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Onde é que nos encontramos para aonde estamos a ir e onde devemos estar

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A ascensão de um populismo bruto, que temos assistido ultimamente, reflete o mal-estar das populações com a classe política, mas este caminho ainda é pior do que o anterior. Não leva em conta os factos mais importantes como as alterações climáticas, a destruição do suporte de vida na terra, a nossa relação com os outros, com os animais e a vida em geral. A realidade é alienada para dar origem a mais uma história de entretimento, neste caso, nacionalista. Mas, independentemente das narrativas que inventados como alternativas à realidade, a natureza não tem fronteiras antrópicas, não quer saber das nossas histórias e reflete sempre a verdade.
Acho que de uma forma ou de outra todos estamos a perceber que caminhamos para o abismo. Vivemos uma crise multidimensional, isto é: ecológica, ambiental, climática, pessoal, social, demográfica, económica, financeira, de saúde pública, de perceção, etc. porque na realidade todos estas dimensões se cruzam. Nada existe separado. Muitas das consequências já são tão profundas que as mudanças são inevitáveis e irreversíveis. Por esse motivo fala-se agora em adaptações, porque não há que voltar atrás. Mas o futuro constrói-se no presente e já provamos que somos uma força transformadora global. Só precisamos de mudar o rumo das nossas ações, da nossa forma de ver e estar no mundo. Precisamos de derrubar muros e fronteiras entre povos e culturas; criar pontes de diálogo; incentivar a cidadania e a governança; cuidar, respeitar e proteger a natureza que é fonte de bem-estar; abandonar qualquer prática que fomente a exploração ou crueldade de seres sencientes, imprópria de uma sociedade evoluida e apostar nas energias descentralizadas. Está na hora de acordar. De dar o salto quântico da nossa evolução como sociedade do século XXI. Está na hora de construirmos um futuro novo, mais belo, humana e esteticamente. Temos de voltar à verdade, mas não aquela verdade que só olha para os números. Temos de observar a verdade no coração das pessoas, nos olhos dos animais e na paisagem natural. Desconstruir a tecnociência e a economia fria
e materialista, que esmaga tudo à sua volta e voltar a pintar o mundo com cores alegres que se soltam da alegria de viver em harmonia e partilha com os outros.

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Onde é que nos encontramos para aonde estamos a ir e onde devemos estar

  1. 1. 70 O Instalador Março 2017 www.oinstalador.com Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS Onde é que nos encontramos, para aonde estamos a ir e onde devemos estar Texto e Fotos_Jorge Moreira [Ambientalista e Investigador] Uma responsabilidade verdadeiramente planetária: o reconhecimento do facto de que todos nós que partilhamos o planeta dependemos uns dos outros para o nosso presente e futuro. Nada do que façamos ou deixemos de fazer pode ser indiferente para o destino de todos os outros. Nenhum de nós pode mais procurar e encontrar um refúgio privado para tormentas que se podem originar em qualquer parte do globo. Zygmunt Bauman, A Vida Líquida Foto_Maria Augusta Pinto
  2. 2. O Instalador Março 2017 www.oinstalador.com 71 Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS A palavra do ano de 2016, escolhida pelos dicionários britânicos Oxford, foi a pós-ver- dade. Trata-se de um adjetivo que reflete as circunstâncias em que os factos objetivos têm menos influência na formação da opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais. A escolha desta palavra foi motivada pelo referendo Brexit no Reino Unido e a eleição presidencial nos Estados Unidos da América. De facto, assistimos a um mundo onde a mentira, a censura científica, a ocultação e a construção de uma narrativa alternativa à verdade, tem sido utilizadas frequentemente por muitos políticos controladores e empresas irresponsáveis, que querem continuar a aumentar a sua influência, poder e lucro, sem olhar às consequências que poderão advir para a saúde e o bem-es- tar de seres humanos, animais e dos outros seres vivos, bem como para a natureza como um todo. Há um ataque generalizado à vida e à qualidade de vida humana, exceto para uma pequeníssima franja de seres humanos, que vive à custa da miséria de outros seres humanos e da exploração da natureza. Uma