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Gestão Pedagógica Estratégica com Ênfase na
         Emancipação do Indivíduo




          PROJETO DE PESQUISA




               Eduardo Vieira Corrêa
                      2010
Trabalho exigido como avaliação da Disciplina
Métodos de Investigação e Escrita Científica, sob
orientação da Profa. Dra. Suely Galli do Programa
de Mestrado em Ciências da Educação na
Especialidade de Administração Escolar.
Título: Gestão Pedagógica Estratégica com Ênfase na Emancipação do Indivíduo
Autor: Eduardo Vieira Corrêa
Instituição: Faculdade Mário Schenberg – Grupo Lusófona Brasil - Cotia SP - 2010
Pós-Graduação em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores com
acesso ao Mestrado Europeu em Ciências da Educação
Docente Responsável: Dra. Suely Galli Soares


INTRODUÇÃO

    “Planejar é preciso, pois não há vento favorável para quem não sabe para onde quer ir.”
                                                                                                                     Sêneca


“O planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas às implicações futuras das decisões
                                                       presentes.”
                                                                                                            Peter Drucker
               Ainda não existe, na maioria das instituições de ensino brasileiras, sejam
públicas ou privadas, consciência quanto à importância da Gestão Pedagógica
Estratégica. Falar em estratégia nos remete, num primeiro momento, à sua principal
função significativa vocabular, do grego “strategía”,
                                a arte militar de planejar e executar movimentos e operações de tropas,
                               navios e/ ou aviões, visando a alcançar ou manter posições relativas e
                               potenciais bélicos favoráveis às futuras ações táticas sobre determinados
                               objetivos; escolha de onde, quando e com quem batalhar; arte de aplicar
                               meios disponíveis com vista à consecução de objetivos específicos; arte de
                                                                                                                            1
                               explorar condições favoráveis com o fim de alcançar objetivos específicos.
               Coaduna-se, com efeito, à palavra planejamento que quer dizer trabalho
de preparação para qualquer empreendimento, segundo roteiros e métodos
determinados; planificação; processo que leva a um conjunto coordenado de ações;
elaboração de programas e planos.
               Obviamente não queremos aqui, explicitando o significado das palavras
mestras desse esboço, inflamar a idéia de guerra em favor da educação. Pelo
contrário, queremos sim alertar para um mal que assola muitas instituições de
ensino no Brasil: a falta de planejamento e de estratégias para uma gestão
pedagógica eficiente com ênfase na emancipação do indivíduo. Nesse sentido,

