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Eventos de Letramento

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Eventos de Letramento

  1. 1. Regina Kioko - Ciranda Azul - http://rkioko.blogspot.com/2009/03/ciranda-azul.html Ciranda Reflexiva II SIEPE - 2010
  2. 2. Liane Araujo Mary Arapiraca Eventos de Letramento
  3. 3. A Bordo do Rui Barbosa Chico Buarque
  4. 23. A Bordo do Rui Barbosa Chico Buarque Ilustrações: Vallandro Keating Disponível em: http://www.chicobuarque.com.br
  5. 24. Mafalda, Quino
  6. 25. Danilo, 6 anos. In: O diálogo entre o ensino e a aprendizagem, Telma Weisz, Ed. Ática, p. 86
  7. 26. <ul><li>Texto encontrado no elevador de um prédio </li></ul>
  8. 27. Letramento
  9. 28. <ul><li>Histórico e significados </li></ul><ul><li>Definição: Mary Kato, literacy </li></ul><ul><li>Analfabetismo funcional; alfabetismo </li></ul><ul><li>Lêda Tfouni foi quem primeiro tratou do conceito, no Brasil, segundo Magda Soares </li></ul><ul><li>Significados do Letramento, Ângela Kleiman </li></ul><ul><li>Modelos autônomo e modelo ideológico (Street, apud Kleiman) </li></ul><ul><li>Oralidade como prática discursiva letrada (fala letrada); oralidade secundária (ONG) </li></ul><ul><li>Letrado e letramento x letrado, culto, erudito </li></ul>
  10. 30. Ângela Kleiman Leda Tfouni Magda Soares Silvia Terzi
  11. 31. <ul><li>A despeito de algumas diferenças conceituais, todas essas autoras concordam, entretanto, que o núcleo do conceito de letramento diz respeito às práticas sociais de leitura e de escrita , para além da aquisição do sistema de escrita, ou seja, para além da alfabetização. </li></ul>
  12. 32. ALFABETIZAÇÃO EM CONTEXTO DE LETRAMENTO L A A LETRAMENTO
  13. 33. <ul><li>LETRAMENTO </li></ul><ul><li>Usos, conhecimentos, valorização da escrita </li></ul><ul><li>e </li></ul><ul><li>valores e crenças em torno da escrita </li></ul><ul><li>(Terzi) </li></ul>
  14. 34. Usos <ul><li>Usos da escrita: ler e escrever autonomamente ou com apoio, em diversas situações, com diferentes funções, para atingir diversos fins e participar de práticas diversas de leitura e escrita da sociedade; </li></ul>
  15. 35. Conhecimentos <ul><li>Conhecimentos gerais obtidos através de práticas letradas, seja autonomamente ou por intermédio de outros. </li></ul><ul><li>Conhecimentos da própria escrita : funções da escrita, funções e características de gêneros textuais diversos, linguagem própria da escrita, variedades linguísticas/norma culta </li></ul>
  16. 36. <ul><li>Valorização da escrita, sua importância, consideração da função da escrita na sociedade; </li></ul><ul><li>Crenças e valores atribuídos à escrita por indivíduos e grupos sociais. </li></ul>
  17. 37. Desdobramentos do conceito <ul><li>Letramento crítico </li></ul><ul><li>Letramento literário </li></ul><ul><li>Múltiplos letramentos/Letramentos </li></ul><ul><li>Letramento visual, letramento digital... </li></ul><ul><li>Letramento na “cultura de papel” e letramento na cibercultura </li></ul><ul><li>Alfabetização semiótica </li></ul>
  18. 38. Letramento na cibercultura <ul><li>As tecnologias tipográficas e digitais de escrita têm diferenciados efeitos sobre o estado ou condição de quem as utiliza. É preciso, então, reconhecer, como nos ensina Magda Soares (2002), que diferentes tecnologias de escrita criam diferentes letramentos . </li></ul>
  19. 39. O que é Letramento? Letramento não é um gancho em que se pendura cada som enunciado, não é treinamento repetitivo de uma habilidade, nem um martelo quebrando blocos de gram á tica. Letramento é diversão, é leitura à luz de vela ou l á fora, à luz do sol.
