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A igreja de jesus cristo

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A igreja de jesus cristo

  1. 1. A Igreja de Jesus Cristo- Uma Perspectiva Histórico-Profética A IGREJA DE JESUS CRISTO UMA PERSPECTIVA PROFÉTICA Por: ARCADIO SIERRA DÍAZ 1998 Traduzido pelos irmãos da cidade de Alegrete-RS Email para contato: paulo.s.a.o@hotmail.com HISTÓRICO- CONTEÚDO Prefácio Capítulo I - ÉFESO A carta a Éfeso-Panorâmica sobre o fundamento da Igreja-Uma igreja unida-O Reino de DeusO candeeiro-Uma Igreja cheia de amor-Os apóstolos-Primeiras Heresias: a) Ebionismo, b) Docetismo, c) Gnosticismo 25.-O Amor é sofrido e paciente-Éfeso desliza.-Os nicolaítas-Ouvidos Surdos-Recompensa para os vencedores-A continuidade apostólicaApêndice do Capítulo ICarta de Inácio aos Esmírnios Capítulo II - ESMIRNA A carta a Esmirna-Bebida Amarga-Ricos na pobreza-Sinagogas de Satanás-Hereges e heresias: a) Marcionismo, b) Sabelianismo, c) Montano e os montanistas, d) O maniqueísmo, 68.-As dez perseguições: 1) Nero, 2) Domiciano, 3) Antonino Pío, 4) Marco Aurélio, 5) Sétimo Severus, 6) Maximiano Traciano, 7) Décio, 8) Galio, 9) Valeriano, 10) Dioclesiano..-Constantino o Grande-O dano da segunda morte-Os Pais: a) Clemente de Alexandria, b) Orígenes, c) Gregório Taumaturgo, 81.-Escolas teológicas: a) de Alexandria, b) da Antioquía, c) da Ásia Menor, d) do Norte da África.Os apologistas: a) Cuadrato, b) Aristides, c) Epístola a Diogneto, d) Justino Mártir, e) Melitão, f) Apolinário de Hierápolis, g) Atenágoras, h) Milciades, i) Teófilo, j) Taciano, k) Minucio Félix, l) Hermias.-Os polemistas: a) Ireneu,b) Tertuliano.-Apêndice do Capítulo II: I. Martirio de Policarpo - II. Epístola a Diogneto CapítuloIII- PÉRGAMO A carta a Pérgamo-O trono de Satanás-Matrimônio com o mundo-A Igreja morando na terra-O edito de tolerância-A doutrina de Balaão-O caminho de Balaão-O terror de Balaão-Constantino o Grande-Consolidação dos nicolaítas-A Igreja chamada a cortar com o mundo-O asceticismo-Grandes exponentes da patrística: a) Eusébio de Cesaréia, b) Atanásio de Alexandria, c) Os Capadócios: Basílio o Grande, Gregório de Nissa e Gregório Nazianzo, d) Ambrosio de Milão, e) Jerônimo, f) João Crisóstomo, g) Agustinho de Hipo.-Heresias em Pérgamo: a) Donato e o donatismo, 143; b) Ario e o arianismo, 144; c) Apolinário e
  2. 2. o apolinarismo, 146; d) Pelagio e o pelagianismo, 146; e) Nestório e o nestorianismo, 148.-O maná escondido-Transição entre Pérgamo e Tiatira-Apêndice do Capítulo III - Editos imperiais Capítulo IV - TIATIRA A carta a Tiatira-Torre alta-Obras na apostasia-Mulher dominante-Babilônia a grandeRaízes do cesaropapismo-As fraudes pios e a feudalização do papado-O cesaropapismo no apogeu-Alguns paradoxos do papado romano-A coroa pontifícia-O clero-A inquisição-O Índice-Os Jesuítas-Escolasticismo: a) Anselmo, b) Abelardo, c) Hugo de São Víctor, d) Pedro Lombardo, e) Boa aventura, f) Alberto Magno, g) Tomás de Aquino, h) João Duns Escoto, i) Guilhermo de Ocam.-As indulgências-A condição de Tiatira não melhorará-O juízo da grande prostituta-O remanescente de Tiatira-O ladrilho e a pedra-Os vencedores de Tiatira-Os pré-reformadores: a) Francisco de Assis, b) Pedro de Bruys, c) Henrique de Lausana, d) Arnaldo de Brescia, e) Os Valdenses, f) os Cátaros, g) os Albigenses, h) John Wycliffe, i) John Huss, j) Jerônimo Savonarola.Apêndice do capítulo IV - Doação de Constantino Capítulo V - SARDES A carta a Sardes-Os refugiados de Tiatira-Começa a restauração da casa de Deus-Lutero e a Reforma-As indulgências para São Pedro-O conflito com Roma-A Dieta de WormsAs obras imperfeitas de Sardes-A origem das “igrejas nacionais”: a) Na Alemanha, b) Na Suiça, Ulrico Zwinglio, João Calvino, c) Na França, d) Na Escócia, e) Na Inglaterra.-A paz de Westfalia-Como ladrão na noite-As grandes denominações: a) Anabatistas, b) Menonitas, c) Puritanos, d) Batistas, Carlos H. Spurgeon, e) Quaquers, f) Presbiterianos, g) Metodistas, Jorge Withefield, João Wesley, David Livingstone.Ecumenismo-Vestidura sem mancha-Os vencedores de Sardes-Pietismo-Apêndice do capítulo V: I. Taxa Camaræ. II. As 95 Teses de Lutero. III. As teses do Arminianismo vs. Calvinismo Capítulo VI - FILADÉLFIA A carta a Filadélfia-Amor fraternal-Uma porta aberta-Precursores da restauração-A história moderna de José-Quatro características judaizantes: 1. O sacerdócio intermediário - 2. O código escrito - 3. O templo físico - 4. As promessas terrenas-A hora da prova-Os IrmãosJohn Nelson Darby Benjamin Wills Newton-A coroa de Filadélfia-Colunas no templo-A restauração na China-Watchman Nee-Na AméricaResumo do capítulo VI: Testemunho dos irmãos Capítulo VII - LAODICÉIA A carta a Laodicéia-O juízo do povo-Filadélfia degradada-A igreja tíbia-A desventura
  3. 3. da jactância-Ouro refinado no fogo-O Senhor castiga aos que ama-O Senhor está à porta-Os vencedores de Laodicéia-EpílogoBibliografia
  4. 4. PREFÁCIO Antes do final do primeiro século da era cristã já haviam igrejas locais em muitas cidades de algumas das nações aldeãs da bacia do Mediterrâneo, como Judá, Samaria, Galiléia, Síria, Grécia, Macedônia, Egito e o norte da África, Roma, nas regiões da antiga Mesopotâmia, Média; mas sobre toda a Ásia Menor; e o curioso é que de todas elas o Senhor quis escolher preferencialmente as sete, no tempo em que o apóstolo João foi confinado na ilha de Patmos, a fim de estampar em várias cartas as profecias referentes ao curso da história que eventualmente viveria a Igreja de Jesus cristo, e o que João registra magistralmente nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse. Em certa forma, o profundo conteúdo profético das sete cartas vem sendo subestimado, e daqui o desconhecimento que, sobre o particular, vem atrapalhando o entendimento do que é a Igreja de Jesus cristo, em seu sentido escritural e verdadeiro. Essas sete igrejas foram escolhidas na Ásia Menor como protótipos de setes diferentes períodos proféticos da história da Igreja, de tal maneira que as características locais e históricas de cada uma delas nesse tempo, simbolizam o desenrolar de determinado período profético de toda a Igreja nesta era até que o Senhor regresse, tema que queremos abordar panoramicamente no presente estudo histórico-profético e arquetípico. Nas sete cartas encontramos a história completa da Igreja até o fim desta era. Tenhamos em conta que o Apocalipse é um livro eminentemente profético, e que as sete cartas de Apocalipse são sete profecias (Compare Apocalipse 1:3 e 22:18).quando dizemos a Igreja, de nenhuma maneira nos referimos a alguma das organizações religiosas históricas, quando infundavelmente pretendam exibir títulos de legitimidade apostólica ou reclamem direitos sucessórios e de Antigüidade, ostentem o nome que ostentem, pois a Igreja de Jesus cristo não se confunde nem se identifica com nenhuma das organizações religiosas terrenas, mesmo que dentro de algumas dessas organizações cristãs haja povo de Deus. O Senhor jamais teve o propósito de criar uma organização hierárquica com cobertura imperial, mundial, nacional, ou provincial; não! Se essa fosse a realidade, seguramente que ele se houvesse dirigido a essa organização e a sua “representação visível”. O Senhor se dirigiu a sete igrejas representativas e tipológicas, em várias localidades da Ásia Procônsular. O que geralmente se é chamado cristianismo, envolve certo grau de imprecisão quanto à compreensão da verdadeira Igreja do Senhor. Tanta imprecisão encerra o termo “cristianismo”, que dentro de suas corrompidas estruturas religiosas, acontecem a maiores divisões, surpreendentes ódios, guerras, perseguições e contradições; não obstante, na comunidade cristã, Deus tem suscitado homens e mulheres aos quais tem revelado Sua vontade, lhes tem dado luz e lhes guia para seu momento histórico-profético e seu ambiente cultural, com visão da edificação da unidade de Seu Corpo.Em cada época da marcha da humanidade, Deus trabalha para que surja uma perspectiva nova, novos acontecimentos são acrescidos, de acordo ao período profético que corresponda, porque Deus é também o Senhor da história, pois está estabelecido que da história da Igreja de Jesus Cristo nada pode por o ponto final. Não é nossa intenção expor os feitos somente abaixo da perspectiva histórica, senão também e com maior consolidação desde o ponto de vista profético, porque não nos limitamos a separar o acontecer histórico, senão que nossas raízes bebem as águas Límpidas da Palavra de Deus, a qual é eminentemente profética, eterna e verdadeira, digna, além disso, de toda confiança. A Palavra de Deus é imutável, infalível e não está sujeita a modificação; disto não há de se ter a menor dúvida. Os princípios bíblicos
  5. 5. estão vigentes como o primeiro dia, não obstante que na história têm sido obscurecidos pelas tradições eclesiásticas da cristandade professante. Os princípios bíblicos são subestimados em altares da prosperidade material, poder temporal e o reconhecimento dos homens. Do futuro, o historiador não pode oferecer mais que conjecturas; em troca o profeta de Deus está seguro e convencido dos planos e propósitos do Senhor, para todos os tempos. Que o diga um Daniel na Babilônia, um Jeremias em Jerusalém e um João em Patmos. Mas devemos ser justos ao declarar que a história e a profecia se entrelaçam, pois Deus tem um plano profético para a história, plano que têm sido revelado com luxo de detalhes ao largo de toda Sua Palavra.A encarnação do Verbo de Deus e a obra de Cristo na cruz são os acontecimentos históricos mais importantes para a Igreja, e durante os quatro primeiros séculos desta era se consolidou o registro canônico desses feitos, mas o processo de entendimento da Igreja acerca da revelação divina, incluídos esses feitos tão importantes, não teve o suficiente desenvolvimento em sua oportunidade, senão ao contrário, sofreu sérios retrocessos no curso da história, e com o tempo a Igreja perdeu algumas coisas que recebeu no depósito, tratando a sua vez de justificar essa perdida suplantando os princípios de Deus com argumentos de fatura humana. Mas Deus ia permitir que todos se perdessem? De maneira nenhuma. O Senhor vem trabalhando para que todo o perdido se recupere e se leve à prática da Igreja, o fruto do pleno entendimento de todo o depósito de Deus. A história do cristianismo corre paralela com a da humanidade; porém, mais que a história do cristianismo, é nosso interesse ir atrás dos contos do reino de Deus. Visto abaixo a perspectiva da Igreja do Senhor, o qual não se pode lograr senão com os olhos de quem é nascido de novo, porque o reino de Deus não é deste mundo, e não pode ser reconhecido pelos deste mundo, mesmo quando está diante de seus olhos. Não importa que se trate de um leigo ou um intelectual, um doutor em teologia, ou alguém que represente os interesses da cristandade nominal em qualquer de suas facções. Para ver o reino de Deus é requisito indispensável pertencer a ele. O evangelho nos diz que Jesus regozijou no espírito por esta realidade, e por isso disse ao Pai: “ Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” (Lucas 10:21). Chegou o momento em que os sábios deste mundo intentaram tomar o controle e o governo da Igreja de Jesus pela supremacia de sua sabedoria, mas Deus enlouqueceu a sabedoria deste mundo, para que nada por meio dessa sabedoria enlouquecida pudesse chegar a Deus, senão por meio do que os sábios, intelectuais e filósofos desta era tratam de descartar apelidando-o de loucura, isto é, o evangelho e verdadeiro propósito de Deus com o homem e a criação, o qual nos revela a autêntica sabedoria de Deus, Seu Filho Jesus Cristo.Não é o propósito do presente trabalho abundar em datas e detalhes históricos, senão apenas os suficientes para demonstrar o cumprimento histórico da palavra profética. Para o mundo greco-romano e sua interpretação filosófica, a história não era mais senão uma série de ciclos repetitivos moldurados em um destino incerto e por determinação da cega sorte, como uma tediosa e pessimista maneira de ver o destino humano. Em contraste, para o cristão a história começa em Gênese com a criação do homem pela mão de Deus, e há de continuar conforme os parâmetros traçados na Palavra de Deus, até que se cumpra a triunfal consumação de tudo, e o governo de Deus tenha sua expressão milenar, dando-lhe assim um significado diferente à história. Quando eventualmente ocorrer o fim da história, haverá amanhecido para a Igreja.