1
    Retirado do Dicionário Aurélio Século XXI. Cabe salientar que, apesar do significado nos direcionar para o sentido belicoso
    não é, pois, a sala de aula o terreno para tal consecução. Contudo, a significância do termo nos remete à necessidade de
    pensar na movimentação político-pedagógica das instituições de ensino, necessidade de missão institucional, visão de
    futuro e observância dos objetivos a serem alcançados.
Paulo Freire é emblemático por destacar as exigências necessárias à prática
educativa libertadora. Em seu livro Pedagogia da Autonomia ele afirma que
                     Quanto mais me torno capaz de me afirmar como SUJEITO que pode
                     conhecer tanto melhor desempenho minha aptidão para faze-lo.
                     Ninguém pode conhecer por mim assim como não posso conhecer pelo
                     aluno. O que posso e o que devo fazer é, na perspectiva progressista que
                     me acho, ao ensinar-lhe certo conteúdo, desafia-lo a que se vá percebendo
                     na e pela própria prática, sujeito capaz de saber. Meu papel enquanto
                     educador (...) é ajuda-lo a reconhecer-se como arquiteto de sua própria
                     prática cognoscitiva. (FREIRE:   140).
          No meio educacional há muito o que se implementar em termos de
tecnologias de gestão institucional e a atual formação do gestor encontra-se ainda
lento no atendimento dessa demanda. Tanto é que, na opinião de Suely Galli
Soares, o processo de modernização deve contemplar a infra-estrutura material
(equipamentos, matéria-prima e ferramental), a infra-estrutura pessoal (acervo de
conhecimento, tecnologias e procedimentos operacionais) e a infra-estrutura de
comunicação e marketing (imagem publicitária, identidade do negócio e lugar que
ocupa nos meios de comunicação interno e externo). Por isso falar em Planejamento
Estratégico como forma de estabelecer uma missão e uma visão para as escolas,
afinal, “não há vento favorável para quem não sabe para onde quer ir”.
Conseqüentemente, objetivos, metas, princípios e valores serão percebidos com
maior clareza. Ganhará em qualidade quem souber aonde quer chegar, como
chegar, quando chegar; quem souber antever passos, estabelecer as ações mais
criativas; e, principalmente, quem conseguir revestir toda a equipe no manto de uma
nova ordem organizacional e procedimental dentro da própria instituição.
          Segundo Ryon Braga e Carlos Monteiro, três justificativas explicam
porque instituições educacionais brasileiras ainda não se conscientizaram quanto à
importância das questões estratégicas:
          1. A competitividade no setor educacional é relativamente recente se
comparada a outros setores da economia;
          2. A mentalidade de mantenedores e dirigentes ainda é pouco afeita aos
avanços da “ciência da gestão”, uma vez que, diferentemente de outros setores da
economia, boa parcela dos dirigentes educacionais não tiveram formação em gestão
e nem prática mercadológica que seus cargos exigem;
          3. As tarefas rotineiras e operacionais de uma instituição de ensino
costumam ser tão envolventes que os gestores educacionais ocupam quase todo o
seu tempo “apagando incêndios” ou cumprindo rituais burocráticos, restando
pouquíssimo tempo para planejar o futuro de sua empresa.
É líquido e certo que vivemos, atualmente, as experiências que outros setores da
economia já vivenciam há mais tempo. É notório, também, que a cada dia
ferramentas de gestão são aperfeiçoadas e o quanto as novas tecnologias
interferem nos resultados administrativos e pedagógicos da instituição. Ensino forte
e boas instalações não     garantem o sucesso pedagógico-administrativo de uma
escola. Buscar elementos qualitativos, novas tecnologias, procedimentos de gestão
e qualificação do corpo técnico perfazem, nesse ínterim, o caminho mais seguro no
que tange o alcance dos objetivos educacionais. Acreditamos que um PDI (Plano de
Desenvolvimento Institucional) – documento que identifica uma instituição e que
revela sua filosofia e proposta político-pedagógica – poderia ser construído e
integrar o Planejamento Estratégico das Instituições de Ensino. Qual a nossa missão
enquanto instituição? Qual a nossa visão de futuro? Quais as nossas metas,
objetivos e estratégias para alcançá-las? Estamos sensíveis e conscientes quanto a
real necessidade desse trabalho? Como desenvolver um trabalho que alie
planejamento e emancipação do indivíduo com vistas ao desenvolvimento pleno de
sua cidadania? As respostas a essas perguntas nos indicarão a relevância e a
urgência na consecução do mesmo.


JUSTIFICATIVA

           O Administrador Escolar formado pelo Programa de Mestrado            em
Ciências da Educação na Especialidade de Administração Escolar da Faculdade
Mario Schenberg/ Escola Superior de Educação Almeida Garret, prevê um
profissional capaz de administrar uma escola com os princípios da ciência da
educação, o que supõe a pesquisa e       os estudos sistematizados. Desta forma,
conhecer por meio da investigação científica os fenômenos do setor educacional
justifica esse projeto de pesquisa.
           Além disso, atualmente o setor educacional vivencia muitos fenômenos
corriqueiros tais como: fusões, aquisições, parcerias, etc. Portanto, é importante
saber o que as escolas tem feito para cumprir seu papel institucional de forma a
obter resultados no nível educacional utilizando ferramentas da gestão pedagógica
estratégica.


OBJETIVOS


     1. Conhecer quais ferramentas de gestão pedagógica estratégica as instituições
         de ensino, tanto públicas quanto privadas, vêm utilizando;
     2. Saber o que fazem para aprimorar a qualidade de ensino com vistas à
         emancipação do indivíduo.