  20. 40. São not í cias sobre o presidente. O tempo, os artistas da tevê e mesmo Mônicas e Cebolinhas nos jornais de domingo. É uma receita de biscoito, uma lista de compras, recados colados na geladeira, um bilhete de amor, telegramas de parab é ns e cartas de amigos.
  21. 41. É viajar para países desconhecidos, sem deixar sua cama. É rir e chorar com personagens, heróis e grandes amigos.   É um atlas do mundo, sinais de trânsito, caças ao tesouro, manuais, instruções, guias e orientações em bulas de remédio para que você não fique perdido.
  22. 42. Letramento é, sobretudo, um mapa do coração do homem, um mapa de quem você é e de tudo que você pode ser. Poema de Kate Chong, extraído do livro Letramento, um tema em três generos , de Magda Soares
  23. 43. Eventos de letramento Ilustração: André Neves, confabulandoimagens.com.br
  24. 44. Joaquim, antes de um ano
  25. 45. Joaquim, antes de um ano
  26. 46. Não tinha nem um ano...
  27. 47. Comendo livros <ul><li>Aconteceu de um dia, num shopping, Joaquim estar já meio inquieto no seu carrinho e, contando já com todo o percurso até o carro – eu, ele, carrinho – comprei-lhe algo para ocupar as mãos e a atenção. O livrinho estava em cima do balcão onde eu já acertava as contas com a loja – mamadeiras e outras coisinhas. Olhei, gostei, levei. Era aquele pequeninho, da coleção “Quem mora”: “Quem mora no jardim”. Desses que devemos abrir as abas, em cada página, para descobrir o que/quem se esconde atrás de alguma coisa. No caso, bichos do jardim. </li></ul><ul><li>Já no meio do caminho até o carro, depois de manusear de todo modo, o livrinho foi à boca. Lógico! Passei a semana brincando com a ideia de que ele já era um menino letrado: come livros!!! </li></ul><ul><li>E ele o “comeu” por muito tempo, mas sem deixar de manuseá-lo de outros modos e de ficar atento, até a metade, ao menos, quando eu o lia, encontrando festivamente os bichinhos por detrás das abas. </li></ul><ul><li>Depois de um tempo, nenhum desses livros – vieram outros depois – tinham mais abas! Ele descobriu alguma graça em destruí-los. </li></ul><ul><li>Peguei um dia ele tentando recolocar as abas no lugar. Acho que percebeu que a leitura não tinha mais o mesmo gosto da surpresa sem elas... </li></ul>
  28. 48. Informações mandada pela mãe quando ficava com o pai. E Dodó, com esse papel debaixo do braço, “lia” e dizia: “meu bilhete”, 1 ano e meio
  29. 49. Joaquim, 2 anos e meio: “aqui, o desenho, aqui, o iquitinho, o nome” Escrever antes de saber escrever
  30. 50. Joaquim, 2 anos e meio: escrevendo no cantinho dos desenhos: Dona Lica, papai, vovó, Zazá, Val...
  31. 51. <ul><li>Mila lê </li></ul>Ler antes de saber ler
  32. 52. Eventos de Letramento
  33. 53. <ul><li>Eventos de letramento </li></ul><ul><li>São ocorrências em que a língua escrita é essencial à natureza das interações e determinante dos processos e estratégias produtivas e interpretativas de seus participantes. </li></ul><ul><li>(inspirado em Heath, apud MAYRINK-SABINSON 1988) </li></ul>
  34. 54. <ul><li>Eventos de letramento: </li></ul><ul><li>antes </li></ul><ul><li>durante </li></ul><ul><li>depois </li></ul><ul><li>...da alfabetização </li></ul>
  35. 55. <ul><li>Eventos de letramento </li></ul><ul><li>X </li></ul><ul><li>Práticas de letramento </li></ul>
  36. 56. Uma prática social de leitura e escrita, ou seja, uma pratica letrada, como, por exemplo, mandar convites de aniversário para os amigos, pode dar margem a diversos eventos de letramento, como Luan e Joaquim lendo os convites de seus colegas da escola, antes, inclusive, de saberem, de fato, ler.
