologia ou Disfunção MUDANÇAS OU TRANSIÇÕES
  5. 5. SEPARAÇÃO PARENTAL DESVIO NO CICLO DE VIDA DA FAMÍLIA TRANSIÇÃO DESENVOLVIMENTAL NORMATIVA
  6. 6. SEPARAÇÃO/DIVÓRCIO: CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS  O DIVÓRCIO PARENTAL pode ser encarado como uma sequência de acontecimentos e experiências que levam a transições em todo o sistema familiar.  Necessidade de RESTRUTURAÇÃO FAMILIAR, i. e., de uma nova configuração ESTRUTURAL, COMUNICACIONAL e INTERACIONAL - nas experiências de vida diárias (rotinas, papéis e hábitos), no funcionamento familiar e nos relacionamentos interpessoais entre os membros da família (ex.: família monoparental e reconstituição familiar).  Todos os membros da família enfrentam novas situações e possíveis problemas (emocionais, económicos, de organização, ...) a curto, médio ou longo prazos (Relvas, 1996).
  7. 7. RAZÕES PARA O DIVÓRCIO (CARR, 2014)  Problemas na intimidade física e psicológica;  Dificuldades de comunicação e compreensão;  Desacordos acerca da funções e relacionamento de poder;  Constrangimentos à necessidades de autonomia e independência;  Estilo cognitivo negativo;  Estilo de interação negativo (ex.: criticismo, desprezo, defesa e bloqueio);  Infidelidade, imaturidade, abuso de álcool ou drogas.
  8. 8. EPIDEMIOLOGIA DO DIVÓRCIO Alguns dados da investigação (Carr, 2014): EUA e UK: - um terço a metade dos casamentos acabam em divórcio; - cerca de metade envolve crianças; - em 80 a 90% dos casos a criança é entregue à mãe. Em PORTUGAL, cerca de um em cada dois casamentos termina em divórcio e, na maioria dos casos (67%), há filhos envolvidos neste processo. Em cada 100 casamentos existe uma percentagem de 70% de divórcios (INE, 2014). Em 94% das situações a guarda da criança é confiada às mães, apesar da figura da guarda partilhada estar consignada na lei.
  9. 9. ETAPAS DO DIVÓRCIO Modelo de Wallestein e Blakeslee (1989) 1. SEPARAÇÃO: A frequência das discussões conjugais aumenta e termina com o abandono do lar por um dos pais. Verifica-se uma grande desorganização familiar na qual as crianças são muitas vezes testemunhas de agressões físicas e verbais entre os pais. O casal desorganizado está geralmente menos atento às necessidades dos seus filhos. 2. RECONTRUÇÃO: Estádio transicional em que pais e filhos procuram reconstruir as suas vidas. 3. ESTABILIZAÇÃO: A família volta a encontrar alguma estabilidade. No entanto, estas famílias são geralmente mais vulneráveis do que as famílias ditas “intactas” ,uma vez que podem existir maiores dificuldades económicas, menos apoios externos, assim como dificuldades ligadas à monoparentalidade.
  10. 10. ETAPAS DO DIVÓRCIO Ricci (2004) ESTÁDIO 1: O Lar de Sonho Mãe, pai e filhos vivem na mesma casa e existem sentimentos de respeito, confiança e amor. ESTÁDIO 2: Problemas no Lar Discórdias prolongadas levam à diminuição dos sentimentos de confiança e respeito e ao aumento das tensões até níveis insustentáveis. ESTÁDIO 3: O Lar que se Divide Cada vez mais existe desrespeito e desconfiança no casal. Embora o lar não esteja totalmente dividido, é iniciada a separação. ESTÁDIO 4: O Lar Dividido Dá-se a separação física. ESTÁDIO 5: A Casa da Mãe, A Casa do Pai Este estádio pode tornar-se o mais difícil e o mais prolongado. Surgem mudanças nos rendimentos, profissões, hábitos pessoais, amizades e rotinas. ESTÁDIO 6: A Casa da Mãe e A Casa do Pai (a) O processo de reconstrução está mais claro e a estabilidade volta ao contexto familiar. ESTÁDIO 7: A Casa da Mãe e A Casa do Pai (b) Nesta fase, os adultos já conseguem separar as suas vidas pessoais das suas funções parentais.
  11. 11. TAREFA MITOS E VERDADES ACERCA DA SEPARAÇÃO/DIVÓRCIO
  12. 12. MITOS E FACTOS 1.Todo o divórcio implica conflito. 2. A separação do casal significará, inevitavelmente, a “perda” do(s) filho(s), por um dos progenitores. 3. Os filhos sofrem muito e ficarão, irremediavelmente, perturbados.
  13. 13. MITOS E FACTOS 1. Todo o divórcio implica conflito. Não aceitar o divórcio poderá significar a judicialização da relação coparental e a triangulação das crianças na disputa que se constitui como um dos maiores fatores de desajustamento para os filhos. A manutenção dos vínculos entre pais e filhos após a separação é fundamental. Um ambiente hostil, onde impera a discórdia e disputa por interesses individuais e não pelos interesses dos filhos, é manifestamente prejudicial. Os pais devem ser capazes de conciliar as suas necessidades com as necessidades dos filhos.
  14. 14. MITOS E FACTOS 2. A separação do casal significará, inevitavelmente, a “perda” do(s) filho(s), por um dos progenitores. O direito e a responsabilidade da (co)parentalidade persiste, apesar da regulação das responsabilidades parentais ou da elaboração de um plano parental. Os direitos e obrigações mantêm-se. Nenhum dos pais deverá obstaculizar o contacto dos filhos com o outro progenitor, exceto por motivos realistas (ex.: maus-tratos). O envolvimento de ambos os pais na vida dos filhos no pós-divórcio é fundamental para o crescimento equilibrado e ajustado dos mesmos.
  15. 15. MITOS E FACTOS 3. Os filhos sofrem muito e ficarão, irremediavelmente, perturbados. O divórcio representa uma descontinuidade na vida familiar e um período de crise, que acarreta não só riscos, mas também oportunidades. Muitos dos problemas poderão ser transitórios, outros poderão persistir até à idade adulta. O impacto vai depender muito da capacidade de adaptação e ajustamento parental. As consequências do divórcio parental, no que se refere ao bem- estar dos filhos, não são lineares e uniformes para todos os jovens.
  16. 16. A(S) VERDADE(S)…
  17. 17. SEPARAÇÃO/DIVÓRCIO: SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA  A rutura do casal não põe fim à família - OS PAIS DIVORCIAM-SE, MAS OS FILHOS NÃO;  A responsabilidade parental não termina com o divórcio;  Coparentalidade - comunicação, compromisso e continuidade;  É responsabilidade dos pais controlarem as suas emoções e orientá-las adequadamente para não prejudicar os filhos.  Garantir aos filhos o contacto com ambos os progenitores;  Prezar uma imagem positiva do outro;  Os pais devem pôr-se de acordo tanto quanto possível sobre as suas decisões respeitantes aos filhos (evitar o conflito interparental).
  18. 18. ASPETOS LEGAIS DA SEPARAÇÃO/DIVÓRCIO
  19. 19. SEPARAÇÃO/DIVÓRCIO: PRESSUPOSTOS LEGAIS Com a Lei n.º 61/2008, de 31 de outubro são estabelecidas três modalidades de divórcio :  Divórcio por mútuo consentimento requerido na conservatória do registo civil;  Divórcio por mútuo consentimento requerido no Tribunal;  Divórcio sem consentimento de um dos cônjuges.
  20. 20. RESPONSABILIDADES PARENTAIS: PRESSUPOSTOS LEGAIS  Substituição da expressão “poder paternal” por “responsabilidades parentais” (artigo 3.º da Lei n.º 61/2008, de 31 de outubro)  “Conjunto de poderes e deveres que asseguram o bem-estar moral e material do filho, ou seja, os cuidados diários, a relação pessoal, a educação, o sustento, a representação legal e a administração dos seus bens”. Recomendação R (84) 4 sobre as responsabilidades parentais, adotada pelo Comité de Ministros do Conselho da Europa em 28 de Fevereiro de 1984 Código Civil (artigos 1878.º, n.º 1, 1905.º, 1906.º, n. os 2, 5 e 7)
  21. 21. RESPONSABILIDADES PARENTAIS: PRESSUPOSTOS LEGAIS  As responsabilidades parentais podem ser reguladas por via judicial (sentença) ou extra judicial (acordo/sentença homologatória)  A RRP consiste em acordar/decidir sobre: A qual dos progenitores o menor ficará confiado? Com quem vai viver? Residência (Guarda Física, Confiança, …) Quem exerce as resp. parentais? Quem se responsabiliza pela criança, pelos atos da vida corrente e quem toma as decisões de particular importância? Exercício das responsabilidades parentais (Guarda Legal, Custódia, …) Como e quando estará a criança com o progenitor a quem não está confiada? Regime de visitas Como, quando e que alimentos serão prestados ao menor, pelo progenitor com quem não reside? Prestação de alimentos
  22. 22. PROCESSOS TUTELARES CÍVEIS PRESSUPOSTOS LEGAIS  Regulação do Exercício das Responsabilidades Parentais  Alteração da Regulação do Exercício das Responsabilidades Parentais  Incumprimento da Regulação do Exercício das Responsabilidades Parentais
  23. 23. PROCESSOS TUTELARES CÍVEIS Em Portugal, só no ano de 2013, ocorreram segundo os dados do Ministério da Justiça:  16.510 (17.346 em 2012 e 16.323 em 2011) processos de regulação do exercício das responsabilidades parentais  21.765 (22.417 em 2012 e 18.396 em 2011) processos diversos de pedidos de alteração e de incumprimento das regulações das responsabilidades parentais estabelecidas.  Por cada regulação existe 1,3 processos de incumprimentos.
  24. 24. PROCESSOS TUTELARES CÍVEIS  Cada criança que passa por um processo de regulação parental tem em média mais que um processo de alteração ou incumprimento.  Em média os processos levam dois anos a serem resolvidos e muitos pais ficam longos períodos sem ver os filhos, aumentando a conflitualidade entre ex-casais que utilizam as crianças como escudo.  Existem alguns casos que demoram 7/8 anos.
  25. 25. RESPONSABILIDADES PARENTAIS: PRINCÍPIOS  Convenção sobre os Direitos da Criança consagrou o princípio de que ambos os pais têm uma responsabilidade comum na educação e no desenvolvimento da criança e de que constitui sua responsabilidade prioritária a educação e o bem-estar global da criança (artigos 18.º, n.º 1 e 27.º, n.º 2).  Direito de estar com os pais / Direito de ser escutada / Direito de não ser separada dos irmãos.  O SUPERIOR INTERESSE DA CRIANÇA e a IGUALDADE ENTRE OS PROGENITORES são princípios fundamentais a observar no que respeita à RRP. (Princípio 2.º do Anexo à Recomendação n.º R (84) sobre as Responsabilidades Parentais adotada pelo Comité de Ministros do Conselho da Europa de 28 de fevereiro de 1984)
  26. 26. RRP: PRESSUPOSTOS LEGAIS  A Lei nº 61/2008, de 31 de Outubro pressupõe a partilha e o exercício em comum, por ambos os pais, das responsabilidades parentais.  A regulação pode redundar nas seguintes modalidades:  Exercício conjunto das resp. parentais, com residência fixa  Exercício conjunto, com alternância de residência  Residência e exercício conjuntos com guarda alternada  Residência e exercício únicos/exclusivos/unilaterais
  27. 27. TAREFA Reflita sobre os riscos e potencialidades de cada uma das modalidades de exercício da RP, tendo em conta o ajustamento e bem-estar dos menores, a continuidade da coparentalidade, … Regimes conjuntos Regimes alternados Regimes unilaterais
  28. 28. REGIMES CONJUNTOS: RISCOS E POTENCIALIDADES (+) Continuidade e coesão familiar; (+) Coparentalidade colaborativa. “Questões de maior importância para a vida das crianças têm de continuar a ser decididas em conjunto, enquanto as relativas à vida diária competem a quem reside com elas”. (-) Exige ausência/resolução efetiva do conflito; (-) Traz instabilidade aos menores (quando tais condições não estão reunidas). (ex.: Fariña, Arce, Seijo & Novo, 2002; Sottomayor, 2002; Ribeiro et al., 1992)
  29. 29. REGIMES ALTERNADOS: RISCOS E POTENCIALIDADES (+) Manutenção de vínculo afetivo com ambos os pais; (+) Redução/eliminação da dualidade “pai que educa/pai que diverte”; (+)Vantajoso quando a residência dos progenitores é geograficamente perto uma da outra. (-) Instabilidade nos menores; (-) Constante necessidade de (re)adaptação contextual (“Crianças com a casa às costas”). (ex.: Fariña, Arce, Seijo & Novo, 2002; Sottomayor, 2002; Ribeiro et al., 1992)
  30. 30. REGIMES CONJUNTOS/ALTERNADOS: PRESSUPOSTOS EXIGIDOS (Valente, 2014)  Capacidade de cooperação e diálogo entre os pais;  Projeto educativo similar;  Capacidade educativa de ambos os pais;  Relação afetiva sólida entre cada um dos pais e a criança; +  Acordo em relação à residência alternada;  Relação afetiva de idêntica profundidade e relevância;  Similar aptidão material e de sustento;  Similar capacidade educativa;  Estilo de vida, valores e ambiente familiar idênticos;  Acordo em relação à disciplina, educação, religião, tratamentos médicos, etc;  Residências próximas.