  6. 6. I - Éfeso ( 1ª Parte ) ÉFESO (1ª. parte) SINOPSE DE ÉFESO Panorâmica sobre o fundamento da Igreja -A encarnação do Verbo de Deus - Seu ministério terreno com Seus discípulos - Sua paixão, morte, ressurreição, ascensão e vinda do Espírito Santo em Pentecostes. A Igreja primitiva Os sete candeeiros de ouro dos finais do primeiro século - O Corpo de Cristo unido em sua expressão local: uma só assembléia em cada cidade - A aparência do reino dos céus. Fundamentos legítimos e fraudulentos Os apóstolos: Os verdadeiros e os falsos - Primeiras heresias: Ebionismo, docetismo, gnosticismo - As primeiras perseguições. O começo do deslize Decai o primeiro amor - Os ágapes se contaminam - Aparição das obras dos nicolaítas - Raízes do clericalismo. Os vencedores de Éfeso Primeira recompensa: comer da árvore da vida. A CARTA À ÉFESO "A o anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: 2 Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos; 3 e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer. 4 Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. 5 Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas. 6 Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio.
  7. 7. 7 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.” (Apo. 2:1-7).*(1) Panorâmica sobre o fundamento da Igreja A antiga cidade jônica de Éfeso estava situada na costa oriental do mar Egeu, e chegou a ser a próspera capital da província romana da Ásia Menor, nos tempos em que o Senhor quis que fosse marco privilegiado da obra missioneira da equipe apostólica de Paulo. Nesta bela cidade havia um famoso porto, pois se tratava de um centro comercial da região. Ali se encontrava uma das sete maravilhas do mundo antigo, o Artemisão, o templo da plurimamaria Ártemis( Diana), a grande deusa da fecundidade da Ásia Menor, muito estimada pelos efésios, de acordo com o contexto de Atos 19:23-41. Por isso era chamada esta cidade “Guardiã do Templo”. A cultura desta importante cidade antiga era a herança indiscutível do mundo grecoromano da época. Cada um dos nomes gregos destas localidades refletia a condição espiritual da respectiva igreja. Se diz que o significado de Éfeso é “desejo ardente, desejável”, o que tem haver com o que ao final do período primitivo a Igreja mesmo era desejável para o Senhor; também significa “soltar”, assim como “afrouxado” ou “descansado”, aspecto que tem muito haver com essa característica de haver deixado, a igreja do Senhor na localidade de Éfeso, seu primeiro amor. No matrimônio costuma ocorrer isso. Nos interessa muito esse vivo retrato que nos faz João das condicões reais e históricas do candeeiro na localidade de Éfeso, porque ali vemos tipificadas as peculiaridades do final do primeiro período profético, dos sete que caracterizam à Igreja de Jesus Cristo, nos eventos compreendidos entre a gloriosa ressurreição do Senhor e Seu segundo advento. Porém mais que o aspecto local da igreja como casa de Deus, nesta perspectiva histórico-profética nos interessa enfocar as prefigurações das distintas etapas do vital desenvolvimento do Corpo de Cristo. A seu passo pelos séculos nos anais de nossa era, incluídos seu nascimento, seus sofrimentos, seu cativeiro, e os passos que têm vindo dando o Senhor para a restauração total da expressão da unidade de Seu Corpo. Com freqüência vemos na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento, que feitos reais e históricos alegorizam e tipificam situações, feitos, condições e sentidos mais profundos e espirituais, no marco dos propósitos eternos de Deus. *(1) O Apocalipse foi escrito nos tempos do imperador Domiciano, ao redor do ano 95 d.C. Em que se radica a importância de estudar a Igreja do Senhor em sua etapa primitiva? Que interesse pode ter para nós conhecer a “gênese” da Igreja depois de vinte séculos? Muito e em grande maneira, porque por meio desse conhecimento podemos compreender melhor a perfeita vontade de Deus para com Sua Igreja; a natureza da Igreja, sua autêntica e original estrutura, características, governo, metodologia, condições muito diferentes das atuais, pois com o correr do tempo o homem determinou esquecer-se, apartar-se, deixar as normas, diretrizes e exemplos estabelecidos por Deus em Sua Palavra, muitas vezes desconhecendo-os, ignorando-os ou deturpando-os; como se o livro dos Atos houvesse perdido vigência. A igreja primitiva, conforme se desenvolve no livro dos Atos, é o patrão ou modelo de Deus para Sua Igreja, válido para todos os tempos. É uma falácia pensar que as normas da Igreja de Jesus Cristo devam mudar e ajustar-se a determinadas mudanças cronológicas, e que hoje haja que estudar e por em prática novas estratégias introduzidas pelo engenho humano, como se o
  8. 8. modelo autêntico e original de Cristo para Sua Igreja já fosse anacrônico para os tempos que vivemos. Toda vez que o Senhor nos da a oportunidade de conhecer melhor a verdadeira e normal Igreja de Cristo, podemos apreciar em sua justa medida a forma em que os homens se afastaram dela.O primeiro período profético da Igreja do Senhor, com seus sub-períodos apostólico e pós-apostólico, começa quando o Senhor da suas últimas instruções no Monte das Oliveiras depois de Sua ressurreição, e ascende ao Pai afim de enviar o Consolador que havia prometido, período que culmina ao finalizar o primeiro século da era cristã, nos tempos em que o ancião apóstolo João finalizara sua escritura do livro de Apocalipse na ilha de Patmos. Uma vez acontecida a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja no dia de Pentecostes, se cumprem as palavras do Senhor de que estaria sempre com a Igreja, guiando-a, ensinando-a, transformando-a, enchendo-a de poder e sabedoria, e é assim como aqueles humildes pescadores foram guiados por Deus desde Jerusalém a transtornar o mundo inteiro. Deus, desde toda a eternidade, desde antes que o mundo fosse, tem Seus propósitos com a criação, com a terra em particular, e especialmente com o homem, e esses propósitos os têm em Seu Filho Unigênito. A Palavra de Deus diz que Deus nos escolheu em Cristo desde antes da fundação do mundo, para que fossemos santos e sem mancha diante dele, para que se cumpra em nós esses propósitos, para qual fomos predestinados. Quais propósitos? O Pai fez a criação para Seu filho e se propôs reunir todas as coisas em Cristo, e nós temos sido predestinados para que fossemos feitos conformes à imagem de Cristo. Todos os escolhidos estão chamados a conformar a Igreja, a qual é também o Corpo de Cristo, e Ele é a Cabeça. A Igreja de Jesus Cristo é assim mesmo o verdadeiro templo de Deus, e para isso foi criado o homem, para que conheça a Deus, o represente; para que Deus se incorpore no homem por Seu Espírito e, como Igreja, o homem o expresse. Também o homem foi criado por Deus visando a preparação de uma esposa para Seu Filho, a qual será levantada sem mancha nem ruga (cfr. Efésios 1,3,4,5; Romanos 8:29,30), ou seja, gloriosa e limpa de todo contágio do velho homem . Por meio da obra de Seu Amado Filho, Deus quis dispensar-se ao homem; Tem sido Seu desejo e propósito entregar a Si mesmo ao homem corporativo, para ser contido primeiro pelo homem, esse ser tripartido, criado por Deus dotado de espírito, alma e corpo, e logo ser expressado corporativamente pela Igreja. A Igreja estava no plano de Deus antes da criação do homem. O Filho, chegado o tempo determinado pelo Pai, veio a esta terra e se encarnou por obra do Espírito Santo em Maria, uma humilde virgem hebréia da família de Davi, e para ele por sua própria vontade tomou forma de servo, esvaziando-se, despojando-se, despindo-se de todas Suas prerrogativas como Deus; o que se chama no grego a kenosis; assumindo assim as limitações inerentes à humanidade, como verdadeiro homem. Com esse desconcertamento, Cristo se submeteu a uma condição de inferioridade. E assim viveu e cresceu, em obediência ao Pai, em Nazaré da Galiléia, quando o César Tibério Augusto reinava sobre todos os domínios do Império Romano, aquela quarta besta sanguinária e terrível, espantosa em grande maneira, que havia sido revelada a Daniel por Yahveh em visões nos tempos do cativeiro babilônico (cfr. Daniel 7:7,19-23).Chegado o momento, à idade de trinta anos foi batizado no Jordão; logo chamou a seus discípulos, dentre os quais escolheu doze, aos que também, chamou apóstolos. Mas o curioso é que para essa escolha não necessariamente teve-se em conta a classe sacerdotal de sua nação; não consultou o assunto com o sumo sacerdote, senão com Seu Pai; não escolheu seus imediatos colaboradores dentre a tribo de Levi e a família de Arão, senão que se foi à beira do mar de Galiléia e chamou primeiro a quatro pescadores de profissão, a Simão a quem chamou Pedro e a seu irmão André, filhos de Jonas; em Betsaida, Galiléia; a
  9. 9. João e a Tiago (chamado o Maior), filhos de Zebedeu e Salomé, naturais também de Betsaida, a quem encontrou remendando as redes, e lhes disse que desde esse momento seriam pescadores de homem, e quem mais tarde receberam de Jesus o nome de “filhos do trovão”. Depois chamou a Felipe, natural de Betsaida; a Bartolomeu, também chamado Natanael; em Cafarnaum convidou a segui-lo a Mateus, chamado também Levi, um cobrador de impostos na Judéia por conta dos romanos; a Tomé ou Dídimo, quem mais tarde duvidou do acontecimento da ressurreição do Senhor até que o viu e tocou Suas chagas; a Tiago (chamado o Menor) filho de Cleófas e Maria (prima da mãe de Jesus); a Judas chamado Tadeu; a Simão chamado Zelote ou Cananeu, e a Judas Iscariotes, filho de Simão, natural de Kariot, quem era o administrador dos fundos do grupo do Senhor e o qual mais tarde chegou a trair-lhe. Com a companhia íntima desse reduzido grupo, e seguido muitas vezes por outros discípulos e uma grande multidão, Jesus pregou as boas novas do evangelho do reino de Deus; para ao longo de três anos e meio ser julgado pelas autoridades políticas e religiosas tanto de sua nação como da potência dominante em Jerusalém e ser crucificado no monte Cálvario ou da Caveira, nos arredores da cidade, onde derramou Seu sangue e ofertou Sua vida pela Igreja. Ao terceiro dia ressuscitou, sendo o primeiro dia da semana se levantou da tumba, e depois de transcorrer quarenta dias, ascendeu aos céus, ao trono do Pai e enviou o Espírito Santo, o Consolador, como havia prometido, feito ocorrido no dia da festa dos judeus chamada de Pentecostes ou qüinquagésima e que no tempo do Antigo Testamento era conhecida como a festa das