  37. 57. Luan lendo um convite
  38. 59. <ul><li>Os eventos de letramento podem se dar em presença da escrita (leitura ou produção), ou seja, na presença concreta do portador de escrita, ou em situações orais que tomam a escrita como foco de atenção, objeto de interação. </li></ul>
  39. 60. <ul><li>O modo de participação nas práticas de leitura e escrita, ainda na oralidade , é ressaltado, pois as práticas orais são apontadas como fundamentais para o processo letramento (oralidade letrada), favorecendo a construção de uma relação com a escrita como prática sociodiscursiva e como objeto. </li></ul>
  40. 61. <ul><li>Nas práticas orais, a escrita e a leitura ganham sentido para a criança , especialmente nas conversas, nos jogos interacionais e nos de faz-de-conta, em torno da escrita, fundamentais no desenvolvimento do letramento. </li></ul><ul><li>Para o adulto , em diversas situações cotidianas, atravessadas, de algum modo, pelo universo da escrita. </li></ul>
  41. 62. <ul><li>Numa sociedade letrada, a oralidade constitui-se como uma oralidade secundária (ONG, 1998), atravessada pelas práticas letradas existentes nessa sociedade. </li></ul>
  42. 63. <ul><li>O desenvolvimento da linguagem escrita e do processo de letramento de uma criança tem relação com o grau de letramento da família e dos grupos sociais dos quais participa, que afeta, provoca o letramento da criança. </li></ul><ul><li>...assim como tem relação com o seu modo de participação nas práticas discursivas escritas e orais que ressaltam usos, conhecimentos e valores da escrita. </li></ul>
  43. 64. <ul><li>É na interação com os outros, adultos e outras crianças que participam do mundo letrado, que a escrita vai se constituindo como foco de interesse da criança. </li></ul><ul><li>O outro é co-construtor do interesse do sujeito pela escrita e do fato desta torná-la foco de sua atenção. </li></ul><ul><li> Perspectiva sociointeracionista, sociodiscursiva de letramento </li></ul>
  44. 65. <ul><li>Os adultos letrados têm um papel fundamental nessa constituição, pois interpretando os atos das crianças como atos de leitura e escrita e essas como práticas merecedoras de atenção, tornam observáveis e dignos de interesse vários aspectos relativos à escrita e leitura. </li></ul>
  45. 66. Em cena...a delicadeza... De como o sujeito é provocado pelos eventos envolvendo um outro <ul><li>Mary escreveu, no computador, um texto para Lou, sobrinha querida, pedido dela para o seu aniversário. Depois o transformou em slides no Power Point . Falava poeticamente de Lou, de suas qualidades, sua delicadeza... </li></ul><ul><li>Delicadeza, delicadeza, delicadeza... </li></ul><ul><li>Mila quis fazer um também e, sozinha, digitou seu texto, usando uma estrutura próxima ao da avó e sua ortografia de menina recém alfabetizada. </li></ul><ul><li>Delicadeza, delicadeza, delicadeza... </li></ul><ul><li>Luan quis também... Foi ditando para Mila, dizendo seu texto para Lou. </li></ul><ul><li>Juntos, transformaram tudo em slides, para apresentar na festa de Lou. </li></ul>
  46. 67. <ul><li>Os eventos de letramento que ocorrem no meio digital, com o suporte do computador e com a intermediação da Internet, exigem novas práticas e novas habilidades de leitura e de escrita. </li></ul>
  47. 68. Eventos de Letramento <ul><li>A constituição da escrita como foco de interesse se dá de diferentes modos , que implicam a participação em eventos de letramento em que a escrita ou está presente ou é tomada como objeto de atenção nas interações. Esses diferentes modos podem se associar em um mesmo evento. </li></ul>