  31. 31. REGIMES UNILATERAIS: RISCOS E POTENCIALIDADES (+) Aconselhável, sempre que exista conflito ou violência. (-) Agudização do conflito parental (ex.: posturas de “vencedores/vencidos”); (-) Sobrecarga do progenitor custódio; (-) “Alienação Parental” (ex.: Fariña, Arce, Seijo & Novo, 2002; Sottomayor, 2002; Ribeiro et al., 1992)
  32. 32. GUARDA CONJUNTA VS GUARDA ÚNICA  A guarda conjunta é o sistema preferido na maioria dos estados dos Estados Unidos da América e na maioria dos países europeus.  Na Suécia e já em 1992, há 16 anos, 79% das crianças de pais separados estavam em situação de guarda conjunta ou responsabilidades parentais partilhadas e apenas 21% tinham guarda única.  A guarda conjunta (joint custody) não deve ser aplicada em todas as situações. Sempre que um dos progenitores é violento, negligente, tem problemas mentais, físicos ou de saúde, a guarda única (sole custody) é preferível.
  33. 33.  No ordenamento jurídico português, o regime regra é o EXERCÍCIO CONJUNTO DAS RP;  Em Portugal, a guarda dos filhos, em caso de divórcio ou separação, é entregue "maioritariamente à mãe" porque esta assume-se como a "figura primária de referência culturalmente enraizada“. Estudo "Divórcio e responsabilidades parentais: padrões de género nos contextos familiares e nas decisões judiciais", Ana Reis Jorge, Universidade do Minho (UM)
  34. 34. RRP: GUARDA PARTILHADA  O superior interesse do menor implica evitar a separação psicológica de qualquer um dos progenitores e estimulá-lo a manter o vínculo afetivo com ambos.  A decisão judicial deve ter em conta a disponibilidade de cada pai para promover a relação do(s) filho(s) com o outro e para estimular e manter essa proximidade.  Estabilidade contextual para menores de 3 anos VS benefícios emocionais, sociais e cognitivos do convívio equitativo com os pais.  Revisão meta analítica de Bauserman (2002) não apoia a hipótese de dano associado à RESIDÊNCIA ALTERNADA para as crianças.
  35. 35. RESIDÊNCIA ALTERNADA  “A residência alternada consiste numa divisão rotativa e tendencialmente simétrica dos tempos da criança com os progenitores de forma a possibilitar a produção de um quotidiano familiar e social com o filho durante os períodos em que se encontra com cada um deles”.  Possibilidade de cada um dos pais de ter o filho a residir consigo, alternadamente, segundo um ritmo de tempo que pode ser de um ano escolar, um mês, uma quinzena ou uma semana, uma parte da semana, ou uma repartição organizada do dia a dia em que, durante esse período de tempo, um dos progenitores exerce, de forma exclusiva os cuidados que integram o exercício das responsabilidades parentais. (Fonte: “O papel e a intervenção da escola em situações de conflito parental“, 3ª edição, António Fialho (juiz de direito), Verbo Jurídico, Nov.2012)
  36. 36. RESIDÊNCIA ALTERNADA  Residência alternada (Princípio da Igualdade - art.º 13.º e 36.º/6 da CRP): visa proporcionar, por um lado, aos filhos menores o amplo convívio paterno- filial e, por outro lado, o exercício de uma parentalidade presente por ambos os progenitores, diminuindo a figura do pai de fim-de-semana. “…o divórcio dos pais não é o divórcio dos filhos e estes devem ser poupados a litígios que ferem os seus interesses, nomeadamente, se forem impedidos de manter as relações afetivas e as lealdades tanto com as suas mães como com os seus pais…” Fundamentos Lei 61/2008 de 31.10
  37. 37. Os processos de Regulação das Responsabilidades Parentais são, não raras vezes, palco de disputa, conflito e agressões mútuas entre os progenitores, que utilizam o argumento da guarda dos filhos e a relação com estes, como instrumento de retaliação e vingança.
  38. 38. CONFLITO INTERPARENTAL Vídeo: “The wrong way to be a parent during divorce” https://www.youtube.com/watch?v=QS7sAbFdXKI
  39. 39. CONFLITO INTERPARENTAL  Ocorre, geralmente, quando um dos pais, levado pelos seus sentimentos negativos, começa a falar mal do outro à frente das crianças, tece comentários depreciativos sobre o outro ou coloca em dúvida a capacidade do outro para cuidar dos filhos.  Incapacidade de comunicação interparental aberta, flexível e funcional e de conciliação de pontos de vista divergentes;  Esta situação origina um enorme sofrimento às crianças, provocando sempre um mal-estar que pode derivar em problemas de comportamento, alterações na alimentação ou no sono, deterioração dos resultados escolares e, nos casos mais graves, rejeição do contacto com o outro progenitor.
  40. 40. SEPARAÇÃO/DIVÓRCIO E CONFLITO INTERPARENTAL  Realidade crescente com custos para a Justiça e para as partes envolvidas, especialmente as crianças;  Melhor preditor de desajustamento pós-divórcio nas crianças;  Contexto de vitimação para as crianças;  Casos complexos e ambíguos.
  41. 41. “A verdade é que a batalha interparental ultrapassa os limites dos foros judiciais, firmando-se como uma questão pessoal, na qual pai e mãe pretendem atingir o outro, procurando afetar a relação deste com as crianças” (Fernando Silva, 2011)
  42. 42. IMPACTO DO DIVÓRCIO
  43. 43. SEPARAÇÃO/DIVÓRCIO: CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS SOBRE O IMPACTO  A separação do casal tende a ser um processo complicado e doloroso, especialmente para a parte mais vulnerável da família – as crianças.  Apesar de constituir uma situação de crise, o divórcio dos progenitores não provoca necessariamente perturbações nos filhos e nos próprios pais.  Comparativamente com as crianças que vivem com ambos os pais, as crianças de pais divorciados têm maior probabilidade de terem problemas de ajustamento.  Os efeitos mais importantes e consistentes nas crianças ocorrem durante o primeiro ano após o divórcio e englobam sintomas de externalização: ex.: agressão, desobediência, problemas de conduta, comportamento antissocial, problemas com os pais, consumo de drogas, menor rendimento académico, absentismo escolar, etc.
  44. 44. SEPARAÇÃO/DIVÓRCIO: CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS SOBRE O IMPACTO  As perdas decorrentes do divórcio podem afetar, igualmente, os pais: a perda de companhia ou de uma relação íntima, do papel de cônjuge, custos económicos, etc).  Os membros do casal podem reagir à separação com sentimentos de raiva, dor e frustração de terem falhado num projeto de vida, do afastamento da pessoa amada, da solidão imposta ou simplesmente da saudade do que já não existe.  Os pais podem sentir-se angustiados e perturbados com os seus próprios problemas e, por isso, menos disponíveis e atentos e portanto também menos capazes de apoiar e ajudar os filhos nesta fase.
  45. 45. SEPARAÇÃO/DIVÓRCIO: CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS SOBRE O IMPACTO  Os pais podem tornar-se menos comunicativos, consistentes, com menor controlo e supervisão e mais coercivos.  O pai custódio pode experienciar sobrecarga, ansiedade, stress, isolamento e problemas de saúde.  Uma separação mal orientada pode colocar as crianças numa clara situação de risco, comprometendo seriamente a sua estabilidade emocional e o seu processo de maturação.
  46. 46. IMPACTO NOS PAIS
  47. 47. IMPACTO NOS PAIS  Mudanças de vida (ex.: isolamento, solidão, sobrecarga, desvantagem económica, mudança de residência, mudança na rede social)  Deterioração da saúde física e mental  Alterações de humor (satisfação vs humor depressivo)  Problemas de identidade (Fonte: Carr, 2014)
  48. 48. ADAPTAÇÃO PARENTAL PÓS-DIVÓRCIO (CARR, 2014) Forma como foi tomada a decisão Idade dos cônjuges Duração do casamento Rendimentos/Subsistência económica Estatuto ocupacional Apoio social Recursos psicológicos Orientação igualitária de géneros Vinculação ao cônjuge
  49. 49. TAREFAS DESENVOLVIMENTAIS DO DIVÓRCIO (CLARKE-STEWART & BRENTANO, 2006)  Separação emocional e psicológica e criação de identidades separadas;  Encontrar equilíbrios na relação coparental pós-divórcio;  Separação financeira e estabelecimento de uma subsistência económica própria;  Reorganização das redes sociais;  Enquadramento legal da separação.
  50. 50. IMPACTO IMEDIATO NA PARENTALIDADE
  51. 51. ESTILOS (CO)PARENTAIS PÓS-DIVÓRCIO  COPARENTALIDADE COOPERANTE: pai e mãe envolvem-se, de forma recíproca, simétrica e coesa, no exercício do papel parental e partilham responsabilidades e tarefas educativas, demonstrando capacidade de comunicar, colaborar e resolver desacordos; regras e rotinas unificadas sobre a educação a criança (1 em 5 casos);  COPARENTALIDADE PARALELA: cada pai decide a educação da criança (muito típico);  COPARENTALIDADE CONFLITUOSA: não há comunicação direta entre o ex-casal e há interferência direta no exercício da parentalidade do outro.
  52. 52. Adaptação parental pós- divórcio (Fonte: Carr, 2014)
  53. 53. IMPACTO NAS CRIANÇAS
  54. 54. IMPACTO NAS CRIANÇAS  Ausência de um quadro de reações único face à rutura e ao litígio familiar:  Variabilidade de reações a curto, médio e longo prazos.  Desajustamento depende da existência ou não de conflito entre os pais e da qualidade das relações entre pais e filhos (Mucchielli, 2002). • Psicopatologia dos progenitores • Recursos financeiros da família • Práticas parentais • Envolvimento do progenitor não residente • Conflito parental Fatores mediadores da presença, frequência e intensidade dos problemas (Cohen, 2002; Barber& Demo, 2006; Clarke-Stewart & Brentano, 2006)
  55. 55. IMPACTO NAS CRIANÇAS  20 a 25% das crianças (versus 10%) apresentam problemas sociais e psicológicos graves (Hetherington, 2003; Hetherington & Kelly, 2002; Kelly, 2003; Kelly & Emery, 2003).  Raparigas tendem a apresentar mais problemas emocionais e de internalização e os rapazes desordens de conduta ou externalização.  O desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança em função da sua idade afeta a capacidade de compreensão do divórcio e de coping com os fatores de stress que acompanham a rutura.