grupo que invade, que separa, que mata e pretende perpetuar o sistema que é baseado numa economia irreal feita à sua medida, que não contabiliza as externalidades, nem os limites, nem o sofrimento e é, de certa forma, corresponsável pelo atraso civilizacional que ainda vivemos em pleno século XXI. Enten- da-se civilização, não na sua materialidade tecnológica, mas como um estado evolutivo da sociedade global, fundada na cidadania, na liberdade, na equidade, na solidariedade, na justiça, na partilha e na colaboração. O desa- broçar da humanidade que habita ou deveria habitar em cada um de nós. Humanidade que é sinónimo de sabedoria, compaixão, respeito pelas outras formas de vida e que cuida da na- tureza à qual faz parte. Tantas vezes ouvimos a pergunta: onde está a tua humanidade? E se colocássemos a mesma questão à civilização atual? Numa análise coerente, verificaríamos que o resultado da atividade desta civilização à qual pertencemos, envergonha a essência da hu- manidade. Seres humanos reféns de um siste- ma que absorve grande parte das suas vidas, animais sensíveis tratados pior que objectos inanimados e a natureza, que é fonte e suporte de toda a vida, é explorada e envenenada. Parece que somos alienados da realidade, que não somos a própria natureza e que os animais não sofrem ou não são nossos irmãos na cadeia evolutiva terrestre. Perpetuamos práticas culturais absurdas. Inventamos men- tiras para continuar a escravidão, a selvageria e a destruição. Entretanto, segundo os dados das organizações Acción Contra El Hambre e Save The Children, estima-se que 8500 crianças morram por dia por causa de des- nutrição severa e segundo as Nações Unidas, o ano de 2015 estabeleceu um novo recorde de 65,3 milhões de refugiados e deslocados, que foram obrigados a deixar suas casas ou os seus países de origem, na sequência de guerras e perseguições. Muitos fizeram-no sobre condições inimagináveis, percorrendo milhares de quilómetros, atravessando mares e paredes xenófobas e continuam a viver em estado de sítio. Paralelamente, segundo a ADAPTT, com dados da FAO, são abatidos por ano mais de 150 mil milhões de animais para consumo humano. Muitos desses animais tiveram uma vida miserável e sofrida às mãos de seres humanos crueis que os exploraram. Para além disto, está em curso a sexta extinção em massa, que levará cerca de 75% das espécies. Somos uma força geo- lógica destrutiva! Mas não queremos saber ou não damos importância a estes dados. Estamos domesticados pela elite e conti- nuamos a nossa vidinha diária, a iludirmos uns aos outros de que somos civilizados e a acreditarmos que a tecnociência irá resolver todos os nossos males, independentemente do nosso comportamento ou das nossas escolhas. A pós-verdade é o lugar comum da nossa sociedade. Ambiente – alguns dados preocupantes Num estudo realizado por investigadores climáticos da Australian National University, sobre a direção do Professor Will Steffen, que tiveram a proeza de desenvolver uma equação matemática que descreve o impacto da atividade humana na Terra, chegaram à conclusão de que a nossa sociedade está a causar alterações climáticas 170 vezes mais rápidas do que as causas naturais. Este es- tudo é muito importante, porque vem provar que as alterações climáticas antropogénicas são uma realidade e não uma consequência natural, como alguns políticos querem fazer querer. Diz Steffen a propósito: nós não es- tamos a dizer que as forças astronómicas do nosso sistema solar ou os processos geológi- cos desapareceram, mas em termos do seu impacto num período tão pequeno de tempo, são agora negligênciáveis comparativamente à nossa influência. São estas alterações climáticas que Steffen fala que são a maior ameaça à vida na Terra, nomeadamente para o futuro da Humanidade e, especialmente, quando olhamos para as concentrações de CO2 na atmosfera e assistimos a um aumento progressivo, desde a revolução industrial, de cerca de 280 ppm para 400 ppm e os valores continuam a crescer. Com estas taxas, os oceanos estão num processo de acidificação, tornando a situação mais ainda grave. Mas, infelizmente, o problema não encerra aqui. A nossa insensibilidade e ganância doentia fragmentou os habitats da vida selvagem, asfixiando-os a cerca de 25% do território terrestre sem gelo. Como resultado, temos