  48. 69. A constituição da escrita como foco de interesse <ul><li>Usos e funções da escrita como foco: </li></ul><ul><li>interações ou participação em torno das funções, relacionadas ou não a outros aspectos – forma, conteúdo, disposição – dos textos que circulam socialmente. </li></ul><ul><li>Ex. conversa sobre um livro, ou sobre uma receita de bolo, lista de compras, agenda, lista telefônica; pedir que um outro leia um trecho do jornal para obter determinada informação... </li></ul>
  49. 70. <ul><li>Exemplos </li></ul><ul><li>Seguindo os passos do pai, Joaquim pegou seu violãozinho de madeira e começou a cantar. Parou. Procurava algo. </li></ul><ul><li>- Cadê o livo , mãe? </li></ul><ul><li>- Que livro, filho? </li></ul><ul><li>- O livo pá cantar... </li></ul><ul><li>E assim foi ele até seus livros, pegou qualquer um e abriu, colocando no pufe e aí, sim, tocando e cantando o seu violão. Importante era ter o livro para olhar, tal qual seu pai, que abre o seu de canções cifradas. </li></ul>
  50. 71. <ul><li>Mila acompanha a avó que assistia a uma palestra e anotava coisas. De repente, pergunta, apontando: </li></ul><ul><li>- Vó, você está rabiscando aí o que ele tá falando lá? </li></ul><ul><li>Subiam os créditos finais do filme que acabara de assistir no DVD. Fazendo gestos seguidos de apontar a tela da TV, de baixo para cima, como sobem os créditos, Joaquim diz:  </li></ul><ul><li>- Mãe, o que é esses iquitinhos aí? </li></ul>
  51. 72. <ul><li>No caso das crianças, brincadeiras remetendo-se a situações do dia-a-dia que incluem a escrita: </li></ul><ul><li>Ex. tomar nota, preencher fichas, cheques, listar, olhar a lista telefônica, ao brincar de casinha ou mercado. </li></ul><ul><li>Daí a importância de, na Educação Infantil, disponibilizar nos espaços preparados para as brincadeiras livres, diversos portadores de escrita que podem ser incluídos nas brincadeiras das crianças, como agendas, talões de cheque, papel, folhetos de supermercado, lista telefônica, computador etc. </li></ul>
  52. 73. <ul><li>2. Conteúdos do universo da escrita e marcadores de gêneros textuais como foco : </li></ul><ul><li>Seja em presença ou ausência de textos, trazer para as práticas orais conteúdos e conhecimentos adquiridos por meio de práticas letradas. </li></ul><ul><li>Ex. fazer referência a elementos de narrativas conhecidas, falar de temas ou de aspectos que são aprendidos por meio de textos, de práticas letradas etc. </li></ul>
  53. 74. Exemplos: <ul><li>A babá e sua filha, que fazia faxina em casa vez por outra, conversavam na cozinha sobre um namorado que a outra filha dela arrumara. E, no meio da conversa, a irmã, referindo-se ao universo dos contos maravilhosos, diz: </li></ul><ul><li>- Esse está mais pra sapo do que pra príncipe... </li></ul>
  54. 75. <ul><li>Com 3 anos e meio, se achando um menino grande, Joaquim não quer mais chamar a mamãe quando acorda, para pedir o leitinho. Levanta sozinho, procura sua babá na cozinha, vai para a sala, brinca com seus carrinhos, ou fica cantarolando, conversando com seus brinquedos no quarto. </li></ul><ul><li>Certo dia, ouvindo a casa em silêncio, pois a babá não havia chegado e ninguém havia ainda acordado – e certamente querendo atenção ou leitinho – ficou enrolando na cama, virando para lá e para cá, e de repente soltou essa: </li></ul><ul><li>- Cocolicó, cocolicó!!! </li></ul><ul><li>- Cocolicó, cocolicó!!! (mais alto) </li></ul><ul><li>Menino urbano, certamente não aprendeu isso na experiência, não tem essa vivência de roça. Aprendeu que o galo canta para acordar os outros em filmes e livros, provavelmente no seu livro Dorminhoco, em que o cachorro que dorme e ronca, depois das tentativas frustradas de todos os bichos de acordá-lo, é despertado pelo galo que canta ao amanhecer... </li></ul>