METODOLOGIA

               A modernidade inaugurou uma forma de racionalidade na qual há
prevalência da relação meios-fins. De acordo com Boaventura de Sousa Santos2
                              à medida que se foi construindo a vitória da burguesia, o espaço do
                             presente como repetição foi se ampliando. Hoje a burguesia sente que sua
                             vitória histórica está consumada e ao vencedor consumado não interessa
                             senão a repetição do presente (Santos,           1989).
               Em suma, o projeto educativo da sociedade burguesa é o da aplicação
técnica da Ciência. A contrapartida reside na educação emancipatória visto que a
modernidade e seu modelo de verdade burguesa constrange, reduz, limita, sufoca e
trivializa o indivíduo conformando-o e o encerrando num presente sem fim. Não
obstante, as escolas tornara-se centros reprodutores desse status perverso presas,
também, nesse presente sem perspectivas de futuro. Nesse sentido, a gestão
pedagógica estratégica com ênfase na emancipação do indivíduo cumpre duplo
papel: o de gerir a partir de ferramentas da Administração Estratégica Planejada e,
por conseguinte, como diria Paulo Freire, tornar os indivíduos capazes de ir além de
seus condicionantes (2001:28).
               Com       efeito,     a     pesquisa        educacional          requer       abordagens          que
correspondam a especificidade desse segmento social, a escola e suas relações. A
pesquisa trabalha com o universo dos significados, motivos, aspirações, crenças,
valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos
processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização das
variáveis (MINAYO, 1994:21). É verdade, também, que é necessário método para a
2
    Boaventura de Sousa Santos é professor da Faculdade de Economia e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de
    Coimbra
abordagem científica do recorte de realidade que se deseja investigar. Alerta Antônio
Joaquim Severino que
                     não basta seguir um método e aplicar técnicas para se completar o
                     entendimento do procedimento geral da ciência. Esse procedimento precisa
                     ainda referir-se a um fundamento epistemológico que sustenta e justifica a
                     própria metodologia aplicada. É que a ciência é sempre o enlace de uma
                     malha teórica com os dados empíricos, é sempre uma articulação do lógico
                     com o real, do teórico com o empírico, do ideal com o real. Toda a
                     modalidade de conhecimento realizado por nós implica uma condição
                     prévia, um pressuposto relacionado a nossa concepção da relação sujeito/
                     objeto (SEVERINO,     2003:100).
          É notório o caráter complementar das citações acima no tocante a
pesquisa que se pretende neste projeto. A preocupação está em circunscrever o
objeto, verifica-lo quantitativa e qualitativamente e analisa-lo em sua complexidade.
          Para bem compreender o fenômeno da gestão pedagógica estratégica e
a implicação disso na qualidade do ensino com vistas à emancipação do indivíduo
lançaremos mão dos seguintes instrumentos para analisar instituições de ensino
públicas e privadas do Estado de São Paulo:
   1. Revisão Bibliográfica;
   2. Questionário (análise quantitativa);
   3. Entrevistas (análise qualitativa).


RESULTADOS ESPERADOS

          Através da análise de todos os instrumentos de pesquisa utilizados
espera-se conhecer o que as escolas públicas e privadas tem feito na sua Gestão
Pedagógica Estratégica e como elas preparam o cidadão para o exercício de suas
prerrogativas sociais. Além disso, esperamos produzir e trazer elementos que
auxiliem na ampliação e avanço dos debates sobre gestão escolar.


BIBLIOGRAFIA


BARROS, A. de J. P. de; LEHFELD, N. A. de S. Projeto de pesquisa: propostas
metodológicas. Petropólis: Editora Vozes, 2003.
BRAGA, Ryon & MONTEIRO, Carlos. Planejamento estratégico sistêmico para
  instituições de ensino. Espírito Santo: Hoper Editora, 2005.
DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. São Paulo: Editora Cortez,
1991.
______________ Metodologia científica em ciências sociais. São Paulo: Editora
Atlas, 2007.
DRUCKER, Peter. Prática de Administração de Empresas. Rio de Janeiro: Fundo
de Cultura, 1962.
FAZENDA, I. (org). Novos enfoques da pesquisa educacional. São Paulo: Editora
Cortez, 1999.
______________ Metodologia da pesquisa educacional. São Paulo: Editora
Cortez, 1989.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2001.
GAJARDO, M. Pesquisa participante na América latina. São Paulo: Editora
Braziliense, 1986.
LÖWY, M. Ideologias e ciência social: elementos para uma análise marxista.
São Paulo: Editora Cortez, 1989.
LUNA, S. V. de. Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: EDUC –
ED. Da PUC/SP, 2000.
MEDEIROS, J. B. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos,
resenhas. São Paulo: Editora Ática, 2000.
MINAYO, M. C. de S. (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade.
Petrópolis: Editora Vozes, 1994.
PÁDUA, E. M. M. de. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico-prática. São
Paulo: Editora Papirus, 1999.
PLANO de desenvolvimento institucional – PDI: diretrizes para elaboração.
Ministério da Educação. Secretaria de Educação Superior. Secretaria de Educação
Profissional e Tecnológica, 2004.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Editora Cortez,
2003.
SOARES, S. G. Educação e integração social. Campinas: Editora Alínea, 2003.
______________       Arquitetura    da   identidade   sobre   educação, ensino e
aprendizagem. São Paulo: Editora Cortez, 2001.
SOARES, S. G. (org). Cultura do desafio: gestão de tecnologias de informação e
comunicação no ensino superior. Campinas: Editora Alínea, 2006.
TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa
qualitativa. São Paulo: Editora Atlas, 2008.

