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I-Juca-Pirama, Gonçalves Dias   Manoel Neves
A POESIA DO ROMANTISMO                                 primeira geração                                      INDIANISMO   ...
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Análise de i juca-pirama, de gonçalves dias

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Análise de i juca-pirama, de gonçalves dias

  1. 1. I-Juca-Pirama, Gonçalves Dias Manoel Neves
  2. 2. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [primeiro canto]No meio das tabas de amenos verdores, São rudos, severos, sedentos de glória,Cercadas de troncos – cobertos de flores, Já prélios incitam, já cantam vitória,Alteiam-se os tetos d’altiva nação; Já meigos atendem à voz do cantor:São muitos seus filhos, nos ânimos fortes, São todos Timbiras, guerreiros valentes!Temíveis na guerra, que em densas coortes Seu nome lá voa na boca das gentes,Assombram das matas a imensa extensão. Condão de prodígios, de glória e terror!As tribos vizinhas, sem forças, sem brio, No centro da taba se estende um terreiro,As armas quebrando, lançando-as ao rio, Onde ora se aduna o concílio guerreiroO incenso aspiraram dos seus maracás: Da tribo senhora, das tribos servis:Medrosos das guerras qu’ os fortes acendem, Os velhos sentados praticam d’outrora,Custosos tributos ignavos lá rendem, E os moços inquietos, que a festa enamora,Aos duros guerreiros sujeitos na paz. Derramam-se em torno dum índio infeliz. forma: oito sextilhas de versos hendecassílabos [ritmo lento e marcado]conteúdo: descrição [natureza exuberante] + caracterização narrativo-descritiva dos Timbiras
  3. 3. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [primeiro canto] Quem é? – ninguém sabe: seu nome é ignoto, Por casos de guerra caiu prisioneiro Sua tribo não diz: – de um povo remoto Nas mãos dos Timbiras: – no extenso terreiro Descende por certo – dum povo gentil; Assola-se o teto, que o teve em prisão; Assim lá na Grécia ao escravo insulano Convidam-se as tribos dos seus arredores, Tornavam distinto do vil muçulmano Cuidosos se incubem do vaso das cores, As linhas corretas do nobre perfil. Dos vários aprestos da honrosa função. Acerva-se a lenha da vasta fogueira Em tanto as mulheres com leda trigança, Entesa-se a corda da embira ligeira, Afeitas ao rito da bárbara usança, Adorna-se a maça com penas gentis: índio já querem cativo acabar: A custo, entre as vagas do povo da aldeia A coma lhe cortam, os membros lhe tingem, Caminha o Timbira, que a turba rodeia, Brilhante enduape no corpo lhe cingem, Garboso nas plumas de vário matiz. Sombreia-lhe a fronte gentil canitar. conteúdo: apresentação do guerreiro tupi [cujo porte é elogiado] aprisionado pelos timbirasconteúdo: os Timbiras preparam o guerreiro tupi para o ritual antropofágico [adornos, adereços]
  4. 4. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [segundo canto] Em fundos vasos d’alvacenta argila O prisioneiro, cuja morte anseiam, Ferve o cauim; Sentado está, Enchem-se as copas, o prazer começa, O prisioneiro, que outro sol no ocaso Reina o festim. Jamais verá! A dura corda, que lhe enlaça o colo, Contudo os olhos d’ignóbil pranto Mostra-lhe o fim Secos estão; Da vida escura, que será mais breve Mudos os lábios não descerram queixas Do que o festim! Do coração. Mas um martírio, que encobrir não pode, Que tens, guerreiro? Que temor te assalta Em rugas faz No passo horrendo? A mentirosa placidez do rosto Honra das tabas que nascer te viram, Na fronte audaz! Folga morrendo. forma: dez quadras com esquema métrico variado [10-4-10-4]conteúdo: descrição do festim antropofágico; guerreiro tupi começa a se mostrar preocupado
  5. 5. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [segundo canto] Folga morrendo; porque além dos Andes Rasteira grama, exposta ao sol, à chuva, Revive o forte, Lá murcha e pende: Que soube ufano contrastar os medos Somente ao tronco, que devassa os ares, Da fria morte. O raio ofende! Que foi? Tupã mandou que ele caísse, Que temes, ó guerreiro? Além dos Andes Como viveu; Revive o forte, E o caçador que o avistou prostrado Que soube ufano contrastar os medos Esmoreceu! Da fria morte.conteúdo: notando que o guerreiro tupi está um pouco reticente e pensativo, os timbiras oconteúdo: encorajam a aceitar o sacrifício pq Tupã vive além dos Andes para cuidar dele