  55. 76. <ul><li>Usar marcadores que caracterizam gêneros textuais articulados a práticas letradas. </li></ul><ul><li>Ex. Ao pegar um livro, usar ao “Era uma vez...”, “Um dia...” para as histórias. Ou ao ditar uma carta, usar marcadores desse gênero, como uma fórmula de abertura, data, saudação, despedida, assinatura. </li></ul>
  56. 77. Exemplos <ul><li>Com pouco mais de 2 anos, ao contar as histórias que ouvia na escola ou quando abria os livros, Joaquim dizia: </li></ul><ul><li>“ Um dia...”,“ Ela uma vez...”, “e folam felizes pala sempe ”, reconhecendo e usando esses marcadores de abertura e fechamento das narrativas. </li></ul>
  57. 78. <ul><li>3. Ação de produzir leitura e escrita como foco: </li></ul><ul><li>a. Ações de leitura e escrita autônoma , ainda que rudimentares e sem o domínio ainda completo do sistema de escrita; </li></ul><ul><li>b. Diante de suportes de leitura e escrita,“falar como se lesse”, “fazer-de-conta que lê”, “falar à maneira da escrita...”; “agir como se escrevesse”; “fazer-de-conta que escreve”, ler sem saber ler, escrever sem saber escrever convencionalmente. </li></ul>
  58. 79. “ Mãe, aqui eu tô fazendo um plano, ó! É nosso plano de mudança... Umas bolotas...saco pá botar as coisas... pá levar... Tudo iquito aí. É o plano pá salvar a nossa vida!!! ... Pá salvar nossa casa...as coisas...na mudança. O plano pá isso!” Joaquim, 3 anos, abril de 2010 Produção próxima a nossa mudança de casa
  59. 80. Exemplos <ul><li>Joaquim faz um bolo e checa a receita </li></ul><ul><li>Sempre que vou fazer um bolo ou biscoito, Joaquim vem fazer comigo e adora mexer a massa, colocar os ingredientes, e fica bem ligado nos passos e nos ingredientes. Já sabe que num bolo tem sempre falinha , açúcar, ovos, manteiga... E sempre me vê olhando as receitas, faz perguntas, explico o porquê. </li></ul><ul><li>Um dia, fui fazer um bolo diferente e imprimi a receita. Ele quis uma pra ele também. Colocamos nossas receitas na mesa e seguimos fazendo o bolo. </li></ul><ul><li>Cada ingrediente que ele me ajudava a colocar na tigela, ele “checava” na sua receita: “é, isso mesmo, mãe, tem ‘ fa-li-nha’ aqui. Tá certo, mãe”. </li></ul>
  60. 81. <ul><li>Lendo um bilhete </li></ul><ul><li>Com 2 anos e 2 meses, veio um bilhete da escola para os pais, sobre uma merenda coletiva que haveria no final da semana. Joaquim me entregou dizendo: </li></ul><ul><li>-“Tá iquito aqui, uva, U-VA, que é pá eu tazê pá icola, melendá ”. </li></ul>
  61. 82. <ul><li>Shampoo e condicinador </li></ul><ul><li>Tomando banho, o shampoo no fim, a babá, desavisada, diz: </li></ul><ul><li>- Não, bê, tem outro aqui, ó, cheinho! </li></ul><ul><li>Ele, bavo , como diz, meio impaciente, pega a embalagem do antes referido “queminho” e aponta o escrito, dizendo: </li></ul><ul><li>- Não, Zéu, ó, é CON-DI-ÇO-NA-DÔ. CON-DI-ÇO-NA-DÔ , tá vendo???!!! Não é Shampoo! </li></ul><ul><li>E foi recentemente que nomeei condicionador ao que antes era “queminho”. Silabando, o moleque!!!! </li></ul>
  62. 83. <ul><li>c. Leitura logográfica : </li></ul><ul><li>A leitura visual, global, pelos indícios visuais da palavra e seu entorno, muito comum na leitura de logomarcas, rótulos, títulos estilizados de filmes etc, também constitui-se em ação de produzir leitura, de ler sem ainda saber decodificar, de agir como se lesse, de ação de leitura. </li></ul>
  63. 84. Luan lê a cidade...
  64. 85. Joaquim lê a cidade...