  56. 56. IMPACTO NAS CRIANÇAS  Comportamental (agressividade, desobediência, dificuldades de autocontrolo, etc.);  Psicológico/Emocional (depressão, ansiedade, baixa autoestima e autoconceito, etc.);  Relacionamentos mais disfuncionais com os pais;  Problemas de interação social;  Menor realização e sucesso académico. (Amato, 2000, 2001; Amato & Keith, 1991; Emery, 1982, 1988; Hetherington, Cox & Cox, 1982; Hetherington & Kelly, 2002).
  57. 57. Impacto do divórcio nas crianças
  58. 58. Impacto do divórcio nas crianças
  59. 59. FATORES DE RISCO  Perdas afetivas (ex.: redução do contacto com o progenitor não custódio, família alargada, colegas, mudanças de casa (Cohen, 2002));  Estado psicológico dos pais (ex.: problemas médicos, depressão, ansiedade, raiva, solidão, impulsividade e abuso de substâncias);  Alteração na dinâmica relacional com os pais;  Alteração das práticas parentais;  Inconsistência parental;  Mudanças nas condições económicas da família;  Mudanças nos hábitos e rotinas diárias;  Exposição ao conflito parental. (Buchanan & Heiges, 2001; Cohen, 2002; Cummings & Davies, 1994, 2002; Emery, 1982, 1988; Woodward et al., 2000).
  60. 60. FATORES DE PROTEÇÃO  Ambiente familiar estável;  Acordo mútuo extra judicial (Plano Parental);  Coparentalidade colaborativa e cooperante;  Boa capacidade de comunicação interparental;  Guarda exclusiva vs Guarda partilhada (residência alternada);  Envolvimento estável e proactivo na vida dos filhos;  Manutenção dos recursos financeiros da família;  Modelos de regras adequadas;  Disciplina consistente;  Liberdade para amar ambos os pais.
  61. 61. RESILIÊNCIA E AJUSTAMENTO  Investigação a partir dos anos 90 – Psicologia Positiva - Importância da experiência prévia ao divórcio; - Maior conflito durante o casamento está associado a um melhor ajustamento das crianças ao divórcio a longo prazo (Amato, 2001); - Adultos que viveram, quando crianças, em ambientes de elevado conflito entre os pais e estes se mantiveram casados, evidenciaram menor bem-estar do que aqueles cujos pais se separaram (Kelly, 2003). Muitas crianças mantêm-se ajustadas após o divórcio dos pais
  62. 62. FENÓMENOS ASSOCIADOS À SEPARAÇÃO/DIVÓRCIO (Fonte: Clarke-Stewart & Brentano, 2006) Fantasias de reconciliação Sobrecarga ou parentificação do(s) filho(s) Uso do(s) filho(s) como mensageiro(s) Alianças Conflitos de lealdade Alienação parental Judicialização da relação
  63. 63. “O divórcio é uma situação que abala de forma intensa e profunda a vida de uma criança todavia, as suas consequências têm mais a ver com a forma como pai e mãe conduzem o seu relacionamento no pós-divórcio do que com a separação em si”. (Ribeiro, 2007)
  64. 64. “ALIENAÇÃO PARENTAL” ou DINÂMICAS FAMILIARES DISFUNCIONAIS?
  65. 65. DRAMATURGIA DAS SEPARAÇÕES CONJUGAIS (Delage, 2010) 1. A disfuncionalidade conjugal conducente à separação; 2. A luta aberta no contexto do processo judicial de separação: quebra‐se o contrato conjugal, mantém‐se o desacordo na parentalidade, potenciado, paradoxalmente, pela imposição da coparentalidade; 3. O tempo da alienação propriamente dita: das dificuldades nas visitas, às perícias focadas no individual e não no relacional, e às tentativas de mediar quem quer manter um conflito; 4. A alienação parental agravada pela disfunção judicial: as alegações de abusos, os vários processos em simultâneo e a lentidão; junte‐se as tentativas desesperadas de contacto com a intervenção policial, as fugas com as crianças, ou mesmo o acolhimento institucional.
  66. 66. ALIENAÇÃO PARENTAL  Conceito introduzido por Richard Gardner em 1985.  Poderá ser caracterizada como a criação de uma relação de exclusividade da criança com um dos progenitores, que tem por objetivo a exclusão e alienação do outro.  Surge principalmente no contexto das disputas pela guarda e custódia das crianças.  Consiste numa série de técnicas de “programação e lavagem cerebral”, com o objetivo de impedir, criar obstáculos ou mesmo destruir a sua ligação de afeto com o outro progenitor  ALTERAÇÃO DO VÍNCULO AFETIVO-PARENTAL (Aguilar, 2008; Ribeiro, 2007)
  67. 67. ALIENAÇÃO PARENTAL E VINCULAÇÃO Pressuposto: “A criança reconhece ambos os pais como figuras de vinculação”.  Os Internal Working Models estabelecem‐se através da experiência / processamento de mensagens recebidas relativas aos prestadores de cuidados;  Mensagens que promovam segurança - alinhamento/ligação;  Mensagens que promovam insegurança - alienação;  O que ocorre nas situações de SAP é que um prestador de cuidados emite mensagens que promovem insegurança relativamente a outro prestador de cuidados, quando o ideal seria que ambos transmitissem mensagens de alinhamento;  O alinhamento entre a criança e o alienador não é uma vinculação segura: promove uma dependência da visão do alienador, que impede/limita a autonomização da criança em termos emocionais e de pensamento crítico.
  68. 68. ALIENAÇÃO PARENTAL “Um quadro de privação deliberada e continuada do exercício da responsabilidade parental, por manipulação dum pai em relação ao outro, com uma intenção de dolo. À margem de qualquer decisão dum tribunal ou através de sucessivos incumprimentos de decisões judiciais, por um período máximo de 18 meses” (Eduardo Sá, 2011, p. 155)
  69. 69. PROCESSO E NÍVEIS DE ALIENAÇÃO PARENTAL (GARDNER, 1985) 1. Recrutamento e envolvimento da criança numa campanha de ódio e difamação injustificada contra o outro progenitor. 2. Tanto o progenitor alienador como a criança partilham uma mesma versão de discursos, crenças e condutas contra o outro progenitor. 3. A criança torna-se autónoma, livre e não necessita da intervenção do progenitor alienador. É ela que recusa o outro progenitor. BAIXO ALIENADOR INGÉNUO MODERADO ALIENADOR ATIVO ALTO ALIENADOR OBSESSIVO
  70. 70. ALIENAÇÃO PARENTAL: CRITÉRIOS (GARDNER, 1985) 1) Campanha para denegrir o progenitor alienado; 2) Racionalizações fracas, absurdas ou frívolas para descrédito do pai alienado; 3) Falta de ambivalência – pai amado vs pai odiado; 4) Fenómeno do pensador independente; 5) Apoio automático e incondicional ao progenitor alienador; 6) Ausência de sentimentos de culpa relativamente à crueldade e/ou exploração do progenitor alienado; 7) Cenários encomendados; e 8) Propagação de animosidade em relação aos amigos e/ou família alargada do progenitor alienado.
  71. 71. EXTENSÃO DE CRITÉRIOS (AGUILAR, 2008)  Uso dos recursos legais (ex.: denúncias de abuso sexual)  O tempo como estratégia de alienação
  72. 72. EXEMPLOS DE COMPORTAMENTOS ALIENADORES (Sá, 2011; Delage, 2010)  Impedir visitas regulares;  Apresentar o companheiro como novo pai/mãe da criança;  Intercetar/manipular/eliminar cartas, e-mails ou outras mensagens do outro progenitor destinadas aos filhos;  Pressionar a criança relativamente ao tipo de informações transmitidas durante os contactos;  Desvalorizar o outro progenitor perante terceiros na presença da criança;  Desqualificação do outro perante os filhos;  Não transmitir informações importantes sobre os filhos ao outro progenitor (ex.: festa na escola);  Mostrar que fica muito triste quando a criança visita o outro progenitor;  Mudanças de residência de forma a impedir as visitas.
  73. 73. EFEITOS NA CRIANÇA: A SAP  A criança aprende a ser manipuladora e a “explorar” os outros: moral corrompida;  É sujeita à pressão de não desiludir um dos progenitores: dependência emocional do alienador;  A criança aprende a reprimir os seus sentimentos;  Manifesta falta de ressonância ou frieza emocional;  Não é autónoma nas suas emoções e pensamentos;  Evidencia um estilo cognitivo hostil e negativo face ao outro progenitor;  Manifesta um medo intenso de abandono;  Evidencia dificuldades em cumprir regras e limites;  Baixa autoestima;  Problemas de identidade;  Grande vulnerabilidade a problemas psicológicos.
  74. 74. AVALIAÇÃO E DESPISTE DA SAP Pereira & Matos (2011)
  75. 75. PROPOSTAS DE ATUAÇÃO  Importa diagnosticar e identificar o mais precocemente possível;  Articulação entre as medidas terapêuticas e judiciais;  A guarda conjunta ou partilhada reduz o conflito (as responsabilidades parentais estão equilibradas);  Prevenir a consolidação de atitudes: manter as visitas;  Mediação Familiar como prevenção;
  76. 76. PROPOSTAS DE ATUAÇÃO  Educar para o empowerment destas famílias na resolução dos seus conflitos;  Alteração da Regulação das Responsabilidades Parentais;  Em atitudes consolidadas: promover o afastamento do alienador em relação ao filho: família alargada e restabelecer progressivamente o contacto com o progenitor alienado;  Parent-Child Interactive Therapy (PCIT; Herschell & McNeil, 2005);  Parent-Child Reunification Therapy (PCRT; Weitzman, 2004).
  77. 77. INTERVENÇÃO EM SITUAÇÕES DE ALIENAÇÃO PARENTAL (Jaffe et al., 2010) Intervenção mínima Apoios na família e na comunidade Programas de educação parental promovidos pelo Tribunal Avaliação, monitorização e revisão pelo Tribunal Mediação familiar Aconselhamento individual e familiar Intervenção e sanções impostas pelo Tribunal Intervenções intrusivas Suspensão provisória dos contactos com o progenitor como forma de parar o conflito BAIXO RISCO ALTO RISCO
  78. 78. ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO SAP  Sessões entre a criança e cada um dos pais;  Acompanhamento individual da criança;  Aconselhamento parental aos pais e se necessário acompanhamento psicoterapêutico individual;  Articulação entre diferentes técnicos;  Mediação familiar (o mediador torna‐se o elemento triangulado e não a criança);  Magistrados: ‐ Intervenção judicial firme e rápida; - Solicitação de perícias familiares sistémicas (Delage, 2010) focadas no eixo relacional e não apenas no eixo psicopatológico.
  79. 79. INTERVIR COM OS PAIS E A CRIANÇA (Baker & Andre, 2008)  Características dos pais que interferem com a capacidade de juízo clínico do técnico: persuasão, intimidação, manipulação, sedução (alienadores), passividade, ansiedade, dificuldade em articular a sua perspetiva, pouco competentes no contacto interpessoal.  PAIS ALIENADOS: intenso sofrimento pela perda da criança agravado pela culpabilização de que são alvo por a criança os rejeitar; contra rejeição. OBJETIVOS: melhorar as competências parentais e a comunicação com a/s criança/s; lidar com as emoções associadas ao processo (ex.: ira, perda, revolta, etc).