semanas ou da sega dos frutos da terra, de modo que o Consolador desceu com poder sobre a Igreja apostólica cinqüenta dias depois da ressurreição do Senhor, e esses 120 irmãos que estavam reunidos representavam as primícias da sega de Cristo, aos quais Eles entregavam as primícias do Espírito, provas de nossa herança celestial. Esse dia de Pentecostes ocorreu a fins da primavera do ano 30 d.C., no qual o Espírito Santo veio a dar-lhe à Igreja a vida mesma de Cristo. Nesse primeiro Pentecostes da Igreja começou o povo de Deus a recolher uma grande colheita, e esse labor mesmo não há terminado, pois esse glorioso Pentecostes que havia sido preparado e prometido, também se têm prolongado, porque o Espírito Santo sempre têm estado habitando na Igreja, começando pelos apóstolos do Senhor Jesus, até o mais humilde servo de Cristo que habite nesta terra nesses dias. Uma Igreja unida Assim como Gênesis é o livro dos princípios, onde se semeia as sementes da revelação divina, Apocalipse é o livro da consumação de todas as coisas; um livro profético por antonomásia onde o Senhor descobre o véu dos acontecimentos finais, pois precisamente o termo apocalipse significa tirar o véu, revelação, a revelação de Jesus Cristo, verdadeiro autor e objeto deste maravilhoso livro. Seus primeiros três capítulos se destacam e se diferenciam devido a que tratam acerca das sete cartas que o Senhor ordena a João que escreva à igrejas históricas de igual número de localidades na Ásia Menor. A primeira é dirigida a Éfeso:” A o anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro::” (Ap. 2:1).Ainda que a carta está dirigida ao anjo da igreja da localidade de Éfeso, no entanto, é também para a igreja, para todos e cada um dos crentes do Senhor, e as demais para cada igreja constituída nas diferentes cidades e aldeias de muita parte do mundo greco-romano. Nesse tempo o corpo do Senhor era expresso em uma perfeita unidade e comunhão espiritual em cada localidade onde houvessem redimidos pelo precioso sangue do Senhor. Os santos não se haviam dividido em
  10. 10. seitas separatistas frutos da carnalidade. Isso se sucedeu em séculos posteriores, e é o que o Senhor está corrigindo na época presente. Não importa que os homens se oponham a este trabalho de restauração do Senhor. O edifício deve ser construído conforme o modelo de Deus. Quem é o anjo da igreja local? Não há entre os exegetas um acordo sobre o particular. Diz John Nelson Darby: “O anjo é o representante místico de alguém que não está presente na cena. Assim pois, esta palavra sempre é empregada mesmo nos casos quando não se trata, de uma maneira positiva, de um mensageiro celeste ou terrestre. O vemos nas expressões ‘O Anjo de Jeová’, ‘seus lhes’ (falando dos meninos), ‘o anjo de Pedro' ”. (John Nelson Darby. Estudo sobre o Livro de Apocalipse. A Boa Semente, 1988. Pág. 31). Este mesmo ponto de vista o vemos na seguinte exposição de F. F. Bruce: "Os anjos das igrejas devem se entenderem à luz da angeologia do Apocalipse -não como mensageiros humanos ou ministros das igrejas, senão como celestial contraparte ou personificação das diversas igrejas, cada um dos quais representa a sua igreja no aspecto em que se faz responsável da condição e conduta da respectiva igreja-. Podemos compara-los com os anjos da nações (Daniel 10:13,20; 12:1) e de indivíduos (Mateus 18:10; Atos 12:15)”. (F. F. Bruce (Revelation, en A Bible Commentary for Today, Pickering and Inglis, 1979, pág,1682). Citado por Matthew Henry, em seu comentário Bíblico). A carta, a envia o Senhor; João é apenas um escrevente neste caso. A cada uma das igrejas se apresenta na forma diferente, identificando-se de acordo com a condição de cada uma. A Éfeso escreve, o que tem as sete estrelas em sua destra, e anda no meio dos sete candeeiros de ouro; é o Senhor Jesus Cristo mesmo dizendo à igreja que Ele tem em Suas mãos as rédeas de Sua Igreja, tem total autoridade e controle sobre a Igreja, à qual governa, guia, exorta, alimenta, dá vida, corrige, constrói, alenta, com Sua única potestade. O Senhor sujeita firmemente as sete estrelas, em sinal de que é dono e senhor das igrejas; passeia no meio dos candeeiros, em sinal de constante vigilância. Como a lua alumia com a luz solar, a igreja alumia na escuridão da noite com a luz do Senhor, e Ele tem também estrelas em Sua destra, anjos celestiais, que ajudam à Igreja. Essas estrelas também simbolizam os irmãos espirituais que tem a responsabilidade do testemunho de Jesus. Estamos nas seguras e poderosas mão do Senhor; o Senhor cuida de Sua Igreja; isso significa que nada pode nos arrebatar de Sua destra. O Senhor Jesus não pode estar menos senão no meio da Igreja, o Sumo Sacerdote sempre presente nela, porque sem Ele não pode existir Igreja, e isso é muito alentador. A Igreja é Sua morada e também Seu Corpo e Ele é o Cabeça, e, por tanto, está inteirado permanentemente de todos os eventos em todos os lugares, tanto no tempo como no espaço. É responsabilidade da igreja local dar testemunho do Senhor Jesus pelo Espírito Santo ante os homens, para que os homens conheçam a Deus pelo testemunho da igreja. O testemunho e a expressão de Jesus é a Igreja, e Cristo é o Testemunho de Deus. Mas tenha-se em conta que a Igreja universal se expressa nas igrejas locais. João nos disse que o Senhor Jesus Cristo é Deus, quando afirma que “ Também sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. “ (1 João 5:20). Mas desde sempre o diabo vem querendo desvirtuar a pessoa do verdadeiro Jesus, e mesmo na atualidade, muitas pessoas, movimentos, organizações, doutrinas e diversas escolas de opiniões, pregam a um Jesus diferente ao que pregaram João e o resto dos apóstolos. Nos tempos em que andava com seus discípulos, um
  11. 11. dia lhes perguntou: “ Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem?14 E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas”. (Mateus 16:13,14). Além disso, algumas pessoas tiveram a Jesus simplesmente como o filho do carpinteiro do povoado; outros o tinham como um agente de Belzebú, príncipe dos demônios. Hoje é diferente a visão? É pior; aumenta a gama de diferentes Jesus.Há pessoas que se inclinam por chama-lo o filho de Maria, alguns os têm por um grande político, mas Jesus nunca quis ter nada haver com métodos políticos, e jamais se enredou nos negócios deste mundo. Outros tem proclamado que foi o primeiro comunista, ou um guerrilheiro da linha dos zelotes; outros o têm localizado no extremo oposto afirmando que foi um integrante da seita dos essênios; e mesmo outros querem capitalizar dizendo que Jesus foi um espiritualista ou grande mestre gnóstico, que adiantou estudos esotéricos na Índia ou no misterioso Egito. Mas, além de João, Pedro também recebe revelação do Pai, quando proclama, dizendo ao Senhor: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt. 16:16). O Reino de Deus Lemos em Mateus 6:10: " venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; ". O que significa isto? Desde a queda do homem no Édem, na terra deixou de se fazer a perfeita vontade de Deus, pois o homem entregou a soberania da terra a Satanás ao obedecerlhe; e os filhos da desobediência, a descendência adâmica seguiram a corrente deste mundo; corrente que não é segundo Deus, e sim conforme Satanás, o espírito rebelde, o qual usurpou o que era de Deus. Desta maneira a vontade de Deus não pode realizar-se assim na terra como no céu. E precisamente o Verbo de Deus foi encarnado, entre outras coisas, para trazer o domínio celestial à terra. Adão perdeu o domínio, e Cristo, o novo Adão, veio recobrá-lo, como verdadeiro homem, de conformidade com a econômia de Deus; e então seja feita a vontade de Deus na terra como no céu. O senhor Jesus é o novo Rei! Seus seguidores, os que têm vencido já vivem a realidade atual do reino dos céus. De maneira que se amamos esse estabelecimento do reino dos céus na terra, devemos orar que se manifeste primeiramente em nossa pessoa, e em segundo lugar em toda a terra, até que a terra seja completa e totalmente recobrada para Deus e Seu Cristo, e que se faça a perfeita vontade de Deus em toda a terra.Diz a Bíblia que "Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho." (Mar. 1:14,15). A expressão reino de Deus não significa exatamente o mesmo que reino dos céus, pois o reino de Deus é o reino no sentido amplo, desde a eternidade até a eternidade, e o reino dos céus é apenas uma parte, a que se inicia com a Igreja no dia de Pentecostes e que compreende a era da Igreja e do milênio. Para entrar no reino de Deus têm que nascer de novo; é a regeneração (João 3:3,5); em troca para participar do reino dos céus, há de se cumprir certos requisitos proclamados pelo Rei no sermão do monte. Antes da vinda de João Batista, o reino dos céus não havia chegado. Os cidadãos do reino dos céus se caracterizam fundamentalmente por serem pobres de espírito, porque a Palavra de Deus diz que deles é o reino dos céus. Jesus começou sua pregação dizendo que o reino de Deus havia acercado; ou seja, o poder de Deus já estava se manifestando sobre os homens, porque quando Cristo veio o trouxe consigo, e os demônios estavam sendo privados de seu mortal poder sobre os homens. Mas o que não nasce de novo, quem não houver experimentado a regeneração espiritual, quem não houver recebido a vida