  3. 3. 72 O Instalador Março 2017 www.oinstalador.com taxas de extinção de espécies dramáticas e a situação, embora conhecida por todos, con- tinua a piorar. A diretora-geral da UICN, Inger Anderson, aquando da atualização da Lista Vermelha (2016), comunicou: a crise mundial da extinção de espécies pode ser maior do que aquilo que pensamos. Esta preocupa- ção transcreve a gravidade da situação e o profundo impacto antropogénico nas outras espécies que habitam o nosso planeta. Os dados recentemente apresentados co- locam Portugal num desprestigiante quatro lugar entre os países da Europa com mais espécies ameaçadas. E o que fazemos? Insis- timos em políticas e práticas obsoletas, como a construção de barragens em locais sensíveis na perpectiva da conservação da natureza, quando os outros países estão a renaturalizar os seus cursos de água; apostamos em con- traciclo energético nos furos de propesção de hidrocarbonetos, em zonas turísticas por excelência, colocando em perigo não só o ambiente, mas toda uma atividade económica regional altamente lucrativa; substituimos a floresta autóctone rica em biodiversidade pela monocultura de uma exótica, o eucalipto, com a agravante de ser mais suscetível no que respeita à questão dos incêndios florestais; e contaminamos solos e rios. Nem o Tejo, que é o rio mais extenso da Península Ibérica e passa pela nossa capital, escapou à atividade industrial envolvente e encontra-se em muitos locais ferido de morte. Onde está a justiça que sentenceia os prevaricadores? Paralelamente, deixamos de fornecer os meios necessários à conservação das nossas áreas naturais protegidas, deixamos que as exóticas e as infestantes proliferem e continuamos na senda do urbanismo caótico e do desrespeito pela beleza da nossa paisagem natural. Ainda somos um belíssimo espaço plantado à beira mar, mas deixaremos de o ser se continuar- mos na senda do betão, do papel e do furo. Almaraz e Fukushima Interligando escalas nacionais, regionais e globais, os ambientalistas ibéricos lutam lado a lado pelo encerramento da central nuclear de Almaraz, cujo prazo de validade teria sido 2010, mas, entretanto, foi alargado até 2020. O problema foi exarcebado nas últimas semanas devido à intenção do governo espanhol em construir um armazém de resíduos nucleares anexo. Instalou-se um caso diplomático entre os dois países, especialmente porque Portugal nunca apostou (e muito bem) neste tipo de tecnologias e pode vir a ser afetado por contaminação das águas, uma vez que a central é refrigerada pelas águas de uma albufeira afluente do rio Tejo e, também, por contaminação atmosférica, na medida que a central dista uns meros 100 quilómetros da fronteira portuguesa. Tal como as alterações climáticas, um problema que surge numa central nuclear pode transformar-se num problema regional ou até global e, infelizmente, não faltam exemplos que comprovam esse facto. Mais recentemente, o acidente na cen- tral nuclear de Fukushima, em 2011, no segui- mento de um tsunami, dá para retirar algumas elações. Entre elas, estão os erros de planifi- cação (geologia do local de implementação), a falta de segurança técnica, a manipulação de dados e a ocultação de problemas, todas, devido a interesses particulares de algumas Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
  4. 4. O Instalador Março 2017 www.oinstalador.com 73 entidades envolvidas na central. Conclui-se que os interesses particulares de um pequeno grupo sobrepuseram-se às pessoas em geral e ao ambiente. Ainda se encontram 100.000 deslocados, um sem-número de pessoas com a saúde afetada para toda a vida e não há fim à vista para o problema. Recentemente, os níveis de radiação atingiram valores recorde desde o tsunami e estão a contaminar todo o Pacífico. Depois de uma série de incidentes com Alvaraz e do Conselho de Segurança Nuclear espanhol ter denunciado algumas irregularidades preocupantes com a central, são válidas as preocupações dos ambientalis- tas quanto ao encerramento da central, bem quanto ao depósito altamente perigoso dos resíduos nucleares. A nossa relação com os animais Quando vemos sociólogos, políticos, autarcas e educadores, que pelo seu conhecimento e responsabilidade deveriam ter a obrigação de fomentaram uma ética alargada e, ao contrário disso, encontram-se, em muitos ca- sos, a promoverem ações e espetáculos onde reina a violência sobre animais sencientes - animais que possuem características, sentires e sensibilidades muito parecidas com as do ser humano, isso quer dizer que a sociedade