  80. 80. INTERVIR COM OS PAIS E A CRIANÇA (Baker & Andre, 2008)  PAIS ALIENADORES OBJETIVOS: promover outros aspetos da sua identidade que não o papel parental e promover as suas competências parentais, nomeadamente no que respeita à facilitação/permissão do relacionamento entre a criança e o progenitor alienado.  CRIANÇAS ALIENADAS - reconhecer a situação difícil da criança sem compactuar com a visão negativa que mantém do progenitor alienado. OBJETIVOS: ajudar a criança a desenvolver capacidades de pensamento crítico que a protejam da manipulação do progenitor alienador e construir uma imagem mais equilibrada de ambos os pais (equidistância)
  81. 81. ALIENAÇÃO PARENTAL: CONCLUSÕES  Realidade dramática com consequências e efeitos perversos sobretudo nas crianças.  Forma grave de mau trato psicológico e abuso emocional infantil.  “Nenhuma criança devia ser obrigada a ter de escolher entre os progenitores”  É entendida como uma violação do direito das crianças de poder privar e manter o vínculo com ambos os pais.
  82. 82. ALIENAÇÃO PARENTAL: CONCLUSÕES  O SAP exige articulação entre o sistema legal e o sistema terapêutico.  As decisões judiciais, como noutras situações de mau trato, tornam‐se um importante instrumento terapêutico, essencial à recuperação da criança e à reestruturação das relações entre pais e filhos.  Deve ser enquadrada no âmbito dos processos de promoção e proteção, enquadra/pontua a situação como aquilo que verdadeiramente é: uma ameaça grave ao desenvolvimento da criança, legitimando a utilização das medidas mais adequadas à efetiva proteção da criança.
  83. 83. CRÍTICAS À SAP Controvérsia:  Falta de validade científica e empírica;  Não aparece no DSM como perturbação mental;  Causalidade linear, simplificada e redutora. Compreensão ecológica e sistémica das dinâmicas individuais e familiares Perspetiva desenvolvimental
  84. 84. PROPOSTA ALTERNATIVA À SAP
  85. 85. PROPOSTA ALTERNATIVA À SAP (Pereira & Matos, 2011) Kelly & Johnson (2001) Continuum de relações criança-pais
  86. 86. PROPOSTA ALTERNATIVA À SAP (Pereira & Matos, 2011)  Identificar fatores de risco (processos sistémicos) antes e após a separação;  Ponderar os comportamentos do progenitor rejeitado: - passividade, desistência, contrarrejeição, estilo parental rígido ou severo, personalidade imatura e autocentrada, afeto pobre e menor empatia.
  87. 87. PROPOSTA ALTERNATIVA À SAP (Pereira & Matos, 2011)  Resistência às visitas (Stoltz & Ney, 2002) “Qualquer comportamento da criança, dos pais ou de outras pessoas envolvidas no conflito, que levam à cessação das visitas ao progenitor não custódio, ou as impedem de forma significativa”. Impacto da judicialização da relação coparental Nível de litígio Maturação da criança Envolvimento em processo pericial
  88. 88. PROPOSTA ALTERNATIVA À SAP (Pereira & Matos, 2011)  É uma perturbação relacional que implica o pai, a mãe, a criança, os advogados, os juízes, os técnicos da área psicossocial (Delage, 2010).  Deverá ser lida à luz de três referenciais teóricos: Modelo ecológico / Modelo sistémico / Teoria da vinculação
  89. 89. PROPOSTA ALTERNATIVA À SAP (Pereira & Matos, 2011)  Continuum de DINÂMICAS FAMILIARES DISFUNCIONAIS que remetem para a instrumentalização e triangulação da criança, com consequências negativas para os vínculos afetivos que estas estabelecem com os seus cuidadores/progenitores.  DSM-5 (APA, 2013): “Other Conditions That May Be a Foccus of Clinical Attention” - “Problems Related to Family Upbringing”, quando o foco de atenção clínica são os comportamentos disfuncionais parentais; - “Child Affected by Parental Relationship Distress”, quando o foco de atenção clínica são os efeitos negativos da discórdia parental (ex.: elevados níveis de conflito, desprezo) na criança. - “Child Psychological Abuse” (Fonte: Facebook “Casos práticos em Psicologia Forense”)
  90. 90. AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO
  91. 91. PAPEL DOS TÉCNICOS (Cohen, 2002) a) Estar atento a sinais de alerta de uma casamento disfuncional e de uma separação iminente; b) Discutir o funcionamento familiar numa abordagem antecipatória, fornecendo informação sobre o divórcio; c) Assumir-se como “defensor” da criança, oferecendo-lhe suporte e conselhos apropriados à idade, bem como os pais sobre as reações ao divórcio; d) Tentar manter relações positivas com ambos os pais e não tomar partidos; e) Sinalizar às entidades competentes se há evidências de alguma situação abusiva; f) Encorajar a discussão aberta acerca a separação e divórcio com e entre os pais, enfatizando formas de lidar com as reações da criança; g) Sugerir alguns materiais de leitura apropriados: “Os meus pais estão separados, mas não de mim” e) Encaminhar a família para serviços de saúde mental especializados nas questões de divórcio, se necessário.
  92. 92. AVALIAÇÃO
  93. 93. GUIDELINES APA (1994, 2009)  PROPÓSITOS DA AVALIAÇÃO - Atender ao superior interesse e bem-estar psicológico da criança  FOCO - Capacidades parentais e funcionamento psicológico - Necessidades da criança - “Encaixe” entre ambas (interação pais-filhos)
  94. 94. GUIDELINES APA (1994, 2009)  PAPEL DO PSICÓLOGO - objetivo, imparcial e com competências especializadas: - Perito/Terapeuta/Facilitador; - Avaliação psicológica, Psicologia do desenvolvimento da criança e da família, Psicopatologia da criança e da família, impacto do divórcio, legislação e enquadramento jurídico.  Procedimento – Multimétodo / Multissistémico.
  95. 95. PLANO DE AVALIAÇÃO Quem? Focos da Avaliação O quê? Dimensões a avaliar Como? Roteiro de Avaliação Pais Filhos Interação Pais-Filhos Ajustamento Global Funcionamento e Relações Familiares Parentalidade e práticas educativas Entrevistas semiestruturadas Aplicação de Provas Psicológicas Observação de Interações Procedimentos complementares (ex.: entrevista a outros significativos)
  96. 96. AVALIAÇÃO INICIAL: OBJETIVOS  Fazer a anamnese da criança ou do jovem – avaliação desenvolvimental;  Conhecer a história da família;  Explorar as dinâmicas familiares e aferir a existência de conflitos atuais ou persistentes entre os progenitores;  Avaliar as relações entre cada progenitor e os filhos;  Conhecer a fase do processo de divórcio em que a família se encontra;  Recolher informações sobre a reação de cada membro da família nuclear à situação de separação (ex.: manifestações comportamentais ou emocionais da criança/jovem e respetivo impacto no seu funcionamento individual, escolar e social);  Explorar estratégias educativas dos pais e perceber como reagem às manifestações emocionais e comportamentais dos seus filhos;  Perceber as expectativas de cada progenitor e da criança/jovem associadas à intervenção.
  97. 97. ENTREVISTAS COM OS PAIS Sobre os pais:  História familiar  Percurso escolar e profissional  História relacional/conjugal passada e presente  Antecedentes pessoais (saúde física e mental, envolvimento com o Sistema de Justiça, …)  Informação sobre o ex-cônjuge (perceção acerca do relacionamento deste com os filhos, …)  Guarda e custódia (motivação, pretensões, regime ideal, satisfação com regime em vigor…)
  98. 98. ENTREVISTAS COM OS PAIS FOCOS DAS ENTREVISTAS COM OS PAIS PRINCIPAIS TÓPICOS Anamnese da criança • Gravidez e parto • Alimentação, saúde e desencolvimento físico • Marcos e aquisições desenvolvimentais • Autonomia Funcionamento escolar • Desempenho académico • Aprendizagem Funcionamento social e interpessoal • Relações com pares • Relações com adultos • Respeito por regras Funcionamento familiar • Resenha histórica da família: crises e a sua gestão • Repertório de praticas educativas • Funcionamento atual (ex.: responsabilidades parentais) Adaptação ao divórcio • Quem, quando, como comunicaram à criança o divórcio • Reação da criança • Mudanças pós-divórcio: criança, dinâmicas familiares, práticas educativas
  99. 99. ENTREVISTAS COM OS PAIS Sobre os filhos:  História desenvolvimental e escolar  Traços definidores (ex.: interesses/preferências)  Problemas evidenciados pelo(s) menor(es)  Relacionamento com pares  Práticas educativas adotadas  Impacto da separação e/ou divórcio  Expectativas do menor acerca da guarda e custódia  Informações sobre rotinas, regime de visitas e comportamento do menor com cada um dos pais
  100. 100. ENTREVISTA AO(S) MENOR(ES)  História familiar (perceções e interações com cada um dos membros, …)  História escolar e apoio escolar  Disciplina parental (regras, obediência, castigos)  Relacionamento com os pares  Interesses/preferências  Descrição dos progenitores e de atividades desenvolvidas com estes  Perceção da relação e conflitos parentais  Reação à separação parental  Desejos de futuro Entrevista Clínica Semi-estruturada para Crianças e Adolescentes (Achenbach& McConaughy, 1997; cf. M. Gonçalves & Simões, 2000); Questionário de Avaliação da Custódia para Filhos (Fariña, 2001)
  101. 101. PROVAS PSICOLÓGICAS PAIS PERSONALIDADE  16 PF 5 –Inventário de Personalidade (Cattell, Cattell& Cattell, 1993; Russell e Karol, 1994, adapt. CEGOC-TEA, 1998)  NEO-PI-R -Inventário de Personalidade NEO Revisto (Costa & McCrae, 1985, 1991; McCrae, 1994, adapt. por Lima & Simões, 1995)
  102. 102. PROVAS PSICOLÓGICAS PAIS SINTOMAS  BSI - Inventário Breve de Sintomas (Derogatis, 1982 adapt. por M. C. Canavarro, 1995) ESPECÍFICAS PARENTALIDADE  IPE e ECPF - Inventário de Práticas Educativas e Escala de Crenças sobre a Punição Física (Machado, Gonçalves & Matos, 2008)  PSI - Índice de Stress Parental (Abidin, 1983, adapt. Santos, 2004)
  103. 103. PROVAS PSICOLÓGICAS PAIS ESPECÍFICAS PARENTALIDADE  PCRI* (inventário da relação pais-filhos)  ASPECT* (escalas de observação de pais para custódia)  PAM (Medida da Aliança Parental)  DAI-R (Inventário do Ajustamento ao Divórcio) * Não estão validados; devem ser usados numa perspetiva qualitativa; o ASPECT pode ser usado como cheklist para automonitorização
  104. 104. PROVAS PSICOLÓGICAS CRIANÇAS SINTOMAS E AJUSTAMENTO GLOBAL  Escalas de Achenbach (CBCL, TRF, YSR) (Achenbach& McConaughy, 1997; cf. M. Gonçalves & Simões, 2000):  fornecem perfis do comportamento da criança, na perspetiva dos diferentes informadores, organizados em escalas de internalização (ex.: ansiedade/depressão) e externalização(ex.: comportamento delinquente);  análise da (in)congruência entre perfis (ex.: mãe vs pai) é particularmente importante no contexto da RRP.
  105. 105. PROVAS PSICOLÓGICAS CRIANÇAS SINTOMAS  CDI - Children´sDepressionInventory  STAI C-2 - Stait-trait anxietyscale for children  CMAS-R – Children’s Manifest Anxiety Scale-Revised  FSSC-R – Fear Survey Schedule for Children Revised  Aferidos por M. Gonçalves & P. Dias (1999);  Avaliam, respetivamente, sintomas depressivos, ansiedade-traço, ansiedade manifesta e medos da criança.
  106. 106. PROVAS PSICOLÓGICAS CRIANÇAS ESPECÍFICAS  CPIC - Escala de Percepção da Criança dos Conflitos Interparentais (Grych, Seid, & Fincham, 1992 trad. e adapt. por A. Sani, 2001)  Informa sobre a perceção e interpretação da criança dos conflitos entre os pais (ex.: se os testemunha ou testemunhou, se se entende como fonte e tema dos conflitos, se experiencia culpa pelos mesmos, …).