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  • 1. Gestão Pedagógica Estratégica com Ênfase na Emancipação do Indivíduo PROJETO DE PESQUISA Eduardo Vieira Corrêa 2010
  • 2. Trabalho exigido como avaliação da Disciplina Métodos de Investigação e Escrita Científica, sob orientação da Profa. Dra. Suely Galli do Programa de Mestrado em Ciências da Educação na Especialidade de Administração Escolar.
  • 3. Título: Gestão Pedagógica Estratégica com Ênfase na Emancipação do Indivíduo Autor: Eduardo Vieira Corrêa Instituição: Faculdade Mário Schenberg – Grupo Lusófona Brasil - Cotia SP - 2010 Pós-Graduação em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores com acesso ao Mestrado Europeu em Ciências da Educação Docente Responsável: Dra. Suely Galli Soares INTRODUÇÃO “Planejar é preciso, pois não há vento favorável para quem não sabe para onde quer ir.” Sêneca “O planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas às implicações futuras das decisões presentes.” Peter Drucker Ainda não existe, na maioria das instituições de ensino brasileiras, sejam públicas ou privadas, consciência quanto à importância da Gestão Pedagógica Estratégica. Falar em estratégia nos remete, num primeiro momento, à sua principal função significativa vocabular, do grego “strategía”, a arte militar de planejar e executar movimentos e operações de tropas, navios e/ ou aviões, visando a alcançar ou manter posições relativas e potenciais bélicos favoráveis às futuras ações táticas sobre determinados objetivos; escolha de onde, quando e com quem batalhar; arte de aplicar meios disponíveis com vista à consecução de objetivos específicos; arte de 1 explorar condições favoráveis com o fim de alcançar objetivos específicos. Coaduna-se, com efeito, à palavra planejamento que quer dizer trabalho de preparação para qualquer empreendimento, segundo roteiros e métodos determinados; planificação; processo que leva a um conjunto coordenado de ações; elaboração de programas e planos. Obviamente não queremos aqui, explicitando o significado das palavras mestras desse esboço, inflamar a idéia de guerra em favor da educação. Pelo contrário, queremos sim alertar para um mal que assola muitas instituições de ensino no Brasil: a falta de planejamento e de estratégias para uma gestão pedagógica eficiente com ênfase na emancipação do indivíduo. Nesse sentido, 1 Retirado do Dicionário Aurélio Século XXI. Cabe salientar que, apesar do significado nos direcionar para o sentido belicoso não é, pois, a sala de aula o terreno para tal consecução. Contudo, a significância do termo nos remete à necessidade de pensar na movimentação político-pedagógica das instituições de ensino, necessidade de missão institucional, visão de futuro e observância dos objetivos a serem alcançados.
  • 4. Paulo Freire é emblemático por destacar as exigências necessárias à prática educativa libertadora. Em seu livro Pedagogia da Autonomia ele afirma que Quanto mais me torno capaz de me afirmar como SUJEITO que pode conhecer tanto melhor desempenho minha aptidão para faze-lo. Ninguém pode conhecer por mim assim como não posso conhecer pelo aluno. O que posso e o que devo fazer é, na perspectiva progressista que me acho, ao ensinar-lhe certo conteúdo, desafia-lo a que se vá percebendo na e pela própria prática, sujeito capaz de saber. Meu papel enquanto educador (...) é ajuda-lo a reconhecer-se como arquiteto de sua própria prática cognoscitiva. (FREIRE: 140). No meio educacional há muito o que se implementar em termos de tecnologias de gestão institucional e a atual formação do gestor encontra-se ainda lento no atendimento dessa demanda. Tanto é que, na opinião de Suely Galli Soares, o processo de modernização deve contemplar a infra-estrutura material (equipamentos, matéria-prima e ferramental), a infra-estrutura pessoal (acervo de conhecimento, tecnologias e procedimentos operacionais) e a infra-estrutura de comunicação e marketing (imagem publicitária, identidade do negócio e lugar que ocupa nos meios de comunicação interno e externo). Por isso falar em Planejamento Estratégico como forma de estabelecer uma missão e uma visão para as escolas, afinal, “não há vento favorável para quem não sabe para onde quer ir”. Conseqüentemente, objetivos, metas, princípios e valores serão percebidos com maior clareza. Ganhará em qualidade quem souber aonde quer chegar, como chegar, quando chegar; quem souber antever