  12. 12. de Deus em seu espírito pela obra redentora de Cristo e pela ação do Espírito Santo, não pode perceber o reino de Deus, não pode entrar e pertencer a ele; nem sequer vê-lo, porque não é uma instituição visível, senão uma possessão interior, em sua manifestação atual. O atual aspecto do reino de Deus é a Igreja. "Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós. " (Lucas 17:20-21). Não é possível confundir nem identificar o reino de Deus com nenhuma organização eclesiástica; pois mesmo que já é uma realidade, entretanto, é assim mesmo uma esperança para a idade futura, o reino milenar, no qual Cristo e os crentes vencedores reinarão sobre todas as nações. De acordo com a escala de valores, o mundo se interessa pelas coisas materiais, as riquezas, as possessões, o conforto, o luxo, os festivais patronais, o supérfulo; mas, por contraste, o Senhor diz que é tão importante o reino dos céus, que nossa ânsia deveria concentrar-se em buscá-lo primordialmente, antes que ao vestido, a comida, por mais essênciais que sejam em nosso diário existir. Diz a Palavra de Deus que uma pessoa não têm começado realmente a viver e a possuir vida eterna e abundante, enquanto não pertença ao reino de Deus. Para ver o reino de Deus é necessário estar localizado em certa posição, em uma perspectiva espiritual adequada; há crentes que não têm ajustado essa posição e sua visão é confusa.Como se caracterizam os que pertencem ao reino de Deus? Para comprendê-lo melhor podes estudar todo o Sermão do Monte, nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho segundo Mateus, e em especial nas bemaventuranças. O Sermão do Monte descreve a atual realidade do reino dos céus, que está em nós. Alguns mistérios concernentes ao reino de Deus, os encontras nas sete parábolas de Mateus 13. Essas parábolas descrevem a aparência do reino dos céus; aspecto que se cumpre no cristianismo nominal atual. A Palavra que proclama o reino e é semeada no coração dos homens; o enfrentamento entre as duas sementes: a da mulher, Jesus, e a da serpente, o trigo e o Joio; em um desemvolvimento anormal da apariência do reino, começa como a mais pequena das sementes e se converte em uma árvore grandiosa onde se aninham as aves do céu. É um tesouro escondido, ou uma pedra preciosa e excepcional, que para adquiri-la o Senhor vende tudo o que tem e na cruz compra a terra, a redime, para obter este tesouro, a Igreja, para o reino; e ao final haverá uma separação entre os homens, entre os maus e os justos para a possessão do reino de Deus, o qual é de grande gozo. Para entender estas parábolas há de se levar em conta que a Igreja de Jesus Cristo jamais estará composta pela maioria do mundo, senão por um pequeno remanescente redimido; e mesmo dos redimidos, só participarão do reino milenar os vencedores. Em todas as raças da terra, incluindo os judeus, os autênticos seguidores de Deus e de Seu Cristo sempre tem sido uns poucos. O Senhor chama a Sua Igreja de, pequeno rebanho. "Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino." (Lucas 12:32).O mundo esta em aberta oposição ao reino de Deus, devido a que o mundo inteiro esta no maligno. Uma pessoa que segue a corrente do príncipe deste mundo não pode possuir o reino de Deus, a menos que seja através de um novo nascimento; saindo do mundo e de sua obscuridade satânica. Desde o ponto de vista objetivo e histórico, porque o judaísmo e o Império Romano determinaram levar Jesus até a morte? Simplesmente porque essas duas organizações viam no Senhor um perigo para sua própria subsistência estrutural. Os representantes legais tanto do sistema religioso do judaísmo como do poder político do Império, percebiam que se Cristo fosse seguido fiel, firme e massivamente por todas aquelas multidões que o assediavam, essas duas organizações estavam condenadas a desaparecer. Ainda que faz dois mil anos começou com Jesus o reino
  13. 13. de Deus no âmbito da Igreja, Aliás, há de se manifestar dispensacionalmente; será o reino de mil anos como o descrevem os capítulos 24 e 25 de Mateus, e a história sem dúvida chegara a sua culminação, pois é necessário que Deus julgue a humanidade e se manifeste eventualmente Sua soberania e Seu reino entre os homens. Os primeiros discípulos do Senhor também compartilhavam a expectativa do povo judeu contemporâneo acerca da restauração do reino em Israel, e convencidos de que o Senhor era o Messias esperado, antes da eventual ascenssão de Jesus ao Pai, lhe fizeram essa pergunta, "Senhor,restaurarás o reino a Israel neste tempo?" (Atos 1:6). Mas o Senhor julgou que não era oportuno falar-lhes nesse momento sobre esse tema, pois era algo que só o Pai sabia; e ao contrário que se ocuparam de ser Seus testemunhos por toda a terra. Inclusive mesmo depois do dia de Pentecostes, a igreja apostólica cria no iminente retorno do Senhor a restaurar o reino de Deus. O candeeiro O Senhor Jesus anda no meio dos sete candeeiros de ouro. O número sete significa a plenitude; é o número que Deus usa para indicar totalidade em Sua obra, que Ele não deixa nada incompleto nem quer nada incompleto; isso simboliza à totalidade de todas as igrejas locais em todos os lugares e ao longo de toda história, e o Senhor Jesus anda no meio de todos os candeeiros. Há de se levar em conta que quando esta carta foi escrita estava se terminando o período de Éfeso. E em ambos os casos, tanto a igreja na localidade de Éfeso, como o primeiro período profético da Igreja haviam começado a decair, a deslizar desse nivel alto, dessa plenitude à qual o Senhor havia elevado a Igreja no dia de Pentecostes. O que significa essa expressão? O que representa o candeeiro de ouro? No verso 20 do capítulo 1 nos da a resposta, quando afirma:" Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas ".Isso significa que a igreja de Jesus Cristo em cada localidade está tipificada por um candeeiro, nas quais Ele se move, como Cabeça que é; o candeeiro se relaciona com o testemunho. Uma igreja em Éfeso, um candeeiro em Esmirna, outro em Pérgamo, outro em Jerusalém, outro em Valledupar, outro em Bucaramanga, assim como outro em Teusaquillo, outro em Usaquén, no marco do Distrito Capital,*(2) etc. Em uma localidade não pode aparecer mais de um candeeiro. Uma só igreja em cada localidade, jamais dividida em vários grupos ou congregações ou supostas "igrejas", porque o candeeiro que fez Moisés no deserto constava de seis braços e um caniço central, mas era de uma só peça, pois o caniço e os braços terminavam em lamparinas, que a sua vez eram alimentadas pelo azeite de um só depósito e tudo sustentado em um só pé, porque Jesus Cristo é o único fundamento da Igreja. Existe como um só candeeiro na igreja local, mas a suma de todos os candeeiros formam a Igreja universal; daí o número sete, que significa plenitude. *(2) Valledupar e Bucaramanga são as capitais dos departamentos colômbianos do Cesar e Santander, respectivamente. Teusaquillo y Usaquén são localidades das que integram a Bogotá, Distrito Capital da Colômbia, América do Sul. O candeeiro estava dentro do tabernáculo (o Corpo de Cristo), mas o candeeiro em sí é a expressão local do Corpo do Senhor. No tabernáculo havia um só candeeiro, mais tarde, no
  14. 14. templo de Salomão haviam dez candeeiros,*(3) e isso mostra que os candeeiros estão se multiplicando; agora o Senhor se dirige a sete candeeiros, número de plenitude; e em cada localidade o Senhor está estabelecendo um candeeiro, e anda em meio deles cuidando-os, alimentando o depósito com mais azeite (Seu Espírito), para que não se apaguem e alumiem em meio da obscuridade do mundo. No tabernáculo se tipifica a unidade do candeeiro, no templo de Salomão a multiplicação dos candeeiros, e em Apocalipse a plenitude. No candeeiro está tipificada a Trindade de Deus: O ouro representa a natureza de Deus Pai, por ser o ouro o metal mais precioso. O filho é representado na forma que se lhe da a esta natureza divina, pois Ele é a imagem de Deus, e o Espírito Santo está tipificado no azeite que alimenta as lamparinas para que alumiem, pois a Igreja é a luz do mundo (cfr. Exodo 25:31-40; Mateus 5:14-16; 1 Corintios 12:12). Para isso desceu o Espírito Santo. *(3) O 10 é o número das nações; significa que a Igreja é sacada de todas as nações da terra, de todas as etnias, de todas as línguas, mas é representada por um candeeiro em cada localidade. O Senhor está edificando Sua Igreja, e na Bíblia, desde o livro de Êxodo, o candeeiro está relacionado com essa edificação de Deus. O candeeiro por sua estrutura é uma unidade coletiva. Neste tempo é necessário que os crentes recebam revelação a fim de comprender este mistério dos sete candeeiros de ouro, e ver as igrejas locais, as quais conjuntamente formam a Igreja universal. Não encontramos no Novo Testamento nem um só versículo em que o Espírito Santo autorize e permita aos apóstolos edificar "igrejas" de apóstolos em particular, ou de missionários ou pastores, ou de nenhuma outra índole ou doutrina, que não seja a igreja de Jesus Cristo unificada em cada localidade. Uma igreja local é uma igreja integrada por todos os filhos de Deus em uma cidade, localidade, povoado, vila, vereda; unidos em atitudes inclusiva, no amor e na comunhão do Espírito, que tenham por única Cabeça ao Senhor Jesus, que participem de um mesmo pão e que obedeçam um só presbitério. A Igreja não é construída com madeira, ladrilhos e pedras naturais, senão com pedras vivas, cuja verdadeira vida é Cristo." Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos " (Fp. 1:1). Eis aí uma igreja local normal. A exceção de algumas dirigidas a certas pessoas, as cartas neotestamentárias foram dirigidas às igrejas locais, e o livro do Apocalipse foi escrito para ser enviado às igrejas locais. Há muita desorientação quando não se comprendem estas coisas. A Bíblia não registra outro tipo de igreja que não seja as igrejas locais. O pregar o evangelho e estabelecer igrejas locais foi o trabalho que o Espírito Santo assinou ao apóstolo Paulo e sua equipe de apóstolos, desde o momento em que foi apartado para a obra em companhia de Barnabé na localidade de Antioquia, de acordo com o contexto dos capítulos 13 e 14 do livro dos Atos. Quando o povo hebreu recebe a ordem de Deus de tomar um cordeiro por família para sacrificar-lo com motivo da grande salvação e libertação da escravidão egípcia, esse cordeirinho imolado na festa da páscoa, era uma figura perfeita, admirável e magnífica, de Cristo crucificado por amor de nós; e o caso é que não foi um só cordeiro por toda a congregação dos filhos de Israel, senão um cordeeiro por família, para tipificar, dentro dos detalhes da grande maquete veterotestamentaria da Igreja, que cada família comendo o cordeiro com hervas amargas, expressava a igreja local ao redor do Cordeiro de Deus, dentro do marco da Igreja de Jesus Cristo, igreja unida em cada localidade, reunida no nome do Semhor Jesus pela comunhão do Espírito Santo. Os israelitas não se reuniram ao redor do cordeiro com outro pretexto, nem
  15. 15. pessoa, nem objeto, nem mandato, nem centro, nem sistema, nem doutrina, nem ordenança, nem determinação particular, nem nome que não foram ordenado por Jeová. Cada família era a expressão local do povo de Deus, assim como a igreja de cada localidade é a expressão local da Igreja do Senhor, e a nenhuna família lhe foi dado imolar mais de um cordeiro. Assim mesmo agora também na Igreja somente participamos de um pão não fracionado e dividido, senão um único e mesmo pão, para alimentarnos Dele e mantermos em uma santa comunhão com Ele, porque esse é o testemunho de Deus. A Igreja de Deus é uma; nem um só osso do corpo do Senhor foi quebrado.