  107. 107. PROVAS PSICOLÓGICAS CRIANÇAS  Teste Apercetivo de Roberts (McArthur& Roberts, 1995 aferido por M. Gonçalves, A. Morais, H. Pinto & C. Machado, 1999) - Avalia a perceção da criança do seu mundo interpessoal, em particular, das dinâmicas familiares, dos adultos de referência e suporte, … - Matriz interpessoal; REL; SUP-O; LIM; REJ; temas perseverantes vs. Negação de estímulos óbvios.
  108. 108. OBSERVAÇÕES DA INTERAÇÃO (Pereira & Matos, 2011) Interação livre Pais e filhos exploram a sala e interagem de forma livre e sem intromissão do perito Interação com prescrição de tarefas Pais e filhos realizam em conjunto uma ou mais tarefas intencionalmente prescritas pelo perito ou terapeuta Interação Mista (livre ou com prescrição gradual de tarefas) Interação inicialmente livre com introdução de instruções, por intermédio de cartões ou mensagens (exibidos unicamente ao adulto), quando os parâmetros a observar não surgem espontaneamente
  109. 109. OBSERVAÇÕES DA INTERAÇÃO (Pereira & Matos, 2011) Dimensões a observar: -Afetos e expressão emocional -Diálogo -Imposição de limites -Reforço (espontâneo, solicitado pela criança) -Competências didáticas -Gestão de situações-problema (ex.: entrada do ex-cônjuge na interação) -Prestação de cuidados (a crianças mais pequenas) INTERAÇÕES PAIS-FILHOS
  110. 110. OBSERVAÇÕES DA INTERAÇÃO (Pereira & Matos, 2011) Dimensões a observar: - Afetos e expressão emocional - Diálogo - Suporte dado/recebido - Gestão de conflitos - Despiste de dinâmicas de parentificação, alianças, conflitos de lealdade, instrumentalização… INTERACÇÕES ENTRE IRMÃOS
  111. 111. OBSERVAÇÕES DAS INTERAÇÕES: RECOMENDAÇÕES  Adaptação das grelhas de observação caso-a-caso;  Contemplar momentos de interação múltipla, que permitem observar outras dimensões: liderança, autoridade, inconsistência de práticas educativas, alterações de comportamento da criança em função dos adultos presentes, etc;  Observar outras interações (ex.: avós);  Observação de interações espontâneas.
  112. 112. ENTREVISTA A OUTROS SIGNIFICATIVOS FAMILIARES-CHAVE (ex.: avós, tios próximos, …)  Informação sobre a criança (ex.: desenvolvimento, funcionamento atual)  Informação sobre o funcionamento familiar (antes e depois da separação/divórcio)  Papéis do entrevistado (na educação e prestação de cuidados, no conflito familiar, …)
  113. 113. ENTREVISTA A OUTROS SIGNIFICATIVOS ESCOLA/JARDIM DE INFÂNCIA (ex.: diretor de turma, educadora, …)  Informação sobre a criança (ex.: aprendizagem, relação com os pares, respeito pela autoridade, alusões à família, …)  Informação sobre os pais/encarregados de educação (ex.: envolvimento na vida escolar do filho, contactos com a escola, …)
  114. 114. ENTREVISTA A OUTROS SIGNIFICATIVOS PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS NO CASO (ex.: psicólogos, seg. social, proteção de menores, …)  Informação sobre a criança e a família (ex.: história do processo da família/criança, intervenções e sucesso, …).
  115. 115. DESAFIOS  Incongruências entre informantes;  Discrepâncias entre o discurso manifesto e os factos;  Tentativas de manipulação do(s) técnico(s);  Avaliação estereotipada do papel maternal e paternal;  Ausência de instrumentos de avaliação específicos e adaptados;  Alegações de vitimação infantil.
  116. 116. AVALIAÇÃO FORMULAÇÃO DE CASO INTERVENÇÃO
  117. 117. INTERVENÇÃO: FAMÍLIA, PAIS E/OU CRIANÇAS
  118. 118. CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS  Articulação entre profissionais – intervenção multidisciplinar;  Perspetiva de risco e resiliência;  Falta de tradição dos magistrados no encaminhamento das famílias que lidam com divórcio para programas de intervenção;  Alvos: família, pais e/ou criança;  Formatos: individual, grupo e/ou familiar;  Enfoque em grupos terapêuticos (4 a 8 semanas; sessões semanais ou quinzenais; nível desenvolvimental da criança) – empowerment;  Resolução do trauma: intervenção individualizada.
  119. 119. CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS  Abordagem cognitivo-comportamental e narrativa: lidar com a realidade do divórcio e sentimentos por ele desencadeados;  Estratégias com crianças: dinâmicas conversacionais, diretivas na abordagem do divórcio, lúdico, projetivo;  Sessões paralelas com os pais: envolvimento direto dos pais; terapia individual;  Orientação para a coparentalidade.
  120. 120. MODALIDADES DE INTERVENÇÃO NO DIVÓRCIO
  121. 121. MODALIDADES DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NO DIVÓRCIO 1) A TERAPIA INDIVIDUAL DO DIVÓRCIO COM OS PAIS centrada na reorganização psicológica pós-divórcio:  Intervenção em crise: trabalhar o processo de luto da relação conjugal;  Dissolução adaptativa de possíveis sentimentos de culpa causados pela rutura relacional, através da validação e qualificação emocional dos sentimentos e do reenquadramento das emoções negativas;  Lançar os alicerces de novos projetos pessoais.
  122. 122. MODALIDADES DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NO DIVÓRCIO 2) TERAPIA FAMILIAR DO DIVÓRCIO centrada na reorganização e reestruturação familiar:  Desenvolver novos padrões interativos e comunicativos, mais funcionais e ajustados à sua nova realidade (ex.: Planos Parentais);  Diluir e transformar padrões relacionais negativos (muitas vezes responsáveis pelo divórcio) e contribuir para a definição de novas fronteiras, limites, regras e potencialidades na família.
  123. 123. MODALIDADES DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NO DIVÓRCIO 3) REGULAÇÃO DAS RESPONSABILIDADES PARENTAIS  Peritagem das competências psicológicas e sociais dos progenitores para o exercício da parentalidade.
  124. 124. MODALIDADES DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NO DIVÓRCIO 4) INTERVENÇÃO EM GRUPO COM CRIANÇAS:  Providenciar aos filhos de pais divorciados um espaço de proteção emocional, que permita a partilha dos sentimentos e medos inerentes a esta exigente mudança nas suas vidas;  Promover uma esfera de partilha e suporte emocionais;  Prevenir o desajustamento clínico;  Auxiliar a adaptação instrumental da criança, intervindo, por exemplo, na manutenção do rendimento académico .
  125. 125. MODALIDADES DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NO DIVÓRCIO 5) GRUPOS DE AUTOAJUDA OU DE SUPORTE MÚTUO PARA PAIS  Promover a partilha de emoções e a aceitação experiencial entre indivíduos divorciados;  Terapeuta como facilitador.
  126. 126. MODALIDADES DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA NO DIVÓRCIO 6) INTERVENÇÃO EM GRUPO COM PAIS DIVORCIADOS  Componente educacional e experiencial
  127. 127. INTERVENÇÃO FAMILIAR SISTÉMICA
  128. 128. TERAPIA FAMILIAR SISTÉMICA (Lebow & Rekart, 2006)  Ajudar os membros da família a lidar com as mudanças após a separação e divórcio;  Ajudar a família a adaptar-se às exigências dos novos papéis;  Abordar dificuldades de funcionamento.  Intervenção multissistémica (Carr, 2014): Psicoeducação Clarificação das rotinas e dos papéis da família Congruência em ambos os lares sobre regras e estilos parentais Treino de competências parentais Fornecimento de apoio à criança por parte da escola e família alargada Fornecimento de apoio e treino de competências para pais e crianças Facilitação do processo de luto
  129. 129. TERAPIA FAMILIAR SISTÉMICA (Lebow & Rekart, 2006)  Contrato terapêutico com a família - quem vai participar (ex.: pai, mãe, criança, outros significativos) - frequência e duração das sessões - quem vai pagar - confidencialidade e limites da mesma  O terapeuta deve evitar alianças com uma das partes  Avaliação com o recurso à consulta de relatórios periciais e peças processuais  Avaliação individualizada  Consulta de outros informantes
  130. 130. TERAPIA FAMILIAR SISTÉMICA (Lebow & Rekart, 2006) Reduzir aspetos perturbadores como: Conflito elevado Triangulação Fracasso em chegar a um acordo quanto à nova estrutura familiar Lidar com as situações de vida (ex.: as visitas)
  131. 131. TERAPIA FAMILIAR SISTÉMICA (Lebow & Rekart, 2006)  Foco nas soluções e potencialidades (ex.: interesse verbalizado no bem-estar dos filhos);  Trajetórias individuais e estádios da mudança, invertendo tendência para externalizar responsabilidades;  Psicoeducação: - explicar a natureza normativa dos problemas exibidos pela criança no contexto pós-divórcio; - estabelecer métodos educativos eficazes e consistentes.  Tarefas de negociação;  Educação emocional;  Narrativa de reautoria.
  132. 132. INTERVENÇÃO MULTISSISTÉMICA (CARR, 2014) 1. Psicoeducação  Fornecer informação sobre questões legais relacionadas com a separação ou encaminhá-los para fontes adequadas de informação;  Informar sobre os estádios de mudança e as tarefas associadas: ESTÁDIO TAREFA(S) Decisão de divórcio  Aceitar parte da responsabilidade pelo fracasso conjugal. Planear a separação  Desenvolver cooperativamente um plano para a custódia dos filhos, visitas e questões financeiras;  Lidar com a resposta da família de origem ao plano de separação.
  133. 133. ESTÁDIO TAREFA(S) Separação  Fazer o luto da família intacta;  Adaptação à mudança nos relacionamentos pais- filho e entre os ex-cônjuges;  Evitar que as discussões conjugais interfiram na cooperação coparental;  Manter o contacto com a família alargada;  Gerir dúvidas sobre a separação e comprometer- se com o divórcio. Período pós-divórcio  Manter acordos flexíveis em relação à custódia, visitas e questões financeiras, não envolvendo a criança em conflitos;  Assegurar que os dois pais mantêm uma vinculação segura e próxima com os filhos;  Reestabelecer relacionamentos com os pares e rede social.
  134. 134. ESTÁDIO TAREFA(S) Entrar num novo relacionamento  Concluir o divórcio emocional do relacionamento anterior;  Desenvolver um compromisso com o ovo relacionamento. Planear um novo casamento  Planear um relacionamento coparental positivo e colaborativo co o ex-cônjuge;  Planear lidar com os conflitos de lealdade das crianças que envolvam os pais biológicos e os padrastos e as madrastas;  Adaptação ao aumento a família alargada. Estabelecer uma nova família  Reorganizar os relacionamentos na família para dar espaço a outros membros;  Permitir a integração de novos membros.
  135. 135. INTERVENÇÃO MULTISSISTÉMICA (CARR, 2014) 1. PSICOEDUCAÇÃO  Problemas de adaptação intensos durante o primeiro ano;  Dissociação entre subsistema conjugal e o subsistema (co)parental;  Evitar fantasias de reconciliação na criança;  Manter as rotinas da criança estáveis e previsíveis;  Evitar triangulação da criança ou persuadi-la para tomar partido;  Cooperação interparental;  Experiência normativa dolorosa de perda, negação, tristeza e ansiedade.