ou se encontra profundamente doente ou ain- da pertence a um passado onde a ignorância andava a par com a insensibilidade e a selva- jaria. Não precisamos, nem temos o direito de tratar os animais da maneira que tratamos. Nem para alimentação e muito menos para divertimento, desporto ou moda. Mahatma Gandhi afirmou que o grau de evolução de determinada sociedade pode ser avaliado pela maneira como trata as suas crianças, os seus idosos e os seus animais. Com tantas alternativas saborosas e mais saudáveis à proteína animal ainda continuamos a mandar milhões de seres sensíveis e amorosos para os campos de concentração, que são as imensas indústrias pecuárias e matadouros? Onde está a nossa humanidade? A carne que está no supermercado ou no talho não vem de um processo industrial mágico. Ela é o grito que se solta dos olhos sofridos de um animal! Da mesma forma, a roupa que muitos seres humanos fazem questão de exibir na praça pública são pedaços de animais. Será que têm noção disso? Será que sabem que em alguns casos a pele foi arrancada com os animais ainda vivos? Qual a necessidade que temos em exibir tamanha crueldade? Quase todos os dias chegam-nos dados preocupantes sobre a desflorestação da Amazónia ou de outros pulmões da Terra. Muitas dessas ações, senão a maioria delas, devem-se à agropecuária. Da mesma forma, a produção de carne é responsável por uma elevada emissão de gases com efeito de es- tufa. Também por esse motivo, a ONU sugere um consumo reduzido de produtos de origem animal para salvar o planeta dos piores impac- tos das alterações climáticas. O principal autor do relatório, Edgar Hertwich, diz o seguinte: Produtos de origem animal causam mais da- nos do que produzir minerais de construção como areia e cimento, plásticos e metais. A biomassa e as plantações para alimentar animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fósseis". Esta recomendação Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
  5. 5. 74 O Instalador Março 2017 www.oinstalador.com segue em linha com Lord Stern, conselheiro económico do governo britânico, que propõe uma dieta vegetariana para um planeta melhor, e do IPCC, que sugere um dia por semana livre de carne, para reduzir as emissões. Outra questão que se encontra em cima da mesa é a produção de leite. As empresas do ramo continuam a reclamar subsídios para manterem a sua atividade lucrativa e o gover- no português atribuiu, só em 2016, no Con- tinente, e segundo as contas do PAN, mais de 100 milhões de euros para esta indústria. Quando percebemos que as pessoas estão a alterar os seus hábitos alimentares, reduzindo o consumo de leite por questões éticas, de saúde e ambientais, será correto o Governo contrariar esta tendência e continuar apoiar esta atividade? Aquilo que tenho verificado em alguns países onde o consumo de leite tem diminuído, a indústria tem-se adaptado à procura do mercado, adaptando as suas unidades de produção às alternativas ao leite, como bebidas de origem vegetal. Fica aqui esta sugestão. Recentemente muitas pessoas manifestaram a sua indignação nas redes sociais por causa de um evento que promovia a caça à raposa numa localidade portuguesa. Fizeram-no bem! Tal prática não se coaduna com uma sociedade civilizada. Mas depois tiveram o reverso da medalha, com insultos por parte dos promotores da caça em geral e, mais do que isso, por alguns ambientalistas que defendem a caça como meio de preservação da natureza. Precisamos de esclarecer umas coisas. A Natureza não deve estar confinada aos interesses humanos. Ela está cá há muito mais tempo do que nós. Melhor dizendo, a Natureza sempre esteve cá e nós aparecemos como uma das suas filhas. Devemos respeito e cuidado para com ela. Mas se estão a defender o equilíbrio ecológico, não nos podemos esquecer que a maior força motriz desestabilizadora é a ação do ser humano no ecossistema. Mas, partindo do princípio que a proliferação de uma espécie coloca em causa o equilíbrio ecológico, facto que assistimos atualmente com a espécie homo sapiens, poderá haver outras alternativas do que a caça. A deslocalização ou o controlo de natalidade podem ser algumas propostas. Em todo o caso, o equilíbrio ecológico não está ameaçado por causa da raposa na localidade em questão e devemos apoiar os milhares de corações sensíveis que lutam contra estas práticas. Uma excelente notícia surge dos números for- necidos pela Inspeção-Geral das Atividades Culturais sobre a tauromaquia. O ano de 2016 foi o pior de sempre em termos de público e do número de espetáculos. Desde 2010 que esta atividade perdeu 53% dos espectadores. Estamos no bom caminho, mas continuamos a ver as televisões a transmitir estes eventos violentos, que lembram o pior dos tempos idos e, especialmente com a assistência de menores. Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