  16. 16. I - Éfeso ( 2ª Parte ) ÉFESO (2a. parte) Uma Igreja cheia de amor " 2 Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos; 3 e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer. " (Apo. 2:2, 3).É absolutamente inegável que a profunda experiência pentecostal da Igreja apostólica, a mudou radicalmente, iluminando o entendimento dos irmãos acerca das verdades de Deus; puderam ver com clareza o que realmente era o reino de Deus; foram transformados em verdadeiras novas criaturas; Deus provendo um odre novo para que contenha e preserve Seu vinho novo; foram cheios de poder espiritual, da autoridade representativa de Deus, sabedoria divina, poder de convicção; foram confirmados os dons, ministérios e operações no âmbito individual para o serviço corporativo, e começaram alumiar as lâmpadas començando desde Jerusalém. O Senhor resalta as boas obras e virtudes da igreja em Éfeso; o árduo trabalho, a paciência, que os movia a difundir as boas novas, aperfeiçoar os santos, a esmerar-se pelo cuidado das necessidades dos santos pobres, a edificar a unidade do Corpo e a edificação da casa de Deus. A igreja em Éfeso não se descuidava no trabalho para o Senhor. Também era sofrida e paciente. Nesses primeiros tempos a Igreja corporativamente trabalhava movida pelos estreitos vínculos do amor de Deus, do amor ágape, o amor que os crentes devem sentir uns pelos outros, e a unidade no Espírito. Tenhamos por claro que o Senhor sempre nos ama. O crucial é que nós o amamos , e que esse amor permaneça, que não se desfaleça; quando nosso primeiro amor não se afrouxa, então há vida, e o amor nos proporciona as condições para alimentar-nos da árvore da vida, que é Cristo; e quando na Igreja há vida, então há luz, a luz do candeeiro. O assunto está em nós, não no Senhor. Quando a igreja primitiva se reunia, com frequência celebravam um ágape, no qual também partiam e comiam o pão e bebiam do cálice em memória do Mestre, porque Ele havia ordenado que fizesse isto até que Ele voltase. Eles comiam o pão da unidade, e o Senhor quer que nós hoje sigamos participando daquele mesmo e único pão; não um pão fracionado e sectário, porque fazemos parte de um só Corpo. A Palavra de Deus nos dá testemunho dessa unidade de vida e desse obrar pela vida do Senhor em Sua Igreja." 32 ¶ Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. 33 Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. 34 Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes
  17. 17. 35 e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade. " (At. 4:32-35).Durante o sub-período apostólico, a Igreja se caracterizava por sua absoluta obediência à vontade do Senhor glorificado. Já ao final desse período, a Igreja mesmo era desejável ao Senhor, e Deus havia encontrado fidelidade e obediência entre os redimidos, em contraste com a infidelidade e rebelião das criaturas començando no céu com Lucifer, o querubim protetor, quem a sua vez havia feito cair no mesmo pecado a toda humanidade através do primeiro par. Na história, havia encontrado Deus um homem obediente, Abraão, e através dele formou o povo de Israel, mas esse povo também falhou. Finalmente a Igreja lhe foi obediente, vivendo a comunhão do Espírito, a vida corporativa, de maneira que o testemunho dos irmãos constituia nesse tempo uma poderosa influência pelo meio da qual transtornar o mundo. Era uma Igreja ; todos davam testemunho do evangelho; todos se esforçavam porque estavam cheios do amor de Deus e amavam ao Senhor e a Sua obra, e o Senhor se manifestava com a realização de grandes prodigios e milagres. A Igreja não tinha faltas; quando alguém ousou incorrer no egoísmo, avareza e falsidade, imediatamente caiu morto. Reinava o gozo na comunhão e no corpo se vivia o interesse por ajudar aos mais necessitados, os santos pobres.Nesse tempo mesmo a Igreja estava integrada em sua totalidade por judeus, com a exceção de alguns prosélitos que, como Nicolau o diácono e o etíope eunuco, se tratava de gentios que inicialmente haviam se convertido à fé dos judeus, e agora haviam crido no Senhor Jesus pela pregação dos apóstolos, como aparece no livro dos Atos no dia de Pentecostes (cfr. Atos 2:10). Não obstante estes e outros exemplos, as declarações das Escrituras e as próprias palavras do Senhor em suas instruções finais, nenhum deles podia nem sequer imaginar que os gentios pudessem chegar a serem admitidos; não havia sido plenamente revelado o mistério sobre a Igreja, que "os gentios são co-herdeiros e membros do mesmo corpo, e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho" (Ef. 3:6). Foi conflitante para muitos dos primeiros cristãos terem clareza sobre se a Igreja se configurava como uma seita mais dentro do judaísmo, ou uma assembléia independente e distinta. Daí a razão pela qual o apóstolo Pedro necessitava de uma visão do Senhor e a insistência do Espírito Santo para que se submetesse a ir à casa de Cornélio, o centurião romano, para pregar o evangelho a ele junto com toda sua família, o qual se registra no livro dos Atos como o terceiro gentio convertido.É necessário esclarecer que é compreensível que no alvorecer da Igreja, alguma facção ultra judia, sobre tudo da seita dos fariseus, contendia que não podia haver salvação fora de Israel, e com muita energia apregoavam que os discípulos gentios deviam observar todas as regras da lei judaica, como o do sábado como dia de descanso, circuncidar-se, a distinção entre os alimentos limpos e os impuros, etc..., como meio para se justificar ante Deus. À raíz desta forte controvérsia, se viu ameaçada a unidade da Igreja, pelo qual foi necessário que no ano 50 d. C. se realizasse um concílio com os apóstolos e anciãos em Jerusalém, por meio do qual chegaram a um sábio acordo, por momento, abaixo da iluminação do Espírito Santo, pois a lei só ata aos judeus, e não aos gentios crentes em Cristo. Uma parte destacada dos cristãos, entre eles Paulo, insistiam que se os discípulos de Cristo se submetiam a observar a lei, despreciavam a graça de Deus em Cristo e caíam dela, dando mostras de não entender a essência do evangelho (cfr. Atos 15 e Gálatas 5:1-6). A Igreja do Senhor Jesus é para toda raça e nação e não exclusiva para os judeus. Era necessário, além disso, que a Igreja não parecia como uma das seitas do judaísmo, ou uma mais das múltiplas religiões que brotavam por todo o império romano. Não obstante a Escritura registra que o trabalho de escavação dos judaizantes continuou por muito
  18. 18. tempo em várias localidades como as da região da Galácia, com as consequências que presenciamos inclusive no dia de hoje.Por ser em sua maioria de raça judia os santos da igreja em Jerusalém, costumavam em certas horas do dia ir ao templo orar, como fizeram Pedro e João, entretanto, é notório que desde seu nascimento a Igreja se reunía nas casas para celebrar a Ceia do Senhor, sua reunião principal, como registra Atos 2:46: "Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração,". Eles foram iluminados pelo Espírito Santo para comprender que o verdadeiro templo de Deus é a Igreja, composta pelos santos redimidos; que não deviam dar importância aos edifícios feitos pelos homens. O diácono Estevão explicou diante do sumo sacerdote e os anciões do Sinédrio de Israel, quando disse: "...Entretanto, não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas;..." (Atos. 7:48), e este discurso o levou ao apedrejamento até o martírio. Mais tarde, passada uma geração, o Senhor permitiu que o templo da obsoleta religião judía, fosse destruído totalmente, sem que até o momento de escrever estas cartas (1997) haja sido novamente construído. Nesse ardoroso sub-período apostólico, quem ia à vanguarda da Igreja do Senhor, indiscutivelmente era o apóstolo Pedro; defendendo-la, extendendo-la, representando a autoridade e o poder do Senhor em todas as frentes do desenvolver da Igreja. Este Ato de nenhuma maneira significa que o apóstolo Pedro haja sido papa, ou que haja recebido do Senhor algum encargo do tipo político ou governativo. O mesmo declara que não foi papa, quando escreve aos santos expatriados da dispersão na região do Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, dizendo: " Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo..." (1 Pe. 5:1). Aqui a palavra ancião significa também, e assim é traduzida em diferentes versões, presbítero, pastor, bispo; sem que necessariamente se constituira no bispo dos bispos. O papado é uma instituicão italiana de origem pagã, desemvolvido nos tempos da idade média, que está muito longe de ter raízes na Bíblia e na revelação dada pelo Senhor, de maneira que um homem da estatura espiritual de Simão Pedro, longe está de haver sido o primeiro papa romano. Mesmo entre o tempo em que viveu Pedro e o início do papado em Roma, média ao redor de uns cinco séculos. Estaremos rondando sobre este tema no capítulo IV, quando estaremos estudando o período de Tiatira.Com o ministério de Paulo, o apóstolo do mundo não judaico e especialmente o mundo helenista, na segunda metade do primeiro século, se desenvolveu o ensinamento das grandes e profundas doutrinas e dogmas da Igreja cristã. Em sua terceira viajem missionária veio até Éfeso, onde permaneceu por mais de dois anos ensinando cada dia na escola de um discípulo chamado Tirano; constituindo assim a Éfeso como centro neurálgico da obra, cujos resultados foram manifestos não só na igreja dessa localidade, senão também na propagação do evangelho por toda a província da Ásia, onde estavam localizadas as sete igrejas da Ásia que são objetos de sendas cartas em Apocalipse, assunto que estamos examinando. Indubtávelmente nesse tempo a igreja na localidade de Éfeso passava por um período de grande amadurecimento espiritual, tanto que ao redor do ano 64, Paulo, abaixo da inspiração do Espírito Santo, escreveu uma das cartas mais profundas que pederia ter escrito. Os apóstolos De acordo com os versículos 2 e 3, a igreja de Éfeso recebe palavras de aprovação do Senhor, e um dos motivos é devido a que eles provaram em seu tempo aos que se diziam ser apóstolos e