  136. 136. INTERVENÇÃO MULTISSISTÉMICA (CARR, 2014) 2. CLARIFICAR ROTINAS E PAPÉIS FAMILIARES  Facilitar a negociação de novas rotinas e papéis com os subsistemas familiares adequados;  Facilitar novos relacionamentos a nível emocional e comportamental;  Mediador da comunicação familiar (segurar um sinal - falar um de cada vez).
  137. 137. INTERVENÇÃO MULTISSISTÉMICA (CARR, 2014) 3. PROMOVER A CONSISTÊNCIA PARENTAL  Dificuldades dos pais em acordar um conjunto de regras e limites nos dois lares;  Um dos pais pode estar a prejudicar a educação do outro;  O estado psicológico de um pais pode comprometer a sua capacidade parental;  Falta de clareza sobre o papel dos padrastos e madrastas. Maximizar a congruência dos sistemas de regras interparentais; Negociar e acordar um conjunto de regras, recompensas e castigos a aplicar nos dois lares e envolver a criança; Negociar e acordar individualmente com cada progenitor que depois deve explicar à criança.
  138. 138. INTERVENÇÃO MULTISSISTÉMICA (CARR, 2014) 4. TREINO DE COMPETÊNCIAS PARENTAIS  Estratégias educativas positivas: - Time-out - Economia de fichas - Negociação - Contrato comportamental  Estratégias educativas específicas: - Enurese - Problemas de comportamento
  139. 139. INTERVENÇÃO MULTISSISTÉMICA (CARR, 2014) 5. PROMOVER O APOIO POR PARTE DA ESCOLA E FAMÍLIA ALARGADA  Capacitar os pais para explicar a situação da criança ou jovem aos professores;  Facilitar reuniões entre pais e professores;  Acordar um plano de intervenção com os pais e a criança;  Promover a regularidade de contactos apoiantes da criança com a família alargada.
  140. 140. INTERVENÇÃO MULTISSISTÉMICA (CARR, 2014) 6. APOIO E TREINO DE COMPETÊNCIAS PARA PAIS E CRIANÇA  Ajudar os pais e as crianças a ventilar os seus sentimentos e processar as emoções intensas associados à mudança familiar;  Individualmente ou em grupo.
  141. 141. INTERVENÇÃO MULTISSISTÉMICA (CARR, 2014) 7. LUTO E ACEITAÇÃO  Lidar com as perdas afetivas;  Lidar com o processo de luto (do choque à aceitação);  Reconhecer a perda para depois integrá-la.
  142. 142. INTERVENÇÃO COM PAIS SEPARADOS
  143. 143. ABORDAGENS DE INTERVENÇÃO COM PAIS DIVORCIADOS ACONSELHAMENTO E INTERVENÇÃO INDIVIDUAL TERAPIA DE CASAL (antes ou depois do divórcio) GRUPOS TERAPÊUTICOS OU APOIO GRUPOS DE EDUCAÇÃO PARENTAL GRUPOS DE ORIENTAÇÃO: educação para o divórcio TERAPIA NARRATIVA: colocar o trauma em palavras MEDIAÇÃO FAMILIAR para resolução extrajudicial de conflitos DIRECTED COPARENTING INTERVENTION (DCI - Garber, 2004)
  144. 144. MEDIAÇÃO FAMILIAR
  145. 145. MEDIAÇÃO FAMILIAR: DEFINIÇÃO Modalidade extrajudicial de resolução de litígios, informal, confidencial e voluntária, em que as partes, com a sua participação ativa e direta, são auxiliadas por um terceiro (mediador) a encontrar, por si próprias, uma solução negociada e amigável para o conflito que as opõe, podendo o processo ser iniciado por iniciativa das partes ou sugerido por um tribunal.
  146. 146. MEDIAÇÃO FAMILIAR  O Sistema de Mediação Familiar (SMF) é um serviço promovido pelo Ministério da Justiça, que funciona em todo o território nacional e visa proporcionar aos cidadãos a utilização da mediação para a resolução das suas divergências, conflitos e ruturas familiares;  A mediação familiar tem, em média, uma duração de 2 meses.
  147. 147. MEDIAÇÃO FAMILIAR  Pode abranger as seguintes matérias: - Regulação, alteração e incumprimento do exercício das responsabilidades parentais; – Divórcio e separação de pessoas e bens; – Conversão da separação de pessoas e bens em divórcio; – Reconciliação dos cônjuges separados; – Atribuição e alteração de alimentos, provisórios ou definitivos; – Privação do direito ao uso dos apelidos do outro cônjuge e autorização do uso dos apelidos do ex-cônjuge; – Atribuição de casa de morada da família.
  148. 148. MEDIAÇÃO FAMILIAR  As partes que tenham um litígio no âmbito das relações familiares podem, voluntariamente e através de decisão conjunta, submeter o litígio a Mediação.  Também o juiz pode, a requerimento das partes ou oficiosamente depois de obtido o consentimento delas, determinar a intervenção da Mediação, designadamente nos processos de regulação do exercício das responsabilidades parentais [artigo 147.º-D da Organização Tutelar de Menores (OTM)].  Sempre que da Mediação resultar em acordo o juiz tem obrigatoriamente de verificar se ele satisfaz o interesse do menor e, em caso afirmativo, homologa-o. Para que os restantes acordos obtidos através de Mediação possam valer em tribunal, é necessário que sejam homologados pelo juiz ou apresentados na conservatória, consoante os casos.
  149. 149. MEDIAÇÃO FAMILIAR  Enfoque na criança e no planeamento das relações familiares  Coparentalidade e coresponsabilização dos pais  Exercício conjunto das RP  Contacto frequente dos dois pais com as suas crianças  A dupla parental deve sobreviver à rutura conjugal  Deve existir entre ambos comunicação e troca de informação  Redução do desgaste emocional  Redução do custo financeiro  Maior rapidez do processo  Proporciona um ambiente mais cooperativo e atende a todos os interesses  Melhora os relacionamentos - coparentalidade positiva  Maior compromisso das partes em cumprir o acordo ASPETOS CENTRAIS VANTAGENS
  150. 150. INTERVENÇÃO EM GRUPO COM PAIS DIVORCIADOS Intervenção com pais divorciados intervenção com pais divorciados CENTRADOS NOS PAIS intervenção com pais divorciados, CENTRADOS NOS FILHOS • Informar os pais acerca do impacto psicológico do processo pré, durante e pós divórcio; • Informar o impacto do conflito no desenvolvimento dos filhos; • Dotá-los de estratégias de gestão do comportamento dos filhos; • Componente psicoeducativa dirigida à aprendizagem de estratégias comportamentais de controlo do conflito, disputa e litigância parentais. • Fortalecimento da adaptação dos pais ao divórcio; • Dotar os pais de competências para melhorar as suas relações interpessoais; • Melhoria das competências coparentais – foco na díade parental; • Técnicas de comunicação e coparentalidade; • Criar um compromisso parental – Plano Parental. • Auxiliar os pais nas tarefas educativas essenciais para o adequado desenvolvimento dos filhos e assisti-los nesta transição familiar; • Promover a aquisição de conhecimentos úteis à interação com os filhos.
  151. 151. PROGRAMAS DE ORIENTAÇÃO PARA A COPARENTALIDADE  Diretivos, limitados no tempo e centrados na criança;  Criar práticas parentais consistentes entre os dois contextos separados;  Componentes informacional e experiencial – Educação e Treino de competências;  Terapias complementares.
  152. 152. ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO PAIS Ventilação emocional Discussão dirigida Relaxamento Autocontrolo Comunicação assertiva Role-play Treino de competências parentais Supervisão parental Modelação emocional e comportamental Resolução de problemas/Diálogo socrático/Disputa racional Desenvolvimento de Planos Parentais
  153. 153. INTERVENÇÃO COM CRIANÇAS
  154. 154. OBJETIVOS  Ajudar as crianças a compreender a mudança e a sua nova situação de vida;  Ajudá-las a identificar os seus sentimentos e a comunicar sobre eles com os outros;  Melhorar o processo de comunicação entre pais e filhos;  Dar a saber às crianças com quem podem ou devem falar quando se sentirem tristes ou quiserem mudar alguma situação;  Melhorar o entendimento dos pais sobre a experiência dos filhos quanto à separação;  Permitir às crianças a experiência positiva de encontrar outros pares em situação semelhante à sua.
  155. 155. COMPETÊNCIAS-CHAVE Expressão emocional Resolução de problemas Relações com os pares Autoconceito e questões de identidade Questões escolares Relações familiares
  156. 156. ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO CRIANÇAS  Começar por temas neutros;  Exercícios de identificação e diferenciação emocional;  Descrever dinâmicas familiares na terceira pessoa;  Desenho da família;  Play Therapy  Gestalt Therapy  Falar sobre os sentimentos de diferentes elementos da família;  Discutir motivos para a separação, o que os filhos gostariam de dizer aos pais e que estes lhe dissessem – role-play com fantoches;  Identificar adultos de confiança.
  157. 157. EXEMPLO DE PROGRAMA PARA CRIANÇAS
  158. 158. “OS MEUS PAIS JÁ NÃO VIVEM JUNTOS” NELLY ALMEIDA E SUSANA MONTEIRO (2012)  Sessões individuais e em grupo  Crianças em idade escolar e adolescentes  9 sessões de 90m  1 sessão opcional – data festiva ou simbólica  Lanche-convívio de 30m como estabilizador terapêutico  Entrevistas a pais e crianças  Questionário qualitativo sobre o impacto  Atividades lúdico-terapêuticas
  159. 159. “OS MEUS PAIS JÁ NÃO VIVEM JUNTOS” NELLY ALMEIDA E SUSANA MONTEIRO (2012) SESSÃO TEMA OBJETIVO GERAL 1 Integração no grupo Promover a coesão de grupo 2 A separação dos meus pais Facilitar a expressão de emoções associadas ao conceito de família 3 Mudanças vividas Facilitar a aceitação da perda da união familiar 4 As emoções que sinto – recursos emocionais Estimular o desenvolvimento de recursos emocionais 5 Os pensamentos que tenho – recursos cognitivos Estimular o desenvolvimento de recursos cognitivos 6 Os comportamentos que faço - recursos comportamentais Estimular o desenvolvimento de recursos comportamentais
  160. 160. “OS MEUS PAIS JÁ NÃO VIVEM JUNTOS”, NELLY ALMEIDA E SUSANA MONTEIRO (2012) SESSÃO TEMA OBJETIVO GERAL 7 Novos familiares: padrasto/madrasta, irmãos por afinidade e meios irmãos Preparar para a aceitação de novos relacionamentos amorosos dos progenitores e de meios-irmãos 8 Aceitação da situação familiar Facilitar a integração da situação familiar nas suas histórias de vida 9 Os meus amigos no grupo Facilitar o reconhecimento de recursos criados com a participação no grupo. Adicional/ Opcional Datas festivas/simbólicas Promover a aceitação da mudança no festejo de datas especiais
  161. 161. EXEMPLOS DE PROGRAMAS PARA PAIS
  162. 162. PROGRAMAS DE INTERVENÇÃO  Anos 80 (USA) Programas de intervenção psicossocial  Desde 2002 (Espanha) Programa “Ruptura de Pareja, no de Familia” (Fariña, Arce, Seijo, & Novo) – Breve e Extenso  Portugal – Programa “Papi – Pais por Inteiro” (2007) - Ajustamento pessoal / Binuclearidade familiar / Coparentalidade positiva e cooperante
  163. 163. PaPI- Pais por Inteiro Lamela, Castro, Gonçalves, & Figueiredo (2007) OBJETIVOS PROXIMAIS 1. Dar oportunidade aos pais de partilhar com outros pais que experienciam o divórcio, os seus atritos conjugais e interparentais, bem como as suas dificuldades no exercício da coparentalidade; 2. Gerir as emoções envolvidas na desvinculação ao ex-cônjuge; 3. Ajudar os pais na gestão do conflito interparental; 4. Envolver os pais num projeto de binuclearidade familiar; 5. Refletir e aprofundar as trajetórias individuais de cada pai – promoção do “Eu, como pessoa”; 6. Criar uma nova rede social de suporte.