  6. 6. O Instalador Março 2017 www.oinstalador.com 75 Opinião AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS A desigualdade Stephen Hawkins publicou recentemente no The Guardian um artigo muito interessante, em que faz uma análise lúcida da atualidade. Diz ele que Este é o momento mais perigoso para o nosso planeta. O seu principal argu- mento é a desigualdade económica em todo o mundo. Com o avanço tecnológico um pe- queno grupo de indivíduos é capaz de retirar lucros fabulosos e empregar muito poucas pessoas. Lateralmente, verificamos que os poucos indivíduos que trabalham no setor financeiro são capazes de acumular grandes fortunas e quando há um erro devido à sua ganância, é a população geral que paga a fatura. Hawkins refere estes dois fatores como destrutivos. Quando pensávamos que a tec- nologia seria libertadora do trabalho, criando condições para a humanidade florescer na arte, na ciência, na filosofia, no voluntariado e na espiritualidade, assistimos que no geral ela é utilizada para condicionar mais as pessoas, ora pelo número de horas de trabalho, ora pela escassez de emprego. Quem tem contas para pagar ao sistema, e o sistema promove-se a si próprio na questão da dívida, vive numa ansie- dade constante, submetendo-se a situações humilhantes e precárias. Quem tem contas e não tem emprego, está sujeito a perder tudo o que tem, incluindo a sua saúde. A utopia de uma civilização fundada na liber- dade, na igualdade e na fraternidade está a anos-luz de distância. Stephen adverte que não podemos continuar a ignorar a desigual- dade, porque temos meios para destruir o nosso mundo, mas não para escapar dele. Para aonde estamos a ir e onde devemos estar Aascensãodeumpopulismobruto,quetemos assistido ultimamente, reflete o mal-estar das populações com a classe política, mas este ca- minho ainda é pior do que o anterior. Não leva em conta os factos mais importantes como as alterações climáticas, a destruição do suporte devidanaterra,anossarelaçãocomosoutros, com os animais e a vida em geral. A realidade é alienada para dar origem a mais uma história de entretimento, neste caso, nacionalista. Mas, independentemente das narrativas que inven- tados como alternativas à realidade, a natureza não tem fronteiras antrópicas, não quer saber das nossas histórias e reflete sempre a verda- de. Acho que de uma forma ou de outra todos estamos a perceber que caminhamos para o abismo. Vivemos uma crise multidimensional, isto é: ecológica, ambiental, climática, pessoal, social, demográfica, económica, financeira, de saúde pública, de perceção, etc. porque na realidade todos estas dimensões se cruzam. Nada existe separado. Muitas das consequên- cias já são tão profundas que as mudanças são inevitáveis e irreversíveis. Por esse motivo fala-se agora em adaptações, porque não há que voltar atrás. Mas o futuro constrói-se no presente e já provamos que somos uma força transformadora global. Só precisamos de mudar o rumo das nossas ações, da nossa forma de ver e estar no mundo. Precisamos de derrubar muros e fronteiras entre povos e culturas; criar pontes de diálogo; incentivar a cidadania e a governança; cuidar, respeitar e proteger a natureza que é fonte de bem-estar; abandonar qualquer prática que fomente a exploração ou crueldade de seres sencientes, imprópria de uma sociedade evoluida e apos- tar nas energias descentralizadas. Está na hora de acordar. De dar o salto quântico da nossa evolução como sociedade do século XXI. Está na hora de construirmos um futuro novo, mais belo, humana e esteticamente. Temos de voltar à verdade, mas não aquela verdade que só olha para os números. Temos de observar a verdade no coração das pessoas, nos olhos dos animais e na paisagem natural. Desconstruir a tecnociência e a economia fria e materialista, que esmaga tudo à sua volta e voltar a pintar o mundo com cores alegres que se soltam da alegria de viver em harmonia e partilha com os outros. Foto_Maria Augusta Pinto

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