  19. 19. na realidade não o eram, senão que haviam comprovado que eram falsos. Os acharam mentirosos, hipócritas, com a apariência de piedade própria dos mestres relacionados com o gnosticismo, os quais já começavam a contaminar as igrejas com seus erros. Também nos indica que além dos doze, o Espírito Santo ja havia constituido outros apóstolos, entre os quais se camuflavam alguns falsos, para semear a confusão e o engano. Que significa ser um apóstolo? A palavra apóstolo vem do grego apóstolos (απόστολος), que significa enviado ou apartado para. Conforme a Palavra de Deus, os apóstolos são os que Deus escolhe e envia a fim de que trabalhem em Sua obra, seguindo a linha de Sua soberana vontade e iniciativa. As três Pessoas da Trindade se encarrgaram de enviar apóstolos. O Pai enviou a Seu próprio Filho, o Senhor Jesus, que foi o primeiro Apóstolo (cfr. Hebreus 3:1). Assim como o Pai enviou ao Filho, o Senhor chama e envia Seus doze apóstolos ao trabalho que Deus há determinado previamente (João 20:21; Éfesios 2:10). O Pai os toma do mundo, e sendo de propiedade do Pai, se lhos dá ao Filho, quem a Sua vez os envia (João 17:6). De maneira que a primeira e mais importante característica de um verdadeiro apóstolo de Jesus Cristo, é que não é voluntário; não se foi feito apóstolo por sua própria vontade, senão que é enviado por Deus. Aí temos o exemplo nos doze que o Senhor escolheu, pois nem mesmo Matias, o que substituiu a Judas Iscariote, se ofereceu voluntariamente, senão que o Espírito Santo o confirmou, segundo Atos 1:15-26.O Senhor Jesus ascendeu ao Pai, mas enviou ao outro Consolador, ao Espírito Santo, quem desde esse tempo retomou a responsabilidade de nomear a outros apóstolos com o encargo de continuar com o trabalho da obra de Deus iniciada pelo Senhor e os doze, na edificação e crescimento do Corpo. Existem algumas escolas de pensamento no campo teológico que sustentava que fora as testemunhas da ressurreição do Senhor, não há mais apóstolos; mas de acordo com Palavra do Senhor, por exemplo os versos 11 e 12 do capítulo 4 de Efésios, os sucessores dos doze são ministros da edificação do Corpo de Cristo, assunto este que nos ensina claramente também a Palavra em Atos 13:2 e seguintes, quando o Espírito Santo aparta e envia a Saulo e a Bernabé à obra do Senhor, e a quem também se lhes chama apóstolos (Atos 14:4,14). Os ministérios de Efésios 4:11, incluido o apostolado, existem e existiram na Igreja do Senhor, para o trabalho de capacitação e aperfeiçoamento dos santos, a fim de que todos nos ocupemos "na edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, a um varão perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Ef. 4:12-13). Não devemos ignorar que o Senhor está trabalhando para que essa unidade se aperfeiçoe e se reflita em nosso tempo. Agora bem; no livro dos Atos dos Apóstolos, assim como nas cartas do apóstolo Paulo, encontramos com frequência evidências de que o Espírito Santo havia constituido a muitos outros irmãos como obreiros de Deus, enviados a efetuar a obra à que Ele previamente os havia chamado; mas o assunto é que começaram a aparecer falsos apóstolos, que inclusos recorriam às igrejas da obra, entre os quais é possível que se encontrasse os judaizantes, que pretendiam que os santos procedentes dos gentios, se escravizaram a guardar certos ritos da lei judia como a circuncisão e o observar as festas religiosas judias; isto, além de perverter o evangelho de Cristo, produziu perturbação entre eles, já que, como é de se supor, denegriam a Paulo, dizendo que não era um autêntico apóstolo, segundo eles, porque não fazia parte dos doze e alegavam que Paulo não pregava o legítimo evangelho. Com base principalmente nessas considerações, Paulo escreveu a epístola aos Gálatas, e por outro lado faz a defesa de seu apostolado nos capítulos 11 e 12 da segunda epístola aos Corintios. “13Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo.14 E não é de admirar, porque o próprio Satanás se
  20. 20. transforma em anjo de luz.15 Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras. " (2 Co. 11:1315).De acordo com o contexto dos capítulos 11 e 12 da segunda epístola do apóstolo Paulo aos Coríntios, falsos apóstolos houveram desde a igreja primitiva, e por serem falsos não são enviados por Deus senão que são ministros de Satanás; e aí confirma que suas características principais, entre outras, pelas quais se podem detectar, é que se gloriam na carne, se enaltecem em seus conhecimentos, se envaidecem em suas posições; que desejam ser exaltados e glorificados, muitas vezes pregando um evangelho diferente; mais centrado no homem, buscam o que tem o homem; preferem mais receber que dar, e serem atendidos e regalados; destacam sua necessidade; dá gosto a eles escravizar aos santos, impondo-lhes cargas doutrinais e econômicas que eles mesmos não podem suportar; os devoram, e é tão forte tudo isso, que os tratam como se usassem de violência para atingir seus fins. A igreja primitiva, pelo menos em sua etapa apostólica, soube descobri-los a tempo, e isso foi elogiado pelo Senhor. Primeiras heresias Dentro da atividade dos falsos apóstolos pode se levar em conta a difusão de erros doutrinais e heresias para confundir aos santos. Antes que terminasse o primeiro século, já alguns estavam negando que Cristo houvesse vindo em carne, já prefigurando movimentos hereges com as idéias e princípios relacionados com o judaísmo, o docetismo e o gnosticismo. Em sua obra "A Refutação", Hipólito de Roma (o primeiro chamado antipapa) refuta as ramas filosóficas gregas que deram origem a heresias. Diz o irmão Witness Lee que " o inimigo, Satanás, tem usado três pontos principais para ferir a Igreja: a religião judaica, a filosofía grega e a organização humana. Estas são as fontes principais das divisões, a ruina e a corrupção da Igreja"*(2). Aqui somente nos limitaremos a expor sucintamente as principais heresias que perfilavam contra a unidade da Igreja, da doutrina dos apóstolos e da preciosa verdade da Palavra de Deus no período de Éfeso, e que no segundo século fomentaram maiores fontes de divisão. *(2) WITNESS LEE, A História da Igreja e das Igrejas Locais. Living Stream Ministry, 1991, pág, 8 Ebionitas É difícil descrever com objetividade algo relacionado com os ebionitas. A maneira de ilustração anotamos a existência de uma linha de opinião que nos ensinamentos que se trata de uma seita integrada pelos seguidores de Ebion, judeu de Samaria do século I, que negavam a filiação divina de Jesus, considerando-o um mero homem, um profeta, um porta- voz de Deus, como o eram os grandes profetas hebreus do passado, de extraordinária sabedoria e poder, adotado por Deus; que negavam o nascimento virginal, e que só aceitavam o evangelho de Mateus, ao qual consideravam dirigido aos hebreus, e mesmo dele suprimiam alguns capítulos. A copia que eles usavam deste evangelho tinha certos desvios típicos ebionitas, como a de que Jesus era filho de José e Maria. Uma das colunas da Hexapla de Símaco, líder ebionita, era esta versão do evangelho de Mateus.Por outra parte se diz que Ireneu utilizou pela primeira vez o termo ebionitas para referir-se a uns judeus cristãos que viviam ao leste do Jordão. Também é provável que esse nome, ebionita, seja derivado do hebreu ebyon (pobre) e que guarda
  21. 21. alguma relação de origem com a igreja de Jerusalém anterior ao ano 70 d. C., a qual se trasladou a Pella, cidade gentia ao leste do Jordão, e ali sobreviveu por algum tempo, atendendo a recomendação do Senhor Jesus em Mateus 24:15-18. Alguns observam que com o decorrer do tempo, seus descendentes, por falta de contato com o resto da Igreja, conceberam algumas idéias heterodoxas acerca da encarnação. Há de se levar em conta que dentro dos cristãos que sairam de Jerusalém havia um grupo de irmãos que fazia parte dos fariseus relacionados com o sinédrio de Atos 15, que pretendiam obrigar aos cristãos gentios a guardar a lei.Mas se pode afirmar que os ebionitas faziam parte dessas minorias de judaizantes que afirmavam que os discípulos de Jesus deveriam ficar dentro do redil judaico. Os ebionitas estavam como se diz, entre a espada e a parede porque eram considerados pelos judeus como apóstatas, e melhor, por sua atitude fechada e exclusivista, não eram muito bem vistos pelos cristãos gentios. Curiosamente, uma facção da igreja local de Jerusalém, liderada por Tiago, irmão do Senhor Jesus, tendia a este ponto de vista dentro do processo de judaização e o esclarecimento dos fundamentos cristãos. Destacamos que Tiago chamava Senhor a Jesus. Os ebionitas repudiaram a Paulo, declarando que ele era apóstata da lei, o mesmo que a seus escritos por quanto suas epístolas reconheciam aos gentios como cristãos (cfr. Atos 21:17-27). Mas provavelmente a raíz dos ensinamentos de Paulo e a epístola aos Gálatas, chegaram a compreender que as práticas do judaísmo não eram obrigatórias para os cristãos gentios. Alguns escritores os mencionam como nazarenos, e entre eles houveram escritores que afirmavam que Jesus era o Messias, o Filho de Deus, e que Seus ensinamentos eram superiores aos de Moisés, mas que os cristãos judeus deviam observar as leis judaicas relativas à circuncisão, a observância sabática, e os alimentos. Alguns deles aceitavam o nascimento virginal de Jesus; Mas outros, talvez os "ebionitas gnósticos", propagavam a doutrina de que o Senhor era Filho de José e Maria, que ao batizar-se, foi quando o Cristo descendeu sobre o homem Jesus em forma de pomba, proclamando logo ao desconhecido Pai, mas que o Cristo, quem não devia sofrer, se afastou de Jesus antes de Sua crucificação e ressurreição. Do ebionismo surgiram várias ramos heréticos que alimentaram o unitarismo e alguma variedade de gnosticismo. Outras datas acerca dos ebionitas se encontram na história eclesiástica de Eusébio de Cesaréia. São de corte ebionita alguns escritos primitivos como os chamados evangelhos apócrifos dos ebionitas e nazarenos, e as chamadas Homilías Pseudoclementinas (atribuídas a Clemente de Roma). Estes documentos deram base à escola modernista de Baur de Tubingem, para sua interpretação dialética do cristianismo primitivo. Sem lugar a dúvidas, os modernos "messiânicos" são os defensores das idéias ebionitas. Docetismo O docetismo, palavra que vem do grego doceiko, "aparência", dokeo, "parecer", consistia na opinião de que Jesus Cristo, o Filho de Deus, realmente não se fez carne, senão que só pareceu fazê-lo; que não é verdadeiro homem, senão em aparência, negando assim a encarnação e, por conseguinte, a expiação e a ressurreição. Por Eusébio sabemos que Cerinto, herege docetista e gnóstico da Ásia Menor, foi em Éfeso um opositor do apóstolo João. Daí que João enfatiza reiteradamente as palavras carne e sangue escrevendo contra esta heresia, e declare que " e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo. " (1 João 4:3). A origem desta heresia está em uma mescla da filosofia grega com as religiões orientais. Inácio de Antioquia faz menção desta heresia, anotando: "... ele sofreu
  22. 22. verdadeiramente, assim como verdadeiramente ressucitou a si mesmo, não segundo dizem alguns infiéis, que só sofreu em aparência. Eles sim que são a pura aparência! e, segundo como pensam, assim lhes sucederá, que se fiquem em figuras incorpóreas e fantasmais" (INÁCIO DE ANTIOQUIA, Carta aos Esmírnios, II,1, BAC,1985).Cerinto, com seus princípios gnósticos, ensinava que o mundo não havia sido criado pelo único e supremo Deus, senão por um demiurgo. Negava que a pessoa do Senhor Jesus fosse a vez divina e humana. Dizia que Jesus havia sido só um homem comum e corrente ao qual, no ato do batismo no Jordão, no momento em que desceu o Espírito Santo em forma de pomba, foi quando desceu o Cristo espiritual, o Logos ou Verbo divino; e com base nestas premissas o que seguia era negar a encarnação do Verbo e desvirtuar de passo Sua crucificação, afirmando que na crucificação somente havia sofrido Jesus, o humano, pois Cristo, como Deus, era impassível e não podia padecer. Também há correntes gnósticas que afirmam que o Verbo divino voltou ao homem Jesus na cruz, quando exclamou: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?". O apóstolo Paulo contradisse também a heresia de Cerinto na epístola aos Colossenses, como o apóstolo João, tanto em seu evangelho como na primeira epístola. As Escrituras dizem que "o Verbo foi feito carne", e isso significa que a preexistente Pessoa divina do Filho estava com o Pai desde antes da fundação do mundo, que é consubstancial com o Pai e de sua mesma essência, porque no princípio era o Verbo, e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus, e aquele Verbo se fez carne.Na formação e desenvolvimento destes erros, teve muito haver a filosofia grega. De acordo com o pensamento helenista, sobre tudo pelos princípios do platonismo e neoplatonismo, havia uma rígida separação entre o