  6. 6. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [terceiro canto]Em larga roda de novéis guerreiros Como que por feitiço não sabidoLedo caminha o festival Timbira, Encantadas ali as almas grandesA quem do sacrifício cabe as honras, Dos vencidos Tapuias, inda choremNa fronte o canitar sacode em ondas, Serem glória e brasão d’imigos feros.O enduape na cinta se embalança,Na destra mão sopesa a iverapeme, “Eis-me aqui”, diz ao índio prisioneiro;Orgulhoso e pujante. – Ao menor passo “Pois que fraco, e sem tribo, e sem família,Colar d’alvo marfim, insígnia d’honra, “As nossas matas devassaste ousado,Que lhe orna o colo e o peito, ruge e freme, “Morrerás morte vil da mão de um forte.” forma: estrofação irregular com versos decassílabos conteúdo: o festival encaminha-se para o seu apogeu [sacrifício]; o índio tupi se apresenta conteúdo: e pergunta se será covardemente morto
  7. 7. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [terceiro canto] Vem a terreiro o mísero contrário; Do colo à cinta a muçurana desce: “Dize-nos quem és, teus feitos canta, “Ou se mais te apraz, defende-te.” Começa O índio, que ao redor derrama os olhos, Com triste voz que os ânimos comove. forma: estrofação irregular com versos decassílabos conteúdo: apesar da incredulidade dos guerreiros timbiras, o guerreiro tupi é convidado a seconteúdo: defender, através de um discurso; o índio começa a chorar e usa uma voz comovente.
  8. 8. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [quarto canto] Da tribo pujante, Já vi cruas brigas, Andei longes terrasMeu canto de morte, Que agora anda errante De tribos imigas, Lidei cruas guerras, Guerreiros, ouvi: Por fado inconstante, E as duras fadigas Vaguei pelas serrasSou filho das selvas, Guerreiros, nasci; Da guerra provei; Dos vis Aimoréis; Nas selvas cresci; Sou bravo, sou forte, Nas ondas mendaces Vi lutas de bravos,Guerreiros, descendo Sou filho do Norte; Senti pelas faces Vi fortes – escravos! Da tribo tupi. Meu canto de morte, Os silvos fugaces De estranhos ignavos Guerreiros, ouvi. Dos ventos que amei. Calcados aos pés.E os campos talados, Aos golpes do imigo, Meu pai a meu lado O velho no entantoE os arcos quebrados, Meu último amigo, Já cego e quebrado, Sofrendo já tanto E os piagas coitados Sem lar, sem abrigo De penas ralado, De fome e quebranto, Já sem maracás; Caiu junto a mi! Firmava-se em mi: Só qu’ria morrer!E os meigos cantores, Com plácido rosto, Nós ambos, mesquinhos, Não mais me contenho,Servindo a senhores, Sereno e composto, Por ínvios caminhos, Nas matas me embrenhoQue vinham traidores, O acerbo desgosto Cobertos d’espinhos Das frechas que tenhoCom mostras de paz. Comigo sofri. Chegamos aqui! Me quero valer.
  9. 9. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [quarto canto] Então, forasteiro, Eu era o seu guia Ao velho coitado Não vil, não ignavo, Caí prisioneiro Na noite sombria, De penas ralado, Mas forte, mas bravo,De um troço guerreiro A só alegria Já cego e quebrado, Serei vosso escravo:Com que me encontrei: Que Deus lhe deixou: Que resta? – Morrer. Aqui virei ter. O cru dessossêgo Em mim se apoiava, Enquanto descreve Guerreiros, não coro Do pai fraco e cego, Em mim se firmava, O giro tão breve Do pranto que choro: Enquanto não chego Em mim descansava, Da vida que teve, Se a vida deploro, Qual seja, – dizei! Que filho lhe sou. Deixai-me viver! Também sei morrer. história do tupi: depois de ver seu último companheiro de guerra cair junto de si, o guerreiro história do tupi: foge com seu pai; então, embrenha-se na floresta e acaba por cair prisioneirohistória do tupi: dos timbiras; após tal constatação, pede para ser solto a fim de que cuide do pai história do tupi: até o fim dos dias deste; assim que o velho morresse, ele voltará história do tupi: para ser sacrificado pelos guerreiros timbiras.
  10. 10. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [quinto canto] forma: estrofação irregular com versos heterométricos tema: o chefe timbira pede para que soltem o tupi; todos ficam assustados, pois isso nuncatema: ocorrera antes; solto, o tupi agradece o timbira, que o manda partir; o tupi diz que voltará tema: então, o chefe timbira diz que será em vão, pq um tupi nunca chora; o tupi parte.