passos, estabelecer as ações mais criativas; e, principalmente, quem conseguir revestir toda a equipe no manto de uma nova ordem organizacional e procedimental dentro da própria instituição. Segundo Ryon Braga e Carlos Monteiro, três justificativas explicam porque instituições educacionais brasileiras ainda não se conscientizaram quanto à importância das questões estratégicas: 1. A competitividade no setor educacional é relativamente recente se comparada a outros setores da economia; 2. A mentalidade de mantenedores e dirigentes ainda é pouco afeita aos avanços da “ciência da gestão”, uma vez que, diferentemente de outros setores da economia, boa parcela dos dirigentes educacionais não tiveram formação em gestão e nem prática mercadológica que seus cargos exigem; 3. As tarefas rotineiras e operacionais de uma instituição de ensino
  • 5. costumam ser tão envolventes que os gestores educacionais ocupam quase todo o seu tempo “apagando incêndios” ou cumprindo rituais burocráticos, restando pouquíssimo tempo para planejar o futuro de sua empresa. É líquido e certo que vivemos, atualmente, as experiências que outros setores da economia já vivenciam há mais tempo. É notório, também, que a cada dia ferramentas de gestão são aperfeiçoadas e o quanto as novas tecnologias interferem nos resultados administrativos e pedagógicos da instituição. Ensino forte e boas instalações não garantem o sucesso pedagógico-administrativo de uma escola. Buscar elementos qualitativos, novas tecnologias, procedimentos de gestão e qualificação do corpo técnico perfazem, nesse ínterim, o caminho mais seguro no que tange o alcance dos objetivos educacionais. Acreditamos que um PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional) – documento que identifica uma instituição e que revela sua filosofia e proposta político-pedagógica – poderia ser construído e integrar o Planejamento Estratégico das Instituições de Ensino. Qual a nossa missão enquanto instituição? Qual a nossa visão de futuro? Quais as nossas metas, objetivos e estratégias para alcançá-las? Estamos sensíveis e conscientes quanto a real necessidade desse trabalho? Como desenvolver um trabalho que alie planejamento e emancipação do indivíduo com vistas ao desenvolvimento pleno de sua cidadania? As respostas a essas perguntas nos indicarão a relevância e a urgência na consecução do mesmo. JUSTIFICATIVA O Administrador Escolar formado pelo Programa de Mestrado em Ciências da Educação na Especialidade de Administração Escolar da Faculdade Mario Schenberg/ Escola Superior de Educação Almeida Garret, prevê um profissional capaz de administrar uma escola com os princípios da ciência da educação, o que supõe a pesquisa e os estudos sistematizados. Desta forma, conhecer por meio da investigação científica os fenômenos do setor educacional justifica esse projeto de pesquisa. Além disso, atualmente o setor educacional vivencia muitos fenômenos corriqueiros tais como: fusões, aquisições, parcerias, etc. Portanto, é importante saber o que as escolas tem feito para cumprir seu papel institucional de forma a obter resultados no nível educacional utilizando ferramentas da gestão pedagógica
  • 6. estratégica. OBJETIVOS 1. Conhecer quais ferramentas de gestão pedagógica estratégica as instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas, vêm utilizando; 2. Saber o que fazem para aprimorar a qualidade de ensino com vistas à emancipação do indivíduo. METODOLOGIA A modernidade inaugurou uma forma de racionalidade na qual há prevalência da relação meios-fins. De acordo com Boaventura de Sousa Santos2 à medida que se foi construindo a vitória da burguesia, o espaço do presente como repetição foi se ampliando. Hoje a burguesia sente que sua vitória histórica está consumada e ao vencedor consumado não interessa senão a repetição do presente (Santos, 1989). Em suma, o projeto educativo da sociedade burguesa é o da aplicação técnica da Ciência. A contrapartida reside na educação emancipatória visto que a modernidade e seu modelo de verdade burguesa constrange, reduz, limita, sufoca e trivializa o indivíduo conformando-o e o encerrando num presente sem fim. Não obstante, as escolas tornara-se centros reprodutores desse status perverso presas, também, nesse presente sem perspectivas de futuro. Nesse sentido, a gestão pedagógica estratégica com ênfase na emancipação do indivíduo cumpre duplo papel: o de gerir a partir de ferramentas da Administração Estratégica Planejada e, por conseguinte, como diria Paulo Freire, tornar os indivíduos capazes de ir além de seus condicionantes (2001:28). Com efeito, a pesquisa educacional requer abordagens que correspondam a especificidade desse segmento social, a escola e suas relações. A pesquisa trabalha com o universo dos significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização das variáveis (MINAYO, 1994:21). É verdade, também, que é necessário método para a 2 Boaventura de Sousa Santos é professor da Faculdade de Economia e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