espírito e a matéria. Contrastando com a tradição judaica, e em particular com os ensinamentos do Senhor Jesus, essas disciplinas filosóficas consideravam a matéria, incluindo a carne, como mal, e o puro espírito como bom, onde concluíam que o homem devia emancipar seu espírito da contaminação da carne, o que gerou conflitos com os ensinamentos da encarnação e a crucificação. Também reflete num grande dano na aparição posterior do ascetismo e o pseudomisticismo, que não são outra coisa senão rudimentos do mundo. " 20 Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças:21 não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro,22 segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem.23 Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade. " (Col. 2:20-23). Gnosticismo Movimento filosófico-religioso que surgiu nos tempos da Igreja primitiva, composto de diversas seitas e alimentado em uma grande variedade de mananciais, como as filosofias gregas e correntes religiosas de tipo orientalista, armas com as quais Satanás quis destruir a Igreja do Senhor desde suas raízes. O gnosticismo recebeu contribuições do dualismo órfico e platônico, dualismo persa, as religiões dos mistérios, a astrologia mesopotâmica e a religião egipcia. É provavel que haja tido sua origem na Ásia Menor, que alguns consideraram como um foco de idéas fantásticas da mente de gregos místicos e desequilibrados. Mas há consenso na opinião de que um personagem proeminente na criação do gnosticismo é Simão o Mago. A Palavra de Deus no livro dos Atos dos Apóstolos afirma que Simão exercia a magia em Samaria antes de professar sua conversão, mas foi registrado que foi acusado por Pedro de querer comprar o poder de dar também o Espírito Santo ao impor as mãos. De acordo com uma
  23. 23. tradição, se têm conhecimento de que Simão foi o iniciador de algumas derivações falsas do cristianismo. O gnosticismo é um movimento altamente sincretista, e entre os sistemas filosóficos gregos, foi o platônismo o que mais influenciou para dar um verniz intelectualóide a esse fenômeno do gnosticismo; e o neoplatônismo foi a base para a união da filosofía com a religião, com o resultado de que a religião começou a ser ensinada saindo dos esquemas puramente religiosos, envolta em mitos de origem pagãs. Também tem raízes no panteísmo estoico, o qual está relacionado com os espíritos do mundo, ou elementais do cosmos, todo o qual enquadra com a chamada "nova era". Seu nome se origina pela pretensão deles de dizer que possuían uma gnose ou conhecimento secreto sobre a origem do universo e o destino do homem. Enfocam sua não bem definida doutrina através de uma cosmogonia que ensinava que o mundo é o resultado da intervenção do Demiurgo (alguns o identificam com o Deus do Antigo Testamento) de categoria inferior ao Ser Supremo (o Deus do Novo Testamento). Ensinando assim mesmo que entre o Ser Supremo e o mundo material intermediavam uma série escalonada de entidades (eons) que emanavam Dele, entre os quais estavam os arcontes ou poderes demoníacos que habitavam os planetas, e quem governavam o universo. Isto tem haver muito com a astrologia e a grande mentira dos horóscopos, pois eles ensinam que os homens, tanto que permanecem neste mundo, estão submetidos aos planetas, ou seja, aos arcontes. Tudo isto, como é de se supor, para jogar por terra todo o relacionado com a salvação por meio de Jesus Cristo. Os gnósticos sustentavam que os homens somente podem salvar-se de sua miserável condição mediante a Gnosis ou conhecimento de sua verdadeira natureza; uma espécie de luz mística interna. Que esse conhecimento é superior à fé simples dos crentes. Então, quem é Cristo para os gnósticos? Para eles o Senhor não é o Unigênito de Deus, o Verbo Eterno, e sim apenas um dos seres mais Notáveis da Divindade absoluta, uma dessas emanações de Deus, uma espécie de fantasma, afirmando que veio a salvar aos homens não com Seu sacrifício expiatório, senão através do conhecimento (gnosis) que nos trouxe da parte de Deus. A filosofia gnóstica se baseava na distinção moral dos gregos entre matéria e espírito, considerando assim que a matéria era intrínsecamente mal, e por tal razão, não podia conceber uma autêntica encarnação do Verbo, senão aparente. O mesmo que afirmava Cerinto, mas com outras palavras outro enfoque. A carta de Paulo aos Colossenses é decisiva para rebater as doutrinas gnósticas, este espantoso engano, e onde se insiste com muita clareza na divindade essêncial de Cristo."12... dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz.13 Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor,14 no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude20 e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus." (Cl. 1:12-20)."3... em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.4 ¶ Assim digo para que ninguém vos engane com raciocínios falazes.5 Pois, embora ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito, estou convosco, alegrando-me e verificando a vossa boa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo." (Cl. 2:3-5).Também pelos escritos do apóstolo João nos enteiramos que nas igrejas primitivas
  24. 24. houveram muitos cristãos de tendência gnóstica entre os quais haviam assinalado manifestações de falsos dons carismáticos, até que foram expulsos da comunidade cristã por hereges. Outros se organizavam em congregações a parte, com seus ritos peculiares, inclusive semelhante a clubes de mistérios, tão comuns no Império Romano, provenientes a sua vez de mistérios anteriores, gregos, egípcios e mesopotâmicos. Mas João nos adverte:"1 Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.2 Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;3 e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo.4 ¶ Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. " (1 João 4:1-4).A gnose é um amálgama de crenças e dogmas de origem orientalista Sob um verniz bíblico. Afirmam que o sentido alegórico da Escritura é mais importante que o literal, pelo qual só pode ser entendida por uma elite de "iniciados", ou seja, os que possuem essa iluminação especial de que falam. Tinham incorporado tradições esotéricas como a metempsicosis ou transmigração das almas, que não é outra coisa senão a falsa doutrina chamada reencarnação. Também incluem a astrologia babilônica, o dualismo persa, a cabála judia, e o hermetismo de Hermes Trimegisto do Egito. Se diz que o maniqueísmo foi praticamente uma seita gnóstica. O historiador cristão Eusébio de Cesaréia, em sua História Eclesiástica, nos diz que no primórdio do cristianismo houveram muitos cristãos de tendência gnóstica ou abertamente gnósticos, dentro dos que se contan Cerinto (da Ásia Menor, séculoo I); do século II temos a Basílides (de Alexandria), Bardesanes, Valentino (de Alexandria), Marcion (do Ponto), Ptolomeu e Heracleon (154-180), discípulo de Valentino. Mas essa informação a obtém Eusébio dos tratados deixados por Ireneu, quem escreveu suas obras Contra os hereges (Adversus Hæresus), para refutar as desviações gnósticas e defender a pureza do depósito deixado pelo Senhor.Outros que em sua oportunidade se opuseram ao gnosticismo foram Tertuliano com suas obras a Prescrição e Contra Marcion, Hipólito de Roma com sua obra A Refutatio, e Epifânio de Salamina, cuja obra chave foi "Panærión". Nos séculos posteriores, o gnosticismo chegou a tomar tanta força, que até Clemente de Alexandria foi influido no pensamento por alguns de seus postulados. Na prática, os gnósticos são antinomianistas por excelência. O antinomianismo*(3) tende a sacar consequências falsas de Romanos 6:15. Agora estamos embaixo da graça, mas isso não significa que nos é permitido desobedecer a lei. Não nos salvamos por cumprir a lei, senão que a cumprimos pela graça do Espírito que mora em nós. *(3) Antinomianismo vem de anti, contra, e nomos, norma, lei. Heresia dos que se opõem à lei. Mas o antinomianismo é o oposto à heresia do legalismo; é dizer, converter em libertinagem a graça. O amor é sofrido e paciente A Palavra declara enfaticamente que Deus é amor, um amor sublime que se revela em Seu Filho, Jesus Cristo, e que consiste em dar a Si mesmo totalmente, e o ideal da Igreja se encaminha à plena expressão e realização deste amor em cada um dos santos, e assim mesmo corporativamente. Quando a Igreja é impulsionada por este amor, na unidade e a vida no Espírito, nada a detém para o cumprimento da obra de Deus, nem mesmo a perseguição. A igreja, desde seus primeiros dias em Jerusalém, foi objeto de perseguição e sofrimento,
  25. 25. cárceres e martírios. O livro dos Atos narra com luxo de detalhes os padecimentos de Pedro e João e a grande perseguição que se desatou no tempo em que dirigentes religiosos como Saulo de Tarso perseguiram aos santos; como o caso do primeiro mártir, o diácono Estevão. Mais tarde, o mesmo Saulo, convertido já no apóstolo Paulo e em nova criatura, foi objeto de muito sofrimento, pois desde a primeira viagem recebeu em sua carne os embates da violência, a tal ponto que na cidade de Listra o apedrejaram com tanta ira, que lhe arrastaram fora da cidade, pensando que estava morto. A causa da perseguição, muitos crentes foram espalhados por diferentes cidades e povos, mas a onde queira que fossem, pregavam o evangelho e estabeleciam igreja em cada localidade: Damasco, Samaria, Antioquía, Jope, Cesaréia. A igreja primitiva era sofrida e tinha paciência porque estava cheia do amor de Deus. Essa é a máxima prova do poder espiritual.Neste campo se destaca também o caso de Tiago, irmão de João, quem no curso de uma perseguição na qual também encarceraram ao apóstolo Pedro, foi morto a espada em Jerusalém por ordem do rei Herodes Agripa I, neto de Herodes o Grande, quem por sua vez morreu comido pelos vermes sentado em seu tribunal, no ano 44 d. C. (cfr. Atos 12) Não deve confundir-se este Tiago com o irmão do Senhor, que se diz foi o primeiro dirigente da igreja em Jerusalém, e que foi morto por ordem do sumo sacerdote Anás no ano 62, conforme o afirma Flavio Josefo, quando diz: "Sendo Anás deste caráter, aproveitando da oportunidade, pois Festo havia falecido e Albino (o novo procurador romano) estava a caminho, reuniu o sinédrio. Chamou a juizo ao irmão de Jesus que se chamou Cristo; seu nome era Tiago, e com ele fez comparecer a vários outros. Os acusou de serem infratores da lei e os condenou a serem apedrejados".*(4) Uma das primeiras e mais famosas perseguições foi a desemcadeada por Nero, o pior e mais cruel de todos os imperadores romanos. Se diz dele que para desvirtuar o rumor de que havia mandado incendiar a Roma, culpou aos cristãos, pois eram acusados por seus contemporâneos de ódio. Muitos gostaram do martírio. Despedaçados pelos cães depois de haverem sido envoltos em peles de animais; outros foram crucificados, ou envoltos em chamas, como tochas vivas, para iluminar um circo nos jardins privados do imperador, que hoje são os assentos dos palácios do Vaticano. Há uma tradição que diz que o apóstolo Paulo foi decapitado na mesma cidade no ano 64 d.C, por ordens de Nero. Não obstante que sobre o apóstolo Pedro se têm afirmado que foi decapitado em Roma no ano 67 DC., também por orden de Nero, não há evidência bíblica que diga que ele esteve em Roma. *(4) FLAVIO JOSEFO, Antigüidades dos Judeus, CLIE, Tomo III, libro XX, capítulo IX,1 Éfeso se desliza "4 Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.5 Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas. " (vv.4, 5).Ao analisar a igreja histórica na cidade de Éfeso, simultâneamente o estamos fazendo com a condição do período profético correspondente aos tempos da Igreja do Senhor, e temos diante de nós uma Igreja enamorada do Senhor, de Sua obra; uma Igreja em perfeita comunhão no Espírito, cheia de amor pelo Senhor. Os irmãos vivendo na unidade, no Espírito; estava mesmo longe de se perder a vida corporativa da Igreja e a obediência absoluta à vontade de Deus; uma Igreja cheia de gozo na comunhão dos santos e a vida interior; um período no qual havia um só candeeiro em cada localidade e se vivia a unidade da igreja local; se conservava fresco o odre novo que Deus havia provisto para Seu vinho novo; se vivia sob o senhorio de Cristo, o kyrios, a autoridade