  164. 164. PaPI- Pais por Inteiro
  165. 165. PROGRAMA BREVE “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA (Fariña, Arce, Seijo, & Novo, 2002) OBJETIVOS:  Eliminar ou minimizar os efeitos negativos decorrentes da separação nos pais e nos menores;  Promover uma adequada aliança coparental;  Diminuir a judicialização e o conflito na relação coparental;  Promover o adaptação de todos os membros da família à nova situação familiar.
  166. 166. PROGRAMA BREVE “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - PAIS SESSÃO 1  Explica-se o objetivo da intervenção tendo em conta o superior interesse dos filhos menores;  Informa-se sobre as formas de resolver judicialmente os conflitos: via contenciosa vs mútuo acordo;  Recomenda-se a mediação familiar. SESSÃO 2 • Direitos dos menores e Direitos dos pais
  167. 167. PROGRAMA BREVE “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - PAIS SESSÃO 3  Consequências e reações ao divórcio na família, especialmente nos filhos;  Guia de resolução de conflitos;  Consequências negativas: - Psicoemocionais - Comportamentais
  168. 168. PROGRAMA BREVE “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - PAIS SESSÃO 4  Ensina-se aos pais a comunicar aos filhos a decisão de se separarem ou a separação efetiva;  Avalia-se a possibilidade de intervenção técnica.  Programa de longa duração: - 16h // 2h // 1-2 semanas - Intervenção paralela com adultos e filhos
  169. 169. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - PAIS ADULTOS  Entrevista semiestruturada e instrumentos: - Despiste de problemas significativos de ordem psicoemocional; - Integrar o grupo.
  170. 170. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - PAIS SESSÃO 1: Introdução  Apresentação de conteúdos básicos;  Diferentes tipos de custódia. Custódia conjunta;  Mediação familiar;  Fomento da coesão grupal. SESSÃO 2: Estado psicológico dos pais  Promover e manter o ajustamento psicológico;  Diferentes etapas do divórcio e reações mais comuns;  Estratégias de coping.
  171. 171. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - PAIS SESSÃO 3: Colaboração parental  Redefinição de cônjuges a pais;  Facilitar as mudanças na relação interparental;  Benefícios de uma relação de colaboração e cooperação. SESSÃO 4 E 5:  Desenvolvimento e consequências pós-divórcio nos filhos;  Conhecer as reações em função da etapa desenvolvimental.
  172. 172. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - PAIS SESSÃO 6: Consequências negativas do conflito  Promover a comunicação aberta e assertiva;  Três estilos de comunicação e estratégias para uma adequada comunicação interparental. SESSÃO 7: Interferências parentais  Alienação parental e conflito de lealdade;  Consequências negativas nos filhos.
  173. 173. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - PAIS SESSÃO 8: Impacto de sobrecarregar os filhos  Sobrecarregar os filhos acelera a sua maturação e provoca problemas psicoemocionais e comportamentais;  Tipos: delegar funções parentais, usar os filhos como mensageiro ou espias, parentificação. SESSÃO 9: Fantasia de reconciliação  Informação ambígua;  Alternância entre períodos de convivência e separação;  Um dos pais não aceita a separação;  Responsabilidade do menor em unir os pais.
  174. 174. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - PAIS SESSÃO 10: Contacto de ambos os pais com os filhos  O valor da guarda e custódia conjuntas;  Aproximar as custódias unilaterais às custódias conjuntas. SESSÃO 11: Comunicação pais-filhos  Identificação de situações de conflito entre pais e filhos, estratégias de resolução de problemas e reforço da aprendizagem de competências de comunicação;  Importância da escuta ativa e do respeito mútuo;  Pai companheiro vs pai educador.
  175. 175. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - PAIS SESSÃO 12: Ajudar a adaptar os filhos à nova situação  Redefinição do papel dos pais;  Idade das crianças, nível de conflito, regime de visitas, separação d e irmãos, etc. SESSÃO 13:  Métodos de disciplina adequados  Promover um estilo educativo assertivo que atenda às necessidades educativas e desenvolvimentais da criança. SESSÃO 14: Responsabilidades e direitos  Superior interesse dos menores.
  176. 176. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - PAIS SESSÃO 15: Avaliação pós-intervenção  Entrevista aos pais SESSÃO 16: Manutenção e reforço dos conteúdos adquiridos e generalização
  177. 177. COM OS FILHOS PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA”
  178. 178. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - FILHOS SESSÃO 1: Apresentação do grupo  Criação de um ambiente de aceitação e segurança - coesão grupal;  Normas de funcionamento;  Psicoeducação. SESSÃO 2: Flexibilização do conceito de família  Apresentação de diferentes modelos familiares;  A separação como modelo familiar.
  179. 179. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - FILHOS SESSÕES 3, 4 E 5: Compreensão da separação e reações mais comuns  Disputar conceções erróneas e esclarecer sobre as reações mais comuns: medo do abandono, culpa e emoções negativas;  Identificação e expressão de emoções;  Técnicas de relaxamento. SESSÃO 6: Reforçar o autoconceito  Promover o fortalecimento do autoconceito e autoconceito familiar;  Autodescrições positivas, perceção da qualidades dos outros e a autoeficácia percebida;  Restruturação cognitiva.
  180. 180. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - FILHOS SESSÕES 7 e 8: Fantasia de reconciliação e aceitação da noa realidade  Análise, reflexão e disputa dos pensamentos irracionais vinculados ao sentimento de reunificação familiar;  Enfatizar os aspetos positivos da separação. SESSÕES 9 e 10: Competências de comunicação  Assertividade;  Competências sociais;  Escuta ativa e comunicação não verbal.
  181. 181. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - FILHOS SESSÕES 11, 12 e 13: Resolução de problemas  Definição e formulação do problema;  Gerar alternativas, pensar na solução, aplicar e avaliar;  Aplicação a problemas paterno-filiais neutros e relacionados com a separação. SESSÃO 14: Antecipação de mudanças  Mudanças mais frequentes na separação;  Introdução de situações comummente experienciadas, tais como viver em duas casas, menos tempo com um dos pais e a incorporação de novos membros na família;  Mudanças fora de controlo e foco nos aspetos positivos.
  182. 182. PROGRAMA EXTENSO “RUPTURA DE PAREJA, NO DE FAMILIA” - FILHOS SESSÃO 15: Avaliação pós-intervenção  Proposta psicoeducativa;  Reavaliação individual: entrevista e provas psicométricas. SESSÃO 16: Término do programa  Festa de encerramento.
  183. 183. “Crianças sem amor tornam-se, facilmente, adultos cheios de ódio…” R. Spitz
  184. 184. CASOS PRÁTICOS CASO 1- JOÃO (6 ANOS) CASO 2 – LUÍS (11 ANOS)
  185. 185. CASO PRÁTICO 1
  186. 186. CONSIDERAÇÕES INICIAIS  Intervenção com os pais;  Caráter preventivo, proactivo e promocional;  Orientação para a coparentalidade colaborativa;  Promover uma adequada binuclearidade familiar;  Minorar os fatores de risco e potenciar os fatores protetores;  Follow-up.
  187. 187. (CO)PARENTALIDADE POSITIVA INTERVENÇÃO COM OS PAIS DO JOÃO (6 anos)
  188. 188. ORIENTAÇÃO PARA A (CO)PARENTALIDADE POSITIVA FOCO E OBJETIVO GERAL: Fornecer aos pais conhecimentos específicos e promover estratégias para ajudá-los a lidar, adaptativamente, com a dissolução conjugal e a neste contexto, promover/manter o desenvolvimento equilibrado do(s) filho(s).
  189. 189. OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Desconstruir crenças erróneas do ex-casal em relação aos efeitos negativos do divórcio no(s) filho(s); b) Dar a conhecer aos clientes os diferentes regimes e modalidades do exercício das responsabilidades parentais (Lei nº- 61/2008, de 31 de outubro) e as potencialidades e riscos/exigências de cada um; c) Explorar áreas de acordo, desacordo e possíveis de negociação com o intuito de minorar o risco de conflito; d) Explorar com os clientes fenômenos que devem ser evitados na parentalidade (ex.: filho mensageiro, filho espião, parentificação, alienação); e) Convergir esforços para o exercício de uma coparentalidade colaborativa; f) Foco nos interesses dos filhos e não nos interesses individuais.
  190. 190. ESTRATÉGIAS E TÉCNICAS TERAPÊUTICAS 1. Psicoeducação - Modalidades e regimes de custódia/guarda - Fenómenos a evitar na parentalidade - Impacto do divórcio BIBLIOTERAPIA
  191. 191. ORIENTAÇÃO PARA A (CO)PARENTALIDADE POSITIVA Psicoeducação: “O divórcio legal e o divórcio psicológico”  Divórcio: compreender e desconstruir mitos;  (Re)conhecer mudanças familiares;  Informar sobre o impacto nos pais e nos filhos (de acordo com o nível desenvolvimental);  (Des)ajustamento pós-divórcio nos pais e filhos: fatores de risco e fatores protetores . Promover uma (CO)PARENTALIDADE COOPERANTE e recíproca nas decisões e cuidados prestados à criança  Benefícios da coparentalidade colaborativa / Responsabilidade parental;  Risco associado ao conflito interparental e a outros fenómenos (ex.: alienar, sobrecarregar, a ilusão de reconciliação, etc).
  192. 192. DESAFIO COPARENTAL E FAMILIAR A luta dos papás contra o chichi noturno do João!
  193. 193. INTERVENÇÃO COM OS PAIS O QUE FAZER? 1. Providenciar e enquadrar a informação sobre o divórcio  Realidade frequente em Portugal - cerca de um em cada dois casamentos termina em divórcio e, na maioria dos casos (67%), há filhos envolvidos neste processo.  Implica mudanças importantes no dia a dia da família e da criança, gerando insegurança e fragilidades.  Apesar de constituir uma situação de crise, o divórcio dos progenitores não provoca necessariamente perturbações nos filhos e nos próprios pais.  Uma rutura conjugal e não uma rutura parental, não devendo ameaçar o vínculo existente entre mãe-filho e entre pai-filho.
  194. 194. INTERVENÇÃO COM OS PAIS O QUE FAZER? 2. Esclarecer sobre o impacto nos filhos - Crianças mais novas, são mais imaturas nas suas estruturas cognitivas-emocionais e isso faz com que sejam menos capazes de avaliar realisticamente as causas, os processos e as consequências da separação. - Crianças mais velhas (>5 anos) são menos capazes de lidar com o divórcio, demonstram ansiedade, medo de ser abandonadas e centralizam a culpa pela rutura em si próprias. - Dar tempo a si próprios e aos filhos para lidar adaptativamente com o divórcio: demora em média 12 a 18/24 meses.
  195. 195. IMPACTO EM FUNÇÃO DA IDADE IDADE POTENCIAIS EFEITOS Crianças em idade pré- escolar (até aos 5 anos) - Egocentrismo - Desejabilidade parental - Dependência dos cuidadores  Não percebem os eventos que os rodeiam; desconhecem o significado das palavras separação e divórcio  A informação sobre o divórcio é assustadora e confusa.  Concetualiza as relações em função da presença física das pessoas, por isso temem o abandono e a rejeição.  Têm mais dificuldade em aceitar a irreversibilidade do divórcio e em desistir das fantasias de reconciliação.  Regressões desenvolvimentais.  Sentimentos de culpa e responsabilidade pelo divórcio  Experiência de luto (solidão, culpa, stress, tristeza) Crianças em idade escolar (6-11 anos) - Noção tempo e rotina - Capacidade empática e de adaptação  Compreendem os conceitos, porém podem experienciar dor ou ansiedade.  Sentem falta da família intacta e do progenitor com quem não vivem.  Experiência de luto e sentimentos de revolta, ansiedade e impotência.