  65. 86. <ul><li>d. Ações de leitura e escrita com apoio , através de alguém alfabetizado (leitor, escriba): </li></ul><ul><li>Ex. </li></ul><ul><li>Ditar um texto (palavra, carta, relato, narrativa, por exemplo) para um outro registrar. Trata-se, no caso de textos, do conhecimento da linguagem que se usa para escrever, ainda que via oralidade. </li></ul><ul><li>Solicitar um outro que leia um texto (ou se interessar pela leitura), para se informar ou usufruir dessa leitura (é ação de leitura, mas implica também o conhecimento de usos e funções, item 1 ). </li></ul>
  66. 87. Fabiana, 6 anos. In: Lúcia Browne Rego, Literatura infantil: uma nova perspectiva para a alfabetização na pré-escola. Ed. FTD
  67. 88. A Menina do Chapéu Verde
  68. 89. <ul><ul><li>Pede para o adulto ler livros e outros textos e ouve atentamente; </li></ul></ul><ul><ul><li>Completa a nossa leitura, quando já conhece a história; </li></ul></ul><ul><ul><li>Pergunta em diversas ocasiões: “O que tá iquito aqui?”; </li></ul></ul><ul><ul><li>Solicita em diversas situações: “ esquêva aí ó”. </li></ul></ul>E Joaquim, como muitas crianças...:
  69. 90. <ul><li>e. As próprias práticas e ações de leitura e escrita como foco de interesse, mas não produzindo, de fato, leitura e escrita: </li></ul><ul><li>Referir-se à prática de ler e escrever, às ações ligadas a essas práticas. </li></ul>
  70. 91. <ul><li>Dora, perto de seu aniversário de 2 anos, na livraria, olhava vários livros, numa mesa com outras crianças. De repente, uma menina pegou um livro da mão dela, meio abruptamente. Sem pestanejar, ela responde ao ato, com desdém: </li></ul><ul><li>- Eu já li esse. </li></ul><ul><li>Joaquim protesta ao me ver pegar uma revista: </li></ul><ul><li>- Ah, mãe, eu é que tava lendo esse... </li></ul><ul><li>Joaquim pede uma caneta. Eu, inadvertidamente lhe ofereço um lápis. E ele: </li></ul><ul><li>- Não, mãe, caneta. Eu vou isquêvê . </li></ul>Exemplos:
  71. 92. <ul><li>Um dia (2 anos e 3 meses), depois de tantos eventos de Joaquim lendo livros a seu modo, ocorreu dele começar a contar um, que sempre ele conta, e parar. Disse: </li></ul><ul><li>- Mãe, esse livro é meu, mas eu te empesto . Pá você ler pá mim. </li></ul><ul><li>- Mas tá tão legal você lendo filho! </li></ul><ul><li>- Mas eu não sei ler!!! </li></ul><ul><li>Joaquim ganhou um livro dos Três porquinhos, uma história que sempre eu contava para ele, sem livro, na hora de dormir. Quando eu estava lendo o livro ele comentou: </li></ul><ul><li>- Agola você pode ler, né, mãe? Você antes contava só com a voz... </li></ul><ul><li>Sempre que está no Shopping, Joaquim faz questão, depois de brincar no parquinho, de ir ver os livos . Um dia, inclusive, levou alguns brinquedos e ao descer do carro, disse: </li></ul><ul><li>- Mãe, vou deixar os blinquedos no carro, se não eu fico segulando e não posso ler os livos ”. </li></ul>
  72. 93. <ul><li>4. Constituição de quaisquer elementos do sistema alfabético como merecedores de atenção e interesse, em interações que “recortam” esses elementos dos sistema como relevantes: </li></ul><ul><li>Interações em torno dos signos da escrita, letras, da diferença entre letra e não letras (desenhos, números), palavras, parte de palavras, relações entre segmentos de fala e segmentos de grafia, direção da leitura etc. </li></ul>
  73. 94. Exemplos: <ul><li>Dora e os homeopáticos de Joaquim </li></ul><ul><li>No tempo que se interessava pelas letras de seu nome, Dora as reparva em todo lugar. Um dia ficou perguntando sobre as letras escritas nos frasquinhos de remédios homeopáticos de Joaquim: M (manhã), T (tarde) e N (noite). Para que servia, que letras eram, o que diziam, quem botou elas ali e por que. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Joaquim, perto de 3 anos </li></ul><ul><li>Joaquim começa a reparar em letas e númelos ...escritos em carros, em livros, na tela, no celular...Contava desde antes dos 3 anos: 1, 2, 3, 9, 14, 44... </li></ul><ul><li>Luan, reconhecendo as letras de seu nome </li></ul><ul><li>Diante de uma palavra com duas letras A, diz: </li></ul><ul><li>- Olha, tem dois “ares”! </li></ul>
  74. 95. Nessas interações em torno dos diversos aspectos do sistema de escrita , que não são didáticas nem planejadas, o adulto passa a apontá-los, nomeá-los, chamar a atenção para eles, a singularizá-los, a dar pistas de seus usos e, a criança, num jogo especular , passa a focar a atenção também nesses elementos.
