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Poemas

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Dia Mundial da Poesia

Publicado en: Educación
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Poemas

  1. 1. Autopsicografia O poeta � um fingidor. Finge t�o completamente Que chega a fingir que � dor A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, Na dor lida sentem bem, N�o as duas que ele teve, Mas s� a que eles n�o t�m. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a raz�o, Esse comboio de corda Que se chama cora��o. Fernando Pessoa
  2. 2. Ser Poeta Ser Poeta � ser mais alto, � ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! � ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aqu�m e de Al�m Dor! � ter de mil desejos o esplendor E n�o saber sequer que se deseja! � ter c� dentro um astro que flameja, � ter garras e asas de condor! � ter fome, � ter sede de Infinito! Por elmo, as manh�s de oiro e de cetim... � condensar o mundo num s� grito! E � amar-te, assim, perdidamente... � seres alma e sangue e vida em mim E diz�-lo cantando a toda gente! Florbela Espanca
  3. 3. Amor � fogo que arde sem se ver Amor � fogo que arde sem se ver; � ferida que d�i e n�o se sente; � um contentamento descontente; � dor que desatina sem doer; � um n�o querer mais que bem querer; � solit�rio andar por entre a gente; � nunca contentar-se de contente; � cuidar que se ganha em se perder; � querer estar preso por vontade; � servir a quem vence, o vencedor; � ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos cora��es humanos amizade, Se t�o contr�rio a si � o mesmo Amor? Lu�s de Cam�es
  4. 4. As Palavras S�o como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um inc�ndio. Outras, orvalho apenas. Secretas v�m, cheias de mem�ria. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as �guas estremecem. Desamparados, inocentes, leves. Tecidas s�o de luz e s�o a noite. E mesmo p�lidas verdes para�sos lembram ainda. Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cru�is, desfeitas, nas suas conchas puras?
  5. 5. Eug�nio de Andrade Porque os outros se mascaram mas tu n�o Porque os outros se mascaram mas tu n�o Porque os outros usam a virtude Para comprar o que n�o tem perd�o. Porque os outros t�m medo mas tu n�o. Porque os outros s�o os t�mulos caiados Onde germina calada a podrid�o. Porque os outros se calam mas tu n�o. Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos d�o sempre dividendo. Porque os outros s�o h�beis mas tu n�o. Porque os outros v�o � sombra dos abrigos E tu vais de m�os dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu n�o.
  6. 6. Sophia de Mello Breyner Andresen E Tudo era Poss�vel Na minha juventude antes de ter sa�do da casa de meus pais disposto a viajar eu conhecia j� o rebentar do mar das p�ginas dos livros que j� tinha lido Chegava o m�s de maio era tudo florido o rolo das manh�s punha-se a circular e era s� ouvir o sonhador falar da vida como se ela houvesse acontecido E tudo se passava numa outra vida e havia para as coisas sempre uma sa�da Quando foi isso? Eu pr�prio n�o o sei dizer S� sei que tinha o poder duma crian�a entre as coisas e mim havia vizinhan�a e tudo era poss�vel era s� querer Ruy Belo
  7. 7. L�grima de preta "Encontrei uma preta que estava a chorar, pedi-lhe uma l�grima para a analisar. Recolhi a l�grima com todo o cuidado num tubo de ensaio bem esterilizado. Olhei-a de um lado, do outro e de frente: tinha um ar de gota muito transparente. Mandei vir os �cidos, as bases e os sais, as drogas usadas em casos que tais. Ensaiei a frio, experimentei ao lume, de todas as vezes deu-me o que � costume: Nem sinais de negro, nem vest�gios de �dio. �gua (quase tudo) e cloreto de s�dio." Ant�nio Gede�o
  8. 8. Segredo Sei um ninho e o ninho tem um ovo; e o ovo, redondinho, tem l� dentro um passarinho novo. Mas escusas de me tentar: nem o tiro nem o ensino; quero ser um bom menino, e guardar este segredo comigo, e ter depois um amigo que fa�a o pino a voar. Miguel Torga
  9. 9. . Escada sem corrim�o � uma escada em caracol e que n�o tem corrim�o. Vai a caminho do Sol mas nunca passa do ch�o. Os degraus, quanto mais altos, mais estragados est�o. Nem sustos, nem sobressaltos servem sequer de li��o. Quem tem medo n�o a sobe Quem tem sonhos tamb�m n�o. H� quem chegue a deitar fora o lastro do cora��o. Sobe-se numa corrida. Correm-se p'rigos em v�o. Adivinhaste: � a vida a escada sem corrim�o. David Mour�o-Ferreira

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