  196. 196. INTERVENÇÃO COM OS PAIS O QUE FAZER? 3. Falar com os filhos sobre o divórcio - A falta de explicações ou a informação inadequada sobre a separação/divórcio pode provocar stress emocional e confusão cognitiva nas crianças (Chen & George, 2005). -As crianças observam os pais, percebem as expressões dos pais, o seu silêncio, ou as pausas na conversa. É impossível não comunicar. - A primeira coisa de que os mais pequenos se apercebem é de que já não desfrutam de contacto simultâneo com os pais. - Os pais não devem mentir aos seus filhos, mas também não lhes devem dar mais explicações que as necessárias. Dar informação realista adequada ao nível cognitivo e emocional. - O que precisam de saber é que os pais continuam a gostar deles e que vão estar sempre disponíveis para eles.
  197. 197. INTERVENÇÃO COM OS PAIS O QUE FAZER? 4. Criar uma atmosfera onde os filhos possam falar, fazer perguntas e expressar sentimentos - Dar oportunidades para expressarem tristeza, mágoa ou indignação; - Manter uma comunicação aberta e contínua; - Os pais devem estar conscientes de que os filhos reagem pela negação e pela ilusão de reconciliação. 5. Tornar o mundo dos filhos seguro, sólido e previsível - Garantir que vão continuar presentes na vida dos filhos; - Amor aos filhos vs amor entre os pais. - Dar informação realista e concreto sobre com quem vão viver, com que frequência vão conviver, mudanças na escola ou no infantário.
  198. 198. INTERVENÇÃO COM OS PAIS O QUE FAZER? 6. Fenómenos a evitar na parentalidade - Conflito interparental; - Judicialização da relação coparental; - Privar ou obstaculizar o contacto dos filhos com o outro progenitor; - Pedir para fazer escolhas ou tomar partido; - Instrumentalizar dos filhos (ex.: filho mensageiro e filho espião).
  199. 199. INTERVENÇÃO COM OS PAIS O QUE FAZER? 7. Consistência na imposição de limites e regras, rotinas, etc - Evitar gastos desnecessários e elevada condescendência; - Recorrer a estratégias disciplinares positivas; - Criar um ambiente ordenado, previsível e seguro.
  200. 200. INTERVENÇÃO COM OS PAIS O QUE FAZER? 8. Acordar/manter um regime de visitas que seja apoiado e respeitado mutuamente por ambos os ex-cônjuges - Preservar o vínculo emocional; - Para crianças mais velhas, o horário deverá ser mais flexível e resultar do seu envolvimento; - Para as mais novas - horário regular ; - Minimizar o conflito durante as visitas; - Os telefonemas devem ser frequentes e regulares.
  201. 201. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS/COMUNICAÇÃO/ESTILOS EDUCATIVOS ASSERTIVOS E CONSISTENTES A COPARENTALIDADE pode ser entendida como o processo através do qual pai e mãe coordenam os seus comportamentos parentais, se apoiam mutuamente no papel parental e partilham responsabilidades e tarefas educativas, dependendo em grande parte da CAPACIDADE DE COMUNICAR, COLABORAR E RESOLVER DESACORDOS.
  202. 202. INTERVENÇÃO COM OS PAIS O QUE FAZER? 1. Promover estratégias adequadas de resolução de problemas: - Identificação do problema: áreas de desacordo, acordo e negociação: “Qual a avaliação de cada um dos progenitores sobre os períodos de convívio entre o filho e o outro progenitor? “O que o/a preocupa quando o filho está com o outro pai?” “Existe algum problema (i.e. incumprimentos, atrasos, cuidados, práticas educativas) durante as visitas?” - Gerar alternativas através da técnica de brainstorming; - Competências de comunicação e negociação; - Plano Parental (ex.: práticas educativas, agenda de comunicação).
  203. 203. INTERVENÇÃO COM OS PAIS O QUE FAZER? 2. Promover uma comunicação positiva, assertiva, aberta, flexível e contínua entre a díade parental: - A importância de comunicar; - A impossibilidade de não comunicar; - Estilos e competências de comunicação; - Exprimir ideias, sentimentos e comportamentos; - Prevenir mal-entendidos.
  204. 204. CASO PRÁTICO 2
  205. 205. QUESTÕES DE PARTIDA  O menor parece alienado?  O comportamento de rejeição é realista?  Qual a hipótese [sistémica] explicativa da rejeição? Contribuições do alienador Contribuições do alienado Vulnerabilidades da criança
  206. 206. FORMULAÇÃO DE CASO  Conflito interparental (reiterada hostilidade e judicialização).  Envolvimento ativo e inadequado do menor no litígio interparental, mais especificamente, exposição do menor às desestruturantes dinâmicas subjacentes a uma coparentalidade conflituosa e judicializada.  O modo de funcionamento individual do progenitor concorre para a perpetuação da espiral de conflito e judicialização interparentais.
  207. 207. FORMULAÇÃO DE CASO  Dificuldades de regulação emocional ostentadas pelo menor precipitadas pela exposição prolongada às dinâmicas disfuncionais subjacentes a uma intensa litigância e judicialização coparentais.  O menor apresenta alguns sinais e sintomas de aliança patológica ao progenitor e ambivalência emocional face à progenitora.  O menor evidencia conflito de lealdade.  A separação física da mãe durante 5 meses contribuiu para o empobrecimento do vínculo materno-filial e para o comportamento ambivalente do menor.  A progenitora reporta desesperança e dificuldades em lidar com o comportamento de rejeição e oposição do filho.
  208. 208. FORMULAÇÃO DE CASO  O menor evidencia: - Manifestação desproporcional de raiva face à figura materna; as racionalizações exageradas, vagas ou triviais para a rejeição ou para o desejo de afastamento da progenitora; - Apoio incondicional ao progenitor em situações de conflito e que ultrapassa a mera afinidade com a figura paterna; e - Evocação ou decalque, pelo menor, de expressões, argumentos e verbalizações do progenitor, sendo este um importante indicador da sua sugestionabilidade e vulnerabilidade emocional atual.
  209. 209. FORMULAÇÃO DE CASO  Impossibilidade de estabelecimento de um quadro global de alienação parental (i.e., “programação cognitiva e emocional da criança por parte do pai contra a mãe”).  Os comportamentos de ambivalência ou rejeição emocional que o menor manifesta face à progenitora refletem a vivência de um conflito de lealdade, cuja causalidade ultrapassa, na sua complexidade, a “campanha” que a figura paterna possa estar a realizar contra a ex- companheira.
  210. 210. FORMULAÇÃO DE CASO: CONCLUSÃO  Qualquer que seja o contexto de desenvolvimento do menor, a sua estabilidade psicológica e emocional dependerá, em larga medida, da cessação do clima de excessiva litigância interparental e da capacidade manifestada por cada um dos progenitores para priorizar, efetivamente, o superior interesse do filho menor, exercendo uma coparentalidade, no mínimo, cordial e respeitosa entre si.
  211. 211. INTERVENÇÃO PROPOSTA  Mediação familiar (?) // Plano Parental [Tempos Parentais Paralelos];  Intervenção judicial e terapêutica;  RRP: promover um convívio mais frequente e equitativo com a progenitora, no sentido de enriquecer qualitativamente as vivências desta díade e, assim, fortalecer e consolidar/estabilizar o vínculo emocional positivo que, inequivocamente, perdura/subsiste nesta díade;  Intervenção no vínculo materno-filial (reaproximação e reunificação);  Intervenção individual terapêutica com o progenitor: funcionamento individual e capacidade parental;  Intervenção individual com a progenitora: psicoeducativa;  Intervenção individual com o menor: problemas de internalização e externalização; autocontrolo, resolução de problemas; reestruturação cognitiva.
  212. 212. Criança de 8 anos: "Mesmo quando têm os pais separados, os filhos precisam de ter os dois dentro do coração". Excerto de uma sessão com um menino de 10 anos de idade, filho de pais divorciados em conflito interparental: 'João': 'Não tenho conseguido dormir. Vou para a cama e fico a pensar como é que vou conseguir resolver tudo'. 'Tudo o quê?‘ 'Como é que vou fazer para mostrar à mãe que gosto dela sem que o pai perceba, e como é que vou mostrar ao pai que gosto dele, sem que a mãe perceba. Não quero que nenhum fique triste'.
  213. 213. Direitos da Criança no Divórcio (Emery, 2004) 1. Amar e ser amada por ambos os progenitores sem sentimentos de culpa ou desaprovação. 2. Ser protegida dos conflitos interparentais. 3. Ser mantida longe dos problemas e decisões, nomeadamente, do conflito de lealdades, de ser mensageiro ou de ouvir queixas sobre o outro pai. 4. Não ter de escolher um progenitor em detrimento de outro. 5. Não ter a responsabilidade de lidar com os problemas emocionais dos progenitores.
  214. 214. Direitos da Criança no Divórcio (Emery, 2004) 6. Saber de antemão mudanças importantes que irão afetar a sua vida (recasamento de um dos pais). 7. Receber apoio financeiro durante o seu crescimento e educação. 8. Ter sentimentos, expressar os seus sentimentos, e ter ambos os pais atentos a ouvi-la. 9. Ter um vida tão semelhante quanto possível da vida que teria se os seus pais permanecessem juntos. 10. SER CRIANÇA.
  215. 215. BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA  Aguilar, J. (2008). Síndrome de Alienação Parental. Filhos manipulados por um cônjuge para odiar o outro. Casal de Cambra: Caleidoscópio.  Antunes, C., Caridade, S., & Pereira, A. (2005). Avaliação dos processos de regulação do exercício do poder paternal. In Gonçalves, R. A., & Machado, C. (Coords.), Psicologia Forense (pp. 289-317). Coimbra: Quarteto.  Carr, (2014). Manual de Intervenção para Crianças e Adolescentes: Abordagem contextual (1ª Ed. Portuguesa). Braga: Psiquilíbrios Edições.  Emery, R.E. (2004). The Truth about Children and Divorce: Dealing with the emotions so you and your children can thrive. New York: Viking/Penguin.  Fariña, F., Arce, R., Seijo, D. & Novo, M. (en prensa). Intervención psicoeducativa con familias separadas. En L. Herrera (coord.) Intervención psicoeducativa: una perspectiva multidisciplinar. Granada: GEU  Fialho, A. J. (2012). Guia Prático do Divórcio e das Responsabilidades Parentais. Centro de Estudos Judiciários. Disponível em http://www.homepagejuridica.net/attachments/article/3197/Guia%20Pr%C3%A1tico%20do%20Div%C3 %B3rcio%20e%20das%20Responsabilidades%20Parentais.pdf
  216. 216. BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA  Pereira, A., & Matos, M. (2011). Avaliação psicológica das responsabilidades parentais nos casos de separação e divórcio. In Matos, M., Gonçalves, R. A., & Machado, C. (Coords.), Psicologia Forense: Contextos, práticas e desafios (pp. 311-347). Braga: Psiquilíbrios Edições.  Pereira, A., & Matos, M. (2008). As crianças, o divórcio e a regulação litigiosa do poder paternal. In Machado, C. & Gonçalves, R. A. (Coords.), Violência e vítimas de crimes - crianças (3ª Ed., vol. 2, pp. 275-299). Coimbra: Quarteto.  Ribeiro, M. (2007). Amor de Pai. Divórcio, Falso Assédio e Poder Paternal. Lisboa: Livros D’Hoje.  Ribeiro, M. S. (2007). As crianças e o divórcio. O diário de Ana. Uma história para os pais. Lisboa: Editorial Presença.  Sá, E., & Silva, F. (2011). Alienação Parental. Coimbra: Almedina  Sottomayor, M. (2002). Regulação do exercício do poder paternal nos casos de divórcio. Coimbra: Almedina.
  217. 217. OBRIGADA PELA ATENÇÃO!

×