  75. 96. <ul><li>Os eventos de letramento tanto podem referir-se à escrita como prática social e discursiva quanto à escrita quanto sistema notacional , pois as construções relativas ao sistema alfabético (alfabetização) também fazem parte do processo de letramento. </li></ul>
  76. 97. Enfim... Eventos de letramento são esses acontecimentos... ...ocorrências... episódios... ...que podem, inclusive, virar pequenas histórias, anedotas, como as que contamos aqui. Como mãe e avó, e como pesquisadoras, registramos esses eventos como pérolas de estudo e de amor, por compartilhar com nossas crianças essas ricas interações, em que elas vão se apropriando devagarzinho, mas desde sempre, do mundo da escrita. Lica e Mary
  77. 98. O PRINCIPIANTE Cecília Meireles Sua mão mal se movimenta, custa a escorregar pela mesa, caracol no jardim da ciência, desenrolando letra a letra a obscura linha do seu nome. Ah, como é leve o átomo puro, e ágil o equilíbrio do mundo, e rápido, e célere, o curso do céu, do destino de tudo! Mas na terra o pálido aluno devagar escreve o seu nome.
  78. 99. Nossos Blogs http://maryarapiraca.wordpress.com/ http://oficinasdealfabetizacao.blogspot.com/
  79. 100. Referências : <ul><li>ECO, U. From Internet to Gutemberg. 1996. Disponível em: http://www.hf.ntnu.no/anv/Finnbo/tekster/Eco/Internet.htm </li></ul><ul><li>HEATH, S. Protean shapes in literacy events: ever-shifting oral and literate traditions. In: TANNEN, D. (Ed.). Spoken and written language : exploring orality and literacy. Norwood, N.J.: Ablex, 1982, p. 91-117. </li></ul><ul><li>KLEIMAN, A. (Org.). Os significados do letramento : uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 1995, p. 15-61. </li></ul><ul><li>KLEIMAN, A. Ação e mudança na sala de aula: uma pesquisa sobre letramento e interação. In: ROJO, R. (Org.). Alfabetização e letramento : perspectivas linguísticas. Campinas: Mercado de Letras, 1998, p. 173-203. </li></ul><ul><li>MAYRINK-SABINSON, M.L. Reflexões sobre o processo de aquisição da escrita. In: ROJO, R. Alfabetização e Letramento : perspectivas linguísticas. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1998 </li></ul><ul><li>ONG, W.J. Oralidade e cultura escrita . Campinas: Papirus, 1998. </li></ul><ul><li>SOARES, M. Letramento : um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998. </li></ul><ul><li>SOARES, M. Novas práticas de leitura e letramento na cibercultura. Educ. Soc . , Campinas, vol. 23, n. 81, p. 143-160, dez. 2002 143. Disponível em http://www.cedes.unicamp.br </li></ul><ul><li>TERZI, S.B. Afinal, para quê ensinar a língua escrita? Revista da FACED , Salvador, </li></ul><ul><li>n.7, p. 227-241, 2003. </li></ul><ul><li>TFOUNI, L.V. Adultos não alfabetizados : o avesso do avesso. Campinas: Pontes, 1988. </li></ul><ul><li>TFOUNI, L.V. Letramento e alfabetização . São Paulo: Cortez, 1995. </li></ul>

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