  11. 11. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [sexto canto] forma: estrofação irregular com versos heterométricos [predomínio de decassílabos] tema: o índio tupi reencontra seu pai, que estranha a falta dos adornos da tribo tupi e ainda tema: o cheiro das tintas utilizadas no ritual antropofágico;tema: o índio tupi diz que foi preso pelos timbiras e que estes o soltaram quando souberam qtema: da existência do velho pai fraco e cego; o velho tupi pergunta onde fica a tribo timbira e tema: para ser levado para lá.
  12. 12. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [sétimo canto] forma: estrofação irregular com versos heptassílabos [rimas irregulares]tema: o velho tupi agradece a gentileza dos timbiras, mas diz que nunca foi vencido nem tema: na guerra, nem em gentileza, por isso, solicita que o ritual se realizetema: o chefe timbira humilha o velho tupi, ao falar que o filho dele é indigno do sacrifício.
  13. 13. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [oitavo canto]“Tu choraste em presença da morte? “Possas tu, isolado na terra,Na presença de estranhos choraste? Sem arrimo e sem pátria vagando,Não descende o cobarde do forte; Rejeitado da morte na guerra,Pois choraste, meu filho não és! Rejeitado dos homens na paz,Possas tu, descendente maldito Ser das gentes o espectro execrado;De uma tribo de nobres guerreiros, Não encontres amor nas mulheres,Implorando cruéis forasteiros, Teus amigos, se amigos tiveres,Seres presa de via Aimorés. Tenham alma inconstante e falaz!“Não encontres doçura no dia, “Que a teus passos a relva se torre;Nem as cores da aurora te ameiguem, Murchem prados, a flor desfaleça,E entre as larvas da noite sombria E o regato que límpido corre,Nunca possas descanso gozar: Mais te acenda o vesano furor;Não encontres um tronco, uma pedra, Suas águas depressa se tornem,Posta ao sol, posta às chuvas e aos ventos, Ao contacto dos lábios sedentos,Padecendo os maiores tormentos, Lago impuro de vermes nojentos,Onde possas a fronte pousar. Donde fujas com asco e terror!
  14. 14. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [oitavo canto]“Sempre o céu, como um teto incendido, “Um amigo não tenhas piedosoCreste e punja teus membros malditos Que o teu corpo na terra embalsame,E oceano de pó denegrido Pondo em vaso d’argila cuidosoSeja a terra ao ignavo tupi! Arco e frecha e tacape a teus pés!Miserável, faminto, sedento, Sê maldito, e sozinho na terra;Manitôs lhe não falem nos sonhos, Pois que a tanta vileza chegaste,E do horror os espectros medonhos Que em presença da morte choraste,Traga sempre o cobarde após si. Tu, cobarde, meu filho não és.”
  15. 15. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [nono canto] forma: estrofação irregular com versos decassílabostema: o guerreiro tupi, ao ouvir as palavras do velho, lança seu grito de guerra e começa a lutartema: a esmo; há, então, um alarido terrível na tribo; correria; combates; então o velho timbira tema: reconhece a bravura do guerreiro tupi e diz que ele está apto para o sacrifício; tema: o pai e o filho tupis choram de emoção.
  16. 16. A POESIA DO ROMANTISMO primeira geração INDIANISMO [índio: ideal da identidade nacional] I-JUCA-PIRAMA, Gonçalves Dias [décimo canto] Um velho Timbira, coberto de glória, “Eu vi o brioso no largo terreiro Guardou a memória Cantar prisioneiro Do moço guerreiro, do velho Tupi! Seu canto de morte, que nunca esqueci:E à noite, nas tabas, se alguém duvidava Valente, como era, chorou sem ter pejo; Do que ele contava, Parece que o vejo, Dizia prudente: – “Meninos, eu vi! Que o tenho nest’hora diante de mi.“Eu disse comigo: Que infâmia d’escravo! Assim o Timbira, coberto de glória, Pois não, era um bravo; Guardava a memória Valente e brioso, como ele, não vi! Do moço guerreiro, do velho Tupi. E à fé que vos digo: parece-me encanto E à noite nas tabas, se alguém duvidava Que quem chorou tanto, Do que ele contava, Tivesse a coragem que tinha o Tupi!” Tornava prudente: “Meninos, eu vi!”. forma: quatro sextilhas de metro alternado 11 e 5 conteúdo: velho timbira é o guardião da memória do célebre guerreiro tupi.

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