  26. 26. espiritual e o apostolado.Mas depois da morte do apóstolo Paulo, começou a se cingir sobre a Igreja o que alguns costumam chamar "a idade das trevas"; ora pelas contínuas perseguições, ora pelo vazio de informação sobre esse período subapostólico. Mas o verdadeiramente sombrio radica em que a Igreja começou a se deslizar, a decair; o primeiro amor se foi esfriando na segunda geração, e do avivamento inicial não ficava senão as obras, pois com frequência pode se dar o caso de que haja muita atividade sem que realmente se ame ao Senhor, e ao Senhor o que lhe agrada é o trabalho de nosso amor, porque " Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. " (1 Co. 13:2). Mais interessa ao Senhor que se lhe ame e se lhe obedeça, que o afã excessivo de fazer muitas coisas externas, nas quais as vezes se ufana a carne e se infla o ego. Isso vêm a constituir uma traição ao Senhor. O Senhor não quer que lhe façamos nada sem amor; Ele quer nosso coração; quer que amemos mais a Ele que a Sua obra. Uns trinta anos antes, o apóstolo Paulo havia escrito aos irmãos de Éfeso: "15 Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos,16 não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações " (Ef. 1:15,16). Quando uma igreja local não mantém o testemunho de Deus no mundo, seu candeeiro é retirado. Éfeso caiu de seu nível original e foi baixando tanto que lhe foi retirado o candeeiro de seu lugar até que deixou de ser uma cidade cristã para converter-se em um centro muçulmano. Em Apocalipse, não há palavras que indiquem que o candeeiro de Éfeso havia de continuar existindo até a segunda vinda do Senhor Jesus. Igual sucede com Esmirna e Pérgamo. Esse período histórico-profético corre com a mesma sorte da cidade de Éfeso, cuja importância se perdeu nos anais históricos, e no lugar que ocupou se levanta hoje uma aldeia turca.Ao deslizar-se, a Igreja começou a deixar seu primeiro amor. Qual é esse primeiro amor? Não pode ser o amor do corpo, o erótico, biológico e carnal, que vem do grego eros; tampouco pode ser o amor entre marido e mulher, nem entre os irmãos, entre amigos, ou afetivo, da alma, do grego psiqué, senão o amor derivado de uma terceira palavra grega, agape (αγάπη) e esta de agapao (amar), a classe de amor manifestado por Deus em Cristo, e por Cristo ao dar-se a si mesmo. Ágape designa o amor que os crentes sentem por Deus, e uns pelos outros. O amor é um dos dons mais excelentes que nos têm dado o Senhor. Ao falar do primeiro amor, a palavra grega que se traduz primeiro é a mesma que em outros textos se traduz melhor, como em Lucas 15:22. De modo que devemos amar ao Senhor com o melhor e mais excelso de nosso amor. Recorda, reflita, de onde têns caído; volte, como o filho pródigo (Lucas 15:17).Na Igreja primitiva, e se da notícia disto sobre tudo em Jerusalém e Corinto, a Ceia do Senhor ocupava um lugar proeminente na vida comum da Igreja; e a Palavra deixa entrever que havia uma comida ou ceia fraternal, o ágape, ou "festa do amor", que os primeiros cristãos celebravam juntos antes da Ceia do Senhor. É possivel que Paulo mesmo as houvesse estimulado na igreja da localidade grega de Corinto, a julgar pelo contexto de 1 Corintios 11:17-34. Inácio de Antioquia e a Didache mencionam esta comida em relação com a santa ceia, apesar de que Paulo havia indicado, já que não formava parte da ordenança que o Senhor Jesus instituiu, senão que ao contrário era suscetível de abusos que deviam ser evitados. Cada um trazia seus próprios alimentos e bebidas, e os melhores aprovisionados não costumavam compartilhar com os irmãos que traziam pouco ou nada. Desafortunadamente, e para pena de Paulo, com o tempo surgiram abusos graves nestas festas, porque a raíz do anterior se fomentou nelas a glutonaria, imoralidade, e alguns se ficavam bebados, e outros, por contraste, ficavam com fome. Como
  27. 27. se começasse as disputas entre os ricos e os pobres no seio da Igreja do Senhor. Aos finais do século I, já se celebrava a ceia do Senhor sem ser precedida por nenhuma comida. " Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis.21 Porque, ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague.22 Não tendes, porventura, casas onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto, certamente, não vos louvo.27 Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.28 Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice;29 pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si 30 Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem 31 Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.32 Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.33 Assim, pois, irmãos meus, quando vos reunis para comer, esperai uns pelos outros.34 Se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo. Quanto às demais coisas, eu as ordenarei quando for ter convosco." (1 Co. 11:2022, 27-34). "Estes homens são como rochas submersas, em vossas festas de fraternidade, banqueteandose juntos sem qualquer recato, pastores que a si mesmos se apascentam; nuvens sem água impelidas pelos ventos; árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas;" (Jud. 12). É mais provável que o texto de 2 Pedro 2:13 seja "enganos" em vez de "ágapes" em algumas versões, não obstante o contexto fala sempre de comilões. Precisamente devido a estes abusos foi desaparecendo a festa, ao menos como celebração ao lado da Ceia do Senhor. Entretanto, há sido recuperado entre algumas agrupações cristãs, como entre os irmãos Morávios no século XVIII, de onde John Wesley introduziu aos primeiros metodistas, particularmente entre pequenos grupos. Hoje se pratica de maneira especial nas igrejas do Senhor de cada localidade já recuperadas e não vinculadas a organizações denominacionais, o candeeiro em cada localidade. " As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado." (Cantares 8:7).A igreja na localidade de Éfeso chegou a crescer até alcançar um alto grau de madurez espiritual e fidelidade ao Senhor. Paulo dedicou suficiente tempo de seu ministério, ocupado principalmente em ensinar na escola da obra, e mais tarde, desde sua prisão, chegou a escrever uma de suas mais profundas epístolas, onde compartilha de alguns mistérios e revelações relacionadas com a pessoa de Cristo, e da Igreja como casa de Deus. Nessa carta não há repreensões, não era necessário naquele momento. Paulo se interesou muito pela obra do Senhor entre os efésios, e durante sua última visita pela região, em vista de que não podia chegar até Éfeso, desde Mileto mandou chamar aos anciãos da igreja, e entre outras coisas lhes disse: "28 Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.29 Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho.30 E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. " (At. 20:28-30). Aos finais do século primeiro, quando o ancião apóstolo João escrevia as visões do Apocalipse em Patmos, a igreja de Éfeso havia caído de sua posição original. É ilustrativo o caso da igreja na localidade de
  28. 28. Corinto. Tanto havia degradado a Igreja na perca de seu primeiro amor, que encontramos em Corinto uma mostra muito diferente à de sua posição original em Jerusalém. Até aos ouvidos de Paulo chegou a notícia da situação da igreja de Corinto na Grécia, a tal ponto que no ano 55 d.C, de Éfeso lhes escreve a que se conhece como a primeira epístola aos Coríntios, na qual o problema que trata primeiro é o amago ou intenção de divisão que pairava sobre essa igreja local. "10 Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer 11 Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós.12 Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. " (1 Co. 1:10-12). Estava ameaçada a unidade da igreja, e a causa era a falta de amor entre os irmãos. A Igreja é o Corpo de Cristo. No verso seguinte Paulo lhes diz: "Acaso está dividido Cristo?". De acordo com o contexto da carta, isso estava ocorrendo ali simples e sútilmente pela carnalidade e falta de amadurecimento dos irmãos, mas concretamente o mal se originava pela falta de amor, como se declara no capítulo 13.Nos tempos em que Clemente de Roma escreve sua epístola aos Coríntios, já se havia protocolizado outra divisão nessa igreja.*(5) A Palavra de Deus não autoriza senão que condena enfáticamente toda insinuação sequer de divisão em Sua Igreja, porque isso destrói a unidade de Seu Corpo. Não há sequer indícios na Palavra de Deus de que as diferentes e legítimas equipes apostólicas do primeiro período da Igreja, ou alguns dos apóstolos a título pessoal, pretenderam constituir "missões" cismáticas e denominações, que fossem exemplos de protótipos e padroeiros para legitimar as divisões dos últimos séculos. Mesmo que o Senhor Jesus dera pouca atenção a uma organização permanente e à instituição de um governo central, é inegável e bíblica a realidade da comunhão apostólica e o amor fraternal dos santos desde os primórdios da Igreja. O ideal proposto pelo Senhor para Sua Igreja no Novo Testamento foi o da unidade inclusiva. *(5) CLEMENTE DE ROMA, Epístola aos Coríntios XLVII:1-7 Em seguida, o Senhor recomenda à igreja de Éfeso a recordar de onde caiu, qual era o nível que ocupava ao princípio, que veja a causa pela qual se deslizou, que veja tudo o que se havia perdido; trata de ajudar a voltar a essa posição do princípio, pois já começaram a ver certas consequências negativas. O candeeiro tem um depósito, e esse depósito estava começando a se perder. O livro dos Atos dos Apóstolos e as epístolas de Paulo e os apóstolos dão testemunho do estado original desse depósito deixado pelo Senhor para Sua Igreja. O Senhor convida à igreja a que se arrependa e a que faça as primeiras obras, as obras em amor, pois tudo o que se faz sem amor não serve de nada. O Senhor convida a que volte a ser fiel; se pode fazer muitas coisas sem ser fiel ao Senhor, e sem levar em conta que Cristo é o Senhor, o que deve ordenar as coisas conforme Sua vontade. Se podem estar fazendo muitas coisas na Igreja sem que necessariamente esteja intervindo o Senhor. No caso de que a igreja não se arrependesse, o Senhor tiraria o candeeiro de Éfeso. Essa igreja seria disciplinada pelo Senhor, pois o candeeiro é a igreja, e o Senhor esta no meio dos candeeiros. Sem a presença do Senhor, do Espírito Santo, não pode haver luz no candeeiro, e nessa forma não se pode fazer a obra de Deus nem dar o testemunho de Sua presença. Historicamente o primeiro que começou a se perder na Igreja do Senhor foi o primeiro amor. Com frequência descuidamos o amor ao Senhor por amar Sua obra, no qual há o perigo de confundir os termos, e em vez de tê-la por "Sua obra", nos tenta o pensar que é "nossa" obra, e a carne começa a requerer

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