  • 7. abordagem científica do recorte de realidade que se deseja investigar. Alerta Antônio Joaquim Severino que não basta seguir um método e aplicar técnicas para se completar o entendimento do procedimento geral da ciência. Esse procedimento precisa ainda referir-se a um fundamento epistemológico que sustenta e justifica a própria metodologia aplicada. É que a ciência é sempre o enlace de uma malha teórica com os dados empíricos, é sempre uma articulação do lógico com o real, do teórico com o empírico, do ideal com o real. Toda a modalidade de conhecimento realizado por nós implica uma condição prévia, um pressuposto relacionado a nossa concepção da relação sujeito/ objeto (SEVERINO, 2003:100). É notório o caráter complementar das citações acima no tocante a pesquisa que se pretende neste projeto. A preocupação está em circunscrever o objeto, verifica-lo quantitativa e qualitativamente e analisa-lo em sua complexidade. Para bem compreender o fenômeno da gestão pedagógica estratégica e a implicação disso na qualidade do ensino com vistas à emancipação do indivíduo lançaremos mão dos seguintes instrumentos para analisar instituições de ensino públicas e privadas do Estado de São Paulo: 1. Revisão Bibliográfica; 2. Questionário (análise quantitativa); 3. Entrevistas (análise qualitativa). RESULTADOS ESPERADOS Através da análise de todos os instrumentos de pesquisa utilizados espera-se conhecer o que as escolas públicas e privadas tem feito na sua Gestão Pedagógica Estratégica e como elas preparam o cidadão para o exercício de suas prerrogativas sociais. Além disso, esperamos produzir e trazer elementos que auxiliem na ampliação e avanço dos debates sobre gestão escolar. BIBLIOGRAFIA BARROS, A. de J. P. de; LEHFELD, N. A. de S. Projeto de pesquisa: propostas metodológicas. Petropólis: Editora Vozes, 2003. BRAGA, Ryon & MONTEIRO, Carlos. Planejamento estratégico sistêmico para instituições de ensino. Espírito Santo: Hoper Editora, 2005.
  • 8. DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. São Paulo: Editora Cortez, 1991. ______________ Metodologia científica em ciências sociais. São Paulo: Editora Atlas, 2007. DRUCKER, Peter. Prática de Administração de Empresas. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1962. FAZENDA, I. (org). Novos enfoques da pesquisa educacional. São Paulo: Editora Cortez, 1999. ______________ Metodologia da pesquisa educacional. São Paulo: Editora Cortez, 1989. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2001. GAJARDO, M. Pesquisa participante na América latina. São Paulo: Editora Braziliense, 1986. LÖWY, M. Ideologias e ciência social: elementos para uma análise marxista. São Paulo: Editora Cortez, 1989. LUNA, S. V. de. Planejamento de pesquisa: uma introdução. São Paulo: EDUC – ED. Da PUC/SP, 2000. MEDEIROS, J. B. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. São Paulo: Editora Ática, 2000. MINAYO, M. C. de S. (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Editora Vozes, 1994. PÁDUA, E. M. M. de. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico-prática. São Paulo: Editora Papirus, 1999. PLANO de desenvolvimento institucional – PDI: diretrizes para elaboração. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Superior. Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, 2004. SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Editora Cortez, 2003. SOARES, S. G. Educação e integração social. Campinas: Editora Alínea, 2003. ______________ Arquitetura da identidade sobre educação, ensino e aprendizagem. São Paulo: Editora Cortez, 2001. SOARES, S. G. (org). Cultura do desafio: gestão de tecnologias de informação e comunicação no ensino superior. Campinas: Editora Alínea, 2006.
  • 9. TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa. São Paulo: Editora Atlas, 2008.